John Fang
1 Seres etéreos
Notas iniciais
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A sala retangular estava cheia, as cadeiras de plástico eram iguais, e próximo ao meio da sala John Fang não tinha dificuldades para enxergar o palco já que cada fileira de cadeiras ficava um degrau mais baixa que a anterior. Não havia nenhum rosto familiar ali, não para John pelo menos, mesmo com quase quatrocentas pessoas presentes, dava pra ouvir conversas próximas, a sua frente três patricinhas estavam aos risinhos. As luzes se apagaram e as conversas se cessaram, entraram vinte pessoas de jaleco branco pelo palco, com o símbolo da cidade Verão bordado no braço direito e próximo ao ombro: O sol amarelo, bordas e raios a sua volta de laranja. Eram assistentes dos Professor Eduardo e cada um se posicionou ao lado direito de uma fileira de cadeiras. Um homem de cabelos negros, levemente grisalhos e bem aparados entrou pela mesma porta no palco, usava também um jaleco branco com o Sol, mantendo as mãos atrás da cintura parou no centro e observou toda a sala, suas sobrancelhas eram grossas e da cor de seus cabelos, quase escondiam seu olhar naquela sala com tom azulado iluminado pelo telão ás suas costas, então ele desfez aquela cara séria, erguendo as sobrancelhas e dando um sorriso.
– Boa noite – Disse por fim, arrumando seu minúsculo microfone que passava de trás da orelha até próximo sua boca – Eu sou o Professor Eduardo, e suponho que vocês estão aqui para receber seu primeiro Pokémon e sua autorização para treinar e possuir Pokémon – fez uma pequena pausa enquanto olhava pela sala – bom, pelo jeito esse ano nossa cidade bate recordes de novos treinadores, nunca precisamos usar essa sala de conferencia para isso; quem aqui está na idade em que se pode ter um Pokémon? algo por quinze ou dezesseis anos – cerca de três quartos da sala levantou a mão – dezessete ou dezoito? – John levantou a mão, junto com cerca de um quinto da sala – Então posso supor que quem não levantou a mão possui dezenove ou mais. Quem aqui é o primeiro treinador da família? – John levantou a mão novamente, quase todos que levantaram a mão tinham a mesma faixa etária que ele, em todas as perguntas John olhava para trás para conferir quem levantava a mão. – Isso é bom, geralmente não temos tantas pessoas que não tem família de treinadores querendo começar a treinar. Antes de fazer uma breve introdução de Pokémon que a maioria de vocês já sabe, alguém tem alguma pergunta?
As meninas a sua frente faziam algum gracejo entre elas, algumas pessoas levantaram a mão, o professor apontou para um garoto que estava nas primeiras fileiras, parecia ter acabado de completar quinze anos, usava luvas verdes que deixavam seus dedos para fora, John achava aquela moda engraçada, uma assistente trouxe o microfone até o garoto, ele fez uma pergunta boba sobre porta insígnias, a seguir mais um monte de pergunta bobas, Meu, custava olhar no site do laboratório? Lá tinha toda essa informação pensou John, por fim o professor colocou uma mão fechada até a frente da boca e pigarreou:
– Pokémon, seres que são sinônimo de poder, usados de diversas formas pelos homens, tal como glória, defesa pessoal e dinheiro. Eles atravessam uma pessoa de forma etérea, mas conseguem a acertar de alguma forma e dependendo de quão forte é o Pokémon pode até matar – assistentes passavam com um Pokémon redondo e pequeno que parecia uma pokébola, ele tinha a parte superior vermelha e parecia irritado, ele dava um pequeno choque por quem passava, quando chegou em John o assistente sussurrou Thundershok e John levou um susto com o choque semelhante ao que se leva de uma tomada. – Uma pessoa sente um Bite de um Ratata, mas nenhuma cicatriz ficará, e o Ratata atravessará a pessoa como se fosse uma ilusão, nenhum deles é capaz de acertar a matéria, como paredes ou terreno. – o professor retirou uma pokébola do bolso de seu jaleco, era do tamanho de uma bola de gude, quando ele apertou o botão no centro ela cresceu e ficou do tamanho de uma maçã, ele a jogou no chão, ela abriu e uma luz branca saiu de dentro formando um arco de luz até o chão, foi tomando forma, orelhas e cauda já eram reconhecíveis, a luz ficou menos intensa até se apagar. Era um Ratata. – Use o Tackle na porta Ratata. – o Ratata correu e se jogou contra a porta, não chegou a encostar nela, como se a parede repelisse ele, então voltou correndo ao local exato de onde estava quando saiu da pokébola, o professor apontou o botão da pokébola para ele, uma luz vermelha saiu do botão e o acertou, também o transformando em luz vermelha e sugando-o para a pokebola novamente, o professor fez uma pequena pausa enquanto os assistentes terminavam de dar choque nas pessoas, quando terminaram ficaram do lado esquerdo das fileiras de cadeiras — Eles possuem propriedades que os tornam quase um objeto de um jogo, como atacar em turnos durante uma batalha – ele desviou seu olhar para o alto e respirou fundo – Talvez alguns de vocês já tenham sofrido um golpe de um Pokémon ou até perdido alguém por um Pokémon selvagem ou a mando de seu treinador, e meu papel aqui é garantir que nenhum de vocês tenha o perfil de alguém que vá fazer tal barbaridade e nessa próxima semana farei um teste psicológico em vocês, confiram com meus assistentes o dia e hora que vocês deveram vir. – fechou os olhos e respirou fundo, abriu os olhos novamente — Alguma duvida?
– Professor, você não vai conseguir fazer esse teste com todos nós em uma semana – alguém ao fundo gritou.
Professor Eduardo entortou seu microfone para longe do rosto e gritou.
– Por isso meus assistentes vão me ajudar – entortou o microfone novamente e voltou a falar normalmente – todos eles estão aptos a fazer o teste, eu tenho pesquisas a fazer e não posso perder tanto tempo fazendo o teste psicológico em quatrocentas pessoas sozinho. – Disse sorrindo.
– E quanto aos conhecimentos sobre as batalhas entre Pokémon? Não vamos receber instruções? – Perguntou uma das garotas a frente de John.
– Meu papel aqui é garantir que não estou entregando um Pokémon a quem pode prejudicar a sociedade de alguma forma com ele, não mais que isso ok? – Respondeu Eduardo — Vocês vão aprender sobre batalhas com o tempo, e também vão receber uma Pokédex que tem algumas das coisas básicas sobre batalhas e tudo sobre seus Pokémon, mas é só isso.
O professor Eduardo estava fazendo a parte dele, mas é claro que existia muita gente com Pokémon e fazendo atrocidades por ai, mas não era comum, afinal a policia serve pra isso. John então levantou a mão e quando o professor lhe dirigiu o olhar disse:
– Professor, além do teste psicológico teremos mais algum teste, palestra ou algo do tipo antes de recebermos o pokemon e a autorização? – John tremeu um pouco enquanto falava, falar em público não era tão fácil quanto parecia.
– Vocês ainda vão ter que passar em alguma base policial e falar que vão ser novos treinadores e após as instruções vão receber um certificado, ele será necessário para que vocês possam ser treinadores, fora isso não.
Após mais algumas perguntas, o Professor Eduardo desejou boa sorte a todos e disse que fossem sinceros no teste.
Enquanto saia do laboratório e olhava para a lua cheia ao som de conversas e risos de todos que saiam John estava empolgado e ao mesmo tempo apreensivo, afinal ia sair de casa e virar um viajante, conhecer gente nova, ver o mundo com outros olhos. Ia finalmente viver.
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