Jacob Black's happy ending
1 Oneshot I - MissBlack Wolfie
Notas iniciais
–Jake... – o sussurro em meu ouvido fazia meu corpo arrepiar, despertando-me com a sensação de calor a invadir cada músculo. Gostava de quando ela fazia isso, fico quieto só porque gosto de ser mimado. –Jake. – Agora o som tinha um carinho junto lento e preguiçoso na linha do meu braço até meu pescoço. – Sei que você esta acordando meu lobo.
Sim ela sabia, ela conhecia tudo que havia em mim, lado bom, esse que a ama intensamente, aquele de ruim, meus defeitos, minhas dores. A minha história de leste a oeste ela conhecia, soube respeitar e amar. Foi ela que me ergueu, mostrou o amor de verdade, aquele construído sem dor, sem cobrança.
Ao abrir meus olhos vi o rosto da dona hoje do meu coração,cincoanosjá passadosainda me assombro com a cor de sua íris verde claro, uma cor nunca por mim vista antes. Sempre compreensíveis mesmo em meio sua rebeldia e força. Quando a vi pela primeira vez, na minha fuga logo depois do meu ferimento na batalha contraos sanguessugas, onde pra salvarLeahquase perdi a vida tendo meus ossos do lado direito completamente esmagados, fiquei assombrado com sua figura como um todo, mas seus olhos. Foram eles que me cativaram que permitiu abrir meu coração, mesmo ferido ela aceitou.
Estava em casa com humor pior do que uma tempestade cheia de raios e trovões, com dor incomodando e piorando meu estado de ânimo, não queria ficar mais dopado com morfina, que quase não me ajudava. Já que estava arrasado emocionalmente, afinalBellatinha decidido pelo idiota do Edward,ia casar com ele,mesmo sabendo que também meamava,mesmo me beijando de maneira intensa e verdadeira, mesmo depois de sua visita aqui no meu quarto assumindo que somos um tipo de alma gêmea. Nada a fez mudar, ela já havia decidido pelo vampiro. Entãonão me importava quasenadacom as pontadas dos ossos em movimento, na verdade até me distraia do caco do meu amor negado.
Eu era o poço do mau humor, ficava lá dentro nem percebia o que acontecia ao meu redor, ninguém queria ficar perto de mim, até eu se pudesse evitaria a mim mesmo. Assim um dia deitado em meu quarto remoendo a minha tristezaescuto ao longe alguém chamar na porta com famoso “Alguém em casa?” junto com bater na porta. No primeiro momento aquele som insistente me despertou dos meus devaneios, logo em seguida me irritou porque não parava.
A voz feminina eu não conhecia, nunca tinha a ouvido, talvez fosse de alguma amiga de Rachel. Esperei mais um poucopensando quealguém atenderia, porém ela continuava com os ruídos, agora acompanhada do abrir de porta da sala. A visitante estava dentro da minha casa, podia farejar o medo e irritação dela.
– Olá? Tem alguém ai? – a voz era levemente aguda, nada irritante e sim meio musical.
Saindo do meu estado de estupor percebi que estava sozinho em casa, nenhum bater de coração escutava além do meu e da estranha, percebi também que caia um temporal típico da região, forte e com gotas pesadas.
Levantei gemendo de dor, fui mancando até a sala, haviatrêsdiasdo meu acidentenão precisava usar mais ataduras, ainda doía um pouco ao me locomover. Ao chegar ao cômodo vi figura pequena de costa, usava umsobretudomarrom que escorria água,fazendo um pequena poça em seus pés, esses usandobotas pretas de cano alto junto uma calça jeans, os cabelosestavam escondidos num gorro verde escuro. Ela estava tão distraída que nem percebeu minha presença, sua atenção estava presa em olhar o temporal pela janela, esfregar as mãos para se aquecer e reclamar “Droga de carro velho! Não tinha que morrer agora. Como vou seguir viagem?”
– Como você invade a casa de estranhos assim? – perguntei com a voz mais rouca que o habitual. Fazia quase 20 horas que não usava minhas cordas vocais.
Em resposta veio um grito de susto junto com sobressalto dela virando para minha direção. Então pude ver olhos dela pela primeira vez, eram verdesclaros, bem clarosmesmo, nunca tinha visto aquela cor, seu rosto branco com bochechas avermelhadas como a ponta do seu nariz, também havia ali umas sardas. Ainda tinha um componente a mais depois do susto, com direito a coração disparado e mãos sobre o peito, seu olhar se tornou afiado e desafiador, era do tipo guerreiro.
– Nossa! – o tom era de raivaum pouco agudo. – Que susto você me deu!Falta de educação chegar sem fazer barulho assim e quase me matar do coração.
– Você esta invadindo minha casa. –rebati rapidamentecruzando os braços.
– Eu pensei que estava vazia, afinal ninguém respondeu meu chamado na porta. – suas mãos esfregavam em seus braços para aquecer.
– Isso deu direito de você entrar sem ser convidada?– eu estava chocado com cara de pau dela de ficar irritada comigo enquanto era ela que estava aqui sem ser convidada.
– Está tendo um dilúvio lá fora. –sua mão direitaapontou para fora, quase não se via muita coisa devidoachuva grossa. – Meu carro quebrou, busquei ajuda aqui, não tinha ninguém, a porta estava aberta, eu entrei só para esperar. Não sou uma ladra, pode ter certeza.
– Educada você também, não é? – ralhei indo para cozinha pegar uma água.
– Bem, educação também não parece o seu forte, não é? – a ironia dela me irritou mais ainda.
