Notas iniciais
Capítulo importante.
Enjoy!!!!!!

Acordei com o som estridente do meu celular. Tateei o aparelho cegamente e o atendi.


Era minha mãe, dizendo que os antibióticos não estavam fazendo efeito e que mais uma vez a medicação seria trocada. Ela dizia pra eu não me precocupar e seguir com o meu trabalho, afirmando que estava tudo sob controle... Mas eu não conseguia acreditar.


Depois de encerrar a ligação fitei o rosto adormecido do meu namorado. Por algum motivo seu cenho estava franzido, demonstrando tensão... Talvez algum pesadelo ruim.


Acariciei sua testa, vendo sua feição se suavizar aos poucos. Beijei o local carinhosamente e me levantei.


Troquei de roupa rapidamente, mas evitando fazer barullho. Não que realmente precisasse, pois Uruha tinha um sono absurdamente pesado.


Peguei o celular, a carteira, calçei os tênis e escrevi um bilhete, deixando-o sobre a mesa de centro.


Chamei um táxi e resolvi esperá-lo na rua. Eu precisava pensar, desanuviar minha cabeça e tentar organizar as ideias que se embaralhavam em minha mente.


O táxi chegou dez minutos depois, e durante todo o trajeto eu só conseguia pensar em Uruha. No seu corpo, nas suas mãos, nos seus beijos, nos seus toques... E além disso havia seu sorriso infantil, sua personalidade única, seus olhos chocolate, o jeito como ele arqueava a sobrancelha...


Merda! Eu estava apaixonado. Perdidamente apaixonado, diga-se de passagem... Apaixonado por um homem. Por um companheiro de banda. Pelo Uruha.


O cara que eu fiquei sem falar durante três anos. É.


Kami! O que meu pai pensaria disso?


Quando finalmente cheguei em casa meu único desejo era dormir. Eu só queria fechar os olhos e esquecer toda a bagunça que minha vida tinha se tornado no último mês... Tudo por culpa de um certo guitarrista de coxas grossas.


Desisti de ficar na cama, pois sabia que não conseguiria pregar os olhos de maneira alguma. Meu cérebro estava trabalhando a mil por hora, e quando eu ficava assim uma agitação absurda me tomava por completo, me impedindo de ficar parado.


Preparei um café e levei a xícara fumegante para a varanda, acendendo um cigarro em seguida.


Admirei a bela paisagem que se desenhava à minha frente. O céu azul; os primeiros raios de sol despontando por entre as nuvens, iluminando a cidade que já dava sinais de movimento.


Me permiti dar um breve sorriso, desejando ter alguém para compartilhar um momento tão belo comigo, o que consequentemente desviou meu pensamento mais uma vez para Kouyou.


Eu não queria sentir o que eu estava sentindo, porque todas as vezes que eu nutri algo tão forte, eu me machuquei.


E eu não queria sofrer de novo.


A última queda havia sido suficientemente dolorosa, ainda não estava pronto pra outra.


Terminei de fumar e peguei o celular, discando o número conhecido.


- Moshi moshi?


- Vem pra minha casa agora. É sério. Estou te esperando.


Desliguei sem esperar resposta e suspirei.


Eu já sabia o que fazer.



U&A



Minha campainha tocou pouco tempo depois. O porteiro não havia anunciado ninguém, então só podia ser uma pessoa.


Baguncei um pouco os cabelos e fui atender a porta, me deparando com um Kouyou de óculos escuros, braços cruzados e cara de poucos amigos.


Dei espaço pra que ele entrasse, observando-o tirar o sapato calmamente.


- Quer beber alguma coisa? — perguntei educadamente.


- Tem cerveja?


- Hai.


Abri a geladeira e peguei duas latas da bebida, voltando à sala em seguida.


- Vamos lá fora — indiquei a sacada com o olhar.


Ele suspirou, mas seguiu-me sem reclamar, os belos olhos ainda cobertos pelos óculos.


- Qual é o problema, Aoi? — questionou sem rodeios.


Eu odiava aquele tom indiferente em sua voz. Porque eu sabia que era uma máscara, algo como um escudo de defesa.


Toquei seu braço de leve.


- Abaixa a guarda ok? Nós só vamos conversar.


Rapidamente ele se desvencilhou, afastando-se alguns passos.


- Desembucha logo, Yuu. Eu odeio suspense.


