Notas iniciais
YOOOOO!!! Olha quem chegou com um capitulo mega lindo pra vocês? Serio, eu e a Pan tivemos alguns ataques escrevendo algumas cenas HAHAHAHA Espero que gostem ♥

Sasuke saiu do banho, colocou a calça de moletom e se jogou na cama cansado e pronto para dormir. O dia definitivamente havia sido exaustivo.

O quarto já estava com a luz baixa deixando o cômodo com total sensação de conforto e a cama de casal era o lugar preferido de Sasuke naquele momento, jogou o edredom por cima do corpo, virou-se de lado mas antes de finalmente fechar os olhos o caderno em cima do criado mudo o fez desistir da ideia de dormir.

Sentou-se na cama pegando-o e curioso abriu na primeira pagina tomada pela letra delicada de Sakura, onde além da matéria que ele não entendia nada e nunca tinha ouvido falar sobre a tal doença que tinha os dados anotados ali, várias notas de complemento eram feitas nas laterais das folhas ou com post it’s

Passou algumas folhas até que dois post it rosa na mesma página o chamou a atenção.

“Contas atrasadas e mais contas atrasadas… Hora de arranjar um emprego querida”

“Adotar um cachorro”

Estava com um péssimo humor mas não conseguiu segurar a risada com a última, de uma maneira estranha conseguia ver Sakura escrevendo aquela nota mantendo o rosto impassível.

Passou mais uma folha onde achou uma nota no rodapé.

“Não conte sempre com a sorte”

– Não conte sempre com a sorte- Sasuke repetiu o recado em voz alta não compreendendo o significado daquela frase

A cada página que passava, mais Sasuke se sentia preso aqueles pequenos relatos, como se fossem fragmentos de Sakura e sua personalidade, por um momento se perguntou se era correto invadir a privacidade dela daquela maneira, mas não conseguia pensar em parar de ler.

“Levar flores para meus pais”

“Lembrar (de novo) de pegar as folhas no xerox 0,15”

“Vizinhança de merdaaaaaaaaaaaa! Odeio odeio odeio!”

Instantaneamente Sasuke se lembrou da área da cidade onde Sakura morava, que não era nada segura principalmente para uma garota como ela morar sozinha.

Sakura não combinava de jeito nenhum com aquele lugar.

“Aniver da Manu, comprar cerveja artesanal e…? perguntar pro Itachi”

– Puta que pariu Itachi — Sasuke bufou — Como nunca vi ela antes?

Já chegava no fim do caderno onde as notas não eram tão frequentes.

“Obrigada Kami! Melhor prima, melhor dom pra escolher caras pra sair! Sério, se o Itachi conseguir esse emprego… Acho que aceito aquela noite de tequila com a Pimenta”

O Uchiha sorriu, como seria Sakura alterada pela bebida?

***

Havia tomado um banho quente e se aconchegava nos cobertores para ler um pouco antes de dormir. Ouviu as sirenes da polícia do lado de fora e gritos seguidos de tiros. Jogou o livro no chão e se escondeu embaixo dos cobertores. Tremeu sentindo o medo que a assolava quase todas as madrugadas. Em plena segunda-feira.

O barulho havia parado, mas a tremedeira no corpo não passava. Apenas o frio daquela tempestade havia ficado, não havia mais chuva, não havia mais sossego. Pelo menos em dia de chuva, ninguém saia de casa.

Aspirou fundo e sentiu um cheiro que não era natural de seu quarto, virou a cabeça para o lado e viu o casaco grosso pendurado em sua cadeira. Sem pensar muito, estendeu a mão e puxou a peça para perto de si, nem era necessário puxar o ar com força para sentir. Um perfume bom, que nunca havia sentido antes, com certeza seria importado. Sem sentir culpa, ela cheirou a peça e soltou um suspiro absorvendo aquele cheiro gostoso. Cheiro de homem, cheiro de poder. Cheiro de Sasuke Uchiha.

Abraçou a blusa perto do peito e desejou que o cheiro bom a fizesse sonhar com o homem. Seria um sonho maravilhoso…

– Sua tarada… — riu de si própria estendendo o casaco em cima da cadeira novamente.

Assim que fechou os olhos ela sorriu, pois o cheiro ficara impregnado a seu lado.

