Notas iniciais
YOOOO! Como estão meus morangos com açúcar? (são duas da manha ignorem o apelido) No meio da madrugada eis que surge mais um capitulo ♥ ~boa leitura

Sakura mal conseguia colocar a chave na fechadura do apartamento. Suas mãos tremiam e seu coração pulsava feito louco.

Qual fora a última vez que beijara alguém? 2 anos? 1 ano e meio?

Quando foi a última vez que beijara um cara ao nível de Sasuke, tanto em beleza, pegada e beijo? Nunca!

Seu pobre coraçãozinho não conseguia aguentar essa carga.

Fechou a porta do apartamento e sentiu as pernas perderem suas últimas forças. Desceu as costas pela madeira com aquele olhar vago de quem estava em estado de choque. Tocou a boca com as pontas dos dedos e só acreditou que tudo aquilo era real, pois o gosto dele ainda se mantinha ali.

Suspirou sonhadora e encostou a cabeça na madeira se lembrando da cena repetidas vezes. Depois de mais uns dois beijos, ela disse boa noite e saiu do Mustang cambaleando, nem vira se ele riu dela ou se falou algo, ela estava perdida demais para qualquer coisa a não ser andar até sua cama.

Levantou-se com a mão e pô-se a andar com uma bêbada até o lugar que deveria ir primeiro. Era automático, passos de uma menina que precisava desabafar.

– Ino…- murmurou assim que entrou no quarto, não reconhecendo a sua voz. — Ino, preciso te contar uma coisa.-

Sentada na ponta da cama queen de Ino, a rosada a chamava enquanto sacudia a perna de Ino provocando resmungos da loira.

– Dormindo testuda- Ino colocou um travesseiro em cima da cabeça.

– INO! — gritou não conseguindo mais controlar tanta emoção. — O SASUKE ME BEIJOU!

– Hm...- O grito da loira que em segundos já estava sentada ecoou no quarto — QUÊ?

– ELE ME BEIJOU! DO NADA! ME BEIJOU! AI DEUS!!!!!! — Sakura começou a se abanar e desesperada olhando com os olhos arregalados para Ino enquanto pulava na cama da amiga.

– ME CONTA TUDO AGORA!- Ino passava as mãos pelos cabelos loiros deixando-os mais bagunçados ainda.

– Ai… ele me deu carona e… nossa… eu pedi desculpas achando que eu que tinha quase beijado ele no elevador aí ele — Sakura parou a narração pra se abanar — Disse todo sexy pra eu não virar o rosto dessa vez e… nossaaaa, que homem! — Sakura se jogou na cama com os braços abertos olhando sonhadora para o teto. — Ainda procuro o ar que perdi.

Ino escutava todo o relato enquanto fazia suas caretas a cada coisa que Sakura contava.

– Sabia que você ia deixar de lerdeza rapidinho com o Uchiha — A loira sorriu maliciosa — Tá toda besta… Nem ouvi mais o papo de “Muita areia pro meu caminhãozinho” — Ino afinou a voz imitando a amiga.

– Como eu ia imaginar? — Sakura disse se defendendo sem tirar o sorriso do rosto — Ele nunca mostrou nada, ele…. hei, e se ele for tipo um colecionador? Nem me achou bonita nem nada, era só pra dizer que pegou? — Sakura levantou-se na hora olhando para Ino apavorada. — Com quem ele já ficou lá do Cassino? Fala Ino, ele já deu em cima de você?

Ino rolou os olhos, sabia que Sakura ia surtar a qualquer momento.

– Como você ia imaginar? Pelo amor de Kami, Sakura! Se depois daquele bendito elevador você não notou…Não me faça perder as esperanças em você- Ino apontou pra ela -Deu em cima de mim? Da onde tirou isso?! Olha… O Sasuke sempre foi muito reservado se formos comparar com o Itachi, quando eu conheci ele a bons dois anos atrás ele tinha uma namorada que era nojeeenta e ele logo mandou ela pastar, depois disso ele nunca levou ninguém nos encontros do pessoal, já vi ele saindo com uma e outra mas nada serio — Ino contou tentando acalmá-la.

