Jogo dos Deuses

2 Capítulo II ♚ Trazida das chamas.


Notas iniciais
Olá, meus amores! Boa noite! Tudo bem com vocês? Bom, eu espero que sim. Venho trazer-lhe mais um no capítulo feito com muito amor para vocês. Apesar de comentários serem bons para motivar o autor a continuar com o projeto, eu não sou do tipo que escrever por fama, mas sim por amor. Então, já deixando bem claro, não cobro comentários de ninguém. Como podem ver, eu mudei certas coisas, ocasiões, permitindo assim criar algo que se encaixe com o enredo que tenho em mente. Sim, o Loki, pelo que vi, é uma pessoa com duas formas de ser: Uma altruísta e, como já podemos ver nos primeiros filmes de Thor, Egoísta. Achei legal intercalar ambas as partes do Deus da trapaça, dando a entender que ele também tem seus dilemas, O capítulo foi totalmente revisado por mim. Boa leitura!

O palácio onde a filha da tormenta havia sido assassinada traiçoeiramente por quem amava estava em chamas, queimando com o fogo lançado por Drogon para derreter o trono de ferro. O lamento ardente do dragão, mesmo que não intencionalmente, acabou ruindo o que ainda restara de Porto Real, dizimando a restante da população ainda existente naquele lugar onde a quebradora de corretes ruiu junto ao desejo obsessivo de retomar o reinado que era seu por direito.

Suas enormes asas batiam com velocidade, cobrindo grande parte da terra árida da terra deserta que ele se encontrava, fazendo sombras por entre as montanhas, voando para algum lugar onde pudesse ficar com sua mãe.

Um lugar onde ambos pudessem ter paz.

♚♚♚ L o k i — L i m b o ♚♚♚

− Interessante. – Sorri em surpresa, aproximando-me da midgardiana. – Mesmo tendo sido morta por seu amante traidor, ainda o ama?

A jovem de olhos cor violeta fitaram-me com lágrimas, algo que não me comovia nenhum pouco, já que eu sou a personificação do caos e não da benevolência.

− Não é fácil deixar de amar alguém tão rápido assim. – Respondeu em um murmúrio rouco, falho, maculado em dor.

Dei uma risada alta, fazendo-a me encarar com seriedade. Seus olhos em tonalidades arroxeadas ostentavam raiva, descrença, um certo desprezo em relação às minhas atitudes desprovidas de sentimentalismo infundado.

Aquela garota humana preza no limbo por seus crimes que, no meu íntimo, não eram verdadeiramente crimes, mas atitudes certas para com seus inimigos, fitava-me destemida, sem intimidação alguma por estar diante de mim, Loki, o Deus da mentira e trapaça, incomodando-me um pouco, causando uma perturbação interna.

Eu não sei bem o que alimentava sua coragem de confrontar uma divindade, mas ao mesmo tempo que me causava um certo incomodo, acabava me despertando uma leve curiosidade sobre até quando aquilo iria durar.

Afinal de contas, aquela era a primeira vez que um ser mortal fora corajoso o suficiente para me enfrentar diplomaticamente, já que eu poderia facilmente destruir a alma dela sem problemas, tirando o direito dela de reencarnar quinhentos anos após a destruição de Porto Real, o lugar de sua ruína.

Me aproximei mais, agachando-me um pouco para ficar na mesma altura que ela, pousando uma de minhas mãos em seu rosto quente como fogo. − Você diz tanto amar esse humano, mas está disposta dar a alma dele em troca de sua ressurreição. – Abri um pequeno sorriso, forçando-a me encarar nos olhos. – Que tipo de amor é esse?

O corpo franzino de garota estremeceu, quebrando ainda mais o que restara de essência imaculada. Quanto mais eu pudesse destroçar sua alma, mais as chances de falhas em meu plano se anulavam.

− Você tem certeza que o que sente é amor? – Minha voz era um sussurro sorrateiro em sua mente, criando questões e mais questões das quais ela não teria as respostas. Ao menos não comigo por perto.

Alimentar o seu sofrimento era minha prioridade, corrompendo assim sua alma.

− Por que é tão cruel? – a humana me questionou, derramando lágrimas sobre meus dedos que forçavam sua face a me encarar.

− Eu, cruel? − Dei uma alta risada, secando suas lágrimas com meu polegar. – Não é você quem está disposta sacrificar a vida dele pela sua? Rebati sua pergunta com outra, vendo seus olhos arderem em raiva e determinação.

− Ele me traiu. – Respondeu entre dentes, cerrando os punhos com força. – Eu, mesmo o amando com todo o meu coração, apenas estou devolvendo a traição que ele cometeu contra mim.

