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1 Quest 01 - Celia.
Era dia, numa estrada de terra cercada de árvores, com uma mochila nas costas e um pergaminho em mãos, seguia a garota, o estendendo a sua frente e encarando, com uma expressão de preocupação.
A jovem de pele clara, cabelos curtos escuros, com sua franja sendo enfeitada por uma pequena presilha simples a esquerda. Sua armadura não era muito extensa. Tinha botas e luvas de ferro, e um peitoral que praticamente só cobria os seios, mas tinha uma espécie de vestido verde de algodão por baixo, com uma cinta presa a cintura, e também vestia uma saia curta, que atrás havia uma bolsinha embutida, e tinha amarrada a cintura sua espada curta, única arma que dominava.
Ela parecia não saber chegar ao seu destino, por isso cessou rapidamente os passos, na esperança de encontrar uma solução para o seu deslize.
-Ah! Eu deveria ter pedido a elas para me explicarem o mapa, mas elas são tão... Tão irritantes... –uma veia saltou na testa da garota.
“FLASHBACK”
A garota está no balcão do Centro de Propostas, esperando por atendimento de uma das funcionárias presentes, esperando conseguir um bom trabalho. O Centro de Propostas era um prédio imenso, com um pilar de luz cortando seu meio. Havia vários andares, pessoas andando de um lado para o outro, caçadores de todos os tipos, e pessoas que iam ali para deixar trabalhos à espera de caçadores competentes para seus requerimentos.
A garota é atendida por uma funcionária. A funcionária tinha roupas meio chamativas, provavelmente um tipo de agrado para os caçadores homens, tinha cabelos escuros lisos e um pouco curtos, jogados para o lado e uma pinta delicada no queixo, mas isso pouco interessava para garota.
-Então, o que deseja, fala logo de uma vez que eu não tenho tempo pra pirralhas feito você. –disse de maneira irônica.
-Ei, Miranda! Você não deveria ser mais educada com quem atende!? –diz a garota, irritada.
-Haha! Olha, olha isso, Antonieta! A pirralhinha quer ser tratada com respeito! –diz Miranda para outra funcionária presente.
Essa outra era loira, com cabelos presos com um tipo de palito, também tinha franja e roupas chamativas. Ela se juntou a gozação.
-O que, o que? Garota, para você ser tratada com algum respeito por aqui, pelo menos faça algum trabalho que não seja arrancar ervas daninha do jardim de idosas leprosas! –disse Antonieta.
-Grrrr. Então me passem algo decente dessa vez! Vocês sempre me vêm com aquelas coisas chatas! Dessa vez eu quero algo perfeito para uma heroína! –diz a garota, cruzando os braços, levantando o nariz e inflando a bochecha.
-Há! Heroína?! Tsc, ainda não entendo o que uma mulher quer dentro de um mundo de homens, mas já que insiste... –Miranda olha para a garota com desprezo, pega um cigarro e estala o dedão, fazendo a ponta de a sua unha liberar uma pequena labareda, onde acende o cigarro- Antonieta ache algo de Nível Três para essa garota.
-Ahn, tem certeza? Depois não quero receber bronca por dar uma missão difícil demais pra uma garota incapaz! –Antonieta fica emburrada.
-Anda logo, se ela quer tanto assim... –Miranda dá um trago no cigarro e solta à fumaça.
Antonieta se retira rapidamente, e logo volta com um pergaminho amarrotado.
-Achei isso aqui, tem mais ou menos três dias de recebido e até agora ninguém quis. –diz Antonieta.
-Ótimo, passe isso para ela de uma vez. Acha que pode lidar com esse simples trabalho? –diz Miranda.
A garota pega o pergaminho e lê rapidamente.
-Hm, uma garota desaparecida na floresta? Ótimo! –a garota se empolga e então assina o pergaminho com uma pena que havia na bancada.
Miranda pega o pergaminho, o enrola numa fita vermelha e o ergue, então uma ave de luz surge de dentro do grande pilar que cortava o local, agarra o pergaminho e volta ao pilar.
-Agora eles já sabem que você é a caçadora que serve a eles. –diz Miranda, entregando outro pergaminho para a garota- Aqui estão as instruções dadas pelo cliente, inclusive as de como chegar ao local.
A garota pega, lê e faz cara de confusa.
-Errr... Estão meio confusas. –diz ela.
-É uma vila pobre, vizinha daqui. É um milagre que algum deles saiba ler e escrever. –diz Antonieta.
-Por quê? Precisa de ajuda até para achar o local? –Miranda sorri ironicamente.
-N-nada disso! Eu me viro! –a garota se vira e sai, emburrada.

