Jogo para dois
7 Não tenha medo
Notas iniciais
–Agora você fica aqui e sem uma reclamação!- Ino bufou enquanto arrumava a cama do quarto vago -Nem que eu te amarre no pé da cama Sakura, você não volta mais lá!-
Sakura suspirou ainda sentindo aquela pressão no peito e a cabeça meio anuviada.
– Eu não quero ser um incômodo, Ino… eu… sempre fiz tudo sozinha e… Eu vou encontrar outro lugar, agora que estou trabalhando. — Sakura se atropelava mexendo as mãos nervosamente em frente ao corpo.
–Sakura não me obrigue a te mostrar o que eu aprendi nas aulas de boxe- Ino arqueou uma sobrancelha -Você FICA e não quero ouvir mais nada-
Sakura teve que rir da ameaça de Ino. A loira sabia ser convincente quando queria. Por ora, Sakura iria aceitar o auxílio. Olhou ao redor e pensou onde deixaria suas coisas, o apartamento de Ino era maior que a sua casa, mas mesmo assim não teria espaço…
– Obrigada por tudo, amiga. — ela sussurrou apertando as mãos de Ino.
– Achou que eu ia te deixar solta por ai?- Ino colocou as mãos na cintura -O armário esta vazio e tem a mesinha pra você estudar e por um computador se quiser, amanha vou pedir pros meninos irem lá buscar suas coisas- a loira sentou-se ao lado dela na cama e jogou-se no colchão.
Sakura assentiu com a cabeça e apertou os lábios com a reviravolta que sua vida estava tendo. Abraçou-se sem perceber e sentiu o cheiro masculino subir até seu nariz. Como se levasse um choque, ela largou os braços ao lado do corpo e abriu a boca surpresa.
–Ficou louca foi?- Ino a olhou curiosa pela mudança na amiga -Esse casaco ai… Eu já vi ele- Ino levantou-se e puxou a gola do casaco e cheirou -Não me chamo Ino Yakamana se eu tiver errada, isso ai é perfume de Uchiha!-
Sakura sentiu o rosto ferver. Ino conseguia derrubar suas muralhas, era boa em desafiar, em driblar, em pegar as pessoas desprevenidas. No mesmo instante ela se lembrou daquele beijo que fazia o canto de sua boca formigar.
Tocou sem perceber o que fazia, estava inebriada.
“Não… não pode ser… impossível.” pensou atordoada “Ele ia me dar um beijo na bochecha… eu devo ter virado o rosto e… que vergonha…”
–Sakuuuraaaaa- Ino chamou ela cantarolando seu nome.
– Não vem achando coisas absurdas, porquinha — Sakura ergueu as mãos em defesa, dela e de seu chefe — Acabei de ser assaltada, não vai querendo criar teorias ainda mais malucas do que da época de colégio… Não tá rolando nada, sério! — disse rapidamente vendo o sorriso zombeteiro de Ino crescer mais e mais.
– Querida, não foi o que me pareceu quando aquela porta abriu viu? Aliás… O Sasuke me pareceu bem frustrado- Ino gesticulava com as mãos -Vaaamos! Ele tava comigo quando me ligou, olha pra mim e me diga que não ficou felizona quando ele apareceu lá!-
– E estava nervosa! Francamente, Ino. Minha casa foi arrombada, acha que eu ia ficar… bom, eu fiquei feliz dele ter aparecido, mas não por ser ele, mas porque… porque era alguém, entende? — Tentava se explicar desesperando-se com o rosto de Ino que não movia um músculo mostrando que escutava ou acreditava no que ela dizia. Com certeza Ino seria uma ótima jogadora se tivesse paciência pra aprender.
– Claro, claro — Ino acenou com a mão chamando a amiga para a sala- Fiquei preocupada com você, mas pelo jeito não precisava, né? Estava quase se pegando com o boni…
– Ino! Ele só estava se despedindo.
– Rolou um clima.
– Ro-rolou nada!
