Notas iniciais
Olá! Palavra utilizada * Sarpar: Levantar ferro, navegar ( utilizei como navegar) Boa leitura!!!

Julian era pura ansiedade, mentalmente, dizia seu discurso, até prováveis perguntas que fossem feitas, ele respondia, cada palavra era importante. É um novo desafio que Julian terá que aprender a sarpar.

Olga abençoou o filho e disse que iria rezar para que fizesse uma boa viagem e que tudo desse certo, além de falar que iria cuidar do castelo, durante a ausência do filho. Julian agradeceu e disse o castelo ficaria bem aos cuidados da mãe, já que ela, por muito tempo, foi uma excelente rainha. Com tudo pronto, Julian subiu na carruagem, levando algumas cerâmicas e apoiado na janela, se despedia dando acenos, enquanto a carruagem partia.

— Até breve, Julian. Que sua viagem seja segura e que Deus te proteja. E que tudo dê certo na reunião com o rei de Hohenschwangau. — Gritava Olga, enquanto mandava beijos e fazia acenos.

...

Após algumas horas, Julian chegou em Hohenschwangau. Pela janela, ele via como o reino é grande e cercado por imensos montes rochosos, as minas de carvão eram as primeiras a serem vistas. Apesar da atividade carvoeira ser o principal centro da economia, Hohenschwangau também é conhecido por suas plantas medicinais, que ficavam em hortas próprias para o comércio, tanto dentro do reino, quanto para outras localidades. Afastando-se da área das minas, o reino é arborizado, com rios que correm tanto calmamente, quanto em ritmo acelerado. Cada moradia dos trabalhadores e camponeses, continha um pequeno jardim ou uma pequena horta no quintal da frente ou no dos fundos, para consumo de seus moradores. As flores eram cercadas por borboletas e abelhas. De fato, era um reino encantador. Julian ficava impressionado que Hohenschwangau ficava próximo de Linderhof, mas nunca teve a curiosidade de conhecer o reino, talvez fosse falta de interesse ou não enxergava que este reino poderia fornecer bons produtos.

...

Se Hohenschwangau é um belo reino, o castelo real comprova essa frase. É uma construção alta e imponente de pedra, com bandeirolas amarelas com o símbolo de uma águia marrom e branca no centro, que balançavam com o vento em cada uma das três torres. Julian entrou no castelo e foi parado por dois guardas, perguntando o que ele fazia ali. O rei de Linderhof explicou que estava ali a convite do rei deles, veio pela oportunidade de se fazer comércio, os guardas se olharam desconfiados, quando o mensageiro pessoal do rei, Klaus, apareceu confirmando a história e dizendo que foi ele quem escreveu a carta, ditada pelo rei e o chamou para a sala principal.

...

Klaus anunciou Julian e logo o rei Henrich apareceu, pedindo para os deixar a sós, o que foi atendido de imediato, com a saída do mensageiro. Julian reparou nele, um rei elegante, a pele em tom clara, com cabelo loiros curtos e olhos azuis penetrantes.

— Seja bem-vindo a Hohenschwangau, rei Julian. — Cumprimentou Henrich.

— Agradeço a cortesia, rei Henrich. Devo lhe dizer que tens um belo reino. — Disse Julian.

— Grato pelo elogio. Então, o que queres em meu reino?

— Pois bem. Como sabes, acabo de me tornar rei de Linderhof e já estou trabalhando pelo bem do meu povo, começando por sua economia, o que significa falar sobre comércio.

— Sei que Linderhof, ao lado de Neuschwanstein, é um dos maiores produtores de minério da região. Mas o que quero saber mesmo é, sobre essa troca do meu carvão pelas suas cerâmicas.

— Então, as cerâmicas são de boa qualidade, mas não são tão rentáveis quanto o minério. Porém, são boas para serem comercializadas e podem ser utilizadas para decoração, manter a água sempre fresca, auxiliar no preparo de alimentos e guarda-los, dentre outras utilidades. Quero fazer esta troca, pois, vosso carvão seria muito útil em meu reino, como fonte de aquecimento e auxilio nas demais tarefas em Linderhof.

— São argumentos interessantes. Eu gostaria de ver estas cerâmicas.

— Claro. — Julian tirou da sacola algumas cerâmicas, as mostrou e as entregou para Henrich, que as analisou atentamente, enquanto Julian explicava.

Neste instante, três mulheres loiras e altas pediram permissão para entrar na sala, o que foi consentido por Henrich, que as apresentou.

— Rei Julian, essas são Emma, minha esposa. Evelin, nossa filha. E Mia, dama de companhia de Evelin e grande amiga da família.

Os olhares de Mia e Julian se cruzaram e não conseguiam parar de se olhar. Ele estava encantado por ela, cabelo loiro escuro, olhos verdes brilhantes, o sorriso dela era tímido, porém encantador. Julian as cumprimentou de forma cordial.

— Mas que cerâmicas encantadoras. — Disse Evelin. — Vou querer levar uma para o meu castelo, quando me casar.

— Agradeço o elogio, alteza. — Julian fez uma reverencia. — E também fico feliz que gostou da cerâmica, esta é apenas uma delas, há muitas outras. Vim acertar o comércio delas em troca do carvão de vosso reino.

— Evelin está noiva do rei, também recém-coroado, de Hohenzollern, um reino do sudoeste. E logo, irá se mudar para lá. — Respondeu Henrich.