“FIM DO FLASHBACK”
-Ah! Agora eu to perdida... –ela suspira.
Por sua sorte, uma pequena carroça puxada por um velho burro vinha pelo mesmo caminho, guiada por um senhor de chapéu de palha e roupas esfarrapadas.
Ela o para e pede informações.
-Err, com licença! O senhor saberia me informar a direção para a Vila do Moinho? –pergunta a garota.
-Ora filha, suba, vamos. Eu estou indo para lá agora mesmo. –disse o senhor, gentilmente.
Ela sobe na carroça e ambos vão conversando.
-Então, jovenzinha, o que faz num lugar esquecido como esses? –pergunta o senhor.
-Eu tenho uma missão a cumprir aqui. Sou uma caçadora de recompensas. –ela sorri.
-Ah, então você foi quem aceitou a proposta do Ancião? Hoho que bom, que bom. –diz o senhor.
-Bom, pelo o que eu li no contrato, uma garota adentrou a floresta já faz cinco dias, e a três dias o pai dela também entrou na floresta, desde então não se sabe de nenhum dos dois. –diz a garota.
-Sim, sim... –a expressão do senhor se torna pesada.
-E a desculpa que dão para não montarem grupos de busca é que “tem um monstro devorador de pessoas na floresta”? –a garota fica intrigada.
O senhor curva um pouco a cabeça para baixo, sua expressão era de preocupação, depois de um tempo de silêncio, ele começa a falar.
-Já faz anos que aquela floresta é amaldiçoada por um demônio sanguinário, e aprendemos a evitá-la, já que as autoridades ignoram nossos pedidos de ajuda e já que não temos muito dinheiro para pagar um exorcista. –diz o senhor.
A garota olhava fixamente para o senhor.
-Hilbert, o filho do ancião, sempre foi muito generoso com todos nós, sempre nos estendia a mão, suava por nós, sempre gentil e caloroso... E sua filhinha, Hungria... Encantadora... –ele ergue o rosto, mas seu olhar continua caído- E agora... Quando sua filhinha sumiu e ele precisou do apoio da vila, nós... –o senhor aperta as rédeas- ...demos as costas de maneira covarde. E agora é tarde, sequer sabemos se eles realmente estão vivos... –o senhor deixa uma lágrima escapar.
-Não se preocupe senhor! Tenho certeza que eu os encontrarei e acabarei com o demônio com as minhas próprias habilidades! –a garota se mostra determinada- Por favor, me leve para o local onde viram o senhor Hilbert pela ultima vez!
O senhor para a carroça em frente a uma entrada aberta naquele mar verde que era a “Floresta Proibida”, nome dado pelos moradores, que era visto em várias placas de perigo que rondavam o local.
A garota, que já havia descido da carroça, encara com seriedade o local, então se vira para o senhor.
-Por favor, poderia informar ao Ancião que eu já estou presente? Prefiro fazer as coisas rapidamente, não podemos perder tempo! –ela se vira de volta para a floresta e corre.
-Ei! Espera menina! Como se chama? –pergunta o senhor, curioso com tamanha determinação.
Ela cessa os passos momentaneamente e vira o rosto para o senhor.
-Celia! Mas pode me chamar de Celly! –ela sorri graciosamente, então se vira novamente e recomeça a corrida.
Celia adentra a floresta, e a cada passo, vai ficando mais e mais escuro.
Ela começa a ouvir pequenos sons e ruídos, e vai aos poucos ficando amedrontada. Já suava frio e tremia, mas seu orgulho a impedia de admitir.
-I-i-i-i-isso não é nada! Eu vou mostrar para aquelas duas exibidas que eu posso sim ser uma heroína, mesmo sendo mulher! –diz Celia, com a voz trêmula, até sentir algo tocar o seu ombro- AAAAAH! SAI! SAI! SAI! SAI DE PEEEEEERTO! SOCORRO!
Celia perde completamente o controle, saca a sua espada e a sacode pelo ar, na esperança de acertar alguma coisa, até a sua lâmina prender em alguma coisa.
Ela para, com a expressão de confusa, e em seguida começa a puxar sua espada com força, mas ela sequer se mexia, então lentamente ela olha em direção a lâmina e vê dois dedos a segurando, e um pouco mais acima, dois globos oculares vermelhos saindo da escuridão, e por fim ouve uma voz medonha pronunciar:
-Quem é você?
Sem pensar, ela solta o nó que prende a bainha na cintura, a agarra e a acerta na criatura que se escondia na escuridão, o derrubando no chão.
