Jogo dos Deuses
4 Capítulo IV ♖ A queda de Loki.
Notas iniciais

♖♖♖ V a l í r i a — L o k i ♖♖♖
Dizem que a queda de um Deus é quando ele perde sua graça, tornando-se dispensável para todos os outros, mas essa não é bem a verdade. A graça divina é algo que pode ser roubado de outro imortal. A verdadeira queda, aquela que nos machuca ao ponto de nos transformar em verdadeiros Demônios, é quando um Deus é tocado pelo amor, tornando-o escravo de seus sentimentos.
− Por favor, Loki, não prossiga com essa loucura. – A voz era dela, o rosto era dela, o corpo era dela, mas... Não era a verdadeira Sigyn.
Aquilo era um truque, tinha que ser.
− Devo parabenizar você? – Minha voz saíra alta, irritadiça.
− Do que está falando? – Seus olhos demonstravam confusão, como se não soubessem sobre o que eu estava falando.
Quanta ingenuidade da garota pensa que eu, o Deus da trapaça, iria cair em um truque tão simples quanto esse. Ela não era a Sigyn, jamais seria.
Cruzei os braços acima do peito, alargando ainda mais o meu sorriso. – Bela atuação, sabia? – A indaguei sem esperar por uma resposta, já que ela não iria dar, não tentando se passar por minha falecida esposa.
− Que bela atriz você é Daenerys Targaryen. – Com seus olhos focados em mim, desfiz o cruzar de braços, batendo palmas logo em seguida, realmente impressionado com a forma que ela estava jogando comigo.
Por entre as chamas o corpo franzino caminhava até minha direção. – Não consegue ver que sou eu, Sigyn, a sua esposa?
A irritação se apoderava de meu corpo e mente a cada palavra que ela falava. Essa mundana, uma simples humana qualquer nascida para ser comandada e não comandar, jamais possuiria a alma de minha esposa. Nenhum corpo feito de ossos e carne aguentaria o poder da graça de um divino.
− Só o que vejo é a sua morte definitiva, garota.
Não havia outro jeito, não para ela. Não depois que ela ousou profanar Sigyn. Eu iria mais ser complacente, não mais. Chega de sentir piedade dos mais fracos. Chega de tentar seguir o padrão de vida que ela queria para mim, ou melhor, para nós. Chega de tentar agradá-la mesmo após sua morte.
Ela não voltaria mais, não após ser tido sua alma destruída por Laufey.
− Não me olhe assim, por favor... – A voz da Targaryen saíra triste, desapontada, sem esperança alguma, como se ela soubesse que eu jamais acreditaria em suas palavras.
− Quer que eu a encare como? – A questionei sério. – Com alegria?
Enquanto as chamas se curvavam ao passar da garota sobre a lava, quase chegando até mim, minha adaga já estava bem posicionada para matá-la.
− Me olhe como antes... – Pediu, abrindo um pequeno sorriso. – Me olhe como costumava olhar quando estávamos em Asgard, nas campinas mais humildes de todo o reino, sendo apenas nós mesmos, nos amando até o entardecer.
E quando a garota chegou perto de mim, tocando-me o rosto, a peguei pela garganta, colocando o punhal em seu peito.
− Maldita mentirosa! – Meus olhos a fitavam com ira, minha voz, no entanto, era baixa. – Vou matá-la por ousar cogitar na hipótese que, eu, Loki, cairia em seus joguinhos amadores.
Seus olhos, maculados pela tristeza, deixaram lágrimas escorrer por seu rosto, incomodando-me um pouco. Não, eu não me importava se ela sofria. Eu não me importava se eu estava machucando-a. Ela morrer ou viver não era importante para mim.
Ela nasceu das chamas de Valíria, quente, imponente, cheia de planos que não cabiam a ela concretizar, mas sim seus súditos e nas chamas ela morrerá. Não serei piedoso. Não levarei em conta que é apenas uma criança. Ela provou-se indigna de piedade no momento que tocou a minha escuridão, tentando persuadir-me na forma de alguém que outrora já fora importante para mim.