Sakura respirou fundo e balançou a cabeça. Lembrou-se, inevitavelmente do elevador e de como ele esteve próximo de si, dos olhares trocados nos jogos…

– INOOOOO — ela gritou erguendo os braços e se jogando na cama novamente — ELE É MUITO LINDOOOO!!

Ino não teve outra reação a não ser soltar sua gargalhada alta, passou as mãos nos cantos dos olhos limpando as lagrimas que se acumulavam ali e respirou fundo.

No fim as coisas não mudavam, Sakura continuava sendo sua irmão mais nova.

–Ta bem animadinha, hein? — Ino sorriu maldosa — Não vou nem perguntar se você gostou.

– Pergunta besta. — Sakura se sentou na cama ainda rindo. Mas logo a face foi ficando séria — Mas e agora? Tipo, ele é meu chefe. Eu vou ser taxada de abusada se ficar com ele? Ele ainda vai querer? Eu vou conseguir olha pra cara dele sem cair desmaiada no chão? Inooo, me ajuda!

–Testa… Cala a boca, a única coisa que você vai fazer agora é dormir, logo me deixar dormir- Ino deitou-se novamente -Mas antes me agradeça por te esquecer lá- a loira soltou uma risadinha.

– Ah! Foi de propósito? — Sakura ainda pulava no lugar, mas agora tapava a boca surpresa. — Filha da mãe! Merece um chocolate!

–Olha pra minha cara e vê se eu faria uma coisa dessas- Ino bocejou -Boa noite testa-

Sakura teve que se contentar em surtar sozinha quando viu Ino se virando de costas e dado aquela conversa como encerrada. Ela saiu do quarto quase aos saltos, sem perceber Ino encarando a parede com um sorriso de canto.

***

Aquele sorriso não saía do rosto dele. Não era satisfação o que sentia, pois a garota de olhos tão verdes quanto esmeraldas ainda não havia satisfeito suas curiosidades.

A boca semi aberta em surpresa pelo beijo repentino, só o chamava para mais um, e mais um e mais um… era magnetismo puro.

Tão delicada, tão linda…

Dirigia seu Mustang pensando em como seria dali para frente. Gostou da companhia dela e de seu beijo. Sakura só o surpreendia a cada nova faceta daquela jogadora.

Lembrar daquela menina em pele de mulher o fazia querer ir mais a fundo. Ela era um poço profundo de segredos, de mistérios. Tinha o olhar de uma tigresa e o comportamento de uma gata. Sabia blefar tão bem, quanto era surpreendida com um simples beijo…

“Simples” riu com a ideia. Aqueles beijos haviam sido tudo, menos simples.

Passou a língua pelos lábios sentindo o sutil sabor doce que ela deixara ali. Apertou ainda mais o volante e deixou o ar escapar com um breve risada.

Queria mais.

O sol da manha já tomava seu lugar no céu de Tokyo, passou a mão no rosto e decidiu ligar o rádio para distrair a cabeça e soltou uma risada com a musica que tocava na principal radio da cidade.

Hey… Ja Ja Jaded (Hey... Insensível)

In all it's misery (Em toda a sua miséria)

It will always be what I love… and hated (Será sempre aquilo que amei... e odiei)

And maybe take a ride to the other side (E talvez viaje para o outro lado)

We're thinking of (Que imaginamos)

We'll slip into the velvet glove (Vamos escorregar em luvas de veludo)

And be jaded (E ser insensíveis)

My my baby blue (Minha, minha garotinha triste)

Yeah I been thinkin' 'bout you (Eu estive pensando em você)

My my baby blue (Minha, minha garotinha triste)

Yeah I'm so Jaded (Fiquei tão insensível)

And baby I'm afraid of you (E baby, eu estou com medo de você)