Naquela noite sonhou com um tabuleiro de xadrez de seu tamanho, ela não podia andar, pois estava no jogo no lugar de um peão. Olhou para frente e viu, entre as peças pretas, no lugar de onde deveria estar o rei, o dono daquela perfume. Ele tinha uma coroa na cabeça e sorria de canto mandando que ela fizesse o próximo movimento.

Ela sentia que somente ela poderia chegar até o rei. Ele a aguardava sua aproximação, mas ela não sabia como chegar nele sem ser derrotada. Olhou ao redor e só via peças. O cheiro a atraia para olhar para o rei, mas como chegaria sendo somente um simples peão?

Apertou o lábio pensativa e começou a montar sua estratégia somente em sua mente. Seria arriscado, perderia muitas peças. Levando em consideração que ele caísse em sua armadilha…. Estava concentrada. Muito concentrada.

– Era só dar um passo — a voz grossa dele a pegou de surpresa. Ela arregalou os olhos e o rei estava a seu lado — Era só dar um passo que estaria ao meu lado.

O sorriso cheio de magnetismo, os olhos arrebatadores e… aquele cheiro…

– Sasuke, eu sou um peão… — ela balbuciou o vendo perto de seu rosto. Queria sentir as mãos dele que não tocavam diretamente seu rosto. Ele encarava sua boca e ela se perdia na dele.

Todas as peças começaram a rodar em volta deles numa ciranda maluca, Sakura começou a se sentir tonta.

– Me bei… — ele sussurrou, mas ela não entendeu.

– Como?

Ele não respondeu, somente sorriu e se jogou para trás sendo segurado no alto por seus peões.

– Me ganhe…. Me ganhe, Sakura.

Ela acordou esfregando os olhos e vendo que faltava cinco minutos para seu despertador tocar, só não reclamou porque finalmente havia saído daquele sonha maluco e… irresistível.

Riu sem humor algum sentindo o corpo querer permanecer na cama quentinha ainda saboreando aquele sonho.

– Eu sou uma pervertida — sussurrou olhando para o teto — Uma pervertida iludida e azarada… poxa, logo o chefe?

Passou a mão no rosto e coçou a cabeça a fim de esquecer aquilo e se focar. Havia olheiras para serem cobertas com corretivo e coisas para estudar.

Preparou uma boa xícara de café forte e se afastou daquele perfume masculino. Não podia se distrair, mas depois de um tempo ela só conseguia pensar na pena que era devolver aquele casaco mais tarde e na vergonha que ia ser encarar seu chefe bonitão depois de um sonho maluco daqueles.

***

Sasuke acompanhava o movimento do Sharingan de pé em frente a parede de vidro onde tinha a visão de todo o Cassino, as mãos no bolso da calça escondendo os dedos que não paravam quietos.

Os olhos ônix percorriam todas aquelas pessoas, jogadores, apostadores, os amigos e funcionários apenas como um pretexto para matar tempo, mas também sentia a ansiedade percorrer seu corpo toda vez que via a porta que dava acesso a parte dos funcionários se abrir e esperar ver o ponto rosa se misturar as pessoas.

Em dia de semana o movimento não era tão grande quanto aos fins, mas conseguia enxergar seus melhores jogadores e os mais endinheirados deixarem suas ricas apostas nas mesas. Viu Ino olhar de cara feia para o outro lado enquanto um cliente falava com ela, e isso foi a motivação para Sasuke descer os dois lances de escada que separavam os escritórios do cassino.

– Ino, preciso de você no bar, por favor. — ele apareceu colocando uma mão no ombro da moça e olhando com um sorriso de falsa cordialidade ao homem que se afastou dela assim ele apareceu.

Ino soltou o ar aliviada e sorriu para seu chefe.

– Claro senhor, já estou indo lá.

– Posso ajudar em alguma coisa? — perguntou erguendo uma sobrancelha para o homem que se mexia desconcertado na cadeira com sua dose de vodka na mão.

Sasuke ficou sem resposta, pois o magnata, que com certeza dava em cima de Ino, se virou e o ignorou.

O Uchiha não se abalou, com a falta de educação. Ajeitou o relógio caro no pulso e olhou ao redor, tudo parecia estar na perfeita ordem. A não ser uma coisa.