– Ele ia te beijar.
– Não ia!
– Ele tá querendo…
– Quem me dera…
– Ele… Sakura! — Ino parou no meio do caminho e olhou surpresa para a amiga — Ok, eu acharia muuito estranho alguém dizer que não queria aquele homem, mas você admitir tão fácil assim?
Sakura olhou para as mangas longas do casaco dele cobrindo seus dedos pequenos. Suspirou deixando que aqueles olhos negros penetrantes nos seus. Não acreditava — não queria acreditar — que ele quisesse beijá-la na boca. Ele foi salvá-la, se preocupou, foi um cavalheiro. Ai aquele sonho que não saía da sua cabeça…
– Ele é muita areia pro meu caminhãozinho… — Sakura disse forçando uma risada.
–Conheço esse filme- Ino suspirou cansada -Acho que tenho trabalho a fazer- a loira comentou em tom mais baixo fazendo Sakura a olhar curiosa.
***
Sasuke acordou com dor de cabeça, a claridade era tapada pelas cortinas azul marinho, passou a mão no rosto e sentou-se escutando o celular tocar conferindo o horário no aparelho que já marcava meio dia antes de atender sua mãe.
–Dona Mikoto- Sasuke atendeu o celular com a voz sonolenta.
–Filho! Porque não me ligou? Itachi não te passou o recado?-
–Estava correndo mãe, acabei esquecendo- Sasuke ajeitou-se na cama.
Mentira, ele sabia sobre o que a mãe queria conversar e ele não tinha a minima vontade de escutar a mesma conversa sobre Fugaku, virou o rosto se deparando com o caderno feminino no criado mudo e mordeu o lábio inferior.
Bem, não era total mentira, ele realmente esteve ocupado com certo alguém.
– Sasuke? Está ai?-
– Sim mãe, recém acordei-
– Precisamos conversar querido… Sabe, meu aniversario é mês que vem-
– Não acha que vou me esquecer né?- Sasuke perguntou confuso.
– Sei que não, mas queria todos nós reunidos-
– Sempre nos reunimos no seu aniversário mãe, onde quer chegar?- Sasuke respirou pesado.
– Quando digo nós, quero dizer seu pai também Sasuke-
– Você não pode estar falando serio… Inferno mãe- Sasuke bufou -Olha eu acabei de acordar, nos falamos depois ok?-
–Sasuke- a voz de sua mãe soou desanimada –Amo você filho-
–Também, dona Mikoto- Sasuke respondeu dando fim a ligação.
Jogou o celular pelo colchão e voltou a se deitar fechando os olhos a espera do sono voltar.
A visão escura pelos olhos fechados ganharam dois pontos verdes e logo tomaram a forma de um olhar tão intenso que só aumentava quando o formato do rosto junto com os cabelos rosado preencheram a visão.
O rubor da pele clara pela aproximação dele e o sorriso sem graça dela no canto da boca, novamente sentia a atração que parecia que o puxava, seus dedos pareciam formigar ao lembrar do contato deles no rosto dela e como os olhos verdes se fecharam diante do carinho e teve que levantar o rosto delicado quando ela o abaixou.
E como quase a tinha beijado dentro daquele elevador.
Passou a língua no canto da boca onde os lábios rosados haviam encostado.
Sasuke já estava desperto com as lembranças, mas nao sentia vontade de levantar da cama, pensou em ligar para ela para se certificar que estava tudo bem, suspirou fundo ao lembrar de como havia a encontrado na frente da casa abrançada no proprio corpo quando chegou.
–Onde está meu irmão favorito?- Itachi abriu a porta e entrando sem cerimonia -Oh não me diga que estava dormindo
–Sou seu único irmão Itachi- Sasuke levantou o braço deixando livre a visão de apenas um olho -E onde mais eu estaria?
