Jeyne
9 Frio e temores
Notas iniciais
Jeyne estava morrendo de frio apesar de está bem agasalhada. Ela tentava ficar o mais perto possível de Theon. A presença dele a deixava um pouco mais calma. Tanto que ela pediu diversas vezes para que ele não se afastasse.
Eles passaram sem grande dificuldade pelos guardas que estavam na porta do quarto. Eles mal olharam para ela que estava disfarçada de uma das servas. Seu rosto estava oculto com um capuz para que o disfarce fosse ainda mais eficiente.
Enquanto saia do quarto Jeyne pensava na menina que ficou no seu lugar. Ficava preocupada com o que poderia ocorrer com ela, apesar da menina ter dito que daria um jeito de fugir dali, pois segundo ela era muito boa de escalar e escapar. Mas mesmo assim Jeyne se preocupava. Não desejava que ninguém sofresse como ela sofreu.
Ela sentia cada vez mais calafrios. O medo e o nervosismo a deixavam com frio e a faziam tremer. Jeyne não temia somente ser pega por Ramsay e pela segurança de menina. Temia o que ocorreria quando Jon Snow percebesse que ela não era Arya Stark, sua irmã. Jeyne sabia que aquelas mulheres do povo selvagem foram mandadas por ele para resgatar Arya Stark e não ela. Sabia que ele ficaria decepcionado e tinha medo do que ele poderia fazer.
Jeyne tentava se acalmar dizendo que ele não lhe faria mal. Pelo que ela se lembrava de Jon ele era gentil. Mas mesmo assim...
Ela estava tão perdida em seus pensamentos que nem reparou para onde estavam a levando. Além disso de cabeça baixa não conseguia ver as coisas ao redor. Quando se deu conta eles já estavam no coração de Winterfell. Relativamente longe da torre onde ela era mantida presa o tempo todo.
Um nervosismo maior tomou conta dela. Ela ficou tanto tempo presa naquele quarto que saber que estava tão longe a deixou ainda com mais frio. O frio era tanto que ela acabou sussurrando para Theon:
–Estou com muito frio.
Ele nada disse, apenas a olhou de uma forma calma, mas Jeyne conseguia ver o medo em seu olhar.
Theon conversou alguma coisa com as mulheres e elas se separaram. Somente duas ficaram com eles. Isso a deixou ainda mais nervosa. A idéia de que tudo era um jogo começou a ficar mais forte. Mas eles já haviam ido longe demais... Por isso continuou sem falar nada.
Eles seguiram até que foram parados por guardas que perguntaram o que eles queriam no portão das Ameias. Theon respondeu:
— Sou eu, Theon Greyjoy. Eu... eu trouxe para vocês umas mulheres. – falou apontando para as servas.
— Vós, pobres rapazes, deveis estar gelados — disse uma delas que Jeyne ouviu ser chamada de Holly. — Anda cá, deixa-me os aquecer. — Ela passou pela ponta da lança do guarda e levou a mão à sua cara, lhe plantar um beijo na boca. E quando os lábios se tocaram, a lâmina dela deslizou através da carne do pescoço dele, logo abaixo da orelha. Havia sangue nos lábios de Holly quando deu um passo para trás, e sangue pingava da boca dele quando caiu.
Jeyne ficou em choque diante dessa cena. Teve que se segurar para não gritar. Mas quando o segundo guarda, que estava ainda de boca aberta, tão perplexo quanto ela, gemeu ao ser morto por um golpe profundo na barriga, a menina não agüentou. Gritou forte. Um grito agudo e estridente.
— Oh, grande droga — disse uma das mulheres morta de raiva. — Aquilo vai fazer os outros guardas caírem sobre nós. Corram! Corram!
Theon não pensou duas vezes, tapou a sua boca com uma mão,a agarrou em volta da cintura com a outra, e a fez passar pelos guardas mortos e moribundos, pelo portão. Enquanto era levada por ele, Jeyne ouviu barulhos de passos apressados, de alarmes e até de uma trombeta sendo assoprada. A situação estava difícil. Tanto que uma das mulheres disse que iria ficar para trás, com objetivo de tentar atrasar os soldados que vinham atrás deles.
Então em desespero, ela, Theon e Holly continuaram o caminho. Quando chegou em uma escada Theon a colocou em seus ombros e subiu correndo. O desespero era tanto que ele chegou a cair, nesse momento se não fosse por Holly, eles teriam ficado lá mesmo. Mas eles conseguiram chegar as ameias.
— Para onde? — gritou Theon com voz desesperada a Holly. — Para onde vamos agora? Como é que daqui saímos?
A fúria que estava presente na cara de Holly desde o momento em que Jeyne gritou se transformou no mais puro horror. Em desespero ela disse tropeçando nas palavras que não sabia o que fazer, pois a corda que seria usada para descer a muralha estava com a outra mulher, a que havia ficado lutando. O desespero aumentou ainda mais quando uma flecha atingiu Holly na altura da barriga. Ela não teve tempo de esboçar qualquer reação antes de cair morta na frente deles.
Jeyne ficou tão em choque que nem conseguiu gritar. Apenas olhava para o corpo sem vida de Holly e se sentia culpada por ter gritado naquela hora. Mas Jeyne não sentia somente culpa, sentia medo, pois a flecha era um sinal de que os soldados estavam perto.
Theon estava tão nervoso quanto ela, ou talvez até mais. Olhava para os lados e não sabia o que fazer. Estavam cercados. Depois de um tempo começaram a ouvir latidos de cachorros e sabiam o que isso significava. Se eles não fizessem algo iriam voltar para as mãos de Ramsay.
Uma flecha passou a centímetros da cabeça de Theon. Jeyne ficou desesperada. Já havia sofrido muito e não iria agüentar ficar sem Theon. Mas essa flecha teve um lado bom, pois foi ela que fez Theon agir. Ele a pegou pela cintura e fez os dois saltaram da muralha de Winterfell.
No momento em que saltaram Jeyne pensou que iriam morrer. Sentiu uma estranha calma por isso. A morte significava um fim dos sofrimentos e que finalmente eles teriam paz. Além disso se sentia feliz de não morrer sozinha.
Mas eles não morreram na queda...
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