Marria terminava de colocar o ultimo esparadrapo ao redor da perna de Amai, observando os machucados superficiais no rosto pálido. Soltou uma exclamação sobre ter acabado, Amai saltou da maca e andou alguns passos leves, apenas para conferir que se a atadura não estava apertada demais.

Acenou levemente com a cabeça e Marria soltou um suspiro.

Um longo silêncio se fez presente e levou algum tempo para que alguém o quebrasse:

— Então vai ser assim mesmo? — indagou Marria temerosa de entrar nesse assunto. Ela sabia que era real, que esse jogo era real. Ouviu o anuncio das mortes, ouviu brigas, teve um conflito assustador com o Marcelo agora a pouco. Mas ainda assim precisava ouvir de alguém, uma confirmação, qualquer coisa.

Amai pareceu ponderar antes de responder um "sim" fraco e sem muito entusiasmo. Marria sentiu o peito doer e estava prestes a chorar quando Amai a abraçou prontamente, sua mente parou por alguns segundos até devolver o abraço confortável, se permitindo algumas lágrimas descerem pelo rosto.

O abraço não durou muito tempo, logo Amai se movimentava com certa pressa pelo cômodo, arrumando as bolsas sobre o olhar intrigante de Marria.

— Não podemos continuar aqui. — avisou, agora colocando alguns remédios, gazes e kits de primeiro socorros na bolsa que antes pertencia a Marcelo. Marria estava prestes a perguntar o "por quê", mas Amai foi mais rápida: — Esse local com certeza deve ser o foco de muita gente, é óbvio que qualquer um vai querer vim para cá e torcer para que algo aqui funcione. Acho que existe um motivo para o qual esse é o único local não abandonado da ilha. — ainda observava as prateleiras e julgando quais remédios seriam necessários ou não.

Levou um certo tempo até que Marria compreendesse o raciocínio de Amai e lhe ajudasse, tirando da bolsa alguns comprimidos desnecessários, colocando também algumas seringas com anestésico. Remexeu mais ao fundo em um dos armários e encontrou ali água sanitária, ponderou levemente e falou para Amai pegar uma das garrafas de álcool em gel que eles viram em cima de um armário.

Amai pareceu estranhar mas obedeceu a companheira, entregando para ela a garrafa.

Tudo parecia pronto, a mochila de medicamentos no entanto estava levemente pesada. Amai torcia para que elas não precisassem andar demais ou que encontrassem alguém disposto a batalhar, aquele peso com certeza seria um problema.

Quando saíram pela entrada Marria pegou a garrafa de água sanitária e jogou por todo o chão do hall de entrada, depois pegou a garrafa de álcool em gel tendo um pouco de dificuldade para abri-la mas quando consegue prontamente repetiu o mesmo ato. Jogou todo o liquido pelo chão, tampando a boca e a narina com a camisa que usava. Fechou as portas e jogou a garrafa em qualquer lugar.

Amai pareceu confusa mas não teve tempo para questionar, ela e Marria saíram dali correndo.

[...]

Tanto Cleo como Metalica ficaram estupefatas com o som alto do tiro, por puro instinto e medo Cleo se abaixou, como se esperasse a bala perfura-la de alguma forma, já Metalica foi mais esperta e olhou para a direção do som, encontrando Dekka que estava com um joelho no chão e o outro ajudava a apoiar o braço, a arma estava erguida sobre os redondos dedos de Dekka, o dedo indicador no gatilho não escondia de foi ela quem atirou.

Um outro som se fez presente, desta vez era um grito de dor. Buffy aproveitou aquela deixa e empurrou Gallatea de cima de si, enquanto Galla sentia uma dor aguda das costas, permanecia parada no chão, se contorcendo, como se não tivesse uma posição confortável, como se seu corpo todo sentisse aquela dor insuportável.

Metalica tentou ficar na frente de Buffy, como se impedisse para que ela corresse até Dekka, jogou todo seu corpo para a adversária, que foi mais esperta e conseguiu esquivar.

Cleo, completamente assustada fez a primeira coisa que passou pela sua cabeça: correu. Levantou-se no sobressalto e desatou a correr.

Dekka estava prestes a atirar na garota, com a mão tremendo. Mas não teve tempo para tal ati, Buffy pulou sobre ela, pegando a arma da mão da namorada e atirando em Metalica, que conseguiu por muito pouco escapar da bala. Buffy apertou o gatilho novamente, tendo um pouco mais de sorte já que a segunda bala passou de raspão na coxa de Metalica, que cambaleou e bateu com a bunda no chão.