–Digamos que depois de te ver saindo correndo do cassino com a Ino e não voltando mais me deixou na duvida se voltaria pra casa, se Gaara não tivesse me avisado que fosse uma emergência eu pensaria algo errado irmãozinho- Itachi sentou-se no bau de madeira que ficava aos pés da cama.
–A casa da Sakura foi arrombada- Sasuke explicou -Fui até lá para ajudar-
–Hmmm todo preocupadinho- Itachi falou zombeiro -Espera a casa dela foi o que?- o moreno abriu a boca espantado apos dar conta do que o irmão falará.
–Esta tudo bem, a busquei e levei até o apartamento da Ino, vai ficar morando com a loira agora- Sasuke suspirou -Satisfeito?-
–Cacete… Coitada da teimosa- Itachi franziu o cenho.
–Teimosa?- Sasuke levantou uma sobrancelha.
–Longa historia,te conto um dia desses- Itachi abanou a mão — Mas, ficou tudo bem mesmo?-
–Quase tudo- Sasuke suspirou.
–Como assim?- Itachi girou o corpo acompanhando os movimentos do irmão que se levantou.
–Te conto um dia desses- Sasuke o respondeu antes de fechar a porta do banheiro.
–KUSO!- Itachi gritou para a porta fechada -Vou fazer o almoço!-
–Faça mesmo!- O mais velho escutou a voz abafada do irmão.
***
Sakura acabara de guardar seu livro no armário separado para ela na sala dos funcionários. Estava com a cabeça cheia de coisas. Quando amanheceu, fora com Ino até sua casa e descobriu que haviam levado seus eletrônicos, algumas roupas e bijuterias que ela guardava num porta joias que jazia quebrado no chão.
Os policias disseram que não havia pistas sobre os bandidos, mas que iria investigar. O dono da casa, um senhor calmo e de muita idade foi gentil em entender que ela não ficaria mais ali — depois de Ino berrar que não era lugar pra uma moça indefesa morar — e desconsiderar o contrato.
Gaara e Shikamaru haviam ajudado na mudança. As partes desmontadas de seus moveis ficaram empilhadas, metade num cômodo que seria o quarto de Sakura no apartamento de Ino, e outra metade no apartamento de Gaara.
Essa mudança havia feito ela correr para atualizar seu endereço na faculdade, passe de ônibus, ir atrás do carro que havia sido guinchado pra oficina, ir estudar e correr para o Sharingan.
Acabava de retocar o corretivo embaixo dos olhos quando Hinata entrou no banheiro para funcionários. Sakura não a conhecia ainda, mas já havia ouvido falar sobre ela de Ino. E tudo o que ouvira era confirmado ao ver tão elegante e tímida figura.
– Haruno Sakura? — ela perguntou com a voz tão baixa que Sakura se sentiu gritado como uma selvagem quando respondeu. — Ainda não tivemos o prazer de sermos apresentadas, eu sou Uzumaki Hinata, sou secretária dos dois presidentes. — a morena abaixou a cabeça em cumprimento e Sakura a copiou.
– Muito prazer Hinata — Sakura respondeu achando linda aquela saia branca que Hinata usava em combinação com a camisa azul marinho.
– Ino disse que estaria aqui, você poderia me acompanhar até o RH, por favor?
Recursos Humanos… Sakura arregalou os olhos para a moça em pavor.
“Será que o seu Sasuke tá me incriminando de abuso sexual? Droga, devo ter deixado muito na cara! Nossa, será que eu virei a cara na hora que ele ia me cumprimentar e achou que eu tava querendo agarrar ele? Tô ferrada! Adeus emprego…”
Hinata, porém, não havia visto qualquer sinal de apavoro. Vira uma leve surpresa e uma expressão serena logo após. Ficou impressionada com a calma que Sakura tinha.
– Devo confessar que se fosse comigo, eu estaria… surtada. — Hinata deu uma risadinha e logo se desculpou.
Sakura ergueu uma sobrancelha para a mulher, mas por dentro…
“Justa causa! Eu vou ser mandada embora por justa causa! Se ele pudesse ler mentes, garantido que iria dar um jeito de me exilar do pais por ser tão pervertida! Oh céus! Que vergonha.”