Andou pelas mesas cumprimentando pessoas e rejeitando as apostas que lhe ofereciam. As cartas eram tentadoras, mas havia algo o incomodando.

Naruto preparava os drinks com uma energia típica dele, e fornecia seu melhor sorriso. Sasuke sempre o elogiou por isso, mas naquele momento nem reparou na gorjeta gorda que o loiro ganhou pelo bom trabalho ou em Shikamaru que quase dormia no balcão.

– Hey, Sasuke! O que vai ser hoje, chefe? — perguntou animado quando o Uchiha e melhor amigo escorou o antebraço no balcão do bar.

– Tsc. Não me chame assim, usurutonkashi — Sasuke uniu as sobrancelhas — Sakura está servindo na boate hoje?

– Aaah, eu te conheço. — Naruto gargalhou — Não vi ela hoje, normalmente ele vinha com Ino e Gaara, mas os dois chegaram faz tempo

– Hn — Sasuke respondeu enquanto acenava com o queixo a um empresário que passava por ele — Nos falamos depois

– Ele acha que eu não sei que o escritório é do outro lado? — Naruto balançou a cabeça rindo enquanto via o amigo andando pelo cassino com sua típica cara de sério e entrava na parte destinada aos funcionários — ACORDA SHIKAMARU!

***

Ino olhava para o celular com as sobrancelhas franzidas, a foto de Sakura na tela enquanto esperava a ligação ser completada e mais uma vez cair na caixa postal.

– Onde você se meteu testa? — a loira mordeu o lábio inferior preocupada.

Havia falado com Sakura no horário da saída da faculdade e a rosada a avisou que em menos de duas horas estaria no trabalho que começava as 19 horas, já eram quase nove horas da noite e Sakura não havia dado nenhum sinal de vida e o celular estava sem sinal.

Sabia muito bem que a amiga não era de de atrasar, não sem dar uma explicação para tal, ainda mais com emprego.

Batia a ponta do salto no ritmo da música da boate que dava pra ser ouvida na área de convivência dos funcionários, se lembraria de agradecer a Itachi por ter escolhido aqueles sofás extremamente confortáveis, quando viu Sasuke entrar despreocupado no cômodo.

– Ora ora, a realeza esta entre os plebeus — Ino sorriu, sabia que os dois Uchiha nunca perderam sua essência e não gostavam quando os amigos os tratavam como superiores mesmo no ambiente de trabalho, mesmo depois do sucesso que virou o Sharingan. Itachi continuava sendo o cara amigável e tarado, enquanto Sasuke continuava na sua essência calada e misteriosa, mas sempre ótimos amigos e parte insubstituível do grupo.

– Não comece — Sasuke sentou no sofá a sua frente.

– Certo. Me salvou hoje, então não irei implicar com você — Ino viu ele lhe responder com um sinal de positivo com as mãos — Mas não é muito comum você aparecer aqui.

– Vim ver se estava tudo dentro dos conformes… — respondeu aleatoriamente olhando ao redor com fingido interesse — Prezo pelo bem estar dos meus funcionários. — disse com bastante convicção olhando direto naqueles olhos azuis que o olhavam com desconfiança. Adorava fazer esses jogos com Ino, sempre viu potencial nela, apesar de não ser boa em maquiar reações e emoções.

– Oh por favor! Nem o seu irmão é tão cara de pau assim — Ino gargalhou — Fale logo Sasuke, não tenho medo dessa sua cara de tédio — Ino apontou a mão como se formasse um revolver e “atirou” no Uchiha que sorriu.

– Soube que conhece a Sakura há alguns anos — Sasuke abriu os braços, os deixando no encosto do sofá, e olhou para o lado contrário de Ino.

– Conheço a testuda desde os oito anos de idade — Ino tirou uma lixa de unhas da bolsa e começou o processo — Ela sofria com apelidos ridículos na escola naquela época por causa da testa e eu não aguentava mais ver aquela bela florzinha sofrer, alguém precisava ajudar ela a desabrochar — a loira sorriu tomada pelas lembranças — Desde então, não nos desgrudamos mais, fomos crescendo, enfrentamos o ensino fundamental juntas e sobrevivemos o ensino médio como uma boa dupla… Ela é uma flor linda, pena que sempre foi tapada demais pra perceber isso!