Não acreditava em destino ou qualquer dessas besteiras, sua sorte sempre fez nas mesas jogos cobertas pelas toalhas de veludo, mas não houve como esquecer a menina depois disso. Sua inexpressividade num mesa de poker, seu andar ferino, seu blefe certeiro, sua falta de reação com as investidas dele. Parecia tão insensível, tão segura e poderosa, mas no fundo uma garotinha ferida com o que a vida era capaz de fazer. Tão ingênua e tão…

Não sabia como definir aquela menina. Balançou a cabeça e entrou no estacionamento do prédio. Subiu o elevador lembrando-se dela perto de si em um cubículo como aquele no dia anterior e quando chegou até a porta, lembrou-se vagamente que Itachi havia pedido à ele. Deu de ombros entrando no apartamento, depois veria isso, só queria tomar um banho.

Abriu a porta em um movimento único, perdido na própria mente, quando ouviu um grito e o barulho de algo caindo no chão.

– SASUKE- Itachi gritou.

Sasuke olhou em direção a sala que ficava no mesmo comodo que a porta de entrada, atrás do sofá os cabeços de Itachi totalmente bagunçados e os cabelos castanhos no mesmo estado ou pior, suspirou e fez sinal de negação com a cabeça.

– Francamente Itachi- Sasuke reclamou indo para o seu quarto — Olá Pimenta- falou mais alto já que já estava no corredor que dava pros quartos.

– Oi queridinho- Ouviu o cumprimento animado da mulher antes de fechar a porta do quarto atras de si.

Tirou a camiseta social no caminho do banheiro da suíte e ligou o chuveiro com a água quente e relaxou o corpo quando entrou em contato com ela.

Sentia a água correr pelas costas enquanto o cabelo pingava no seu rosto.

Minutos depois já estava deitado, o som do ar condicionado era o único no quarto escuro e em meio a tantos pensamentos, que iam desde sua família á ela, Sasuke adormeceu.

***

A reunião que inciara a quase três horas finalmente entrava nas pautas finais.

“Nós só pagamos as contas” Sasuke lembrou-se do que disse horas atrás.

Ele esqueceu-se de mencionar as intermináveis discussões com investidores, fornecedores que sempre soltavam indiretas sobre como eles e toda sua equipe eram jovens demais para entender como funcionava o mundo ou comandar algo grande como o Sharingan.

Se pudesse já teria saído daquela sala na primeira meia hora de conversa com todos ali, a cabeça doía e o sono ainda tomava boa parte do seu corpo.

– Talvez um investimento na sonorização da boate agora seja uma boa ideia- Itachi comentou enquanto via mais um orçamento -Devo manter a diferença dos dois andares, seria ruim o som da boate indo até o cassino.

– A entrega de destilados tem que ser mais organizada- Sasuke apontou para o calendário -Não é a primeira vez que vejo Kisame se virar em dois porque bebidas chegaram junto com o carregamento de alimentos.

– Vou falar com as transportadoras — Hinata tomava nota na agenda -Bem, acho que por hoje fechamos tudo, certo cavalheiros?

A morena virou sua cadeira para os senhores que acenaram em concordância com ela.

– Devo acrescentar que é impressionante os lucros senhores Uchiha- um dos homens coçou o queixo.

Hinata observou os dois irmãos sorrirem de canto com o comentário do homem, o orgulho estampado no rosto dos dois que nem se davam ao trabalho de esconder isso e teve que se segurar para não rir.

Quem conhecia Itachi e Sasuke sabia como os dois eram orgulhosos e não era como se eles precisassem que qualquer um daqueles presentes na reunião falassem para que eles soubessem o quão impressionante era o sucesso do negocio.

Todos se levantaram e despediram-se, Itachi, Sasuke e Hinata seguiram para o estacionamento do prédio executivo no centro de Tokyo, a parte da cidade era destinada apenas a grandes escritórios de empresas e toda a nata administrativa se concentrava ali.

– Itachi-kun, está indo pro Sharingan agora? — Hinata perguntou.

– Claro, te dou carona — Itachi balançou as chaves do carro nos dedos — Sasuke?

– Vou comer alguma coisa e depois vou pra lá — O respondeu já destravando o alarme do carro — Ja né.

