Just Begun.
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Um cheiro consideravelmente diferente do que eu estava acostumada a inalar todos os dias ao acordar invadiu meu nariz logo após eu abrir os olhos, e constatar um cômodo totalmente diferente ao meu quarto. O cheiro adocicado estava impregnado nas vestes que me cobriam, no quarto em si, em tudo ao meu redor... Fazendo-me questionar o porquê de eu estar ali. Massageei minhas têmporas como uma tentativa desesperada de fazer a dor de cabeça se esvair de meu corpo, e assim que tentei me concentrar em meus pensamentos, um clarão com as cenas cortadas da noite anterior invadiu minha mente sem permissão. A cena patética do bar, seguida de Thomas me despindo e depois me vestindo com suas roupas, e após os reflexos de cenas, com outro estalo diante dos meus olhos eu consegui a recordação completa da trágica noite, de modo que o cheiro adocicado impregnado em minha pele se tornou familiar para mim. Assim como o dono do cheiro, que adentrou o cômodo com um copo de café na mão e um sorriso incrivelmente cínico. Thomas.
— Bom dia flor do dia! — Ele falou com um tom exagerado de felicidade na voz, logo após escancarar a cortina do quarto, fazendo-me fechar os olhos automaticamente para assim proteger meus olhos dos raios solares que adentraram o quarto. Logo em seguida, ele repousou o copo de café na escrivaninha ao meu lado, esperando a minha reação.
A forte dor de cabeça que me dominava ao recordar cenas até então esquecidas por mim me fez falar impulsivamente, e deixar a minha revolta exprimir tudo o que eu estava sentindo naquele momento.
— Porque isso? — Sentei-me confortavelmente a sua frente e perguntei respirando pausadamente para não demonstrar nervosismo. Observei ele assentir para a minha continuação. — Porque na noite anterior você deu um de Don Juan? Você poderia ter me deixado lá para ter um coma alcoólico, eu mesma preferia assim! — Senti minhas cordas vocais apertarem mais com o grito que eu dei juntamente com a ultima frase, e então observei o rosto confiante de Thomas se transformar em uma careta confusa. Respirei fundo e levantei o rosto para continuar, sentindo então meus olhos começarem a marejar. — Será que você não é digno o suficiente, e tem que fingir cavalheirismo pra conseguir o que você quer? Eu realmente estou impressionada com a sua atitude. — Desfechei as palavras de uma vez só, sentindo minha pulsação aumentar e meu coração disparar ainda mais a cada vírgula proferida. Meus olhos estavam começando a dar sinais de fraqueza, e eu então disfarçadamente os enxaguei, tentando não demonstrar o meu estado atual. Thomas apenas observava meu rosto modificado pela fúria sem falar nada, paralisado. Abaixei a cabeça, olhando fixamente para o chão e senti seu corpo se afastar. Antes que eu pudesse criar coragem para deixar aquele quarto, ouvi sua voz novamente.
— Você não entende mesmo. A cada dia que passa eu entendo cada vez mais o que tanto te atormenta, e você está tão longe de entender o que me incomoda. — Como uma reação automática, senti minha pele arrepiar. — Agora sou eu que te faço uma pergunta. — Thomas que estava observando a janela do quarto, rapidamente se materializou a minha frente, se ajoelhando e me fazendo ficar sem escapatória mais uma vez. — Porque toda essa pose de durona? Será que você não consegue admitir pra você mesma que eu não estava fingindo na noite passada? Eu sei e você também sabe que eu fiz tudo àquilo por vontade própria. Não fiz para conseguir a sua atenção nem nada, fiz porque achei que deveria ser feito. E você nega tudo isso porque sabe que se aceitar, pode parecer fraca demais ao admitir os seus sentimentos por mim. — Ele terminou o monologo e logo em seguida tomou meu rosto em suas mãos, me fazendo observar seus olhos que continham um brilho incomum. Mais uma vez respirando fundo e recolhendo toda a incredulidade e fúria que me restavam, resolvi dar um final a tudo aquilo. Eu precisava fazer Thomas sentir ódio, assim como eu.
