Notas iniciais
Escrevi o final desse capitulo imaginando a reação de vocês com esse flashback, hahaha. Me falem suas opiniões sobre isso, quero saber tudo! Espero que gostem, boa leitura. :-)

Após alguns copos da bebida, o álcool já tinha começado a fazer efeito. Max já havia feito uma tentativa frustrada de dançar pole dance no palco da boate, seguido de um ensaio de striptease que foi rapidamente interrompido por mim, para a desventura das mulheres do recinto, que já se apresentavam ousadas demais. Agradeci mentalmente por não ter bebido o suficiente, imaginando o estrago que aconteceria se eu não estivesse lúcida no momento em que percebi que estava na pista de dança sendo levantada pelas coxas por Max enquanto ele me rodopiava loucamente em círculos juntamente com o ritmo da musica que tocava.

– M-m-maaaaaaaaaaaaaaaaxxxxx! – Gritei sonoramente para ele na tentativa de que ele pudesse me ouvir e parar. — Me coloca no chão agora! – Acrescentei enquanto tentava me livrar de suas mãos. Tudo em vão, ele era muito forte e conseguia sustentar meu corpo como se estivesse carregando uma pena.

– Vai me dizer que você não está se divertindo? – Max perguntou enquanto tentava parar de rodar. Infelizmente o equilíbrio dele não se encontrava no melhor estado, e o que eu temia aconteceu.

E então a bebida de toda a noite fez efeito naquele momento. Naquele exato momento. Simplesmente caídos no meio da pista de dança. Na frente de todos. Aquilo definitivamente não poderia estar acontecendo, repetia diversas vezes na minha mente enquanto Max apenas gargalhava caído ao meu lado. Eu não estava em uma balada, acompanhada de um cantor gostoso de uma banda britânica que tinha acabado de me derrubar na pista de dança porque eu o apresentei uma bebida e ele abusou. Maldita caipirinha, deduzi.

– Ok Maximilian. – Falei bufando me levantando e o puxando pela mão logo em seguida. – Agora nós vamos para casa. – Sentenciei em tom autoritário. Estava praticamente me sentindo uma babá de celebridade naquele momento. — Você bebeu demais e eu estou me sentindo culpada pela sua loucura repentina. Não imaginava que você chegaria a esse ponto... – Rolei os olhos pelo local e percebi diversos olhares voltados a nós. Ignorei e conclui. – Chega de bebidas por hoje, ok?

– Tudo bem senhorita. Você que manda. – Falou enquanto levantava normalmente, – como se estivesse lúcido – caminhando até a porta e enfim cruzando os braços em torno de seu peito. – Vamos ou não? – Ele perguntou com uma sobrancelha arqueada em tom de duvida.

- QUE PORRA É ESSA? – Gritei levantando as mãos para o alto e caminhando lentamente em sua direção. – Você até agora estava totalmente bêbado me girando loucamente e em um piscar de olhos se transformou no homem mais lúcido do Rio de Janeiro? O que eu perdi? – Indaguei analisando o seu rosto procurando vestígios de embriaguez.

– Não perdeu nada. Eu só estava tentando me divertir, e te divertir. – Um sorriso brincava em seus lábios conforme ele pronunciara a frase e caminhava a passos lentos até o carro. – Agora podemos ir? – Max questionou abrindo a porta do carro. Percebendo o meu olhar desconfiado por ele pensar em dirigir naquele estado ele então me tranquilizou. – Você dirige, certo? Ao contrario de mim, você bebeu muito pouco.

– Claro. – Concordei então pegando as chaves do carro e me direcionando até o banco do motorista enquanto Max se ajeitava confortavelmente no acento ao meu lado.

O caminho de volta fora regado a conversas sobre assuntos aleatórios e perguntas minhas sobre a rotina da banda. Por mais incrível que poderia parecer, eu estava ligeiramente curiosa.

Quando chegamos ao andar dos nossos prédios, Max simplesmente me encurralou contra a parede ao lado da porta de seu apartamento, segurando meus pulsos fortemente. O olhei confuso e ele pareceu entender a minha dúvida, esclarecendo.

– Esperei a noite toda por esse momento. — Ele começou a falar fitando meu pescoço e subindo seu olhar até os meus olhos, onde ficou. – Acho que aquela boate estava muito barulhenta. Eu não gosto disso... Eu gosto de ouvir o som das respirações, sabia? Principalmente quando elas se topam ofegantes. – Max disse me pressionando ainda mais contra a parede. Guiou uma de suas mãos em torno da minha cintura, puxando-a ainda mais para perto de seu corpo, enquanto a outra se direcionava a minha nuca, a empurrando diretamente ao seu rosto.

Estávamos tão perto que eu conseguia ouvir a sua respiração... E oh, ela já estava ofegante.