As duas subiam as levas de escadas até a parte administrativa do local. Sakura reconheceu a sala onde conversara com Itachi, havia uma placa com o nome o cargo dele. Seu saltos e de Hinata soavam abafados nos carpetes do corredor, ali em cima o barulho das apostas e dos gritos dos felizardos era totalmente ignorados. Como se estivesse em outro lugar. Mais calmo, frio e sóbrio. A próxima porta era a do RH e tinha o nome de Neji.
Hinata deu uma batidinha e abriu um pouca a porta. Sakura sentia as mãos suarem e as pernas tremerem de nervoso. Começava a se preparar psicologicamente para o maior blefe da sua vida: “Não, eu não tenho uma queda pelo meu chefe e jamais tive sonhos eróticos com ele.”
Mas foi uma voz alta, saindo da sala de Neji Hyuuga que a fez se desconcentrar completamente e querer ver o que acontecia lá dentro.
– …não sou obrigada! Não sou paga para isso! — a voz de Tenten ecoava pela porta.
– De-desculpe Neji, eu volto depois.
– Não, pode entrar senhorita, eu já estava de saída.
E Sakura viu Tenten, a mesma moça que entrara com ela, sair da sala bufando de raiva.
– Pode entrar. — a voz cansada do Hyuuga deu permissão para as duas entrarem na sala pequena, mas bonita do Recursos Humanos. Uma mocinha estava sentada e concentrada enquanto digitava freneticamente em um canto da sala, Neji apertava entre os olhos mostrando ter tido uma noite difícil.
– Nii-san, tudo bem? Se quiser podemos voltar outra hora… — Hinata se adiantou delicada e Sakura a acompanhou com medo.
– Ignore isso. Obrigada por trazê-la aqui, Hina. — Neji disse com a voz grossa erguendo os olhos cansados para Sakura. A garota tremeu no lugar. Será que haveria de ser uma advertência?
– Imagina, se precisarem de mim estarei em minha sala. — Hinata disse e se virou para Sakura — Fico em frente a sala de Sasuke. — Ela sorriu docemente e saiu da sala com toda a elegância.
Neji apontou para a cadeira confortável a sua frente e Sakura se sentou temerosa. O Hyuuga mexeu em alguns papeis com paciência e Sakura sentia que os minutos não passavam. As mãos estavam pousadas em cima do colo e as pernas queriam tremer por baixo da mesa de vidro. Ele veria se ela deixasse que seus nervos tomassem conta do seu corpo. Ele sabia ler pessoas, era o trabalho dele.
“Se acalme… encare seu oponente, respire com segurança, deixe os olhos na altura doo rosto dele, relaxe a boca, pense em… Argh, droga! Droga!”
– Senhorita Haruno — a voz a fez conseguir segurar o impulso de querer sair correndo. Neji cruzou as mãos em frente ao rosto e a olhou com a atenção — Sinto muito pelo o que aconteceu com sua casa.
Sakura engoliu em seco e assentiu agradecida.
– Bom, Sasuke e Itachi pediram para eu passar o apoio que o Sharingan irá lhe dar até que consiga se reestruturar. Há algo que necessite?
Sakura ficou um tempo longo absorvendo o que ele falara. Olhava atônita para o Huuga enquanto ele aguardava uma resposta.
– Como? — perguntou perplexa. Não iria levar um fumo? Não iria ser demitida?
– O Sharingan se preocupa com o bem estar físico e emocional de seus colaboradores, prezamos pela comodidade e… — Neji falava e a cabeça de Sakura girava diante daquela voz monótona. Um peso saiu de seus ombros e ela pôde sorrir um pouco — … assim deixamos a disposição qualquer apoio que precisar.
– Eu agradeço a preocupação, estou com tudo sob controle. — ela garantiu levantando as mãos em frente ao corpo.
