Just Begun.

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Estou doente, minha anemia está atacadíssima e eu estou com uma tremedeira insuportável, lutando para conseguir escrever isso sem errar. Hahahahaha mas mesmo assim, aqui está o capitulo novo. Espero que gostem :-)

Londres é uma cidade realmente aconchegante. Eu pude constatar esse fato claramente quando botei meus pés em território britânico pela primeira vez, e acidentalmente pude me lembrar de nostalgicamente da minha adolescência. Eu possuía uma curiosidade aguçada, e sempre alimentara o sonho de conhecer o mundo. Suas culturas, idiomas e tudo relacionado. Londres como capital da Inglaterra, e cidade europeia também estava na minha lista de anseios. Obviamente que com o tempo essas vontades desapareceram, dando espaço a preocupações maiores, como a faculdade e suas imposições. E agora por ironia do destino, era em Londres que eu estava. É claro que inicialmente eu possuía outros planos, porem estava feliz por estar ali. Talvez algo bom surgisse no meio de tudo, assim eu me forcei a acreditar.

Acordada há alguns minutos no avião por Max, eu me encontrava perdida em meus pensamentos desde então. A última conversa que eu havia tido com Thomas antes de viajarmos podia ter sido rápida, mas o modo com que ele proferiu as palavras, com tanta convicção, conseguia me deixar receosa. Estava claro pra mim que aquilo fora um blefe dele para me deixar desequilibrada. E se era isso que ele queria, eu teria que desaponta-lo. Eu não iria me dar por vencida com uma simples frase, não mesmo. Eu estava ali a trabalho, e não deixaria qualquer desentendimento com Thomas influenciar nisso. A minha profissão era a única coisa que poderia me fazer sentir realizada e feliz, e eu tinha total conhecimento disso para me envolver com qualquer coisa aleatória.

– Você já deve estar sabendo que o seu apartamento está sendo pintado, huh? – Fui tirada dos meus devaneios melancólicos pela voz de Thomas ligeiramente curiosa soando perto do meu ouvido. Então você terá que ficar no nosso apartamento. Isso não é ótimo? Teremos um tempo para descobrirmos coisas em comum entre nós, já que teremos que parecer um casal. Ele finalizou a frase com um tom exagerado de felicidade disfarçada. Logo depois pairou seu olhar sobre o meu, me encarando para analisar a minha possível reação exagerada. Resolvi guardar os pensamentos odiosos para mim e reagir ao contrario do que ele esperava.

– Concordo com você. – Respondi ensaiando o meu melhor sorriso convincente para ele, enquanto observava o dele desaparecer de seu rosto. Aproveitei a oportunidade e me afastei, caminhando a passos lentos até Max que me observava.

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Logo que chegamos ao apartamento, Max me levou para conhecer os meus aposentos o que eu poderia chamar de quarto por uma semana até que a pintura do meu apartamento fosse finalizada. E então após um comentário meu sobre como a cama era macia, Max se aproveitou da deixa e sugeriu que nós a testássemos, com um sorriso sacana no rosto. E é claro que eu aceitei. Só que eu devia desconfiar de que seriamos interrompidos, novamente.

– Estou indo buscar o almoço! – Thomas anunciou logo após abrir a porta bruscamente sem aviso prévio. Ele pareceu não ter se importado com a cena que havia presenciado. Qual de vocês vai comigo? Os caras estão ocupados e eu não posso carregar tudo sozinho. Ele perguntou e logo em seguida Max anunciou que não poderia por algum motivo que eu não consegui escutar ao constatar que quem teria que acompanhar Thomas seria eu.

– Eu faço esse sacrifício pelo bem do meu estomago e o de todos. – Anunciei sonoramente enquanto buscava meu casaco jogado em algum canto do quarto, logo após acompanhando Thomas até o carro, enquanto ele apenas balbuciava algumas palavras sobre o quão desagradável eu conseguia ser.

