Jogo dos Deuses

3 Capítulo III ♕ Os Deuses estão jogando.


Notas iniciais
Olá, meus amores! Tudo bom com vocês? Bem, espero que sim. Como podem notar, estou reformulando alguns pontos dos dois mundos, criando assim algo novo. Alguns lugares não citados na série ou nos livros por exemplo, foi criação minha, algo necessário para o desenrolar da história. Sim o Loki é complexo, cheio de dilemas morais e sentimentais, algo que acho necessário explorar aqui, mostrando que até mesmo os Deuses podem amar ou odiar. Agradeço muito aos comentários recebidos. Capítulo revisado por mim. Boa Leitura!

Seu corpo em meio às chamas derretidas mantinha-se intacto. Os olhos violeta da mãe dos dragões fitavam Drogon voando em círculos acima do vulcão, gritando, como se estivesse comemorando o regresso de sua rainha.

Ela havia voltado do mundo dos mortos, disso a jovem se lembrava muito bem. Mas quando a última Valíriana tentava se lembrar de como consegui enganar a morte, sua mente se perdia em um nevoeiro sem fim. Era como se nada do que aconteceu no plano espectral pudesse ser descoberto pela humanidade.

− Drogon! − Chamou por seu filho, tentando se mover em meio ao fogo que, por incrível que pareça, não a queimava. Era certo que a família Targaryen era resistente ao calor, mas não imune.

Buracos começavam a se formas em suas memórias, fazendo-a ficar agitada. Quanto mais ela, ou melhor, seu interior se preenchesse com sentimentos intensos, mais a lava que a envolvia se tornava revolta.

− O que está acontecendo? – Gritou em desespero, vendo-se presa dentro do vulcão. – Meu corpo não se move. É como se eu não tivesse força nenhuma.

Quando Daenerys pensou que ela havia renascido apenas para morrer novamente, uma luz esverdeada emerge de dentro do vulcão, fazendo-a gritar para seu último filho restante na terra. – Dracarys!

Sem pensar duas vezes, Drogon expele seu fogo em direção à luz, impedindo que qualquer coisa saísse de lá. Contudo, mesmo com sua força ardente, o fogo é parado por um ser mascarado pelas cinzas do vulcão, fazendo com que a última Targaryen ficasse em choque.

− Como...? – Questionou, atordoada, fitando a silhueta envolvida pela luz. – Como Drogon fora parado tão facilmente assim?

♚♚♚ L o k i — Va l í r i a ♚♚♚

Quando abri um portal para ir atrás da garota, eu não sabia bem onde ela estava, apenas que ela não iria muito longe, já que ela não possuía alma, apenas o corpo reanimado pela joia. Sem conseguir se mover, mesmo que demorasse dias, eu a encontraria e retomaria o que era meu.

Mas, para a minha surpresa, acabei abrindo um portal para onde ela estava, facilitando assim parte do meu plano.

Ao chegar em Valíria, a futura New York, sou recebido pelas chamas do dragão da garota, queimando as pontas de meus dedos, mas nada sério. Eu poderia matar aquela criatura ridícula desprovida de inteligência, mas se eu fizesse isso, a garota jamais se curvaria perante mim, tornando-se meu instrumento de combate, a arma mais poderosa e letal de todas.

Então, para não o matar, eu parei as chamas com minha magia, fazendo-as desaparecer diante dos olhos violeta da garota.

− Quem é você? – Ela perguntou, presa à lava, imóvel, totalmente desprotegida. − Responda-me! – Seu tom saíra alto, exigente, algo que me irritou.

Por que justamente aquela criança tinha o que eu queria? Irritante, arrogante, mimada, cheia de problemas... Por qual motivo tinha que ser ela? Eu já não aturava Thor, filho de Odin, um Deus barbado com mentalidade infantil, agora terei que aguentar essa pirralhinha? Qual mal eu fiz para merecer o fardo de ser sempre a babá dos idiotas?

− Responda-me agora mesmo! – Com os olhos cheio de superioridade e arrogância, ela grita, fazendo-me cerrar os pulsos.

Maldita menina. Como vou poder falar algo se ela não para de agir como a rainha caída? Eu preciso fazê-la se lembrar de mim, do limbo, de toda a nossa conversa.

− Diplomacia, Loki. – Murmurei. – Diplomacia.

Limpei a garganta com pigarrear, levitando até a garota, cruzando meus braços acima do peito, fitando-a com desdém. Pobre idiota.

− Eu não perguntarei uma terceira vez. Caso não diga nada, pedirei ao Drogon usar Dracarys em você. – Ameaçou.