− Últimas palavras? – Meu sorriso era largo, sádico, como se eu estivesse possuído e, de fato, eu estava. Estava possuído pelo ódio.
Com esforço, ela sorri para mim, feliz. – Não importa as mágoas que as mentiras de Odin lhe machucaram, siga em frente, Loki. – Suspirou com pesar. – Eu sei que você é mais do que um trapaceiro. Você, seu príncipe arrogante, é um herói.
Meus olhos se arregalaram, surpresos, incrédulos com o que a menina havia dito. Minhas mãos ao redor de seu pescoço foram se afrouxando aos poucos, pendendo na lateral do meu corpo.
− O... o que você disse?
− Não vou repetir, Loki, pois você ouviu muito bem. – Seu tom era sério, mas havia resquício de cumplicidade e o sentimento responsável pela minha queda: o amor.
Sigyn... Aquela, sem sombra nenhuma de dúvida, era a Sigyn, minha esposa e, ao mesmo tempo, minha ruína. Sem reação, cheguei perto dela, tocando seu belo rosto, frio, gélido, como o coração de um gigante de gelo, assombrado com a presença dela naquele lugar indigno.
− Agora percebe? – Me questionou, tocando-me com a gentileza que somente ela conseguia ter.
Nada respondi, apenas acenei negativamente com a cabeça, ainda descrente com a presença dela ali em Midgard.
Seu olhar se entristeceu, fazendo-a recuar de minhas mãos. – Entendo. Talvez tenha sido cedo demais. – Murmurou, virando-se de costas. – Talvez você ainda não tenha superado a minha morte.
Eu queria segui-la, perguntar-lhe sobre diversas coisas, mas eu não podia. Na verdade, para ser honesto, eu não queria, porque eu sabia que suas respostas iriam me fazer cair ainda mais. Dependendo do teor das respostas que ela me dissesse, se me dissesse, eu certamente me deixaria envolver por sentimentos que uma vez me levaram ao abismo da dor e da loucura.
Perder a sanidade novamente estava fora de cogitação.
Ela tinha sido tudo para mim. Tinha me dado a legitima e mais pura felicidade. Sua bondade, sem que eu pudesse perceber, havia me conquistado, levando-me à uma vida de prazeres e desleixos, acarretando na morte dela, a única pessoa que nunca se importou com a minha verdadeira origem e aparência. Ela me amava pelo que eu era por dentro, mesmo com as mentiras, com as trapaças, com os surtos de raiva que, às vezes, despejava nela por causa de Thor.
− Você se lembra do dia em que nos conhecemos? – O tom dela era calmo, gentil, mas carregado de tristeza.
Eu queria abraçá-la, pedir-lhe perdão por não a ter protegido, mas eu não conseguia. Meu orgulho não me permitia redimir-me de meus erros. Meu ego era mais forte que meus ressentimentos e remorsos. Eu teria que conviver com a culpa eternamente, corroendo-me em dor e insatisfação.
Mesmo desprezando Thor, há algo nele que eu invejo mais do que o trono de Asgard: a capacidade de admitir seus erros e pedir desculpa por todos eles. Mas eu não podia ter algo que não se encaixava em minha verdadeira natureza fria e arrogante, infelizmente.
Por um tempo, por um misero breve tempo, o trono de Asgard já não me interessava mais, mas sim estar ao lado dela, reinando em Jothunheim, meu verdadeiro reino.
Engulo em seco, receoso, aproximando-me um pouco dela. – Como eu não me lembraria?
As brasas do vulcão pareciam ter vida própria ao redor de seu corpo, dançando com o bater da brisa leve e seca que passava por nós dois.
− Foi o melhor dia da minha vida, mesmo você ainda sendo aquele lorde arrogante. – Soltou um sorriso sem humor, continuando logo em seguida. – Naquela época, quando eu era apenas uma camponesa humilde, sem estudo, sem saber o que fazer da vida, eu era tão infeliz. – Confidenciou-me.