– Você devia parar de agir como se odiasse a minha presença. – Finalmente prestei atenção e o ouvi me aconselhando enquanto entrava no carro e destravava a porta para mim, que logo em seguida me acomodava no banco ao seu lado.

– Não estou fingindo nada. Você me incomoda. – Afirmei rapidamente desviando meu olhar para a janela e ouvindo sua respiração se modificar e se transformar em um bufo de desaprovação.

O caminho até o restaurante foi rápido e silencioso. Ao contrario do que eu imaginava Thomas não se pronunciou sobre o que eu havia falado anteriormente, e apenas calou-se. Imaginei que ele finalmente havia compreendido que eu não o suportava. Melhor assim, conclui. Dessa maneira ele não tentaria me agarrar novamente, e eu poderia me manter controlada o suficiente, coisa que eu não conseguia quando ele estava perto de mim.

Logo após comprarmos as nossas refeições voltamos ao apartamento. Decidi seguir o caminho das escadas para não ficar em um lugar fechado com Thomas, até verificar que seriam 7 andares de escada, com uma sacola de comida tailandesa pesada em minhas mãos.

– Você não vai subir de escada, não é? Vamos de elevador. – Ele sugeriu apontando com a cabeça para o elevador ao nosso lado. Eu apenas assenti, chacoalhando minha cabeça para expulsar os pensamentos invasivos.

Porém assim que apertei o botão do nosso andar, as portas do elevador se fecharam a nossa frente, as luzes começaram a fraquejar e o elevador parou. Inevitavelmente, subir sete andares de escada começou a me parecer uma possibilidade atraente após concluir que o elevador havia quebrado no terceiro andar.

– O que aconteceu? – Perguntei olhando aflita para Thomas implorando mentalmente que ele resolvesse me acalmar e falar que aquilo se resolveria em alguns minutos. Infelizmente ele apenas revirou os olhos e bufou a resposta que eu estava temendo.

– Acho que o elevador quebrou, não é a primeira vez que isso acontece. – Thomas respondeu usando o seu melhor tom de indiferença. – E como o porteiro está em horário de almoço, duvido que ele nos socorra muito rapidamente. Ele acrescentou sentando no canto do elevador.

Enquanto eu tentava digerir o fato de que eu teria que passar meia hora no elevador com a criatura que eu mais repugnava, Thomas apenas fingia que eu não estava ali, me fazendo sentir incrivelmente idiota por estar me importando demais, enquanto ele nem se incomodava com a minha presença.

– Tudo bem. Eu acho que consigo suportar. – Falei logo após verificar que meu celular estava sem sinal para pedir socorro, à medida que me sentava do outro lado do cubículo do elevador, percebendo que a distancia entre o meu corpo e o de Thomas era mínima. Maldito elevador pequeno.

– Sabe o que é isso? Frustração. – Thomas se pronunciou, me encarando como nunca havia feito. De uma maneira enigmática e reveladora, que me fez gelar por um instante me fazendo ficar em silêncio encarando-o de volta, esperando que ele terminasse o que havia começado – Você está na defensiva porque sabe que me deseja. Pode ser carnal, mas de qualquer maneira, você me deseja. Ele murmurou baixo. Virei a cara, escondendo os olhos enquanto me arrepiava com a palavra, ele apenas ignorou a minha reação e continuou. – E na sua consciência idiota e mesquinha, isso é errado, porque eu estraguei tudo pra você, não é? No final das contas, você não é muito diferente de mim. – Ele finalizou a frase desviando seu olhar do meu e o direcionando para o teto. E eu estava sem reação. Sem palavras, sem atitudes, apenas o encarando fixamente enquanto ele parecia entretido com a sua observação ao teto. Decidi permanecer em silencio, assim torcendo para que ele decidisse esquecer o que havia falado, e o que estava pensando sobre mim. Porém, o silencio não se perpetuou muito tempo pelo cubículo, que logo deu-se lugar a voz rouca de Thomas, novamente.