Como humanos são burros, incapazes de enxergarem a resposta estampada de ante de seus olhos. Será que a burrice dela é ainda maior que a do Thor? Não estava claro que eu sou um Deus?

− Draca...

E antes que ela pudesse ordenar ao dragão a me atacar, eu me pronuncio. – Vai, pode ordenar ao seu dragão ridículo para que me ataque. – Sorri maldosamente. – Eu o mato assim que ele tentar abrir a boca asquerosa dele, exterminando assim o último dragão no mundo.

Seus olhos se arregalaram, assustados, mas ainda duvidosos. – Você não teria coragem. – Seu tom saíra como uma afronta, fazendo-me perder a paciência e ir para cima do dragão que sobrevoava o vulcão.

− Não deveria duvidar de um Deus, garotinha tola. – Com minha adaga mergulhada em sangue e veneno de escorpião, me preparo para atingir o coração daquela repugnante criatura, mas sou parado por chamas prateadas que se fecham ao meu redor, prendendo-me em um círculo mais quente que o próprio inferno.

♚♚♚ D a e n e r y s — V a l í r i a ♚♚♚

A silhueta do homem saiu em disparada até meu último filho com intenções assassinas, algo que me fez entrar em desespero, pois Drogon era a única coisa que ainda me restava nesse mundo.

Impotente. Se havia alguma palavra que pudesse me descrever no momento, impotente seria a mais sábia. Eu perderia meu último filho, o mais amado dentre os três.

− Meu amado filho... – Murmurei, deixando com que minhas lágrimas caíssem de meus olhos, misturando-se ao fogo do vulcão. – Fuja! – Gritei, debatendo-me em meio às chamas. – Fuja para mais longe que puder desse lugar, Drogon! – Insisti, mas ele, pela primeira vez desde que nascera, não me obedeceu.

Meu peito foi se aquecendo em raiva. – Um Deus? – Questionei ao mesmo tempo que tentava me mover. – O que é ser um Deus para você? – Eu não me importava com mais nada, apenas com a vida de Drogon. Se for necessário matar um ser divino, eu matarei. – Como você pode se considerar um Deus se não protege e ama aqueles que batalham para sobreviver em um mundo onde apenas os mais fortes sobrevivem? – Minha voz era revolta, cheia de raiva e incompreensão.

Como ele podia ser tão cruel? Que tipo de ser celestial é esse que não se importa com ninguém e nada além dele mesmo? Quanto mais eu me perguntava, mais minha raiva aumentava. Ele não era um divino, não podia ser.

Quando o vi aproximar-se de Drogon para acertar-lhe o coração, pude sentir um estalo sendo feito dentro de meu corpo, libertando-o da imobilização.

− Se ser um Deus é ser egoísta, eu renego vocês! – Gritei, sentindo o fogo do vulcão se transformar em chamas prateadas, criando uma barreira envolta do daquele ser que se dizia um Deus.

− Não nos interessa saber se vocês nos amam ou nos temem. – A voz dele ecoou atrás de mim, pegando-me pelos meus cabelos. – Porque vocês não são nada além de ferramentas de nossas diversões.

Maldito. Com que direito eles nos tratam como peões de seus jogos? Como eles podem ser Deuses com atitudes tão egoístas e desprezíveis como essas? Como eles podem conviver com eles mesmos?

Eu tentava encontrar uma resposta para cada questionamento levantado, mas nada me vinha em mente. Era como se eles não tivessem coração.

− Como vocês conseguem dormir? – Trinquei os dentes, forçando minha cabeça para trás, tentando fitá-lo. – Como não sentem nenhum peso por brincarem com vidas inocentes?

A sua risada era alta e estridente, como uma revolta trovoada em dia de tempestade. – Nós, Deuses, não sentimos nada por vocês, humanos. – Voa voz era um misto de ira e calmaria. – Vocês só existem para nos entreter. – Explicou em deboche, como se aquilo lhe proporcionasse prazer.

Então eles não sentem nada por nós? Não se importavam com aqueles que se feriam ou morriam em seus jogos doentios? Não pode ser. Não deve ser. Aquilo era... Errado. Nem mesmo os selvagens de Vystería, cidade subterrânea localizada abaixo dos destroços de Valíria, eram tão cruéis assim.

Não. Não era verdade que todos eram daquela forma. Eu me recuso aceitar uma coisa tão cruel assim.