– Tapada? — Sasuke perguntou curioso.

– Sakura esteve sempre tão focada em estudar, entrar na faculdade de medicina... que nunca percebeu o quão linda ela é e por mais que eu sempre diga isso ela nunca acredita, na época de escola quando eu dizia que algum carinha olhava para ela, Sakura sempre negava dizendo que era pra mim, pois ninguém ia olhar para a estranha de cabelo rosa — Ino colocou uma mão na testa e fez movimento de negação com a cabeça — Enfim… no nosso último ano os pais da Sakura faleceram em um assalto… Foi bem pesado pra ela. E foi aí que a Sakura sumiu, resolveu ir pra casa de uma tia, estudar pro vestibular… Acredita que ela não teve coragem pra me procurar achando que eu tinha ficado braba com ela? Tô dizendo! Tapada!

Sasuke se permitiu rir da naturalidade com que Ino falava sobre Sakura, mostrando o quão bem conhecia a rosada.

– Imagino que tenha sido pesado — Sasuke uniu as sobrancelhas e de certa forma impressionado pela volta por cima e o esforço que Sakura mostrava ter.

– Se foi… — Ino suspirou — Estou preocupada com ela. Está se acabando de estudar, mal dorme e não quero nem pensar no que ela come durante o dia! Sabe, eu sempre me vi como uma irmã mais velha pra Sakura, por mais que tenhamos a mesma idade, ela sempre foi frágil e isso foi o que fez nossa amizade começar, sempre estive pra abrir os olhos dela. Ela vai me matar se eu souber que eu disse isso mas, se eu não tivesse trancado ela em um armário ela nunca teria beijado o carinha que ela gostava no primeiro ano… Ela é devagar pra essas coisas, mas em compensação quando se trata em jogos de cartas é engraçado como ela parece até agressiva… Bem você já percebeu isso — Ino deu de ombros — E eu já percebi que você anda muito curioso pela minha amiga, bonitão.

Sasuke estava pronto para respondê-la quando o celular de Ino tocou e a loira mais que depressa atendeu o telefone.

– Testuda maldita! Onde você tá? Por Deus, Sakura! estou quase morrendo de preocupação aqui, porque não me atendeu?- Ino falava rápido e Sasuke sabendo de quem se tratava prestou atenção na conversa e na mudança de expressão do rosto de Ino que foi de irritada a preocupada em segundos — Co...Como assim Sakura?! Meu Kami, você tá bem? Eu tô indo ai agora e você vai sair desse lugar nem que eu te arraste pelos cabelos! Fica ai que tô chegando querida.

Sasuke se pôs de pé ao mesmo tempo que Ino que já procurava a chave do seu carro em sua bolsa.

– A casa dela foi arrombada! — Ino explicou aflita — Preciso ir lá agora!

– Não — Sasuke segurou o braço dela — Eu vou, vá pra casa, eu levarei ela lá.

Ino o fitou por um instante e apenas acenou concordando antes de andar junto com ele, apressada, até a saída.

***

O Mustang corria acima do limite por aquelas ruas estranhas e escuras. Viu a viatura parada em frente a casa dela. Apertou o volante com força sentindo seu músculos vibrarem de preocupação. Era uma garota sozinha num lugar perigoso, já deveria saber que algo assim aconteceria mais cedo ou mais tarde.

– Sakura? — chamou assim que desceu do carro e a viu parada perto do portão enquanto policiais entravam e saíam de sua casa.

Ela estava encolhida dentro do seu casaco e o rosto estava vermelho de chorar.

– Senhor Uchiha? — levantou o rosto surpresa andando rapidamente na direção dele.

– Você está bem? Fizeram algo? — perguntou olhando para todo o rosto dela a procura de algo.

– Nã-não… eu… — Sakura não conseguia falar de tanto que tremia assustada. Ela olhava ao redor e mexia as mãos nervosamente.

– Senhorita, se encontrarmos o lad… — um policial gorducho e sem disposição se pronunciou com a voz arrastada atrás do bigode.

– “Se”? — Sasuke puxou Sakura pelo ombro de forma inconsciente e encarou o policial. — Vocês vão encontrar.