Neji sorriu e se encostou na cadeira rotatória observando a mulher. Se lembrou de Sasuke colocando a cabeça para dentro da sala dele e dizendo rápido o que acontecera e que deveria ajudá-la. Era interessante… muito interessante a preocupação do amigo perante aquela menina.
– Ótimo, Sakura. Está se dando bem com todos? Está tendo algum problema com os clientes? — perguntou mais atencioso.
– Nenhum problema, senhor. São todos ótimo. — Sakura respondeu simplesmente e ele se surpreendeu. Não havia sinal de nervosismo. Ali estava a garota que ganhara de Sasuke no poker. Ela havia feito seu nervosismo sumir em questão de segundos.
– Bom Sakura, era somente isso. Fico contente que esteja bem. Qualquer problema, você pode vir até aqui.
Sakura agradeceu mais uma vez e saiu. Olhou para o fim do corredor e viu Hinata a frente de uma porta entregando algumas folhas, uma mão se estendeu para pegar e ela reconheceu o relógio de pulso.
Em segundos não havia mais sinal de Sakura naquele corredor.
***
O último cliente havia saído e Sakura sentia seu dever cumprido. Não havia sido demitida, mas nem por isso deixou de tomar cuidado. Ele era esperto, deveria saber que ela havia suspirando toda vez que sentiu o perfume dele naquele casaco.
“Devia ter pedido pra Hinata entregar a ele, droga! A Ino não ajuda assim…” reclama consigo enquanto saía apressada do salão de apostas. Já havia passado seu cartão de ponto e colocado sua banda de rock favorita pra tocar nos foninhos.
Segurava o grande casaco nas mãos. Não havia o visto, isso queria dizer que suas táticas de fuga haviam sido eficazes.
Ino deveria estar se despedindo aos beijos de Gaara, então escorou no muro do estacionamento balançando a cabeça enquanto esperava a loira chegar.
Os olhos estavam fechados enquanto descansava a cabeça na parede, a musica ecoava pela mente quando sentiu a mão em seu ombro.
–Te assustei?- Sasuke sorriu de canto com o pulo dela.
– Sasuke! Ai.. senhor! Nossa! — Sakura se atrapalhou para tirar os fones do ouvido enquanto fazia sua cabeça bolar algo nada constrangedor para dizer. — Han, seu casaco senhor… — ela disse rápido estendendo-o sem olhar para o rosto do homem.
–Não quero- Sasuke encostou-se na parede ao lado dela -Não enquanto continuar me chamando de senhor- o moreno a encarou.
Sakura ergueu os olhos e se arrependeu. Ali estava ele, próximo demais, cheirando bem demais. A cena do elevador, a mão no rosto, o beijo no canto de sua boca… Ela balançou a cabeça brevemente e tentou olhar por cima do ombro dele.
– Sasuke — disse vencida — obrigada. E obrigada, também, por… ontem. — Quase engasgou entregando o casaco para ele. O rosto já queria esquentar, mas ela se manteve firme olhando por cima do ombro dele para não sucumbir.
Sasuke pegou o casaco, deixando sua mão passar pela dela e inclinou a cabeça para o lado colocando-se no campo de visão dela.
–Agora sim- o moreno piscou para ela -E não precisa agradecer… Mas já que insiste aceito um jantar como tal-
Sasuke fitou os lábios rosas em tom avermelhado pela maquiagem e como o batom os deixava mais… O que essa garota era?
– Claro… — Sakura respondeu sem perceber e logo engasgou olhando de olhos arregalados para ele — Co-como? Não.. espera…. — Sakura atropelava as palavras. Decidiu parar e respirara fundo, cobrindo o rosto com as mãos e tentando ter suas emoções sob controle mais uma vez. — Sasuke, não acho sensato… — respondeu incerta olhando seriamente para ele. Por dentro “Oh my god! Oh my god! Oh my god!”
Segurou o riso ao ver a atitude dela, mordeu o lábio inferior se lembrando da conversa com Ino.