Sim, era ela a pessoa por quem eu tenho procurado desde minha queda em New York. Meu sorriso se alargou mais, percebendo ali que com as manipulações e ilusões certas, eu poderia obter o trono que era meu por direito.

Uma garota perdida e desiludida, ferramenta quebrada após ter sido usada muitas vezes em combate, mas ainda havia restauração para ela. A restauração do caos.

− Sim, ele te traiu. – Concordei, acariciando sua face. – Mas quem errou foi você, menina.

Com o olhar confuso, ela me questiona. – Eu?

− Sim, você. – Afirmei. – Pois confiou, abriu o seu coração para alguém que não pensou duas vezes antes de traí-la enquanto você fazia planos para os dois em meio juras de amor que ele não era capaz de cumprir, já que jamais te amou.

Como se as barreiras entre o mal e o bem tivessem se rompido, os olhos da garota se tornam negros como de um dragão, sua pele se aquece como se estivesse em um vulcão, seus cabelos se alongam, tocando as águas negras que inundavam o chão, sua pele cria escamas vermelhas, como se ela fosse uma espécie de hibrido e asas negras e longas crescem em suas costas, concretizando uma etapa do meu plano.

♚♚♚ D a e n e r y s — L i m b o ♚♚♚

Eu pude sentir o bater das asas atrás de mim, algo que me agradou mesmo ainda estando assustada e confusa. Meus olhos foram de encontro com a água, refletindo minha imagem. Meu olhos, minha pele, meu cabelo, tudo, ou pelo menos quase tudo havia mudado.

Eu já não era mais a mesma Daenerys de antes.

− O que eu sou? – Perguntei ao Deus que, aparentemente, tinha respostas para tudo, ainda em choque com aquela visão que eu tinha de mim mesma através da água. – Por que me transformei em uma espécie de dragão? Seria esse o meu castigo decretado antigos Deuses?

Impressionada e assustada. Se duas palavras pudessem me definir naquele exato momento, essas duas palavras seriam ideais para me descrever internamente.

Tudo era tão surreal, incrível demais para ser verdade. Me pergunto se eu estaria sonhando com meus temores, mas que logo acordaria e encontraria Jon fiel como sempre fora antes do massacre de Porto real, esperando por ordens minhas para serem executadas.

− Você é de uma linhagem única e pura da casa Targaryen, por isso pode se transformar em dragão. – A voz do Deus ecoou pela escuridão, quebrando o intenso e longo silencio que avia se formado no ambiente após eu ver meu reflexo.

− Linhagem pura? – Questionei, confusa, ainda não compreendendo o imortal à minha frente.

Deu um suspiro alto, entediado, como se explicar-me o que aquela transformação significava fosse inútil. – Sim. Você é uma original, ou melhor, alguém que nasceu com dom de um Targaryen original.

Linhagem original... Apesar de todas as histórias contadas por meu irmão, Viserys, ele nunca me desse nada sobre essa linhagem, nem se quem tinha conhecimento dela. Tudo era tão confuso, sem sentido, irreal, como se fosse uma ilusão criada especialmente para me atordoar.

Parecia que eu estava sob um feitiço do qual não era capaz de sair. Quanto mais eu tentava entender, mais meu interior se fragmentava com as dúvidas. Era como se eu estive sendo manipulada por algo maior, algo que eu não podia nem conseguiria controlar.

Algo como... um Deus.

Era isso! Claro! O deus da trapaça estava me manipulando como bem desejava e eu, remoendo as aflições e mágoas que tinha por Jon, o meu amado Jon, acabei me deixando manipular por ele.

Como eu fui tola.

Entretanto, mesmo que eu queria me vingar desse imortal, jamais poderia sem saber antes de suas fraquezas. Eu teria que agir friamente, calcular cada paço dado por mim para não levantar suspeitas. Eu teria que agir como Cersei Lannister, a maior estrategista e manipuladora de todo os sete reinos.

Eu teria que sacrificar o que ainda restava de bom em mim para ganhar sua confiança e, enfim, eliminá-lo.

Suspirei, tentando parecer o mais natural possível, fazendo-lhe uma outra pergunta. – O que seria a linhagem original?

Ele me encara por alguns segundos, avaliando-me com muita atenção, algo que me incomodou um pouco, já que seu rosto era intimidador e belo. Tão bem que, às vezes, eu me perdia em suas palavras.

Aquele ser divino exalava uma aura obscura e cheia de ressentimentos. Ele ela perigoso, eu podia sentir, mas não vacilaria por nenhuma circunstância. Eu iria descobrir suas fraquezas e eliminá-lo.

− Bom, mesmo que eu queira responder todas as suas dúvidas, eu não poderia. − Respondeu-me, acariciando meu rosto de forma bruta.

Confusa, enojada com seu toque, o rebato. – Por que não?