***

Sakura estava em desespero. Nem aqueles beijos da madrugada a fizeram se acalmar naquela situação.

– Meu caderno!!! Cadê, cadê????

A bolsa estava revirada em cima da mesa da biblioteca. Os olhos cansados vasculhavam qualquer resquício de seu caderno sumido e nada.

– Kami! Sera que eu perdi na mudança?!

Mordeu o lábio respirando fundo. Qual foi o último lugar que vira seu caderno?

– Sakura! Minha belíssima flor de cerejeira. Futura médica particular deste pobre educador físico.

Sakura deixou o ar escapar de susto e um sorriso forçado aparecer.

Rock Lee era o nome dele, a perseguia desde o dia que se perdera em seu primeiro dia. Era um rapaz simpático e esse era o problema... ele era simpático demais.

– Oi Lee, como está? — perguntou educada vendo-o se sentar a sua frente.

– Melhor agora que te encontrei. Algum problema? Parece meio cansada...

– Rotina puxada, não estou tendo tempo para nada. — Sakura disse já sabendo o que viria a seguir.

– Talvez se fossemos tomar um cafe...

– Obrigada, de verdade. Mas realmente não posso — ela disse jogando tudo dentro da bolsa com certa rapidez. Teria que procurar entre suas coisas quando voltasse para casa.- Mas... — Lee se levantou e Sakura sorriu de maneira gentil fazendo o rapaz quase se derreter diante da doçura dela.

– Foi bom te ver, Lee. Até mais.

Andou pelos corredores apressada. Muita gente saindo para o intervalo e bloqueando sua passagem. Teria que correr para conseguir ser uma das primeiras a chegar no laboratório para conseguir ser liberada antes.

Sua cabeça trabalhava freneticamente enquanto tentava refazer os passos ate chegar em seu caderno.

Sem perceber, mexia o dedo indicador para cima e para baixo enquanto listava baixo os lugares que havia ido com ele.

– Cassino, casa, faculdade.... aí no dia do temporal... — parou de pensar quando o celular vibrou em seu bolso.

Está em aula?

Sakura olhou para o celular não reconhecendo o número. Ficou apavorada e olhou para todos os lados como se estivesse sendo seguida. Parou perto da porta da sala de aula e fitou a mensagem por longos segundos.

Quem é?

Assim me decepciona. Qual seu prédio?

Sakura apertou os lábios cogitando o que deveria fazer. Chamar a polícia? Ligar para Ino? Gritar pela universidade?

Sakura, sou eu…

Eu vou chamar a polícia! – Digitou frenética sentindo os dedos tremerem.

Sasuke.

O celular quase caiu das mãos dela, mas num malabarismo digno de nota, ela recuperou o aparelho e olhou para o nome como se fosse algo surreal.

Oi Sasuke.

Bateu na própria testa depois de ver o que enviara.

Vai me deixar esperando mesmo? Vai começar a chover daqui a pouco…

Sakura olhou para fora do prédio e viu alguns relâmpagos cortarem o céu no horizonte. Ele a estava esperando? Naquele momento preferiu que fosse um louco maníaco atrás dela, talvez as pernas não estivessem tão moles quanto agora.

Onde você está?

Estacionamento do prédio 4

Sakura virou-se de forma automática para a direção daquele estacionamento e até esqueceu de sua aula. Andou em passos impensados, usando sua mente apensa para se concentrar e não surtar na frente do homem.

– Sou uma adulta… Eu sou adulta. Eu posso me relacionar bem com as pessoas…. mas o bicho é um deus… Isso não é nada, você é a melhor Sakura, foi ele quem foi atrás de você! Isso aí!! Força, foco e fé, menina!! — Sakura murmurava para si mesma fechando o punho em determinação.

Determinação que foi por água a baixo quando alcançou o estacionamento. — O que eu faço? o que eu faço? O que eu faço????

O local era coberto e suspirou quando lembrou-se da “chantagem” dele sobre a chuva, o local estava cheio de carros dos alunos o que dificultava para a rosada concluir a tarefa de encontrar ele.

