A lua já atingira seu ápice quando Benny e Shannon finalmente se encontraram fora de toda zona que cobria o bosque, levaram cerca de quase vinte minutos dando uma volta totalmente desnecessária tentando evitar ao máximo o quadrante proibido. Não muito longe dali deu para ouvir uma explosão que as assustou, e foi justamente esse a razão que as fizeram resolver contornar o bosque, infelizmente só ajudou a estender o caminho porque infelizmente nenhuma das duas sabia ler o mapa corretamente.

Benny respirava ruidosamente tomando a dianteira, olhando tudo a redor com a besta empunhada, enquanto Shannon ia na retaguarda olhando calmamente o mapa, carregando ambas as bolsas. Elas deram a volta pelo quadrante G8 e agora estavam em G7, no mapa não explicava nenhum local próximo em grande destaque, o lado oposto tinha uma zona urbana e mais a frente o que parecia um hospital desenhado, só que na parte superior, dentre E6, E5 e F6 era o destino delas, afinal ali não estava desenhado apenas uma zona urbana mas tinha uma parte fechada de algo que no mapa estava descrito como "a mansão".

Não sabiam em detalhes o que era, mas era ali que queriam chegar. A caminhada até lá parecia muita longa mas Benny insistirá, independente do que fosse, queria conferir com seus próprios olhos o que se tratava.

Não levou muito tempo para a voz alta de Benny começar a ser ouvida por alguém, essa pessoa segurou entre as mãos a arma que tinha, pensando na melhor das opções para fugir. Infelizmente não conseguiu ser tão furtivo.

Encostou em uma pedra que não estava totalmente ligada ao chão, fazendo com que essa caísse rolando num som alto.

Benny não pensou duas vezes ao ouvir esse barulho e atirou a besta na mesma direção sem pensar duas vezes, mesmo que não visse nada, por alguma razão tinha certeza que alguém estava ali.

Shannon tentou protestar mas Benny correu na direção do baque e ao mesmo tempo uma outra figura saiu das sombras jogando um machado que por poucos centímetros não pegou a perna de Benny.

Yugoslavia correu para o alto de uma fenda, ouvindo os gritos enraivecidos de Benny Bury seguido pelo som das flechas que saíam da besta, o corpo magro conseguirá se esquivar das flechas com muito cuidado. A bolsa sobre os ombros parecia mais pesada do que o normal, estava assustada, se livrou da única arma que possuía, enquanto Benny tinha uma que poderia lhe alcançar com mais facilidade.

Só que um outro barulho ecoou e a fez travar o corpo por um segundo. Um tiro.

Yugo olhou para trás apenas para ver que Shannon segurava uma arma nas mãos, o rosto de Benny também inclinado para trás indicava que até ela se surpreendeu com a atitude brusca. O movimento rápido de Shannon arrumando a arma pronta pra atirar novamente a despertou e antes que hesitasse novamente fez com que as longas pernas valessem a pena e desatou a correr.

Não demorou muito para que as duas a seguissem com força total, um novo disparo da flecha, um novo som do eco da arma. Yugo saltou uma parte protuberante do chão, dando eleves olhadas para trás vendo as duas se aproximando, estava nervosa e assustada demais para perceber que no rastreador dentro do bolso de seu casaco agora quatro leves bip's poderiam ser ouvidos.

Shannon não percebeu o chão protuberante quando seu pé se prendeu nele, fazendo-a cair com os braços diante do rosto impedindo a queda. Benny não parou atirou a ultima flecha que passou mais uma vez de raspão por Yugoslavia, que pareceu diminuir a velocidade pelo cansaço.

Shannon olhou para vendo as duas se afastarem, mas também em seu campo visão ela conseguiu ver algo caindo um pouco a frente de Benny.

— BENNY! PARE! — gritou, mas pareceu tarde demais.

Uma outra explosão aconteceu, mas desta vez fez com que Benny recuasse num salto para trás enquanto Yugoslavia pulasse mais a frente, uma caiu com as costas na terra e a outra caiu com a cara no começo de uma estrada asfaltada.

O dano era maior do que parecia, a vegetação ao redor começou a pegar fogo, Shannon se aproximou de Benny, vendo que a explosão fizera machucados superficiais no rosto e braços da amiga. Teve dificuldades para pegá-la no colo e andar até algo que parecia uma casa abandonada.