– Qual foi o trauma da sua vida? Levou um pé na bunda e agora quer se vingar de todos os homens que aparecem? – Thomas perguntou ácido.

– Você realmente acha que eu vou desabafar sobre a minha vida com você? – Perguntei tentando disfarçar o nervosismo que eu estava sentindo por estar tão próxima dele. – É tão difícil ficar em silencio? – Acrescentei enquanto tateava nervosamente o painel de botões acima de mim, procurando o de emergência e o apertando repetidas vezes. Aquilo tinha que funcionar, eu não aguentava respirar aquele ar, aquele perfume que eu podia afirmar com toda certeza do mundo que havia sido feito para me ludibriar.

E então o que eu mais temia aconteceu. Thomas que estava do outro lado do elevador, em um piscar de olhos já se encontrava ajoelhado a minha frente, tomando meu rosto em suas mãos. E eu estava imóvel.

– Podemos ficar em silencio, se você aceitar a minha proposta. – Ele murmurou lentamente a frase próxima ao meu ouvido, enquanto mordia o lóbulo da minha orelha em uma maestria surpreendente. E eu só conseguia sentir o meu ar faltar, e eu ofegar.

– Acho melhor você parar com isso. – Falei engolindo seco enquanto tentava me desvencilhar de seus braços apertando novamente o botão de emergência, repetidas vezes, sentindo cada vez mais o toque de Thomas.

– Para de fugir. Você quer tanto isso como eu. – Ele falou em meio a gargalhadas regadas a um divertimento incomum da parte dele. Suas mãos agora estavam apoiadas no chão de cada lado meu corpo, me impedindo de sair dali. Engoli seco observando aquela situação: presa em um elevador, com Thomas me prendendo ao seu corpo. – E eu sei que se eu continuar falando sobre tudo o que eu percebo em suas atitudes você não vai gostar. Fui acordada dos meus devaneios com a voz de Thomas novamente próxima ao meu ouvido me fazendo arrepiar.

– Porque você não me esquece e desiste? – Perguntei direcionando meu olhar para o painel acima de mim. Sem iluminação. Ou seja, o elevador ainda não havia voltado a funcionar, e eu estava presa àquela situação erroneamente complicada. Suspirei pesadamente e continuei a falar, tentando acreditar nas palavras que eu iria proferir a seguir. – Olha, eu posso até fazer um esforço para te aturar, ser sua amiga, o que quer que seja... Só me deixe em paz. Não torne isso mais difícil do que já é.

E então Thomas sorriu para mim quase como se a resposta para a minha pergunta fosse óbvia demais e ele não precisasse perder seu tempo precioso respondendo aquela futilidade. Seu sorriso por um instante levara toda a minha confiança e estabilidade para longe. Eu sabia que ele estava me achando uma idiota fragilizada apenas por estar perto dele, e eu também sabia disso, só não entendia o porquê. Talvez o fato de que eu não havia conseguido concluir as pegações com o amigo dele e o meu libido estava mais aguçado que o normal. Puramente carnal, conclui antes de ter meus olhares direcionados para Thomas que voltava a falar novamente.

– Eu tenho uma pergunta. Uma simples pergunta que pode ser a chave de tudo isso. Mesmo eu sabendo a resposta, eu quero ouvir de você. – Thomas dessa vez estava sério e concentrado em suas palavras, também observando meu rosto atento. Você realmente acredita no que está dizendo? – Você realmente acredita que não quer me beijar agora e terminar tudo que nós começamos no seu apartamento aquele dia? – Ele perguntou enquanto se aproximava mais ainda. Suas mãos agora envolviam meu rosto enquanto ele aguardava uma resposta... Uma resposta que saiu de meus lábios sem nem eu mesma acreditar.

Notas finais
E sim, vou deixar vocês na curiosidade mais uma vez! Hahahaha não me matem. x