Inspirei o ar profundamente, tentando encontrar a coragem necessária. Era melhor falar de uma vez.


- Eu quero terminar — as palavras saltaram da minha boca antes que eu pudesse contê-las.


Um silêncio profundo se abateu sobre nós, tornando o clima pesado. Longos minutos transcorreram sem que uma mísera palavra saísse de sua boca, e aquilo já estava me irritando.


- Você não vai falar nada? — soei ríspido.


Não houve resposta, então apenas me contentei em ficar admirando o céu que se tornava cada vez mais azul.


- Por quê? — sua voz saiu mais rouca do que de costume, e mais baixa também.


- Porque vai ser melhor assim — concluí.


Um sorriso de canto surgiu em seus lábios.


- Eu quero motivos concretos, Aoi.


Me aproximei dele lentamente, atento a qualquer tipo de rejeição, porém não houve nenhuma. Entrelacei nossos dedos e passei a acariciar as costas de sua mão.


- Eu estou envolvido demais, Uru. Estou me afogando num redemoinho de sentimentos e angústias, cada vez me afundando mais. Eu sei que você disse que não sabe o que sente, apesar de eu ser alguém especial na sua vida, mas isso machuca! É horrível não ter uma base, um porto seguro ao qual eu possa me agarrar com todas as minhas forças — suspirei e fechei os olhos. — Por isso estou terminando. Prefiro fazer isso agora, enquanto eu estou apenas apaixonado, do que deixar essa situação se propagar por mais tempo e eu acabar me envolvendo ainda mais. Desculpe.


Uruha riu baixinho e saiu do local, passando direto pela sala e virando o corredor... Ele estava indo pro meu quarto?!


Acompanhei-o apressadamente, encontrando-o exatamente onde eu imaginara.


- Kou, não torne tudo mais difícil do que já é. Vá pra casa e descanse.


- Não.


- Mas...


- Nós não vamos terminar — cortou-me.


- Como é que é?


- Eu estou dizendo que nosso relacionamento vai continuar — ditou em um tom calmo.


- Eu não quero mais! — me alterei.


- Mentira.


- PORRA, URUHA! EU NÃO VOU ME MACHUCAR COMO UM MALDITO MASOQUISTA POR CAUSA DE UM CAPRICHO SEU! — gritei, descontrolado.


Kouyou mordeu o lábio com força, provavelmente se impedindo de falar alguma besteira, e retirou os óculos em seguida.


E o que eu vi por baixo daquelas lentes quase fez meu queixo cair.


Seus olhos estavam inchados e vermelhos, fruto de um longo choro.


Ajoelhei me à sua frente, acabando por ficar entre suas pernas, sabendo muito bem que aquilo não era algo comum. Kouyou raramente chorava, e se ele o estava fazendo naquele momento era porque algo estava muito errado.


- Kou, o que foi? Me diz o que está acontecendo.


Ele acariciou meu rosto com a mão esquerda, fazendo círculos com o polegar, mantendo seus olhos fixos nos meus.


- Você está certo, Yuu.


- Sobre o quê? — perguntei, temendo a resposta.


- Realmente tudo começou por conta de um capricho meu. Eu só queria provar pra mim mesmo que podia ficar com um cara totalmente hetero e machista, alguém do qual ninguém questionasse sobre sua sexualidade. E quem melhor que você? Sempre tão arrogante, tão prepotente, tão dono de si... Meu companheiro de banda homofóbico.


Doía ouvir aquilo. Eu ainda não estava totalmente livre dos meus preconceitos e valores morais, e apesar de dividir a cama com um homem não me considerava homossexual. Mas eu estava disposto a ouvi-lo até o fim. Se aquela fosse a nossa última conversa eu queria que tudo ficasse esclarecido, sem restar nenhuma dúvida.


- E então? — incentivei-o a continuar.


Um sorriso fraco adornou seus lábios.


- Nunca achei que você pudesse ceder. Meu medo só se esvaiu um pouco depois daquela balada, quando você me pediu pra ficar contigo... E no dia seguinte nós nos beijamos! Eu fiquei tão feliz, Yuu! Era você que eu estava beijando, era o seu corpo que eu estava sentindo contra o meu... Eu quase enlouqueci de tanto desejo naquele dia.


Tive a decência de corar. Aquele seu jeito pervertido ainda me deixava morrendo de vergonha.