Já Yugoslavia não teve tanta sorte, seu corpo doía mais, mas usou o resto de força que tinha para se pôr de pé e buscar no bolso o rastreador, vendo duas figuras que ela julgou ser Benny e Shannon se afastando, mas além dela existia uma outra pessoa ali, que também se afastou daquele perímetro.

[...]

Gina balançou Dobby com certa força, fazendo-a despertar no susto, gritando "o que foi? o que aconteceu?".

— Preciso que você me siga. Acho que acabei de ver Inm lá fora. — afirmou, empunhando a foice. Dobby pareceu levar um tempo para perceber o que Gina acabou de falar mas assentiu com a cabeça, pegou um pedaço de madeira que estava perdido pelo quarto empoeirado e ambas saíram calmamente da zona da casa.

Por alguma razão a noite parecia menos escura agora, a fraca luz da Lua estava no alto iluminando toda aquela região. Gina virava a cabeça com leve cuidado, procurando por onde virá a figura de Inm correr. Não deveria estar muito longe.

Queria gritar, mas sabia que seria burrice já que poderia trair atenção indesejada.

Infelizmente Dobby não fora tão inteligente

— INM! — gritou recebendo imediatamente uma cotovelada de Gina bem no estômago.

Encarou enraivecida o rosto sonso de Dobby que só se contorcia de dor. Mas parece que o grito funcionou. A figura temerosa e assustada de Inm surgiu no campo de visão das duas, Inm desatou a correr aos braços de Gina, chorando copiosamente.

Gina sentia que ela tremia violentamente e ela e Dobby a carregaram para dentro da casa, questionando sem muita pressão o que ela passou até chegar ali.

Após Inm sorver (o que Gina julgou um grande) gole de água (já que a própria garrafa de Inm estava vazia) ela narrou sem muitas detalhes o que viu nessas últimas horas. Comentou que passou pelo corpo de quem ela julgou ser Lovy, falando que ela ficou irreconhecível com o rosto estourado, em como ela correu assustada pelo bosque, viu brevemente o confronto de Creolle com Amai e depois escutou a voz de Benny enquanto ela se afastava, ficou por um tempo escondida no bosque até o anúncio da meia noite e correu mais ainda quando percebeu que estava dentro de um dos quadrantes proibidos.

Gina e Dobby ouviram tudo com atenção, e como se uma lê-se a mente da outra questionaram em uníssono:

— E cadê a sua arma?

Inm tremeu mais um pouco.

Abriu a bolsa com leve cuidado e tirou de lá de dentro uma Skorpion KZ 61, era uma sub-metralhadora. Imediatamente Gina a puxou das mãos brancas de Inm, observando a arma em todos os detalhes e ângulos possíveis.

— Eu não consigo acreditar! Isso aqui é a melhor arma com certeza! — Dobby exclamou enquanto apontava para a escopeta ainda desmontada num canto aleatório.

Gina tinha o mesmo pensamento, mas outra coisa se passava pela sua cabeça também. Como que a possível melhor arma do jogo foi parar justamente nas mãos de alguém que nem sequer tinha força para erguer aquilo? Chegava a ser um puta desperdício a arma ter parado com Inm. Ela jamais usaria aquilo.

Dobby explicou em muitas detalhes o plano que ela e Gina fizeram no início da noite, falando sobre encontrar a maior quantidade de pessoas para tentar fugir da ilha. Inm pareceu entusiasmada com a ideia e disse algo como "podem contar comigo" e Gina apenas assentiu, ainda apreciando a enorme arma que estava no meio das três.

[...]

Ma se afastou após lançar aquela granada, torceu para que Benny e Yugoslavia tivesse sido atingidas. Não esperaria que aquilo fosse dar tão certo.

Quando saiu da velha cabana conferiu rapidamente qual seria sua arma e se surpreendeu ao ver cinco pequenas granadas. Sabia que tirara a sorte grande, afinal ela podia simplesmente jogar a granada e fugir pelo lado oposto. Não precisaria confrontar ninguém, não precisaria lutar com ninguém, não precisaria fazer nada além de lançar a bomba e fugir.

Andava com passos tranquilos sobre o chão fofo de terra, tirou rapidamente o mapa do bolso só pra se localizar, deu um leve giro e viu um poço, levei um tempo até o encontrar no mapa e se localizou em G5, não tinha nada ao seu redor que pudesse abriga-la durante a noite, então continuou caminhando. Queria chegar a qualquer lugar só com um teto descente pra fechar os olhos e relaxar, seu corpo assim como a sua cabeça doía demais. Ela precisava descansar.

