Jogando Com Prazer
16 Uruha
Notas iniciais
Enjoy!
Senti uma dor absurda ao abrir os olhos e não vê-lo ao meu lado. Talvez ele precisasse de um tempo para si, principalmente com tudo que estava acontecendo, mas custava avisar?
Levantei, ainda sentindo o sono exercer uma grande pressão em minha mente, e decidi tomar um banho. Depois eu ligaria para Aoi.
Quando saí do banho e fui pra sala encontrei um pequeno pedaço de papel. As palavras? " Te vejo depois". Simples assim, como se eu não significasse nada em sua vida.
Enchi um copo com leite e me dirigi à varanda, debruçando-me sobre o parapeito. Fechei os olhos, lembrando-me da noite anterior, quase podendo sentir aqueles lábios pecaminosos a envolver meu mebro naquela sucção enlouquecedora... Tão perfeito.
" — Acho... Acho que eu estou apaixonado."
Aquela frase continuava dando voltas em minha cabeça. E eu? O que sentia por ele? Não podia continuar mentindo e dizer que era apenas atração, pois já havia passado desse estágio há algum tempo. Também não era paixão. Tal sentimento é avassalador, possessivo, inconstante e obsessivo, pelo menos na minha concepção. O que nos envolvia era algo diferente, mais brando, quase como uma brisa de verão. Algo que ficava entre a admiração e o desejo, e fazia meu peito se aquecer toda vez que um sorriso sincero surgia em sua bela face.
- Eu estou amando — segredei ao vento. — Eu amo o Yuu — reafirmei.
A questão era: o que fazer? Eu não poderia contar sobre o desafio, entretanto não considerava a hipótese de continuar sustentando uma mentira. O primeiro passo era falar com Ruki, deixar bem claro que eu havia perdido e que nossa aposta estava desfeita. Provavelmente eu seria zuado durante uma ou duas semanas, mas eu sinceramente não me importava. Desde que Aoi estivesse ao meu lado e eu pudesse lhe falar sobre tudo que eu estava sentindo, nada mais importava.
Dei um breve sorriso de canto ao ouvir a introdução de D.L.N, seu toque personalizado.
- Moshi moshi.
- Vem pra minha casa agora. É sério. Estou te esperando.
Engoli em seco, sabendo que tinha algo errado apenas pelo tom de sua voz.
- Merda! — praguejei.
Vesti as primeiras peças que encontrei pelo guardarroupa e rumei em direção à saída, carregando apenas a carteira e a chave do carro.
Dirigi feito louco, pouco me lixando pras multas que eu com certeza teria, chegando ao seu apartamento pouco depois.
Eu estava com raiva, sem nenhum motivo aparente, mas algo me dizia que aquela conversa não seria boa.
Constatei que eu estava certo algum tempo depois, quando em uma atitude totalmente inesperada, ele disse que queria terminar. Minha vontade? Chorar como uma criança. Mas não o fiz.
Obriguei-o a me seguir, indo até seu quarto e deixando claro que nós não iríamos terminar. Meu anjo — como sempre — gritou em alto e bom som que não iria se machucar por conta de um capricho meu.
E então uma luz acendeu em meu cérebro. Eu não precisava mentir, apenas omitir.
Contei-lhe tudo o que passava pela minha cabeça, e tive a oportunidade de falar sobre o que eu sentia, me sentindo aliviado por livrar-me de um peso tão grande.
Fui retribuído com a incredulidade de suas palavras, tendo que reafirmar meu sentimentos mais uma vez.
No fim fui acolhido por seus braços protetores, tendo certeza que eu era correspondido.
- Amor, nós temos que ir pra gravadora — lembrou-me.
- Por quê? Aqui está tão bom — fiz bico.
O som de sua risada preencheu o ambiente.
- Toxic vai ser lançado daqui a quinze dias, esqueceu? E nós não queremos deixar o nosso querido líder puto da vida só porque nós estamos absurdamente felizes, não é?
- O Nao já deve tê-lo amansado.
- Não estou a fim de correr o risco, Uru. Você sabe como o Kai fica quando está estressado.
O pior é que eu sabia.
- Aquele demônio de covinhas — salientei.
- Exatamente. Eu pretendo estar vivo quando a turnê começar.
Selei seus lábios longamente.
- Eu não deixo ele te machucar.
- Promete? — mordeu o lóbulo da minha orelha.
- Prometo. Até parece que eu vou deixar fazerem mal ao meu namorado lindo e gostoso — belisquei seu mamilo.
- Hm. Fico feliz com isso — lambeu meu pescoço, deixando uma trilha de saliva por onde a língua passava.
Enlacei minhas pernas em torno da sua cintura, trazendo-o para mais perto. Minha mão adentrou por sua camiseta e deslizou por suas costas, arranhando de leve.
