Jeyne
8 A voz da esperança
Notas iniciais
Naquele dia Jeyne acordou depois de uma noite terrível e não teve vontade nem de se vestir, não iria adiantar de nada, quando Ramsay chegasse teria que se despir novamente, apenas se aconchegou nas peles de lobo que estavam espalhadas pelo quarto e ficou se lembrando dos bons tempos do passado.
Lembrou de Sansa e das tardes que passaram comendo tortas de limão e falando sobre garotos e canções. Lembrou até de Arya, sendo que ela nunca havia sido muito amiga da menina. Mas no presente momento sentia inveja de Arya. A menina provavelmente estava morta e não sentia mais dor. Estava bem melhor que ela.
Naquele dia, a menina sentia uma coisa estranha em seu coração. Tinha a sensação que alguma coisa iria mudar. Uma pequena esperança vinda não se sabe de onde parecia querer achar espaço em seu coração que era só dor e sofrimento. Ela não deu muito espaço.
Ainda estava enrolada nas peles quando ouviu um barulho na porta. A menina gelou, pois sabia que eram as servas que viriam lhe dá banho. Isso não queria dizer coisa boa.
Quando a porta se abriu uma fraca luz invadiu o quarto que estava quase na completa escuridão. Jeyne continuou escondida nas peles que aqueciam seu corpo. Nem se deu o trabalho de olhar para quem entrava.
– Senhora- era a voz de Theon lhe chamando. Ela reconheceu- Não tem necessidade de se esconder. Elas são amigas.
Jeyne se virou. Foi somente nesse momento que ela reparou que Theon estava acompanhado de mulheres que ela não conhecia. Não eram as típicas servas.
– Senhora Arya. — Uma das mulheres aproximou-se. Ela tinha o rosto um pouco nervoso — Tendes de vir conosco, e depressa. Viemos levar-vos ao vosso irmão.
— Irmão? — Jeyne pensou que aquilo somente poderia ser mais um dos jogos de Ramsay. Ele estava a testando. Por isso resolveu dizer o que pensava que ele gostaria de ouvir. — Eu... eu não tenho irmãos.
. — É verdade — disse Theon . — Mas em tempos já teve irmãos. Três. Robb, Bran e Rickon.
–- Eles estão mortos. Agora não tenho irmãos. – falou Jeyne já quase chorando. Se aquilo era um jogo queria que acabasse logo.
— Tendes um meio irmão — disse a mesma mulher de antes — O Lorde Corvo.
— Jon Snow? – perguntou Jeyne ainda querendo chorar, se lembrando do que Sansa falava do meio- irmão
— Nós vamos leva- lá a ele, mas tendes de vir imediatamente. – falou a mulher com voz ansiosa tentando se aproximar de Jeyne
Jeyne puxou as peles de lobo até ao queixo e falou com voz desesperada e fina. Queria que aquele jogo acabasse e que Ramsay tivesse certeza de que ela estava do seu lado:
— Não. Isto é um jogo qualquer. É ele, é o meu... o meu senhor, o meu querido senhor, ele enviou vocês, isto é só um teste qualquer para se assegurar de que o amo. Amo, amo, amo-o mais do que qualquer coisa. — Uma lágrima escorreu-lhe pelo rosto. Mas amarga que as outras— Dizei-lhe, vocês tem de dizer. Eu faço o que ele quiser... tudo o que ele quiser... com ele ou... ou com o cão ou... com os soldados...por favor... ele não precisa de me cortar os pés, eu não vou tentar fugir, nunca, eu dou-lhe filhos, juro, juro...
Jeyne estava chorando em silêncio. Pensou que após ouvir tudo aquilo as mulheres e Theon fossem a deixar em paz e que Ramsay não a castigaria.
— Que os deuses amaldiçoem o homem. – falou a mulher
“Os deuses não são bons. Nunca fazem nada contra ele” pensou Jeyne se lembrando de quanto havia pedido para eles a salvarem. Mas o que disse foi:
— Eu sou uma boa garota — falou Jeyne choramingando. — Eles treinaram-me. Eles...
— Alguém que a faça parar de chorar. Aquele guarda era mudo, não surdo. Eles vão ouvir. — falou uma mulher com cara muito irritada. A mesma mulher também ordenou que Theon a colocasse de pé.
Theon se aproximou dela e falou com voz doce:
— Tu conheces-me. Sou Theon, tu lembras de mim. Eu também te conheço. Sei o teu nome.
— O meu nome? — Ela abanou a cabeça. Fazia tanto tempo que ela não usava seu verdadeiro nome que ela até pensava que um dia iria o esquecer — O meu nome... é...
Theon colocou um dedo sobre os lábios.
— Podemos conversar sobre isso mais tarde. Agora precisa ficar calada. Vem conosco. Comigo. Vamos te levar daqui. Para longe dele.
Os olhos dela esbugalharam-se.Nasceu uma pequena espanca em seu coração e ela falou com voz triste. Implorando como fez tantas vezes:
— Por favor. Oh, por favor
Theon segurou sua mão e a tirou de debaixo das peles. As mulheres pareceram chocadas quando viram as marcas que tinham no corpo de Jeyne. A menina até ouviu uma delas suspirar.
Depois disso Theon a ajudou a se vestir de forma rápida. Ela usou as roupas que pertenciam a uma outra mulher que iria ficar no quarto no lugar dela. Durante todo tempo as mulheres e Theon conversavam. Mas Jeyne mal os escutava. Apenas ouvia a voz dentro dela que dizia que tudo ia acabar mal. Que tudo era apenas mais um jogo cruel de Ramsay. Que ele estaria os esperando do lado de fora do quarto. Porém essa não era a única voz que a menina ouviu. Havia outra ainda mais forte. Uma voz que ela não ouvia há algum tempo. A voz da esperança.
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