Com a voz embargada, eu rebato sua afirmação. – Mentira. – Meus olhos não podiam enxergá-lo, mas eu sabia que sua expressão havia mudado de debochada para séria. – Nenhum Deus seria tão cruel ao ponto de abandonar sua criação, seus filhos, em uma guerra onde o único que sai ganhando é aquele que tem as mãos mais manchadas de sangue. Nenhum dos Deuses nasceram cruéis. – Afirmei. – São as provações da imortalidade que os tornaram assim. – Suas mãos apertaram ainda mais meus cabelos, fazendo uma aguda e suportável dor se espalhar pela região apertada. – Foi o que aconteceu com você, não foi?

♚♚♚ L o k i — Va l í r i a ♚♚♚

A maldita criança continuava falando asneiras, como se ela pudesse entender alguma coisa sobre nós, mas ela não podia. Eu queria que ela se calasse, que não continuasse com aquele discurso ridículo e sem sentido que todos os humanos que conheci falavam para mim, pois eles não tinham conhecimento de nada para opinar sobre algo que não podiam entender ou sequer compreender. Eles eram apenas ferramentas forjadas para serem usadas em guerra. Eram nossos prazeres culposos. Não passavam de meros peões em nossos jogos.

− Você sofre pelo passado. – Suas palavras me desvirtuaram de meus devaneios. – Eu sinto uma enorme dor e obsessão emanando de você. Sua mão tocou a minha que segurava seus cabelos com força, fazendo algo dentro de mim se inquietar. Era como se eu já conhecesse aquela humana. Era como se ela fosse...

Não. Era impossível. Eu a vi morrer pelas mãos de Laufey, mas algo nela fazia-me crer que ela havia voltado.

O que essa maldita...

− Eu não o odeio. – Murmurou. – Confesso que repudio seus atos, mas... Eu não consigo odiá-lo. Eu não sei que Deus você é, quais razões o fizeram me trazer de volta à vida, mas eu sei que você não é um dos antigos que minha família tanto venerava.

Petrificado. Eu não conseguia me mexer diante dela. Eu, o Deus mais esperto dentre todos os outros, agora me encontrava sem reação.

Essa garota era mais do que a herdeira de Draverys. Eu não podia ficar perto, mas também não podia ficar longe. Somente o poder dessa garota me dará o trono que é meu por direito.

− Você sente-se bem? – Quando dei por mim, a garota já havia se soltado de minhas mãos, ficando de frente para mim, encarando-me com aqueles olhos cor violeta.

− Tira essas mãos sujas e indignas de cima de mim, mortal! – Meu tom saíra alterado, raivoso, como se ela tivesse despertado o pior de dentro de mim. A minha mais profunda escuridão. Me afastei o máximo que pude dela, mas não era o suficiente. A presença dela causava-me uma perturbação interna descomunal, capaz de destruir tudo pela frente.

− O que foi? – Confusa, ela se levantou em meio ao fogo, andando sobre ele. – O que aconteceu? – Seus paços em minha direção eram lentos, calmos, cheios de elegância.

− Fique longe!

− Não posso. – Respondeu. – Eu preciso saber as razoes pelas quais me trouxe de volta à vida. Eu não sei nem ao menos o que está acontecendo comigo. Sei que nos conhecemos, que você me ajudou a voltar, mas não me lembro de nada. Há algumas lacunas em minha mente que só você pode preencher em forma de respostas.

Atordoado com a presença da jovem Targaryen, o príncipe de Asgard recua um paço, pousando as mãos em sua cabeça, como se a presença dela lhe ferisse.

− Eu já mandei se afastar!

− Não! – A jovem, persistente, continuou seu caminho até o Deus da trapaça, esperando ter suas dúvidas esclarecidas por ele, mas só o que a jovem recebeu foram palavras duras e cruéis.

− Eu te trouxe de volta apenas para usar-lhe, apenas isso. −Seu tom era sofrido, como se algo no Deus estivesse doendo. – Eu desejava obter o que é meu por direito através do seu poder. Para mim, criança tola, você é apenas uma arma necessária. Não te trouxe de volta por sentir afeto ou amor por você, mas sim por ganância.

Daenerys, cansada dos mesmos discursos da divindade à sua frente, sorri fraco, prosseguindo seu caminho até ele. – Mentira! – Sussurrou. – Você apenas se sente traído, sozinho e magoado. – Ao chegar diante de Loki, a jovem toca seu peito, mas é surpreendida com uma tentativa de ataque por parte do ser imortal.

− Chega! – Loki pegou sua adaga, furioso, desferindo um golpe em direção ao peito da jovem, mas ao ver uma luz prateada envolver o corpo da garota, o Jovem Deuses, incrédulo, deixa sua arma cair no chão, ainda não acreditando no que via.

− Sigyn...

Notas finais
Bom, esse foi o capítulo de hoje. Espero que tenham gostado. Beijinhos.