Notas iniciais
Eu sei que deixei bem claro que iria postar apenas uma vez por semana, mas eu não consegui me conter dessa vez! Hahahaha. Vou contar pra vocês que já tenho escrito essa fic até o capitulo 7, então eu estou me esforçando para não postar tudo de uma vez. É claro que essa empolgação toda é resultado das reviews que vocês carinhosamente me mandam. Obrigada pelos elogios e eu prometo que continuarei postando com mais frequência. Espero que gostem do capitulo, o próximo provavelmente não demorará muito. Boa leitura.

"Hating won't do it..."

Nos primeiros segundos após ouvir aquela infâmia eu fiquei sem reação. Completamente sem reação e perdida em algum tipo de mundo paralelo onde eu podia e tinha o livre arbítrio para escolher a forma de tortura para aplicar naquela criatura. Mas infelizmente, tudo que é bom dura pouco. E então eu tive que voltar ao mundo normal onde torturas eram expressamente proibidas e dar continuidade aquela maldita entrevista, encarando aquele ser miserável a minha frente. E eu tinha quase certeza que aquilo ia atrapalhar no meu teste. “Porque acima de tudo, a jornalista não pode manter relações íntimas com o entrevistado, isso pode comprometer a entrevista.” Lembrei-me rapidamente de uma aula que tive na faculdade sobre comportamento de entrevista. Aquilo não poderia estar acontecendo. Tudo culpa do idiota prepotente que resolveu estragar tudo.

- Oh, que legal! – Disse em um tom meio forçado de felicidade e dei um sorriso, obviamente sarcástico demais para toda aquela situação. – E algum de vocês tem vontade de voltar pra cá pra fazer turismo?

Desta vez Max respondeu sendo muito claro, sem comprometer a minha pergunta. E a minha simpatia por ele se tornou mais clara ainda. Ele conseguia ser incrivelmente gentil, o oposto do seu companheiro. Quase senti um alivio por ele responder tão bem a minha pergunta, quando lembrei que infelizmente a entrevista já estava comprometida, e eu não conseguia sentir nenhum sentimento naquele momento a não ser ódio. Ódio puro.

Logo que as luzes apagaram tive vontade de espancar a parede com toda aquela aversão e repugna que eu estava sentindo naquele momento. Ricardo olhava pra mim com reprovação, e pena. O sentimento mais repulsivo que alguém podia sentir. Contei até dez, e juntei todo o autocontrole que eu possuía – que era pouco, e resolvi prestar contas ao culpado disso.

Por algum motivo ele já sabia o quanto eu queria conversar com ele. Eu só tinha uma leve impressão que ele achava que eu estava ali por motivos completamente errados. E ele possuía um sorriso repleto de saciedade, quase satisfeito com toda aquela situação. Não pude conter novamente o ódio que me dominava.

- Sabia que você arruinou a minha entrevista? Ah, e você sabia também que essa era a oportunidade de emprego perfeito pra mim? Que eu não vivo de musica como você? Não vivo de uma imagem estúpida? – Cuspi as palavras com fúria, me preocupando em manter o contato visual, mesmo aquilo me deixando extremamente desconfortável. Não sabia por que olhar pra ele era tão incomodo.

- Oh querida, me desculpe. – Ele parou para analisar as expressões de raiva que dominavam meu rosto. — Só não consegui me segurar, vendo você ali... Tão profissional, sem perder a compostura nem por um segundo, queria ver como você se sairia com uma provocação. E eu não me enganei, quando imaginei que você ficaria furiosa e perderia as palavras, mesmo se recuperando tão rapidamente. Eu tenho que te parabenizar. – Thomas falava lentamente enquanto um sorriso de escárnio surgia no seu rosto, acompanhado de uma risada cínica.

- Você é nojento. – Respondi com o meu melhor tom de desprezo, enquanto fazia uma tentativa frustrada de sair de perto dele.