Na escuridão, do outro lado do poço, Aron observava Ma Courpse andar tranquilamente. Segurava com força o pequeno objeto em sua mão.

Seria sua chance?

Deveria atacá-la?

Pelas costas mesmo, como a covarde que era.

Se esgueirou aproveitando que os passos não faziam barulho no fofo chão de terra, se escondendo atrás do poço e observando as costas de Ma que continua se retirando. Com os grandes olhos tentava ver de Ma segurava alguma arma e levou algum tempo para que percebesse que ambas as grossas mãos seguravam apenas e exclusivamente o mapa. Ela estava indefesa, poderia atacar agora e pelo menos eliminaria uma concorrente.

Se sobressaltou quando Ma abriu a bolsa, tirando de dentro algo que ela não conseguiu ver o que era. Petrificou. Pronto, ela ia tirar a arma, ia lhe atacar.

E nada.

Ma colocou algo na boca. Era os salgadinhos. Aron suspirou aliviada, ainda sem fazer nenhum ruído. Viu Ma amassar o pacote e o barulho inconfundível do plástico se fez presente, ela voltou a mexer na bolsa e colocou atrás de si o plástico no chão e desatou a correr, descendo um barranco.

Aron levantou-se praguejando.

Perderá a oportunidade. Encostou sobre o poço e estava prestes a pegar a água de sua mochila quando uma explosão a assustou, seu corpo foi jogado para trás pelo susto. A corpo foi para dentro do poço, bateu a cabeça nos paralelepípedos internos do poço e ficou inconsistente por alguns segundos antes de seu corpo se desfigurar ao atingir o fundo do escuro poço.

Ma olhou para trás vendo as novas chamas da granada começarem a pegar na vegetação próxima. Não sabia quem era, mas sentiu que alguém a observava. Talvez quisesse pegá-la despercebida, teve que pensar em alguma ideia para fugir sem deixar muito óbvio e foi ai que pensou em posicionar a granada no chão.

Recebeu junto a sua arma um pequeno papel de como usá-la, ficou surpresa ao ler e descobrir que granadas são ativadas de duas formas. Eles explodiam em contato abrupto ao chão mas também existe uma forma de timer, em que você deve retirar o pino de segurança e posiciona-la no chão e em 30 segundos ela explodia.

Arrumou a bolsa nos ombros e desatou a andar, se sentia imbatível naquele momento.

[...]

— Olhem! — indicou Cleo apontou ao leste, onde uma enorme cortina de fumaça surgia no ar.

— Incêndio? — indagou Gallatea ficando na ponta dos pés como se conseguisse enxergar algo além das enormes árvores mas era impossível.

Metalica engoliu em seco, voltou a tomar a dianteira, sendo seguida por Cleo que ainda encarava a fumaça lá longe.

A atmosfera não era uma das melhores entre o trio, Cleo sabia de que alguma forma Metalica parecia não gostar dela, não sabia exatamente o por quê, mas sentia isso. O jeito frio com que ela lhe tratava, as miradas frias e enfezadas. Cleo se sentia acuada, segurou com mais força a alça da bolsa sobre o ombro direito e continuou seguindo.

Não se soube quando tempo levou, mas o trio finalmente chegou na área residencial de H10, vendo a íngrime rua de casas abandonadas. Grande parte não tinha nem sequer teto, outras estavam tão destruídas que eles tinham até medo de encostar e o muro se desfazer.

O barulho de algo se movimentando fora da casa chegou aos ouvidos de Buffy que prontamente se levantou da mesa e apagou a luz sendo seguida o tempo todo pelo olhar confuso de Dekka.

Ela se aproximou da janela e observou a descida da rua residencial, não tinha certeza mas parecia que alguém estava ali. Soltou um baixo "droga" indo até a mesa pegando o picador de gelo e a bolsa. Dekka não pensou duas vezes e fez o mesmo, mas comentou baixo:

— Tem alguém lá fora?

— Parece que sim.

— Quantos?

— Não consigo ver mas sei que tem mais de dois.

O diálogo era baixo e objetivo.