– Olha, senhor…

– Uchiha Sasuke.

O policial abriu a boca surpreso e se aprumou desconfortável com o olhar superior do homem. Já estava pronto para da-lhe uma advertência pelo modo que falou com um policial, mas havia uma coisa que ele aprendera nos anos atuando como policial. Manda quem pode, e um Uchiha podia.

– Vamos encontrar senhor, senhorita. A perícia estará aqui de manhã, fique despreocupada. — o tom era mais solícito, mas Sakura estava tensa demais para conseguir assimilar essa diferença.

Sasuke seguiu o policial com os olhos enquanto o gorducho conversava com os colegas sem esconder que falava sobre o dono do Cassino.

– Eu estou melhor, senhor.

Foi então que Sasuke percebeu o jeito que aninhava ela em seu peito. Soltou-a sem graça

– Venha, vou te levar daqui. — disse olhando para a porta arrombada e a fita que passaram em volta e depois para a rua deserta.

Ela assentiu sentindo ele a guiar até o bonito carro. Estava em choque, sua pernas pareciam gelatina e pela primeira vez sentiu um pouco de paz e conforto. Alguém havia se preocupado com ela e ido lá.

Ele teve que abrir a porta do carro para que ela se desse conta de que já haviam chego ao veículo.

– Quer que eu busque algo na sua casa? — ele perguntou em voz baixa vendo que ela não estava totalmente íntegra.

Sakura olhou um pouco confusa para ele e se agarrou ao casaco sem perceber.

– Não posso entrar, a perícia…

– Claro. — ele disse rapidamente fechando a porta dela e correndo até seu lado. — Como você está?

Sakura esfregou o rosto e soltou o ar olhando para a janela de vidros escuros. Por ela passava mais do que medo, ela tinha trauma. Tremeu só de pensar…

– Só um pouco em choque… — sussurrou vendo o vidro embaçar com sua respiração.

Era incômodo não olhar nos olhos dela enquanto ela falava, queria saber a verdade naqueles espelhos verdes.

– Você chegou a vê-los? — a voz saiu rouca e Sakura olhou discretamente para a direção dele.

– Não. — respondeu mais alto fazendo Sasuke olhar para ela — Eu havia… havia saído mais cedo da faculdade e pensei em passar em casa pegar um livro para estudar no meu horário vago… — ela suspirou olhando para frente. O cheiro dele invadiu suas narinas e o efeito foi calmante — Quando cheguei o portão estava aberto e a porta da frente arrombada. A polícia demorou a chegar… — Sasuke viu que ela entraria em desespero logo e como forma para acalmar segurou a mão pequena que repousa fechada em punho em cima da coxa esquerda.

Sakura sentiu um arrepio bom subir por sua coluna e sua mão se aqueceu ao toque dele, relaxando até que ela abrisse a mão relaxando.

– Fique calma… Já passou. — ele não tirava os olhos da estrada a frente e Sakura agradeceu que ele não a olhasse, pois o contato a deixava ainda mais vulnerável.

– Eu sei… — ela deixou o ar escapar e olhou para o colo. Arregalou os olhos no mesmo instante ao ver que estava usando o casaco dele. — Ooh… me deculpe.. eu… Ai Meu Deus!

Sasuke a olhou rapidamente assustando-se com a reação desesperada dela, mas o que viu o fez rir. Ela tentava tirar o casaco enquanto o rosto ficava púrpura.

– Fique com ele. — ele segurou o braço que subia o casaco e voltou para o volante para fazer uma curva — Está frio, você precisa mais.

Sakura agradeceu com um suspiro se encostando no banco e cheirando, discretamente, a gola do casaco. Ela percebeu que não precisaria fazer aquilo, tudo ali cheirava Sasuke Uchiha. E seu corpo relaxou.

O carro estacionou em frente ao prédio de Ino. Sakura apertou os lábios sentindo que não estava sozinha.

– Ela estava preocupada. Muito. — Sasuke disse dando um fraco sorriso.

– A Ino… ela é como uma irmã… — ela disse correspondendo ao sorriso.

Sasuke saiu do carro se lembrando da forma como Ino havia definido sua amizade com Sakura, ficou aliviado da moça ter um laço tão forte para ampará-la. Ia dar a volta para abrir a porta para ela, mas Sakura já havia saído e retirava o casaco para entregar.