– Então você gosta de coisas silenciosas. – Afirmei mordendo o lábio superior enquanto roçava meu nariz no dele, aproveitando para encarar aqueles pares de olhos verdes grandes e tão indecifráveis. Sua iris brilhava como uma faísca e suas pupilas estavam levemente dilatadas, quase que tomando conta dos seus olhos verdes. Havia desejo naquele olhar, muito desejo. Max apenas me encarava, como se pudesse falar com o olhar tudo que pretendia fazer.

– Eu adoro. – Ele respondeu sussurrando e fitando minha boca com atenção. Conseguia sentir o aroma que o hálito fresco dele pairava pelo ar, e aquilo era inexplicavelmente bom. Passamos alguns segundos nos observando com certa malicia no olhar, até que com uma das mãos Max segurou meu rosto e encostou seus lábios nos meus. Dei permissão para que ele aprofundasse o beijo e sua língua enroscou-se com a minha, começando a se movimentarem em uma sincronia perfeita.

Max perambulava uma de suas mãos urgentemente pelo meu corpo, enquanto a outra desenhava o meu quadril, o levantando para mais perto dele. Em seguida, Max deixou um rastro de beijos lentos e quentes no meu pescoço, descendo lentamente até o meu queixo, mordendo-o, e logo em seguida voltando a me beijar, dessa vez com mais selvajaria. Ele forçava seu corpo me empurrando ainda mais contra a parede, como se ainda houvesse algum espaço entre nós a ser superado. Suas mãos ainda continuavam o caminho pelo meu corpo, apertando-me com volúpia em todos os pontos que as suas mãos podiam alcançar.

Quando aquilo realmente estava ficando atraente, a última pessoa em que eu pensaria naquele momento surgiu abrindo a porta ao nosso lado.

– Queria avisá-los e adverti-los que aqui não é um motel. Provavelmente sua acompanhante saiba o endereço do mais próximo, Max. – Thomas falou pigarreando logo após fechar a porta atrás de nós.

Era óbvio que Thomas apareceria para estragar o momento. Alias, era isso que ele estava constantemente fazendo desde que chegara ao Rio. Estragar tudo. E eu não possuía nenhum resquício de duvida que aquilo continuaria acontecendo constantemente se eu não tomasse uma atitude a respeito. Talvez o fato de que eu era a única mulher que havia o rejeitado naquele lugar, agitasse com seu ego inflado, e ele precisava fazer algo para reverter à situação a favor dele. E estava muito claro que me atrapalhar diariamente era só o começo da perturbação para ele conseguir o que queria. E eu conhecedora desse fato, tinha que me manter longe o suficiente para que ele não pudesse me atingir. Então, eu tinha que ignorá-lo. E era isso que eu iria fazer.

– Realmente não é. E quanto o seu comentário, eu vou ignorá-lo, até porque não quero e nem posso perder tempo com pessoas como você. – Falei me despedindo de Max. – Boa noite, até amanhã.

Fechei a porta do apartamento bruscamente antes que eu mudasse de ideia e voltasse para o corredor para dizer tudo o que havia direito. Todas as palavras, palavrões que percorriam a minha mente naquele momento. Thomas tinha acabado de me ofender, a troco de nada. Será que ele realmente precisaria adotar esse tipo de técnica pra conseguir o que tanto queria? Não conseguia imaginar em algo mais baixo, até pra ele. Deixei meu corpo deslizar de encontro ao chão, me sentando ali. Aquela maldita frase havia penetrado a minha mente mesmo que indiretamente, me fazendo lembrar momentos que eu imaginava que estavam enterrados. Engano meu, a rejeição não mudaria o fato doloroso que há anos eu estava tentando esquecer. E em um momento, tudo se voltara pra mim. Toda a culpa que eu carregava toda a dor, tudo. Nada iria apagar toda a dor que eu havia causado. Thomas parecia estar ali pra me lembrar tudo. Refrescar a minha memória, de que pessoas como eu, simplesmente não merecem qualquer tipo de afeto, carinho. Não depois de tudo que eu havia feito.

Flashback ON.

“- Eu estou impressionado, Carolina. Não imaginava que seria tão rápido assim, sinceramente. Eu fui um tolo de acreditar que você havia esquecido qualquer erro meu. Você até que esperou muito para atacar, não é? Realmente, você é uma imoral qualquer. Infelizmente uma qualquer que eu me apaixonei. Porém, esse erro não vai se estender. Eu estou desistindo de tentar consertar você.” – O garoto fitava a cena a sua frente proferindo as palavras como se fosse uma sentença. E então sem dizer mais nada, ele partiu. Eu só não imaginava que seria tão definitivamente.”

Flashback OFF.

Notas finais
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