–Será que ele não veio e só ta me fazendo de trouxa?- Sakura perguntou para si mesma.

Entrou em uma nova ala do estacionamento, talvez só talvez se ele tivesse brincado com ela não sentiria todas aquelas sensações quando o viu encostado no carro negro, as mãos nos bolsos do casaco e aqueles malditos cabelos bagunçados.

Suspirou baixo antes de se aproximar dele que já a fitava, apertou a alça da mochila nos ombros… Ela estava muito encrencada ali.

Ele sorriu de canto. Viu os olhos dela vacilarem quando olhou para ele. Viu a tensão e achou normal depois do que acontecera. Ela não era uma mulher volúpia, não era aproveitadora. Era tímida, estudiosa, ingênua… Desencostou de seu Mustang e a viu respirar fundo e levantar os olhos. Ficou surpreso, ela emanava poder, o hipnotizando sem qualquer intenção maligna, mas deixando-o arrepiado. Ela não usava saltos como no cassino e nem uma roupa que acentuassem suas formas femininas, mas mesmo assim ela parecia a tigresa que conheceu naquela mesa de poker.

A boca foi mordiscada quando ela chegou mais perto, e ele repetiu o movimento sem perceber. Os olhos verdes se prenderam definitivos nos seus, e Sasuke não sentiu mais tanta segurança quanto sentia normalmente. Ali estava a jogadora e ele sentia que deveria pisar em ovos ao agir perto dela. Agora, era ele quem estava sendo analisado.

– Oi... — ela cumprimentou com a voz baixa e levemente rouca. Os olhos seguiam para ele de forma confiante, e depois para o sol que se preparava para se pôr logo atrás dele. — O que faz aqui? — perguntou deixando transparecer um pouco de sua timidez quando quase gaguejou o início da pergunta.

–Estava por perto- Sasuke passou a mão pelos cabelos deixando a franja tapar um pouco dos olhos -Achei que valia a pena passar aqui-

Sakura ergueu uma sobrancelha de forma natural, assim como sempre fazia quando desconfiava de algo, mas as mãos presas em frente ao corpo mostraram seu nervosismo. Sasuke não perdeu um movimento.

– Hm. — ela murmurou apertando os lábios e olhando para o lado de forma desconcertada com os olhos dele presos em si como numa mesa de poker — E… porque achou isso?

–Porque você veio me encontrar- Sasuke a encarou direto nos olhos.

Sakura abriu a boca minimamente, surpresa com a resposta dele. Se controlou para não ruborizar se concentrando em outra coisa. O pneu parecia mais interessante para escapar daquele sorriso sagaz.

Sasuke segurou o riso, sentindo-se no controle novamente.

– E também sabia que queria tomar um café- Sasuke girou as chaves nos dedos -Precisa buscar algo na sala?

Ela ergueu os olhos surpresa com a proposta direta tentando maquinar o que teria que responder. Lembrou-se de uma das frases de seu pai “Quando não souber o que fazer numa jogada, siga seu instinto.”

Os olhos relaxaram para o usual e um bonito sorriso pintou seu rosto.

– Um café seria ótimo, obrigada. — já se aproximando do lado do passageiro do luxuoso Mustang.

Sasuke observou o movimento dela para ir até o outro lado do carro, mas em um movimento rápido a segurou pelo antebraço a trazendo para perto dele.

– Não esqueceu de nada?- Sasuke perguntou em seu ouvido, o aperto era leve mas não a deixava escapar dele.

A boca dele resvalou pela pele arrepiada logo abaixo de seu ouvido e por seu pescoço, ela estava paralisada sentindo aquele cheiro caro de perfume masculino e a mão a segurando firmemente. Virou minimamente o rosto, o suficiente para encontrar a boca dele esperando a sua.

Num momento de sanidade, rompeu o beijo antes que ele se aprofundasse mais e desviou o rosto.

– O que quer de mim? — perguntou com a voz baixa, quase num sussurro.

– Quero descobrir você… — Sasuke a respondeu no mesmo tom, os lábios dele passaram levemente pelos dela.