“Sakura é lenta demais… Uma tapada”
É claro que ela teria essa reação e já imaginava o papo de “você é meu chefe”
–Hn… Discutimos isso enquanto te levo pra casa- Sasuke se desencostou da parede tirando as chaves do bolso.
Sakura o encarou sem entender.
– Agradeço, mas a Ino… vou voltar com ela. — disse apontando para o vazio da entrada do estacionamento. Não sabia onde a amiga havia estacionado o carro, então decidiu esperar ali em frente, mas já começava a temer.
–Sakura- Sasuke se pôs a frente dela e cruzou os braços, destacando os músculos abaixo da camiseta social preta -A Ino foi embora à uns quinze minutos com o Gaara-
Sakura abriu a boca em descrença. Muitas palavras de baixo calão passaram pela cabeça dela naquele segundo. Olhou para os lados atrás de salvação, mas só viu o amigo estranho de Itachi que trabalhava na boate.
Respirou fundo e olhou para Sasuke, ela percebeu que ele parecia se divertir com ela. Estaria jogando? Ah, isso não era bom para ela. Se entrasse com certeza iria perder, ela não sabia jogar o mesmo que ele.
Sasuke ergueu uma sobrancelha esperando a resposta e Sakura soltou os ombros em derrota.
– Tudo bem, então. — respondeu baixo mas sem desviar os olhos dele. — Obrigada.
Sasuke segurou o instinto de colocar seu braço nos ombros dela e resolveu apenas caminhar ao seu lado, seu peito enchendo-se de orgulho como toda vez que via seu mustang estacionado esperando por ele.
Destrancou as portas e abriu a do carona para que ela entrasse e seguiu para seu lado vendo ela abraçar o próprio corpo pelo vidro.
–Shikamaru me contou que foram buscar suas coisas hoje- Sasuke comentou enquanto tirava o carro do estacionamento.
Sakura apreciou o bonito e luxuoso carro de Sasuke. Abraçou a bolsa e o livro pesado contra o copo. Temia o que conversaria com ele, estava morrendo de vergonha, mas maquiou muito bem seus pensamento, aquela não era a melhor situação para ser transparente.
– Sim, a perícia não encontrou nada substancial. — se virou para ele — Ele e Gaara me ajudaram bastante. Aliás, agradeço pelo apoio, tanto seu quanto de Itachi.
–Sakura- Sasuke a chamou com a voz calma -Entenda uma coisa… Nós, eu e Itachi, não somos chefes de vocês, quando abrimos o Sharingan de inicio era um lugar para nós e nossos amigos, isso sempre foi um sonho do Itachi… Não esperávamos que ia crescer dessa maneira mas, creio que deve ter escutado isso de algum deles, somos apenas um bando de gente se divertindo, apesar de cada um ter uma função… Nós apenas pagamos as contas, não tem ninguém trabalhando ali que eu ou Itachi não conhecemos, pelo menos a maioria- o moreno deu de ombros.
Sakura se surpreendeu com aquela afirmativa. Olhou com admiração para o rapaz e ele lhe pareceu mais humano, mais acessível, mais encantador depois daquilo.
– Nossa, isso é muito legal. — ela comentou baixo mostrando sua surpresa. — Por isso todos gostam tanto de vocês. Bom, Itachi eu já conhecia um pouco, mas… É muito legal, sério!
Sasuke não conteve o sorriso. Se orgulhava do que tinha construído com seu irmão e mais ainda da chance de crescimento que deu a seus amigos. Ele gostou desse reconhecimento dela.
Enquanto dirigia ele observava as pernas grossas moverem-se nervosas, ela não gostava de silêncio, pelo que constatou. Sakura olhava nervosa para a janela ajeitando a bolsa no colo, sentia os olhos dele queimarem sua pele, e tinha vergonha demais para olhar de volta. O que diria? No fundo, gostava daquela atenção.