— Esqueça a atração. A partir de agora eu me recuso a sentir qualquer tipo de atração por você, apenas nojo. E sentimento, vou te contar qual é o sentimento. Desde que você estragou tudo que eu sonhava desde os meus 10 anos naquele dia eu tenho ódio de você Thomas. Ódio. Não acho que seja muito difícil de entender um sentimento tão profundo assim, não é? — Comecei a falar assim que Thomas me deu passagem, e aproveitei para recolher meu vestido sujo do lado da cama. Caminhando a passos largos, percebendo que novamente ele estava de costas para mim, apenas observando um ponto fixo na parede. — A minha vida é um desafio constante pra mim, que só envolve trabalho e auto-realização, e você veio e estragou tudo isso. O que você esperava que eu sentisse por você? Amor? — Soltei um riso cético e maldoso sem temer qualquer tipo de reação vinda dele. Ao contrario do que eu esperava, ele se mantinha imóvel observando algo que em sua visão parecia ser interessante, enquanto eu apenas disparava as palavras acidas para cima dele. — Não, é ódio. Então eu gostaria que você sentisse o mesmo. Ódio, repugna, qualquer coisa do tipo... Não quero que você nutra nenhum sentimento bom por mim, nada relacionado. Eu digo isso porque eu não conseguiria sentir nada do tipo por você. E ah, ao contrario do que você pensa, eu sei o que te incomoda. Eu te olho, e tudo que eu vejo é um homem que se esconde atrás da fama pra conseguir tudo que quer, e eu tenho pena de pessoas assim. Eu não consegui tudo o que eu queria, tudo o que eu sempre almejei por sua culpa, e eu não seria tão masoquista a ponto de gostar de você após isso. — Encostada na porta, observei Thomas fechar seu punho com raiva a cada frase carregada de ódio que eu proferia. — Então, ultima coisa: Agora eu não te peço por indiferença, pelo contrario. Faça tudo possível para me ferrar! Dê o seu melhor, eu estarei aqui pra te lembrar o que você é, e que você não conseguiu me conquistar com a sua fama, e nem vai conseguir. Enfim, me odeie. Você pode ter certeza que o seu sentimento por mim será recíproco. — Conclui a minha fala sentindo o meu coração bater mais rapidamente. Minhas mãos estavam tremulas e as pernas bambas, e por algum motivo eu não senti aquela reação exagerada, pelo contrario, ela estava dentro dos padrões imagináveis para uma conversa daquele teor. Observei de relance a silhueta de Thomas, agora bebericando um pouco de seu café, ainda observando a cidade abaixo de nós. Antes que eu pudesse sair, ouvi sua voz rouca pelo quarto.
— Certo, mas saiba que eu estou com a vantagem bem em minhas mãos. Uma garotinha indefesa e patética ontem me contou mais coisas do que você pode imaginar. — Thomas se pronunciou quando eu pensava que ele já havia se calado. Estava de costas para mim, mas mesmo assim eu consegui sentir todo o rancor naquelas palavras. Eu havia pedido por isso, teria que aguentar o que pudesse surgir a partir de agora.
Laís POV
— Fica aqui comigo, por favor. — Jay implorou com uma voz obviamente distorcida para a de um bebê manhoso. Ele ajudava minha arrumação com as malas contrariado, enquanto fazia diversas tentativas de me convencer a ficar.
— Eu não posso. Minha amiga está voltando a ficar desequilibrada como era há alguns anos, e eu não posso abandona-la agora. — Respondi durona enquanto pulava em cima da mala para terminar de fecha-la.
— Você realmente não vai me contar o que aconteceu, não é? — Jay agora estava encostado no batente da porta com as mãos cruzadas em frente ao peito. Sua expressão mudou de moleca para preocupado a partir do momento em que eu falei de Carolina.
— Não posso. Isso é uma coisa dela, e você pode acabar contando para Thomas...
— Você sabe que eu nunca faria isso. — O garoto dos cachos dourados a minha frente me interrompeu furioso. — Deveria saber.
— A questão não é essa. Desde o dia em que ela conheceu Thomas ela está estranha e visivelmente abalada, agora vamos imaginar uma situação em que Thomas soubesse o motivo pelo qual Carolina é tão perturbada? Ele poderia facilmente usar isso contra ela principalmente agora, depois do que aconteceu. — Respondi a ultima frase me referindo a manhã que Carolina tivera. Ela mesma havia feito questão de me contar detalhes. — Então, você conhece aqueles dois, nunca se sabe o que pode vir. É algo meio destrutivo. — Finalizei em tom explicativo e cauteloso, evitando qualquer tipo de desentendimento que pudesse surgir entre nós dois.
— Aqueles dois são duas bombas relógios que podem se explodir a qualquer momento. Eu não quero estar perto para ser atingido. — Ele falou divertido enquanto fazia com as mãos um movimento de explosão. Eu apenas ri e voltei às malas. Ele se aproveitando da minha distração, puxou-me pela cintura de encontro ao seu corpo, me fazendo perder o equilíbrio e cair em cima dele, juntamente com as roupas que caíram acima de nós.
— Agora que tudo se desarrumou, o que você acha de nós aproveitarmos a tarde antes de voltarmos a arrumar essa bagunça? — James falou com um sorriso malicioso no olhar enquanto suas mãos frias já escorregavam para de baixo de minha blusa de tecido fino, me fazendo arrepiar. Percebendo a minha reação repentina, ele me beijou com desejo, fazendo-me inevitavelmente corresponder. Realmente, a tarde seria longa.
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