Os dois olhares raivosos se encontraram e sem pensar muito Metalica atacou a tesoura que usava, foi tão espontâneo e inesperado que Buffy não soube reagir. Atirou mais uma vez por instinto, mas a ponta da tesoura atingiu superficialmente sua perna. Não era letal e nem tão insuportável, mas o choque da dor a fez contrair um leve momento, dando tempo para que Metalica levantasse do chão e carregasse Gallatea para uma das esquinas, fugindo do campo de visão do casal.

Buffy praguejou algo, mas sem muito tempo apenas levantou Dekka num puxão, abriu o tambor do revolver apenas para ver que tinha apenas 3 tiros.

Valeria a pena ir atrás de Metalica e Gallatea? E se errasse os tiros? Teria poucas chances de encontrar uma arma de verdade novamente. Alguns segundos se passavam enquanto Buffy parecia analisar as opções que tinha.

No fim só agarrou Dekka pelo pulso e correu dali.

[...]

Cleo não olhou para onde foi, só correu, correu e correu. Só parou quando seu corpo implorou por descanso e sem muita força desabou no chão, sentindo a respiração descompassada e o corpo descansar por um breve momento. Lágrimas começaram a cair de seu rosto.

Foi fraca demais.

Acabou fugindo quando a única pessoa que confiou nela estava em perigo. Deveria ter feito algo, deveria ter pulado sobre Dekka, deveria ter parado Buffy, deveria ter erguido Gallatea e fugido dali, mas não fez nada. Nada!

Colocou os braços sobre o rosto, sentindo as lágrimas tomarem conta dele por completo. Fungava.

Não soube quanto tempo passou, mas estava tão triste que nem se importou. Não sentia vontade de continuar ali. Poderia sair do jogo? Poderia quitar?

Essa seria a única vez em sua vida que quis de fato desistir de algo.

Ergueu-se ficando sentada no chão, encarou brevemente a bolsa do seu lado direito e depois a peixeira em seu lado esquerdo.

Tremeu.

Não queria continuar ali.

Não se sentia apta a continuar nesse jogo.

Pegou a peixeira e se pôs a pensar no que seria melhor. Valeria a pena arriscar a própria saúde mental nesse jogo? Entraria nele para sobreviver ou desistiria ali e agora?

Não soube quanto tempo levou pensando naquilo, mas nunca tomou uma resposta porque um estranho som de 'bip' surgiu atrás de si. Por puro instinto Cleo se ergueu e apontou a peixeira na direção do som. Nada aconteceu, mas o pequeno 'bip' no silêncio da noite parecia mais alto.

Tremia violentamente.

— Apareça...? — falou baixo, com muito medo.

Bip.

— APAREÇA! — gritou.

Bip.

Cleo tomou coragem e andou, esquecendo a bolsa atrás de si. O bip parecia estar mais perto, andou até que o barulho parecesse vim de uma moita. Cleo puxou as folhas e encontrou o corpo de Yugoslavia inconsciente.

[...]

Laquanda ressonava calmamente quando seus olhos finalmente abriram. Ainda estava de noite, mas por alguma razão o céu parecia mais claro que normalmente estaria. Ergue-se com certa dificuldade, seu corpo estava sujo, sentia isso e o pior, se sentia com vontade de vomitar. A sensação de estar suja era péssimo e nojento. Mas a cena que seus olhos virão lhe fizeram vomitar o que não existia no seu estômago.

O corpo inerte de Grimhilde, a cabeça praticamente amassada, a carne viva e o chão ainda vermelho banhando pelo sangue. Ela causou aquilo. Ela matou Grimhilde. Lembrou-se vagamente dos acontecimentos e como flashes recordou que quando atirou não surtiu efeito algum, e isso a pôs a analisar. Como Grimhilde conseguiu sobreviver a tiros no peito?

Se aproximou com receio e medo do corpo morto, olhando calmamente para o peito onde os furos de balas ainda estavam presentes. A camisa rasgada mostrava algo por de baixo. Com medo e nojo ela puxou os buracos da camisa e se surpreendeu ao ver que por debaixo estava um colete a prova de balas.

— Sua vadia... — sussurrou. Tendo certa dificuldade para conseguir puxar o coleto do corpo morto, com muito cuidado para que o sangue no chão não o tocasse.

Em poucos minutos se vestiu com o colete, escondendo por baixo da roupa que usava. Procurou no chão sua arma e quando a encontrou abriu prontamente a bolsa, encontrando ali um novo cartucho de balas, substituindo o cartucho vazio.