− Não precisa falar sobre coisas tristes agora, Sigyn... – Meu tom saíra entrecortado, falho, maculado em um dor que há muito tempo não sentia com tanta intensidade que sinto agora.
− Mesmo que relembrar o passado antes de você me doa mesmo após a morte, é necessário, Loki.
− Necessário? – Perguntei, murando até ela, tocando-lhe o pulso.
− Sim. – Afirmou, fitando-me de esguelha. – É necessário para que você volte a aquele Loki que era benevolente mesmo sendo arrogante.
− Do que está falando, Sigyn? – Meus olhos a encaravam com confusão.
− Tente se lembrar, por favor, Loki. – Suplicou, virando-se para me encarar.
Eu era o mais esperto e inteligente de todos os Deuses, disso ninguém tinha dúvidas. Entretanto, com Sigyn dando-me apenas meias respostas, eu não conseguia compreender o que ela queria que eu me lembrasse. Nenhum ser Divino, por mais inteligente que ele seja, é capaz de descobrir as coisas com tão poucas palavras.
Eram poucas informações para poder me lembrar de um passado que me deu o melhor e o pior de ser um Deus. Por mais que eu tentasse me lembrar de algo enquanto ela ainda era casada comigo, eu não conseguia. Parecia que as memórias que eu havia construído ao lado dela estavam sendo cobertas por um véu negro muito pesado, incapaz de ser levantado.
A fitei, pela primeira vez em dez mil anos, com serenidade. – O que você quer que eu me lembre? – Meus dedos foram involuntariamente de encontro com seu rosto, acariciando-o com as pontas dos meus dedos. – O que é tão importante que eu tenho que me lembrar?
Sua feição era inocente, calma, generosa, algo totalmente diferente da minha. Seus olhos fitavam-me com o mesmo amor de dez mil anos atrás, algo que me balançou por dentro, mas também me machucou.
Eu sabia que ela teria que partir, que aquela conversa era por causa de algo importante que diz ela eu ter esquecido. Sabia que quando eu me lembrasse do que era importante, ela desapareceria, sumiria para sempre de minha vida.
Mas... Eu, mesmo odiando o amor com toda a minha força, ainda era encantado pela beleza e simplicidade daquela mulher. Ainda sentia o amor que me levou à queda. Ainda queria tê-la ao meu lado. Ainda desejava com todo o meu coração poder desfazer o nosso trágico passado.
Mas o que aconteceu não pode ser desfeito, assim como meu coração não pode ser reconstruído.
− Eu quero que você lembre do nosso amor, da nossa história e do que me prometeu antes da minha morte. – Ao dizer isso, Sigyn abraça-me com força, selando nossos lábios em um desesperado e nostálgico beijo.
Fragmentos e flash’s do passado apareciam em minha mente conforme o nosso beijo se intensificava, relevando o que eu há muito tempo desejei esquecer: O amor incondicional que ela sentia por mim.
Seu amor era tão grande que, mesmo eu desaprovando as condições de Laufey sobre Jotunheim, ela foi capaz de passar por cima de minha decisão final, sacrificando-se pela realização de minhas ambições.
♖♖♖ A s g a r d — D e z m i l a n o s a t r á s ♖♖♖
Era um dia claro, sem resquício algum de nuvem carregada, comum para todos os Asgardianos, porém, não para a jovem camponesa de cabelos cor de ouro, curtos até abaixo do queixo, olhos mais verdes que esmeralda, pele alva e corpo pequeno e desnutrido.
Não. As coisas para àquela jovem nunca foram fáceis, muito menos agradáveis. Sigyn vivia sua vida em função de seus pais ambiciosos, sendo alvo de cortejo de diversos homens que acreditavam poder ofuscá-la com posição social e algumas joias que se corroeriam com o tempo.