- Oh, oh. Sério! O fato de eu querer conhecer a sua reação naquele momento não muda. Mas eu não tive a intenção de te prejudicar, em nenhum momento. – Ele mudou o tom de sua voz completamente e me puxou pelos braços. — Desculpe-me, não sabia que isso poderia te afetar, eu só estava brincando. – Falou erguendo os ombros em sinal de inocência. – Eu juro que eu não tinha esse propósito em nenhum momento.

Infelizmente eu não conseguia acreditar em nenhuma palavra que ele dizia. E alguma coisa me dizia que eu estava certa, porque algo em sua voz não me inspirava confiança, ele parecia estar fingindo sentimentos. Hipócrita.

- Ah, sério que não sabia? – Me soltei das suas mãos bruscamente. — Porque há alguns segundos atrás você pareceu bem irônico, imaginando que aquela sua resposta iria me prejudicar. – Inspirei reunindo todo o ar que possuía para manter a calma e continuei. — Mas, eu te desculpo. Aproveite o resto da sua estadia aqui, no País das mulheres maravilhosas. – Falei tentando imitar o tom irônico de sua voz e saí.

Ainda o escutei sussurrando algum tipo de palavrão sem sentido. Mas não me importei. O que eu menos desejava naquele momento era prolongar aquela conversa desnecessária e fútil.

Cheguei ao meu apartamento, joguei meus sapatos em algum canto e finalmente me joguei no sofá. Eu precisava disso. De um tempo para pensar, colocar os pensamentos no lugar antes de tomar qualquer decisão sobre o meu futuro, agora incerto. Infelizmente aquilo não foi possível quando percebi que não estava sozinha no apartamento. Ohh dammit, havia me esquecido do detalhe escandaloso chamado Laís. Detalhe escandaloso que insistia em gritar mais do que eu era capaz de suportar com aquela dor de cabeça abominável.

- VOCÊ JÁ PERCEBEU O QUANTO A SUA CAMA ESTÁ BAGUNÇADA? NÃO É POSSIVEL QUE VOCÊ ESQUECEU COMO SE FAZ PARA ARRUMAR UMA CAMA DECENTEMENTE. E AS SUAS ROUPAS JOGADAS PELO QUARTO? CAROLINA, VOCÊ JÁ FOI MAIS ORGANIZADA. – Laís disse enquanto adentrava o cômodo. Percebendo o meu ótimo humor, finalmente abaixou a voz. – Oh... O que aconteceu? – Ela falou sentando-se ao meu lado no sofá. – Me desculpe por gritar, não imaginava que você estaria com essa cara horrível de velório.

- Ah, obrigada pelo elogio. – Ensaiei um sorriso simpático. — Ah, e Thomas Parker aconteceu. Aconteceu, e em menos de 2 minutos conseguiu estragar meus quatro anos de faculdade e provavelmente o meu emprego perfeito. – Falei enquanto desenhava círculos invisíveis sobre o chão.

- Ok, não sei quem é Thomas Parker e não sei de quem você está falando. Mas eu não vou te exigir explicações porque eu te conheço e sei que você odeia falar sobre as coisas que te incomodam em momentos de raiva ou tristeza. Descanse agora, eu vou terminar de arrumar essa zona e depois eu falo com você. – Falou depositando um beijo na minha testa. – E não se esqueça: independente do que aconteceu, você é forte o suficiente pra superar e conseguir algo melhor. Eu te conheço e sei disso. – Disse e saiu lentamente para o outro cômodo.

E assim eu fiquei perdida nos meus pensamentos por um bom tempo antes de adormecer. Pensamentos assassinos a principio, tentando decidir as melhores formas de tortura, as mais dolorosas... Só depois de analisar a situação que eu finalmente concluí que não valia a pena me sujar com tão pouco. Talvez o que poderia valer à pena, e de bônus me daria diversão gratuita, seria outro jogo, um jogo bem menos arriscado... Ou não. Mas eu não me importava com aquilo, nunca me importei.

Notas finais
Ah, uma coisa importante. Quem não tiver conta aqui na Nyah, pode falar comigo pelo Twitter. Eu adoro conversar, e fazer amizades, então... o meu twitter é o @obsessiontvdtw =)