Um som ensurdecedor de estática se fez presente e uma voz estranha se fez presente por toda a ilha.

— Bom dia participantes. — demorou um tempo para que Laquanda de alguma forma reconhecesse a voz robótica de Veron. — Uma atualização da lista de mortos. Estrelina Brilhina, Marcelo Ed, Grimhilde, Ebonique e Aron. Tomem cuidado porque nossas câmeras nos mostraram que Ebonique morreu por estar numa área proibida depois do horário. — avisou sem entusiasmo. Laquanda engoliu em seco, sentindo o colar invisivelmente aperta-lhe a garganta. — E com isso nossos próximos quadrantes proibidos serão: E8, E9 e H10. 30 minutos para fugirem deles. Bom jogo! — a voz de Veron por fim desapareceu e levou alguns minutos para que Laquanda se tocasse e desamasse o mapa que estava perdido em algum canto da sua bolsa. O desamassou e observou algum local que parecesse o qual ela estivesse, levou algum tempo até ela perceber que estava logo em E8.

Praguejou com muita raiva. Pegou a bolsa que antes era de Grimhilde e a sua e as jogou sobre o muro, e com certa dificuldade começou a escalar o muro de metal, querendo sair dali o mais rápido possível.

[...]

Dobby mexeu os corpos de Gina e Inm com um pouco de força, fazendo com que as duas acordassem assustadas. A pouca claridade que entrava pelas janelas quebradas indicava que o dia começou a raiar, mas que horas seriam exatamente?

— O que foi...? — indagou Inm de forma sonolenta, esfregando os olhos.

— Esse lugar acabou de se tornar uma zona proibida. — respondeu alto bastante para que Gina também ouvisse, e lógico que ouviu, ela se ergueu num sopetão e começou a pegar as bolsas num canto aleatório, pegando também as partes da escopeta.

Precisava urgentemente montar aquilo logo.

Inm pareceu levar um tempo para entender a gravidade da situação e se levantou, pensando em como fazer para ajudar.

Dobby pegou uma das bolsas que Gina queria levar nos braços.

— Quem vai tomar a dianteira? — perguntou levantando a submetralhadora. Inm ficou em silêncio e Gina tomou a atitude de pegar da mão de Dobby a arma, falando um "eu vou" indo para a saída sendo acompanhando. Dobby ficou com a arma que antes pertenceu a Gina, a foice. Já Inm estava com as mãos abanando, carregando única e exclusivamente a própria bolsa.

Se assustou quando Gina parou abruptamente e levantou a arma com certa força que fez com que Inm se encolhesse.

— Faça alguma coisa e olhe no mapa. Veja para onde podemos ir! — ordenou.

Inm de forma meio desajeitada foi abrir a bolsa e a deixou cair, por um instante acreditou que tanto Dobby quanto Gina iam lhe atacar, "seria melhor se livrar do peso morto agora" uma voz na sua cabeça lhe falava isso.

Tirou o mapa e o olhou rapidamente.

— Aonde estávamos?

— E9. — responderam em uníssono.

— Seguindo para E8 podemos...

— E8 é uma zona proibida também. — respondeu Dobby.

Inm engoliu em seco.

— Bom... Se formos para F8....

— F8 também é uma zona proibida. — desta vez foi Gina.

Inm estava prestes a chorar.

— No... — olhava para o mapa, enxergando tudo turvo. — Nos quadrantes superiores, D8 e D9 tem algo parecido com um farol... Podemos... Podemos ir para lá e...

— Qual o sentido? — Gina questionou do nada.

— Como?

— Norte, Sul... — não terminou. — Dobby. — falou baixinho e Dobby tomou o mapa das mãos de Inm, que o leu rapidamente e seguiu a dianteira para sul.

Gina e Inm a seguiram. Inm apertava a calça da bolsa sobre o ombro.

"Peso morto." a voz de sua cabeça voltou a lhe assombrar.

[...]

Alice amarrava o cabelo quando terminou de ouvir o anúncio das seis da manhã. Olhou para seu relógio para confirmar. Sim, os anúncios eram feitos de seis em seis horas.

Suspirou pesadamente se erguendo do chão e tirando as folhas de sua roupa.

Estava distante de qualquer um dos quadrantes proibidos, então se sentia mais confortável, não sofreria de ansiedade por estar no local errado, nada comparado ao que Ebonique deve ter sentido.

Riu.