Todavia, mesmo com esses pesares, a jovem sempre se mantinha firme, esperançosa, mas nunca feliz. Nunca soubera o que era a felicidade. Já tinha ouvido da boca de outros que era o sentimento mais prazeroso que alguém poderia sentir, mas nunca tinha o conhecido. Talvez nem ao menos chegaria conhecer.
Suspirou calmamente, soltando o ar lentamente pela boca, mirando sua flecha em uma ave à alguns metros de onde estava. – É agora. – Com maestria, disparou em direção à ave, acertando-a em cheio. – Me desculpe por ter tirado sua preciosa vida. – Murmurou, fitando o animal abatido com pesar, saindo de seu esconderijo e indo até ele.
Sigyn odiava matar animais, mas era preciso para alimentar sua família. Se ela comia? Não, a jovem sentia um embrulho no estomago ao ver a carne assada que sua mãe fazia com as melhores partes da ave, algo que incomodava muito a matriarca de sua família.
− Bom, é hora de ir. – Com uma sacola cheia de vidas abatidas e o arco e flecha presos ao seu longo vestido branco, a jovem retorna para sua casa, feliz por poder alimentar todos, mas triste por ter manchado mais uma vez as suas mãos de sangue.
Caminhando pelo bosque mais afastados de Asgard, a jovem recua um paço, sentindo estar sendo observada ou seguida. Mesmo sendo muito jovem, Sigyn tinha uma percepção incrível, chegando ao nível dos guerreiros da guarda real do palácio de Odin. Porém, mesmo sendo incentivada por seus poucos amigos para se tornar uma guerreira, ela não pensava em almejar uma posição de honra de seu reino com o sangue de outros em suas mãos. Ela sabia das suas incríveis habilidade com um arco e flecha, mas não era algo do qual ela se orgulhava ou gostava de usar.
Ela não caçava porque queria, mas porque precisava.
Receosa, em movimentos rápidos em sorrateiros, ela pega uma de suas flechas, mirando em direção ao arbusto de onde ela sabia que alguém a observava.
− Atirar, mas sem acertar. – Murmurou para si mesmo, disparando em direção às folhas secas. – Teria sido impressão minha? − Perguntou-se, recolhendo seu equipamento de caça. – Que estranh...
Não houve tempo para que ela terminasse de se aliviar, pois um grito estridente e raivoso ecoou por toda a mata, assustando-a. – Maldição! Quem foi o infeliz com pouco amor à vida que quase me deixa sem um dos olhos?
A camponesa recua um paço, arrependida, rezando para o bom Odin não permitir que o dono daquela voz que ela já havia ouvido em uma certa ocasião percebesse presença ali.
− Guardas! – Gritou com palpável ira em sua voz. – Vasculhem esse bosque minuciosamente. – Ordenou com arrogância. – Se não encontrarem o responsável por meu atentado, as suas famílias pagarão com suas próprias vidas.
Horrorizada com o que acabara de ouvir, a jovem cerra os punhos, ignorando totalmente o fato dele ser um príncipe, caminhando em passos firmes em direção dele.
Se ela estava com medo? Na verdade, estava apavorada, mas ela não iria permitir que o erro dela recaísse sobre as famílias dos soldados. Era impossível para Sigyn ver uma injustiça e ficar calada. Mesmo sabendo que poderia ser presa, morta, até mesmo torturada pelo príncipe cruel de Asgard, ela não fugiria.
− Como será que devo matar suas famílias? – A voz do Deus da trapaça continua diversão mesclada com sadismo, algo que horrorizou ainda mais a jovem.
Mas ela se recusava recuar os paços dado até onde o herdeiro do trono estava.
Atravessando o arbusto, Sigyn aparece diante dos guardas e de Loki, fazendo-os ficar em posição de ataque.
Os olhos da camponesa arqueira fitavam o Deus com certo desprezo, algo que não passou despercebido por ele.