- Yuu, jura que me faz seu essa noite? Eu preciso te sentir dentro de mim.
- Uau. Pedindo desse jeito fica difícil de resistir.
- É sério, meu anjo.
- Eu sei, amor. Hoje à noite nós vamos ter uma transa inesquecível.
- E eu tenho certeza que vou adorar.
- Sem dúvida alguma. Eu vou meter em você com força, bem rápido e fundo, e vou te fazer gritar de prazer — sussurrou ao meu ouvido.
Gemi languidamente e me remexi sob seu corpo, sentindo uma ereção ameaçar se formar entre minhas pernas.
Aoi percebeu meu pequeno problema e sorriu malicioso.
- Não sabia que você gostava de sexo verbal.
- Eu gosto de tudo que venha de você — ofeguei rente à sua orelha.
- Ei, de onde vem tanto apetite sexual?
- Eu já falei. Quase três meses sem sexo.
- Tem certeza que você não é ninfomaníaco?
- Até onde eu sei, não.
- Estou começando a duvidar seriamente disso. Nem parece que você me comeu ontem.
- Por mim eu te comeria todo dia.
- Já desistiu de ser uke?
- Não. Mas ser seme também é muito bom.
- Tudo bem. Eu também gosto de ser seu neko-chan.
Dei um soco leve em seu braço, fazendo-o rir.
- Para de fazer isso comigo, Yuu! Eu ando muito sensível nos últimos dias.
- Estou sentindo sua sensibilidade bem aqui embaixo. Precisa de algo, Kou-chan?
Respirei profundamente, tentando acalmar meu coração.
- Só que você pare de me provocar. Nós temos que ir pra PSC, lembra?
- Quem quis ficar mais tempo aqui foi você — acusou.
- Eu ainda preciso ir pra casa, tomar banho e me trocar, Yuu. Fora que eu só saí com a carteira e as chaves.
Ele suspirou, resignado.
- Ok. Vou te liberar só porque eu sei que o caso é sério e você demora horas pra se arrumar — rolou para o lado, fazendo um biquinho adorável.
- Para de drama, amor. Daqui a pouco a gente se vê — beijei-o calmamente, aproveitando o momento para puxar seu piercing de leve, seus lábios deixando um breve gemido escapar.
Me levantei e caminhei em direção à porta.
- Até mais.
- Até... Uru?
- Sim?
- Você vai estar com as coxas de fora nessa turnê?
Prensei o lábio inferior entre os dentes, tentando me lembrar da conversa que eu havia tido com Ruki sobre os figurinos.
- Não. Por quê?
E um sorriso completamente malicioso se desenhou em sua face.
- É só que eu não quero misturar vida profissional com a pessoal... Seria muito ruim se você aparecesse com as coxas marcadas, não acha?
Retribuí o sorriso à altura.
- Concordo plenamente — mandei um beijo com a mão e decidi sair logo de lá, antes que eu cedesse à tentação.
A noite com certeza promete.
U&A
" Takashima Kouyou, você está atrasado! "
Mensagem do Kai. Ele estava puto, exatamente como Aoi me alertara.
Mas eu simplesmente não tinha culpa de ter ficado preso no trânsito!
" O trânsito está parado. Estou a dez minutos daí."
Meu celular tocou. Era Yuu.
- Amor, diz pro Kai que a culpa não é minha.
- Nós sabemos, Kou. Apenas me passe a sua localização exata que eu já estou indo te buscar.
- Está de moto?
- Vou pegar a do Reita.
- E meu carro?
- Larga no acostamento.
- Mas vão guinchar!
- Antes um carro guinchado do que um líder querendo te estrangular.
Me dei por vencido e passei o endereço rapidamente, desligando logo depois. Encostei o carro no acostamento e desliguei o motor, era melhor esperar ali dentro.
Aoi chegou menos de dez minutos depois, estacionando ao meu lado.
Desci do carro e coloquei o capacete que ele me estendia, subindo em sua garupa em seguida.
Não nos falamos em nenhum momento durante o curto trajeto, já que Yuu pegou um atalho que nos fez chegar em cinco minutos.
- Obrigado — agradeci assim que entramos no elevador.
- Acho que nós invertemos os papéis, Kou. Eu é que te salvei.
- Meu herói! Só não te dou um beijo agora porque eu estou morrendo de medo do Sr° covinhas.
- A bronca vai ser séria — avisou.
- Estou me preparando psicologicamente.
As portas se abriram e nós saímos da caixa metálica, indo para a nossa sala.
Girei a maçaneta, me deparando com um Kai de braços cruzados.
- Vinte minutos de atraso, Uruha!
- A culpa não foi minha!
