Uma importante reunião com os conselheiros iniciou os trabalhos de Julian como rei. O assunto em questão é o comércio de Linderhof com reinos próximos.

Julian sabe que essa será uma tarefa complicada, pois, as atitudes impensadas de seu pai afastaram os outros reinos e prejudicaram o comércio de Linderhof. Agora, cabe a ele resolver essa questão, trazer novamente a confiança de outros reinos, para que assim, novas rotas de comércio sejam criadas. Um conselheiro até sugeriu que Linderhof fizesse comércio apenas com Neuschwanstein, pois, foi o único reino que quis restabelecer uma aproximação e Julian é muito amigo do rei de lá. A ideia agradou Julian, ele quer fazer comércio com o reino de Hagan e Neuschwanstein, além do minério, tem ótimos produtos a oferecer para Linderhof. Porém, Julian quer ser um rei diverso, quer fazer comércio com outros reinos, conhecer outros tipos de produtos e culturas. E por isso, ele pedia aos conselheiros, que lhe dessem ideias para a reaproximação, o que ocasionou um intenso debate durante a manhã.

...

Olga procurou pelo filho em cada cômodo do castelo e o encontrou no jardim repleto de diosma. Julian tinha a expressão preocupada. O primeiro reino no qual tentaria a reaproximação seria Hohenschwangau. Este reino, além de ser próximo, é grande produtor de carvão, o que seria útil para Linderhof para aquecimento de casas e do castelo durante do inverno, além de auxiliar na confecção dos produtos. Mas o que oferecer em troca? Linderhof é um grande produtor de minério e também produz cerâmicas, mas essas não rendem tanto.

Sohn... — Olga o chamou, colocando a mão em seu ombro. — Estais bem?

— Estou, mutter. São apenas preocupações. Estou descobrindo agora que ser rei é cansativo. — Respondeu Julian, tocando de leve a mão da mãe. — Quero me entender com outros reinos, mas não será fácil, muitos ainda estão ressabiados com Linderhof, após o que meu pai fez. O rei de Hohenschwangau, um dos reinos que quero começar a me aproximar, na minha coroação, me disse que me deseja sorte no cargo de rei, porém, não sente confiança em fazer comércio conosco.

— Não desanime, Julian. Tu és bem diferente de seu pai e a maior prova disso é que estais procurando uma aproximação com os outros reinos, para o bem do seu. Se fosse Otto, ele muito provavelmente trataria esses reinos como inimigos e ingratos, até provocaria uma guerra, se fosse necessário.

— Verdade. Mesmo assim, será difícil recuperar a confiança, tanto de Hohenschwangau quanto dos outros reinos.

— Como lhe disse, não desanime. Por que não realiza uma troca com o rei de Hohenschwangau? Nosso minério pelo carvão deles? É uma boa troca.

— Pensei nessa possibilidade. — Julian coçou a testa. — Mas Hohenschwangau não precisa de nosso minério. Sobrou as nossas cerâmicas e tenho o receio de que essa oferta seja rejeitada.

— Tente, mein sohn. — Insistiu Olga. — Se ficares parado, refém do medo, nunca irás conseguir alcançar teus objetivos e Linderhof só será prejudicada. Nosso povo conta com você. Tu és inteligente e astuto, fale com o rei de Hohenschwangau, mande uma carta explicando tuas razões. Se não der certo, tente novamente ou com outro reino.

...

Julian aceitou a sugestão da mãe e escreveu a carta para o rei de Hohenschwangau. Ele gastou alguns minutos tentando escrever algo, nada lhe vinha na mente. Até que, algumas tentativas depois, a escrita fluiu.

Vossa Majestade

Sei que os atos de meu pai, abalaram vossa confiança em Linderhof, eu, como filho e rei recém coroado, me sinto envergonhado e triste por tudo o que aconteceu.

Minha missão é trabalhar pelo bem do meu povo, fazer meu reino prosperar e ter uma boa relação com os demais reinos. E o comércio é uma forma de reaproximação. Vosso reino é um dos maiores produtores de carvão, me interesso pela sua utilização. Sabes bem que Linderhof é um dos maiores produtores de minério, entretanto, sei que vosso reino não necessita deste minério. Porém, produzimos cerâmicas da mais alta qualidade. Venho por meio desta carta lhe fazer uma proposta. Uma troca. O vosso carvão pela minha cerâmica. Creio que será um acordo benéfico para nós dois e para nossos reinos, pois, estaremos movimentando as economias em uma relação de amizade.

Peço que considere esse pedido como algo amigável e sincero. Se caso aceitares, ficarei contente em fazer negócios contigo. Se não aceitares, irei compreender e não insistirei no assunto.

Agraço a sua atenção,

Atenciosamente,

Julian de Linderhof.

Após escrever a carta, Julian chamou um mensageiro e pediu que fosse para Hohenschwangau e entregasse a carta para o rei de lá. O mensageiro atendeu ao pedido e partiu imediatamente.

...

Alguns dias depois, o mesmo mensageiro trazia uma notícia importante. Julian estava bem ansioso.

— É uma carta do rei de Hohenschwangau, majestade. — Disse o mensageiro, fazendo uma reverencia.

Julian agradeceu e pegou a carta. A ansiedade aumentou tanto que ele chegou a tremer um pouco, enquanto abria a carta. Ele leu cada palavra atentamente e no final sorriu, logo em seguida, procurou sua mãe. Quando a encontrou disse, empolgado:

— O rei de Hohenschwangau quer que eu vá até o reino dele. Ele aceitou que o reino dele faça comércio com Linderhof. Consegui a minha primeira parceria.