Avançando mais os paços, parando somente quando estava diante do cavalo negro do príncipe mais novo, a jovem se pronuncia pela primeira vez desde que decidiu se sacrificar pela segurança de outros que não tinham culpa de seu ato impensado. – Não precisa decidir como matar as famílias deles, pois eu que atirei a flecha pensando estar sendo seguida.
Não havia como não se impressionar com a coragem da jovem. Ela havia acabado de trocar sua vida pelas dos familiares dos guardas reais, algo que mexeu com eles de certa maneira.
Com os olhos fixos no corpo desnutrido à sua frente, Loki desce de seu cavalo, ficando cara-a-cara com ela, avaliando cada detalhe daquela menina simplória das profundezas mais pobres de Asgard.
− Peça-me perdão de joelhos. – Ordenou o Deus, abrindo um largo sorriso maldoso.
Encarando bem o homem que a fitava com arrogância e superioridade, a jovem percebe algo que nem mesmo o rei era capaz de perceber, algo que uma mãe jamais desejaria ver em seu filho: Pura maldade.
− Nunca. – Murmurou entre dentes, fitando-o com raiva.
Ultrajado, contrariado diante de sua corte, Loki perde toda a sua paciência, pegando um de seus soldados mais fiéis, deixando a adaga deslizar por entre o fino pano de seu sobretudo verde, apertando o instrumento pontiagudo sobre o pescoço do jovem guerreiro.
− Quer mesmo testar minha benevolência? – Ameaçou, furando a pele sensível do homem que suplicava com o olhar para ela. – Quer mesmo me desafiar? – Sua mão apertava com mais força, fazendo um filete de sangue escorrer pela lâmina negra.
Ela não queria se curvar diante daquele carrasco, mas uma vida estava em jogo. Uma vida que não tinha nem ao menos direito de pedir clemência, pois era ela que o príncipe queria ver pedindo por misericórdia.
Suspirando em vergonha, a jovem se ajoelha perante Loki, fitando-o com um olhar de legítima clemência, mas não para ela, pois ela não precisava da misericórdia de alguém que nem ao menos sabia o que aquela palavra significava, porém, para o guerreiro.
− Por favor, príncipe Loki, tenha misericórdia pela vida de seu guerreiro. – Seus olhos inundaram-se com lágrimas pesadas e suplicantes. – Por favor, não o mate.
Incrédulo com o que acabara de ouvir da camponesa, o Deus solta a lâmina sem ao menos perceber, deixando-a cair no chão lameado.
Aquele pedido desesperado, aqueles olhos verdes embaçados pelas lágrimas, aquele rosto jovem e inocente havia mexido com ele, fazendo-o recuar alguns passos para trás, atordoado.
− Por que não pediu por sua vida ao invés da dele? – A questionou. Seu tom saíra entrecortado, inconformado.
Com um sorriso simplório, cansado, mas verdadeiro, a jovem o responde com bastante calma e gentileza. – Porque, príncipe Loki, eu jamais poderia conviver comigo mesma sabendo que uma vida inocente fora tirada por causa dos meus erros e do meu orgulho. – Seu sorriso era contagiante. – Eu não sou capaz de viver com sangue de outros sobre minhas mãos.
Ainda pasmo com aquela garota que fora corajosa o bastante para enfrentá-lo, mas humilde demais, generosa demais, boa demais para curvar-se diante dele suplicando pela vida de outra pessoa que não fosse a dela, Loki sobe novamente em seu cavalo, atormentado com toda aquela benevolência da garota, cavalgando novamente para o palácio, olhando-a pela última vez, sendo surpreendido novamente por ela com um ato simples, mas que lhe causava algo estranho no peito.
− Tenham uma ótima viagem de volta ao palácio. – Acenando para os soldados que iam embora junto ao Deus da trapaça, Sigyn sorri em direção ao herdeiro mais novo, soltando algumas palavras mudas ao vento, mas que ele compreendeu perfeitamente o que elas queriam dizer.
“Me desculpe pela flecha. “
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