- Se você tivesse saído de casa mais cedo isso não teria acontecido — rebateu.
- Ele estava comigo — disse Aoi.
- Irresponsabilidade dupla então! Eu não chego atrasado, Reita e Ruki não chegam atrasados, por que diabos vocês dois podem ter esse privilégio?
A porta foi aberta mais uma vez, revelando um Nao extremamente sorridente.
- Ohayo, minna! Kai-chan, eu consigo ouvir sua voz lá de fora — abraçou nosso líder, selando-lhe os lábios. — Por que tanto stress?
- Esses dois — apontou-nos — ficam namorando ao invés de chegarem no horário pra trabalhar.
O baterista riu, negando com a cabeça.
- Meu amor, logo vocês vão entrar em turnê, é normal que os rapazes queiram aproveitar. Afinal, nós deveríamos fazer o mesmo — sorriu safado.
Kai corou violentamente, sorrindo desconcertado.
- Nós vamos aproveitar, Nao-chan — acariciou o rosto do garoto.
- Ótimo. Vou deixar vocês trabalharem em paz — se ergueu nas pontas dos pés para dar um beijo cinematográfico no namorado.
Yuu franziu o cenho, claramente incomodado, e abraçou-me, escondendo o rosto na curva do meu pescoço.
Só pude rir da cena, apertando sua cintura e acariciando-lhe os cabelos.
- Já acabou, Aoi. Pode parar com a viadagem agora — disse Ruki.
Ele se afastou cautelosamente.
- Eu não gosto de ver dois homens se agarrando.
- Você namora um homem — disse Kai.
- Mas eu não gosto de homens, eu gosto do Kou!
- Que tem um pinto no meio das pernas como qualquer um de nós — reforçou o chibi.
- É diferente, koi. Eu também não me considero homossexual por namorar com você — disse Reita.
Ruki estalou a língua.
- E qual é a diferença?
- A diferença é que você é o fruto mais suculento da árvore, amor.
- É mais ou menos assim que eu me sinto — disse Yuu.
- As histórias são parecidas, Ru-chan. É normal que ambos pensem da mesma maneira — assinalei.
Kai bateu palmas, chamando a nossa atenção.
- Nós temos que ensaiar, lembram? Em menos de um mês a Venomous Cell vai começar.
Ruki bateu continência, nos fazendo rir.
- Certo, general. Vamos ensaiar.
Assumimos nossas posições de costume e então o trabalho finalmente começou.
U&A
- Pausa pro almoço — anunciou Kai.
- Que bom. Eu estou morrendo de fome — reclamou Reita.
- Somos dois — disse Aoi.
- Bom, eu vou almoçar com o Nao-chan. Vejo vocês depois.
O "huuuummmm" de zuação na sala foi geral, fazendo nosso líder corar.
- Vão se ferrar! -e saiu, sem maiores explicações.
- E então, almoço entre casais? — questionou Akira.
- Hai. Podíamos ir naquele restaurante aqui perto, é bem reservado — respondi.
- Vamos indo então? — perguntou Yuu.
- Podem ir na frente, eu preciso ter uma conversinha com o Ruki.
Meu namorado franziu o cenho.
- Você vai demorar?
Beijei seus lábios repetidas vezes, visando acalmar o ciúme que eu sabia que ele estava sentindo.
- Não. É papo rápido.
Reita puxou-o pelos ombros.
- Vamos logo, Aoi. Deixe as meninas conversarem em paz.
- Eu te mostro quem é a menina quando nós chegarmos em casa — debochou Ruki com um sorrisinho sádico.
- Eu vou adorar, chibi. Tchau pra vocês.
Esperei que eles saíssem e me larguei no sofá, sendo imitado por Taka logo depois.
- Qual é o assunto?
Suspirei.
- É sobre o desafio.
- Você ganhou?!
- Não! Na verdade... Yuu está apaixonado por mim.
- Isso é bom.
- Só tem um problema, Ru-chan.
- Qual?
- Eu também me apaixonei.
Ele pressionou o dedo indicador contra os lábios.
- Isso também não é bom?
- É ótimo! Mas... E o desafio?
Meu amigo riu.
- Você perdeu, Kou-chan. O feitiço virou contra o feiticeiro.
Sorri.
- Eu não me importo. Estou feliz com o Yuu, e completamente apaixonado por ele.
Recebi dois tapinhas no ombro.
- Então declaro o seu desafio de conquistar Yuu oficialmente terminado.
A porta se abriu com violência, revelando nossos namorados encostados ao batente, ambos com expressões diferentes no rosto, mas carregando a mesma incredulidade no olhar.
Yuu estava com os olhos cheios d'água, completamente abatido.
- Como é que é?!
Notas finais
Reviews e chocolate me fazem feliz *-*
Até segunda amores.
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