Dekka acenou com a cabeça, seguia novamente Buffy com o olhar vendo que está ia até o outro cômodo da velha casa, um rangido alto foi ouvido e Buffy voltou com um pedaço grande e enfurnado de metal que parecia ser uma lança, levou um certo tempo para Dekka reconhecesse aquilo como uma grade de janela. Buffy colocou o picador de gelo na mão de Dekka e falou calmamente:

— Eu vou sair pela frente, você vai dar a volta pela casa e tentar sair na rua de trás, fique a espreita para que ninguém te veja. Eu vou confrontar seja lá quem eles sejam, se você sentir que algo pode acontecer ataque por trás sem hesitar! — cada palavra era dita com uma autoridade tão forte que Dekka não sabia como reagir, mas ouviu tudo e assentiu com a cabeça. Buffy voltou a falar desta vez mais potente: — Qualquer tiro, qualquer movimento brusco, ataque! Não fraqueje! — desta vez segurava o braço de Dekka com força.

Não teve tempo para que Dekka assentisse novamente, Buffy saiu pela porta da frente e como foi ordenado Dekka saiu pelos fundos, tendo certa dificuldade para pular o muro quase destruído, tomando cuidado para que não desse uma volta desnecessária, não podia se afastar demais.

Buffy se esgueirava pelo muros, ainda tentando ver quem subia a enorme rua, mas estava tendo certa dificuldade porque não queria se arriscar ao entrar no campo de visão de seja lá quem fosse. Sabia que eram mais de duas pessoas, virá algumas silhuetas pela janela e temia para que eles estivesse com armas de fogo, isso não facilitaria.

Amava Dekka demais mas a sentiu um peso quando viu que nem mesmo uma arma de verdade ela recebera. O que poderiam fazer com seringas de ácido?

Voltou a suspirar.

Olhou ao redor com certo desespero e não muito longe viu algo no chão. Era pequeno e estava coberto por uma erva daninha que crescia livremente. Tomou cuidado para não fazer nenhum barulho e andou até ele, retirou um pouco de lama e encontrou um fragmento de espelho.

Sorriu.

Buffy voltou para o mesmo local, mas agora usava o espelho para ver a íngrime rua, levou um certo tempo para achar a posição correta e conseguisse enxergar quem subia a rua.

Viu Metalica e não muito distante atrás dela estava Cleo, no fundo tinha mais alguém só que não conseguia reconhecer. Girou o espelho tentando ver as mãos delas, tentando ver se estavam com alguma arma na mão mas devido a pouco claridade parecia impossível. Via as mão de Metalica fechadas em alguma coisa, mas não conseguia ver qual objeto era.

— Ali? — escutou a voz de Cleo.

Cleo apontou para uma casa que parecia mais intacta do que as outras. Sendo justamente a casa onde Dekka e Buffy saíram a pouco tempo.

Buffy ficou todo ouvidos, posicionando melhor o espelho e segurando o pedaço de metal entre as mãos.

— Alguém quer ir na frente ver se é seguro? — questionou Gallatea olhando de uma para a outra, aguardando uma resposta.

— Deixa que eu vou. — Metalica levantou a mão mostrando a arma, como se isso fosse um passe para que ela devesse sempre estar na frente.

As sobrancelhas de Buffy se ergueram, Metalica estava armada, então precisava tomar cuidado com ela. Quando Metalica trocou a arma entre suas mãos Buffy acreditou que aquele era o momento certo, saiu de seu esconderijo empunhando o grande pedaço de metal, jogando-o para frente, quase acertando Metalica que por sorte deu alguns passos para trás ao se assustar com o vulto.

Infelizmente a surpresa foi grande demais para o trio, automaticamente tanto Cleo quanto Galla recuaram alguns passos. Metalica se desequilibrou e a arma caiu de sua mão, deslizando pela rua.

Buffy aproveitou aquele momento para atacar mais uma vez, só que agora Gallatea conseguiu raciocinar melhor, se jogando em cima de Buffy, as duas caíram no chão num baque surdo, o metal fez um som incômodo. Buffy segurava o pedaço entre as mão usando-o para que o braço de Galla se mantivesse afastado, porque apenas agora Buffy conseguia ver que ela segurava uma peixeira.

Cleo estava paralisada, não sabia o que fazer e apenas visualizava tudo tremendo.

Metalica no entanto pensou mais rápido, pegando a tesoura da mão de Cleo e se levantando pronta para ajudar Gallatea.

Mas um tiro ecoou.