Ainda sim estava nervosa e toda vez que ele parava num semáforo ela arquitetava um plano de fuga. Já se arrependia daquela carona, estava se afundando em ilusões que não fariam bem. Calculou quanto tempo conseguiria abrir a porta e sair correndo, mas parecia que o sinal estava contra ela e voltava ao verde em pouco tempo.
O prédio de Ino se aproximava e ela sentia o corpo relaxar, não era saudável ficar muito perto dele, ainda mais quando sua cabeça não estava totalmente sã para encarar todo aquele charme em forma de homem.
Sasuke estacionou na vaga destinada a visitantes do prédio e tirou o cinto de segurança para virar-se para ela.
–Está entregue- Sasuke apoiou o braço no encosto do banco de Sakura.
Ela sorriu agradecida e foi tirar o próprio cinto, mas a mão dele a barrou no processo. Foi um ato espontâneo, mas Sakura não conseguiu analisar direito devido sua falta de raciocínio. Sakura ergueu os olhos arregalados para ele esperando uma explicação, mas tudo o que viu foi uma intensidade naqueles olhos negros que a fez sentir suas pernas tremerem.
–Não precisa ter medo de mim Sakura- Sasuke encarou os olhos verdes.
– Medo.. não. Eu não tenho medo… — ela sussurrou e a cena do elevador pareceu-lhe um déjavu àquela hora devido a intensidade.
–Então porque fugiu de mim a noite toda?- Sasuke ajeitou-se no banco ficando mais próximo dela.
– Eu.. eu… — Sakura desviou os olhos para não ser influenciada — Achei que o senhor estaria me achando algum tipo de louca… — disse se arrependendo em seguida.
–Tsc… A única coisa que te acho é teimosa por ainda me chamar de senhor- Sasuke mexeu a cabeça bagunçando os cabelos negros.
– Desculpe, Sasuke. — disse com uma risada breve.
–Porque te acharia louca?- Sasuke a perguntou com um sorriso de canto.
– Her… bem. Eu juro que não tive a intenção de virar o rosto e… nossa, ficou uma situação estranha. — ela disse rindo nervosamente. A face de jogadora estava no chão, ali estava a garota tímida e insegura de sempre. — Eu sinto muito, não queria isso, bom… me entende, não?
–Sakura- Sasuke a chamou a fazendo olhar para ele de novo.
Os olhos verdes foram erguidos rapidamente. Já esperava a repreenda.
– Sim?
–Não vire o rosto desta vez-
Sakura abriu a boca sentindo seus sentidos confusos, ele se aproximava e os olhos se fechavam quando dois dedos dele seguraram seu queixo como na noite passada. De um roçar de lábios, a boca dele se fundiu a sua e ela não retesou. Ele sugou e mordiscou seu lábio inferior até que abriu totalmente a boca e acomodou a dele num encaixe perfeito. O melhor beijo de sua vida.
Sasuke levou a mão do queixo dela até a nuca de Sakura quando sentiu o gosto dela na sua boca e sentia a língua dela acompanhar a sua.
O leve gosto de café e menta a fez se deliciar ainda mais daquele momento, o movimento era lento, saboreando cada parte de cada um. Ela suspirou quando a outra mão dele alisou seu pescoço. Automaticamente, estendeu seus braços para os ombros dele e alcançou a nuca.
Os lábios delicados dela o recebiam e o embriagavam, a distância que a divisão dos bancos provocava incomodava Sasuke que colocou-se mais para frente colocando-se mais próximo dela sentindo as mãos de Sakura entrelaçarem em seu cabelo provocando um arrepio na espinha.
Aos poucos, foram se separando quando o ar foi faltando. As mãos continuavam no mesmo lugar, mas as bocas se distanciavam sem quererem aquilo. Sakura abriu os olhos sentindo-se tonta, o encarou e viu seu reflexo naquele imensidão negro.
Eles haviam se beijado e a ficha ainda não havia caído para ela. Até que Sasuke a puxou novamente e confirmou o que queria.
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