-AaaaaaaaH! Filho da mãe! –a criatura se debate no chão, com as mãos sob o rosto.
Celia consegue recuperar sua espada, e fica encarando de longe a criatura, até chegar mais perto, conseguindo enxergar com mais precisão.
Parecia um homem, alto e de cabelos grandes espetados bem azulados, olhos vermelhos como um crepúsculo. Tinha uma boa musculatura, vestia uma calça suja amarrada com um cordão e uma espécie de roupão de gola felpuda, com uma espécie de máscara feia presa atrás. Ele tinha a aparência de um humano qualquer, se não fosse por um detalhe. Ele tinha dois pequenos chifres presos na testa.
Celia fica séria, prende sua bainha na cintura e empunha sua espada com a mão esquerda. Ele para de se debater e a encara, em seguida se levanta devagar, cerrando os punhos e a encarando com ferocidade.
Celia avança, com sua postura reta e espada na dianteira, sendo segurada pelas duas mãos, ela desfere vários golpes contra a criatura, que se esquiva com maestria. Em um dos golpes desferidos por Celia, uma brecha é vista por ele, que a acerta no estômago com um soco de esquerda, a arremessando contra uma árvore, que tem seu tronco rachado com o impacto. Celia golfa saliva e põe a mão por cima do estômago, com uma clara expressão de dor.
Ela se levanta, refaz sua posição de combate. No fundo dos seus olhos ardia uma forte determinação, sua preocupação com os desaparecidos lhe deixava cada vez mais feroz.
Dessa vez é ele quem avança, desferindo um poderoso soco de direita contra ela, que se esquiva. O soco acerta a árvore, que é dilacerada quase que instantaneamente. Celia se vira com força e acerta o rosto dele com seu punho esquerdo, o desequilibrando, e dá uns saltos para trás, tomando distância.
-O que você quer nessa floresta, demônio! –grita Celia.
-Huh!? –a criatura desfaz sua posição de luta- Do que você está falando?! Eu moro aqui desde que nasci! Sou eu quem te pergunto, o que quer aqui!? –retruca.
-Uma garotinha e um homem! Adentraram aqui tem quase uma semana e não voltaram! O que você fez com eles?! –Celia claramente o acusa.
-Aaaaaahn?! Eu não fiz nada! –a criatura se irrita.
-Não? –Celia relaxa e guarda a espada- Mas então o que é que está acontecendo aqui?
-Ah? Vocês que estão invadindo a floresta, como eu vou saber? –diz ele.
-Espera, espera! Vamos conversar com calma! –diz Celia.
Os dois acalmam os ânimos, perceberam que ambos estavam confusos com aquela situação, e que precisavam trocar informações do que acontecia ali.
Sentaram-se perto de uma raiz grande de árvore, e começaram se conhecer.
-Bom, antes de tudo eu queria me desculpar, hehe. Perdi a compostura e avancei contra você. –diz Celia, um pouco envergonhada, estendendo a mão- Me chamo Celia, e você, tem nome?
-Rudis. –diz a criatura, segurando a mão de Celia, ainda com receio.
-Desculpa meu ataque repentino, ta? É que eu vi essas coisas na sua testa e já fui tirando conclusões precipitadas, hehehe. –Celia se mostra realmente encabulada- Achei que fosse um demônio que assombrasse essa floresta ou algo do gênero.
-Sua mãe não lhe deu educação?! –Rudis fica bravo- Mas, eu realmente sou um demônio. –disse calmamente.
-Queeeee?! –Celia berra- Espera só um segundo!
Celia retira de sua mochila um pequeno caderno e um par de óculos delicados, então começa a folhear rapidamente o caderno, até parar numa pagina, então começa a ler.
-Hmmm... Achei! Chifres, dentes pontudos, olhos avermelhados e força monstruosa. Os ogros possuem um instinto de destruição dos mais perigosos, e nunca se separam da sua máscara... –Celia encara levemente Rudis, que estava cercado de pássaros, esquilos e cervos, todos apegados a ele, então volta seus olhos para o livro e pensa- Quem escreveu essa porcaria?
-Você disse que estava atrás de uma garotinha e de um homem, certo? –pergunta Rudis.
-É, isso mesmo! Você sabe onde eles estão? –Celia fica eufórica.
-Bom, tem uns quatro dias que achei um bicho diferente na floresta. Como era delicado demais, estou cuidando dele na minha casa. Quer ver? –diz Rudis.
-Ah, claro! Me leve até lá, por favor!
No momento que os dois se levantam para irem até a casa de Rudis, ouvem um estrondo vindo de mais fundo da floresta, seguido de um grito de um homem.
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