— E eu faço questão de levar Mia comigo. É a minha melhor amiga e confidente. — Evelin se empolgou.

— Mas Hohenzollern fica distante daqui. — Julian falou no impulso, já imaginado que nunca mais veria Mia. — Digo isto, pois, penso que ela ficará longe da família.

— Sempre morei aqui, majestade. Pois, minha família não é daqui. — Disse Mia, um pouco tímida. — Será um prazer acompanhar a Evelin para onde ela for.

— Entendo.

— Sentiremos falta de Evelin e Mia, elas trazem alegria para nosso castelo. — Disse Emma, um pouco emocionada.

Mutti...Eu venho visitar a senhora. E a senhora e vater podem ir me visitar. — Disse Evelin, abraçando a mãe.

— Estamos acertados, Julian. Faremos o comércio entre o meu carvão e as suas cerâmicas. Já notei que és um rei com um bom faro para comércio. — Disse Henrich.

— Fico muito feliz com esta notícia, majestade. Tenhas a confiança de que não irás se arrepender. E também agradeço pelo elogio. — Disse Julian, sorridente.

...

Perto do entardecer, Julian retornou para Linderhof. Mia olhava pela janela a carruagem partir. Evelin surgiu de trás dela, a princesa notou que a amiga ficou um tanto mexida com Julian e resolveu perguntar:

— O que achaste do Julian?

Mia se assustou e soltou um pequeno grito.

— Perdão pelo grito, alteza. Mas me assustaste. — Disse Mia, colocando a mão no peito.

— Está tudo bem. E então, qual é tua resposta para a minha pergunta?

— O rei Julian parece ser um rei honesto, seguro, vosso pai acertou em fazer comércio com ele.

— Concordo com você, mas não foi isso que perguntei. Tenho a impressão de notaste muito mais nele.

— Como o quê?

— Vocês não paravam de se olhar, sorriam tímidos e ele demonstrou preocupação ao saber que você iria para Hohenzollern comigo. Tenho a impressão de que ele se interessou por você.

— Ora, Evelin. Estais com a impressão errada. Com relação a “preocupação dele”, ele apenas falou aquilo, pois, se preocupou com a minha família. E outra, por qual motivo Julian, um rei, se interessaria por mera dama de companhia.

— Não sejas tão má contigo, Mia. Tu tens uma beleza, que encantaria qualquer um, seja um monarca ou não. E não és uma mera dama de companhia, és uma grande amiga, que tem mais modos de princesa do que eu algumas vezes. Além de teres muitas qualidades, como gentileza, cortesia, amizade, dentre outras.

— Agradeço os elogios, Evelin.

— Agora seja sincera, o que achaste do Julian?

— Sendo sincera, eu o achei bonito, também gentil. Os olhos azuis dele, tem um brilho encantador. Não conseguia tirar os olhos dele, pois, sentia que algo me fazia olhar para ele e fazer meu coração palpitar. É como se estivéssemos destinados a nos conhecer e que nossos corações estão ligados.

— Profunda frase de quem está começando a se apaixonar. — Brincou Evelin.

— Se apaixonar? Ora, não é para tanto, Evelin.

— Ele vai passar a vir aqui com certa frequência, por causa do comércio.

— Isto não significa nada. Creio que a próxima vez que ele vier a Hohenschwangau, ele não se lembrará de mim, até não vai saber quem sou.

...

Mia pode até isso, mas está completamente enganada. Ao chegar em seu castelo em Linderhof, Julian se jogou em uma poltrona e suspirava ao se lembrar de Mia, como linda, meiga, gentil, ele sentia o coração acelerar ao falar o nome dela.

— Como foi a reunião com o rei de Hohenschwangau? — Perguntou Olga.

— Foi excelente. — Respondeu Julian, sorrindo. — Terei bons motivos para visitar Hohenschwangau.

— Falas do comércio?

— Também. — Julian foi enigmático na resposta, para não deixar escapar que será bom rever Mia.

Notas finais
Curiosidades sobre o castelo de Hohenschwangau, no qual me inspirei para nomear o reino criado por mim: Os primeiros registros datam do século XII, quando neste mesmo local havia a fortaleza Schwanstein, construída e habitada pelos Cavaleiros de Schwangau até o século XVI. Após muitos anos, guerras, e diversos moradores, a fortaleza se reduziu a ruínas, e foi quando em 1832 o Rei Maximilian II, pai do rei Ludwig II, se encantou com a beleza da área ao redor da fortaleza (já em ruínas), a adquiriu e reconstruiu da forma fenomenal. Após a reforma, o antes chamado de castelo de Schwanstein, passa a ser chamado de Palácio de Hohenschwangau. Maximilian II e sua família, a esposa Maria da Prússia, e os filhos Ludwig II e Otto I usavam a residência em épocas de verão e para caça. O castelo foi onde a dinastia da família real da Baviera passou os seus verões durante gerações, e que hoje encanta a todos com o seu estilo gótico. O interior do palácio é estonteante, decorado com cenas de lendas e poesias medievais. Um exemplo é a sala do banquete, mais conhecida como “salão dos heróis”, a maior e mais importante sala do palácio, na qual são representadas diferentes cenas da saga Wilkina e seu herói Dietrich Von Bern. A visita ao palácio é imperdível, pois o jardim e a cozinha continuam da mesma forma desde a reconstrução feita por Maximilian II e o resto foi redecorado por Ludwig II, após a morte de seu pai.