Sasuke segurou o sorriso e passou seu braço pelo ombro dela, freiando a retirada da blusa e a levando até o elevador ao encontro da amiga no quarto andar.

– Já disse pra ficar com ele — Sasuke falou enquanto o elevador os levava até o andar sinalizado — Não me importo.

– Por favor, leve. Agora estou melhor, só o peguei por estar frio e não poder entrar em casa… me desculpe, eu ia entregar hoje e… — ela se atropelou nas palavras sem querer olhar para ele.

– Sakura — Sasuke a segurou pelos ombros de frente para ele — Fique com o casaco.

A voz de comando a fez se lembrar, naquele momento inoportuno, do rei de seu sonho. Ergueu a cabeça e torceu a boca de canto, quase num sorriso envergonhado. Ficou deslumbrada com os olhos negros que a encaravam como se lessem sua alma.

– Obrigada... Sasuke — ela sussurrou como se não estivesse espaço entre eles e a voz não precisasse ser reproduzida.

Sasuke por impulso subiu uma das mãos que estava no ombro dela até o rosto e fez um carinho com o polegar, sentindo a textura macia da pele gelada. Sentia seu corpo se aproximar dela como se aquela mulher fosse uma especie de imã para ele, os olhos verdes o atraindo sempre para mais perto dela.

Sakura soltou o pouco ar que tinha preso e fechou os olhos diante do carinho. Abaixou a cabeça um pouco, mas a mão dele fez pressão para que levantasse. Sentiu a respiração dele bater em seu rosto e seu coração acelerou, não sabia se seu cérebro estava lhe pregando uma peça.

Sasuke abaixou o rosto devido a diferença de altura, observando cada reação que provocava nela e mordeu o canto da própria boca, sentindo sua garganta coçar ao fitar os lábios vermelhos, sentiu a ponta do nariz dela tocar seu rosto deixando o mínimo de espaço entre dos dois.

Sakura aspirou o cheiro inebriante, ainda mais forte dele. Arrepiou-se ao sentir a pele quente tocar a sua. Sua mente estava nublada, e seu rosto movia-se como se fosse atraído por magnetismo.

A porta do elevador abriu fazendo barulho, um grito fez Sakura virar o rosto na hora e, um rápido beijo no canto de sua boca foi dado.

Sasuke fechou os olhos com força, amaldiçoando o porquê de Ino não morar no último andar do maldito prédio, com dificuldade tirou a mão do rosto dela e se afastou.

– Ino! — Sakura correu para abraçar a amiga que já a esperava com os braços abertos. Porém o olhar da loira era de surpresa. Olhou para Sasuke com uma interrogação no rosto enquanto Sakura retribuía seu abraço.

– Eu assumo daqui — Ino o assegurou — Obrigada Sasuke.

– Eu ligo mais tarde — Sasuke fitou as costas de Sakura ainda abraçada na loira e apertou o botão para o térreo.

Antes da porta se fechar, porém, pôde ver Sakura virar-se para o elevador e lhe olhar com grandes e brilhantes olhos verdes que ele retribuiu com a mesma intensidade.

Sasuke encostou a cabeça no aço gelado e passou as mãos pelo rosto e bufou frustrado.

Pulou para fora do elevador, apertou o casaco contra si e andou até o carro estacionado logo a frente, trancou-se dentro do Mustang que tinha uma leve fragrância floral, o cheiro dela, e isso não o ajudou muito.

Afinal o que ela tinha?

Antes de ligar o carro, olhou para a janela do quarto andar e viu a sombra, que deduziu ser de Ino por causa do cabelo, andar agitada dentro do apartamento, logo depois uma segunda parar na janela e sumir logo depois para o mesmo caminho que a outra sombra havia feito e as luzes serem desligadas.

Notas finais
Olhem nos meus olhos e digam que nunca sonharam com um Uchiha u.u Alguem vivo depois das ultimas cenas? Não xinguem a Ino... tadinha! HAHAHAHAHA Quase Sasuke, quaaaaase! Mas graças a loira, agora você já conhece um pouco mais da rosada, vamos ver oq fará com essas informações moço! Eai o que acharam do capitulo? Beijos da Milla e da Pan