Um suspiro foi inevitável. Assim ela se entregou ao beijo, sentindo a mesma necessidade de desvendá-lo, de descobrí-lo.

***

O lugar era todo revestido pelo papel de parede avermelhado, as luzes eram baixas deixando o ambiente mais reservado e aconchegante mantendo todo o frio do outono lá fora.

Sakura observava as folhas secas que começavam a cair pensando nas palavras de Sasuke. Ele a fitava esperando que ela respondesse. Estava curioso e formulara perguntas pertinentes até chegar àquela. O som do pedido sendo entregue pelo garçom a fez mudar o foco da visão.

Segurou a caneca entre as mãos sentindo o calor as esquentarem antes de respondê-lo.

–Ahn… Meu pai trabalhou anos em um cassino, que foi como aprendi a jogar… Durante as tardes depois da aula ele me levava lá antes de abrirem, ele sempre foi muito bom, era incrível o que ele fazia nas mesas- Sakura contava orgulhosa -Mas nunca apostava o dinheiro que não tinha, era apenas por paixão, todos os conheciam por isso…. Quando eu tinha 17 anos, assaltaram meus pais quando eles saíram de casa, era um colega de serviço dele que achava que meus pais tinham dinheiro por causa do poker, meu pai o reconheceu e o cara atirou- ela assoprou a bebida a sua frente.

Sasuke ficou surpreso e levemente arrependido de ter pressionado. Era visível que ela ainda sofria e devia estar marcada com aquela perda de forma profunda.

– Eu sinto muito. — a voz grossa soou baixa e sincera.

Um minuto de silêncio, daqueles que as pessoas usam para refletir, foi instaurada sem querer entre eles.

–Não podemos contar sempre com a sorte, não é mesmo?- Sakura sorriu fraco -Mas as coisas foram se ajeitando… Ainda estão-

Sasuke levantou o olhar para ela, instantaneamente lembrou-se da frase do caderno, mas dessa vez resolveu não perguntar sobre aquilo, ia falar sobre o caderno que ela havia esquecido quando sentiu um incômodo no peito e as tosses vieram contra sua vontade.

Sakura ficou alerta na hora. Era um tosse seca e curta, parecia haver uma ligeira falta de ar e isso chamou sua atenção. Sua expressão se tornou séria enquanto ele tomava um gole de água para lubrificar a garganta.

– Sasuke, desculpe a pergunta, mas… o que você tem? — perguntou cuidadosa o observando com atenção.

–Hn- Sasuke respirava recuperando o ar -Apenas uma gripe mal curada, é irritante mas nada demais-

Sakura franziu as sobrancelhas se preocupando.

– Nunca foi à um médico para ver? Digo… — parou ao ver que poderia estar seno indiscreta — Er… desculpe, eu faço medicina, então… — disse se desculpando com a justificativa — mas uma gripe mal curada pode levar à coisa mais grave...

– Estou bem, mas se quiser me consultar, doutora Haruno… — Sasuke sorriu de canto deixando o ambiente mais leve.

Sentia a necessidade ver a reação dela a cada instante com ele, como recolhia os ombros e abaixava o olhar, ou quando mudava a postura como estivesse pronta para mostrar que não era uma mulher frágil.

Sakura não conseguiu segurar e ruborizou diante da resposta cheia de segundas intenções. Decidiu beber um gole de sua bebida para pensar melhor enquanto os olhos o observavam por cima da xícara.

– Você não presta- Sakura suspirou e ao ver o sorriso de Sasuke sentiu algo no estomago.

“Kami! Eu xinguei meu chefe”

– Ahn... Que tal você me contar um pouco da sua história, agora?- Ela perguntou apos mais um gole no capuchino.

Notas finais
Se vocês soubessem a quantidade de surtos e risadas esse capitulo rendeu.. HHAHAHA (Alias, amei saber que vocês morreram com a frase do cap passado, me sinto com missão cumprida :P) Muita coisa a frente para esses dois... Quais as apostas? Kisus da Milla e da Pan! Ja né.