Não imaginou conseguir se livrar de duas pessoas nas primeiras doze horas de jogo, e o melhor, se surpreendeu ao saber que nesse tempo oito pessoas já estavam fora.

Abriu o mapa levemente, tirou o brinco que usava e com a agulha dele furou os quadrantes denominados proibidos no mapa e após isso o colocou novamente na orelha.

Ela estava em G6, mais algumas quadras para frente se localizava algo que ela reconheceu como um coreto e mais a frente algo que deveria ser um hospital. Queria chegar ao hospital, com certeza ali encontraria coisas úteis. Achava um pecado que nenhuma das bolsas viesse acompanhado de um kit de primeiro socorros. Não que ela necessitasse agora, mas estranhou.

"Talvez assim as pessoas morressem mais rápido, riu.

Um farfalhar não muito distante chamou sua atenção, rapidamente Alice pegou a arma que estava ao seu lado no chão e apontou na direção do som.

Nada.

Três minutos de passaram.

Nada.

Alice ainda assim não abaixou a guarda. Colocou o mapa num dos bolsos traseiros e ainda com a arma erguida pegou a bolsa do chão com muito cuidado para não quebrar o contato visual na direção do som.

Um novo farfalhar se fez presente.

Duas figuras subiam pelas árvores, Alice estava prestes a atirar mas recuou um pouco ao encontrar dois rostos conhecidos.

— Amai? Marria? — indagou ainda com arma empunhada.

As duas a encararam também apontando as armas.

— Alice! — falaram em uníssono.

Nem Amai nem Alice esperaram o que veio depois. Marria abaixou a arma e correu até Alice, abraçando a amiga com certo desespero, de imediato a garota não sabia o que fazer, mas sobre o olhar desconfiado de Amai ela respondeu o abraço.

— Eu tô muito feliz de te encontrar! Você ainda está viva. — falou animadamente. — Eu torcia muito pra não escutar seu nome durante o anúncio, ainda bem que nos encontramos.

Amai ainda encarava Alice com certa desconfiança e meio que percebendo isso Alice começou a desatar num choro convincente falando de forma dramática e ocultando algumas coisas sobre o que aconteceu nessas dose horas de jogo.

— Eu... — limpou o rosto onde algumas lágrimas, claramente falsas, caíam no rosto pálido. — Estava muito assustada. Eu corri em disparada, passei pelo bosque, passei a noite por aqui — mostrou ao redor, as pequenas árvores e a área coberta por plantas altas — eu pensei em seguir pelo hospital, parecia o melhor caminho possível e...

— Nós acabamos de sair de lá. — Amai finalmente falou depois de muito tempo. — Nós pensamos em passar a noite lá, mas eu falei para Marria que era uma área muito cobiçada, e pelo jeito eu estava certo. — encarou a Alice por alguns instantes, vendo-a limpar o rosto. — Nós pegamos algumas coisas que achamos úteis e estávamos indo para J2, é a única área residencial do mapa que ainda não foi proibida. — terminou.

Alice encarou Amai e depois olhou para Marria por um momento.

— Então vocês estão seguindo o caminho errado. — avisou, soltando-se das mãos de Marria. — Nesse sentido você está subindo o mapa, essa região é a G6, e se o hospital fica na G4 vocês deveriam descer ao oeste.

Tanto Amai quanto Marria se encararam por algum momento. Amai tirou o mapa de um dos bolsos e o encarou, levantou a sobrancelha intrigada, até ontem a noite o que ela fez parecida estar certo. Talvez fosse o cansaço ou até mesmo a escuridão, ela e Marria devem ter lido o mapa errado.

— Bom... Esse é o nosso plano. — Amai finalizou abaixando o olhar do mapa.

— Vem com a gente. — Marria falou abruptamente voltando a segurar as mãos de Alice.

O olhar de Alice se arregalou por um instante assim como o de Amai.

— Nós podemos superar esse jogo e sairmos daqui juntos! — sorriu.

Alice pareceu ponderar por algum momento. Se juntasse forças com as duas teriam mais força de tiro, viu que as suas possuíam também armas de fogo, duvidaria muito se algum time teria a mesma potência que elas. E também, Marria parecia confiar demais nela, e pelo visto Amai nem tanto, mas não a culpava. Mesmo se não tivesse resolvido entrar no jogo desconfiaria de qualquer um, mesmo que fosse alguém muito amigo seu fora dali. Mas acima de tudo, se fosse esperta poderia fazer dois alvos fáceis e de quebra sairia daquela aliança mais armada do que qualquer participante.

Sorriu amigavelmente.