− Porque você, pequena, assim que descobrir todo o potencial oculto por trás da origem Targaryen, irá me trair. − Respondeu-me, abrindo um meio sorriso.

Meus olhos se arregalaram, surpresos, ainda sustentando meu olhar sobre ele. – Eu jamai...

E antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele pousa seu indicador em meus lábios, calando-me. − O que? − Sorriu com sarcasmo, apernando meu rosto com sua outra mão. – Jamais me trairia? Me eliminaria diante de todos que desprezaram sua existência? – Seu tom não era raivoso, mas eu conseguida sentir uma leve pitada de decepção em seu interior.

Era como se ter me transformado em um meio dragão tivesse realçado minha percepção, fazendo-me ficar mais astuta e incapaz de ser enganada. Era como se eu pudesse sentir o que as pessoas ao meu redor sentiam.

Seus olhos verdes me encaravam com seriedade, sua voz saia divertida e irônica, mas mesmo que ele ofuscasse com frieza e palavras duras, sua decepção comigo era palpável, algo insuportável demais.

− Acha que uma mera humana como você, fraca, descartável, que jamais será amada pelo povo que tentou comandar através do medo que impunha quando viva conseguiria me enganar? − Perguntou-me entre risos alto. – Não seja tola, garotinha estúpida! – Sua face antes calma, agora transbordava raiva. – Eu sou o pai da mentira! – Declarou, lançando-me um olhar maldoso.

Suspirei cansada. Ele havia descoberto o que eu pretendia de uma forma totalmente inexplicável. Mas como? Como ele conseguiu ler minhas intenções? O fitei por um tempo, analisando a situação, já sabendo o que me esperava.

Mesmo não o conhecendo, eu sabia que o acordo havia sido desfeito. Eu falhei em ser como a Cersei, a pessoa que mais me prejudicou em Porto Real, levando-me a loucura.

O fitei por algum tempo, absorvendo todas as suas feridas mesmo não tendo intenção de tal coisa. Foi então que eu vi algo que despedaçou meu coração: O desespero de encontrar seu lugar no mundo.

Franzi os lábios, receosa, levantando minhas mãos até seu rosto gélido, aproximando meu rosto do dele. – O que fará com a minha alma?

Surpreso, ele se afasta de mim, como se meu toque o ferisse.

− Assim como você matava àqueles que te traiam, eu farei o mesmo com você. – Respondeu. Sua voz saíra falha e hesitante.

Dei um sorriso, aproximando-me dele. – Todo esse tempo, desde que o mundo fora criado, tem sido você a nos manipular, não é? – O questionei, já sabendo a resposta.

Ele riu de forma descarada, mas isso não me abalou. – Nós, Deuses Nórdicos, temos nossos prazeres culposos, como jogar com a vida dos humanos.

Éramos peões em seus jogos, isso eu havia entendido muito bem. Mas por qual razão? O que os Deuses ganhavam tirando vidas inocentes? Bom, se bem que não posso julgá-los em questão de assassinar pessoas, já que para derrotar a rainha Lannister eu tive que destruir o seu reino junto com seus súditos.

− Eu sei como é jogar um jogo onde o que apenas importa é o poder e o trono. – Comentei. – Venho jogado com todos desde muito menina. – Confessei. – Mas, sabe, no final de nada adiantou todas as coisas que fiz, já que acabei pagando por meus erros com a minha própria vida. – Meu sorriso era fraco. – Mas acho que ter morrido tenha sido o melhor...

E antes que eu pudesse dizer algo, meu corpo entra em chamas, queimando-me viva. Se eu sentia dor? Não, eu não sentia, mas queria sentir. Eu precisava sentir a dor que causei, mas...

− Você precisa sair logo do limbo antes que sua alma dessa consumida pelo fogo sagrado de Draughen. – Sua voz era alta. – Se sua alma for consumida por essas chamas, você nunca mais poderá voltar a viver novamente.

Dei um simplório sorriso. – Tudo bem. Se esse for o preço pela minha redenção, eu aceito.

Sem que eu pudesse prever, a mão esquerda dele acerta meu rosto.

− Não seja idiota! – Gritou. – Não consegue perceber que isso é obra de um Deus? − Questionou-me, pegando um colar de dentro do seu bolso, colocando em meu pescoço. – Eu vou cobrar por esse “pequeno favor”. – Após dizer isso, cai na inconsciência.

♚♚♚ V a l í r i a ♚♚♚

Drogon chegara em Valíria, pousando sobre um vulcão ainda ativo, jogando a jovem em meio ao fogo derretido. Com o corpo nu em meio às chamas, Daenerys abre os olhos cor violeta, determinados.

Notas finais
Bom, pessoal, esse foi o segundo capítulo! Espero que tenham gostado. Beijinhos!