Uruha pareceu notar meu constrangimento, pois deixou um beijo estalado na minha bochecha.


- Você fica lindo de qualquer jeito, não é?


Rolei os olhos e decidi sair daquela posição incômoda, sentando-me ao seu lado.


- Continua — apertei sua mão.


- Só se eu ganhar um beijo — sorriu malicioso.


- Nem pensar! Isso aqui é uma conversa de término, Kouyou.


- Não, meu amor. Isso aqui é apenas o início de algo novo.


" Meu amor". Era a primeira vez que ele usava palavras tão concretas. E o pior é que eu já estava cheio de esperanças.


- Uru...


- Por favor?


Suspirei, ligando o botão do foda-se e colando meus lábios aos seus, o resto poderia esperar. No momento eu só queria sentir o gosto viciante da sua boca, deixar minha língua explorar cada milímetro daquela cavidade quente e úmida, tocar a pele morna de sua cintura por baixo da camiseta e arrancar-lhe aqueles ofegos abafados que me enlouqueciam.


Esqueci o motivo pelo qual estávamos discutindo anteriormente e forcei seu corpo para baixo, obrigando-o a se deitar, suas pernas afastando-se automaticamente para me receber entre elas.


Desfiz o contato entre nossos lábios com uma breve mordida em seu inferior, mas nos mantive naquela mesma posição. Era gostoso.


- Já teve seu agrado, agora pode continuar.


- Hm... — tocou meu abdomên por cima da blusa. — Bom, não vou prolongar a história porque você já a conhece de cor. A questão é que você foi uma verdadeira caixinha de surpresas, Yuu. Quando eu fazia algo achando que iria te agradar você ficava chateado, e vice-versa. Eu tive que aprender a ler cada olhar, cada sorriso e cada ruga de preocupação que surgia em sua testa. E depois de um tempo eu achei que finalmente tivesse aprendido a te decifrar, mas então você surgia com uma nova faceta totalmente desconhecida... Eu quase fiquei louco!


- Foi por isso que você ficou com o Jun? — aquela história ainda estava entalada na minha garganta.


- Acho que sim — ponderou. — Eu estava me sentindo sufocado diante de tantos acontecimentos inesperados e a sua personalidade completamente bipolar. De qualquer maneira nós ainda não tínhamos nada sério, então achei que não haveria problemas.


- Você me magoou.


- Eu sei! E é exatamente por isso que eu estou aqui, Yuu. Não quero mais te fazer sofrer, tampouco continuar me enganando.


Franzi o cenho.


- Do que você está falando?


Ele fechou os olhos, suspirando pesadamente.


- Eu não queria, Aoi. Eu fiz de tudo pra evitar esse maldito sentimento, mas... Que merda! No meio de toda essa bagunça eu acabei me apaixonando por você. Então pode ir esquecendo toda essa história de término, porque eu não vou deixar você acabar com a nossa felicidade.


Abri a boca, chocado. Eu esperava tudo de Uruha, menos aquilo. Takashima Kouyou, um dos guitarristas mais cobiçados do Japão, estava apaixonado por mim.


- Yuu-chan — tocou meu rosto -, tudo bem?


- Kou, isso é sério?


- Muito. Eu sou completamente seu, Aoi. Quero você do meu lado todos os dias, todas as noites e todos os anos que vierem. Eu te amo, Yuu.


E eu senti meu coração derreter com aquela última frase, meu peito se aquecendo de uma forma inexplicavelmente gostosa.


- Acho que eu também...


- Shiiiiu — sua mão pousou sobre meus lábios. — Não precisa se apressar, meu anjo. Eu me contento em saber que você me corresponde e está disposto a passar por tudo comigo.


- Eu estou — concordei.


- Então só me abraça bem forte e me enche de beijos, porque é a única coisa que eu quero no momento.


Apertei sua cintura com força e afundei o rosto em seu pescoço, cobrindo-o de beijos.


E estando ali, entre seus braços, ouvindo-o repetir diversas vezes que me amava, meu maior desejo era abrir a janela e gritar para o mundo o quanto eu estava feliz.


Imensamente feliz.

Notas finais
E eu me recuso a comentar o quanto esse chap foi gay!!!!! Mas eu gostei.
Reviews e chocolate me fazem feliz *-*
Até segunda amores.