— Sim! — falou suavemente, olhando tanto para Marria como para Amai de forma calorosa. — Vamos sair daqui juntas!

[...]

Fae caminhava com certa pressa, olhou para o céu rapidamente vendo que começou a clarear, suspeitou que devesse ser umas cinco horas, talvez seis da manhã, se arrependia amargamente por ter resolvido descansar logo próximo a E8, encontrou uma casa na árvore bem escondida e estava tão cansada que cochilou, acordei com a voz de Veron lhe assustado e depois de raciocinar por alguns segundos ouviu os quadrantes proibidos, lembrando que estava numa das áreas mencionadas.

Não queria correr porque se encontrasse alguém seu corpo não estaria pronto para um combate, a bolsa ajudava a deixar a situação mais desconfortável já que os itens ali dentro batiam justamente numa de suas costelas. Na mão empunhava a arma que pertenceu a Estrelina. Olhando ao redor, parado rapidamente só pra se localizar no mapa e xingando alto já que não conseguia se localizar. Com excessão da enorme redoma de metal não existia nada naquela área que pudesse confirmar que estava longe de E8.

Começou a suar frio e desatou a correr.

"Estou armada", pensou, ninguém seria louco de querer confrontar uma pessoa armada, afinal, era só atirar antes que a outra pudesse reagir.

Parou por um instante, assustada.

Olhou novamente para o mapa e desta vez quase gritou ao ver onde estava. Desceu na posição errada, estava caminhando para F8, percebeu quando encontrou a abertura do bosque. Em seu mapa F8 estava rasgado, como se Fae tivesse feito aquilo para identificar como um quadrante proibido.

Olhou para a esquerda e a direita.

Quanto tempo se passou desde o anúncio?

Precisava fugir dali o mais rápido possível.

Desatou a correr novamente, mas seu corpo começou a fraquejar de cansaço. Parou por um breve instante apenas para sorver um gole de água, mas deu alguns passos para trás vendo um corpo sem cabeça estirado no chão onde tudo a redor estava banhado de vermelho.

Ebonique?

Lembrou-se de ter ouvido algo como Ebonique ter continuado no quadrante proibido mesmo depois do horário.

Engoliu em seco.

Era aquele seu destino se não saísse dali.

Continuou correndo mesmo que sem forças, parava as vezes para se localizar no mapa e continuou fazendo isso com bastante pressa. Só parou quando localizou no mapa algo como um coreto, olhou ao redor e um pouco mais distante encontrou o topo do coreto.

Estava longe de perigo.

Desabou no chão. Ofegante.

Sorveu um gole muito grande de uma das garrafas, a deixando apenas com uma linha muito fina do líquido no interior.

Não tinha forças para um combate corpo a corpo.

Por isso só atacou Estrelina por oportunidade. A viu de costas e realmente assustada quando ela passou correndo próximo de si, também a viu se esconder e ficou a espreita, aguardando uma chance para atacá-la e quando a oportunidade surgiu assim fez.

Riu consigo mesma.

No começo não imaginou que teria coragem para fazer parte desse jogo, mas estava enganada. Podia não ter o melhor físico mas era habilidosa, sabia espreitar sua vítima e tinha forças o bastante para atacar num bote surpresa.

— Eu serei a vitoriosa nesse jogo. — pensou.

Voltou sua atenção para o restante da garrafa e sorveu, mas algo acontecendo próximo ao canto de seu olho lhe pareceu mais interessante. Se abaixou, torcendo para que a pessoa não tivesse lhe visto.

Shannon estava agachada no coreto, fazia alguma coisa no chão próximo a abertura do coreto, levantou-se limpando nas pernas alguma coisa e ficou na pontas dos pés, tocando em algo no topo do lipar e fazendo a mesma coisa do outro lado. O coreto era bastante grande, na parte esquerda alguns pilares estava quebrados. Fae infelizmente estava num ponto distante e não conseguia enxergar tão bem.

Mexeu em sua bolsa e de lá tirou o binóculo que recebeu.

Agora enxergava melhor.

Viu que o rosto de Shannon estava impassível, ela limpava as mãos numa blusa de frio que estava amarrado na cintura. Se ergueu levemente, aumentando a visão do binóculo e vendo que Shannon caminhou até um corpo que estava deitado no chão. Não conseguiu ver quem era, o corpo de Shannon tampava justamente o rosto daquela pessoa, ela estava de costas para si e bebericava uma das garrafas. Parecia entretida em algo.

Fae sorriu segurando com mais força a arma que segurava.