Respirei fundo abrindo a geladeira, que protestou num leve tilintar dos vidros pela minha força. Peguei o litro e virei na boca. Depois de um longo gole, onde foi consumido quase meio litro, voltei caminhando até a sala com intuito deir para o quarto, mas minha “convidada” me parou com comentário;
– Ah obrigada por ofereceralgo para beber ou até ajuda.– pelo jeito cinismo e provocação faziam parte do seu repertório.
A encareino momento que ela tirava o gorro balançava os cabelos cacheados vermelhos, a beleza dela era evidente, totalmente exótica. Mas eu não consegui ser atingido por issonaquele momentopor estar totalmente desolado.
– Você invade a minha casa e ainda quer minha hospitalidade e educação? – ri irritado.
– O que aconteceu com você? Que bicho te mordeu para você estar tão irritado com mundo? – ela estava ficando nervosa, aquilo era injusto. – Jásei,uma menininha não se encantou com sua linhabadboy mal humorado? Você acha que tem todo sofrimento do mundo por isso.
Aquilo foi o limite de tudo que estava sentido, ali estava uma pessoa nuncavi,me julgado sem conhecer nada sobre mim. Eu estava destruído emocionalmente e não precisava de nada daquilo.
– Você não me conhece. Na verdade você não conhece nada da vida. – acusei.Meus pensamentos estavam rodando frenéticos na minha mente, todos voltados a mágoa pesada dentro de mim. Eu só queria oferecer meu amoramenina amada por mim, queria ela viva, queria não ter esse mundo sobrenatural, queria ser amado. Não, não erajusto essa garota mal educadavim aqui fazer suposições.
– Ah é? Por que não me conta senhor magoado?– Balancei a cabeça negando aquele pedido, segurando a onda que se formava de ódio dentro de mim. Aquela estranha estava levando meu limite de paciência, algo que não possuo com fartura, ainda mais últimos dias. -Porque isso você é. Sua cara diz isso.
Droga, essa garota não iria desistir, já sentia a raiva me contaminando, acelerando meus pensamentos de abandono, os sentimentos ruins devido a minha condição amorosa também não estavam ajudando. Uma bomba perigosa estava se formando dentro de mim, que iria resultar meu lobo, já sentia os tremores da transformação.
– Vai ficar me olhando com cara de bicho? Parece que você vai me atacar. – Não havia medo na sua voz e sim irritação. – Eu vim aqui para me proteger da chuva, meu carro quebrou, meu celular acabou a bateria. MalditosSmartphone!Eu preciso ir até hoje a Vancouver para me matricular na faculdade.Então hoje não está fácil para mim,desculpa se eu perturbei sua fossa.
A voz dela como também ela ali jogando problemas bobos e imbecis em mim,me fizeramcortá-la no meio do monólogo dela.
– Você sempre faz isso? Invade casa de estranhos e aponta dedos para eles? –Minha voz saiu raivosa.Aquela garota estava me irritando. Anos mais tarde rimos disso.
– Eu preciso de ajuda... – ela usou um tom de explicação cansada. Aquilo foi demais para mim,a corteino meio da frase com um grito:
– EU preciso de ajuda.
Ela parou de falar me encarou boquiaberta. Depois ela me confessou que foi nesse minuto que ela viu o quanto eu sofria por algo muito profundo. Acho que pelo fato dos meus olhos encherem de lágrimas e minha vozembargara paralisou momentaneamente.
Ficamos nos olhando por alguns segundos, mais do que aceitável para educação do espaço particular, mais do que estranhos normalmente se olham, mais íntimo do que deveria. Ela respiroufundoe perguntou com calma:
– Você já conversou com alguém sobre sua dor?
– Não te interessa. – falei entre dentesescondendo meu rosto para o lado.
Isso não a intimidou, na verdade a encorajou a sentar no meu sofá.
– Uma hora você terá que encarar o que está sentindo, não adianta engolir tudo.
– Quem é você? – perguntei incrédulo e totalmente achando aquilo tudo bizarro. – Alguma louca que entra na casa dos outros sem ser convidada e fica chateando?
– Meu nome éLydiae o seu? – a calma dela começou a me inervar mais, porque sentiaminhas barreiras tremendopara serem destruídas, era primeira vez que alguém estava disposta a me ouvir. – Vamos! Você precisa conversar com alguém.
– Você é realmente louca. – ri incrédulo daquela situação bizarra.
– Ei, sou uma estranha não vou lhe julgar. Só quero te ajudar porque tenho mania disso,minhas amigas vivem me lembrando “Lydia, você não pode salvar o mundo.”
– Duvido que elassaibamdessa sua mania de invadir a casa dos outros. – rosnei. Mas ela não seintimidou,pelo jeito nada é capaz disso.
– Olha sei como é ruim ficar remoendo mágoa, por isso estou de oferecendo meu ombro e ouvido. Também para pagar o fato de me hospedar, mesmo contra sua vontade, em sua casa a espera dessa tempestade. O que você tem a perder?
Novamente nossos olhares se encontraram, ali estavaaporta aberta para começar expurgar a minha dor, para me reconstruir. Também vi outra coisa: havia dor naqueles olhos verdes, muita coisa tinha passado com aquela menina que parecia ser mais velha do que pouco mais de dois anos.
–Cara, isso não vai passar se você não conversar. Sei que é difícil falar com quem está do nosso lado, temos medo do que vão pensar da gente. Acredite em mim, vai ser melhor se você falar. Vamos, sente aqui. Não vai doer.
– Como você sabe? – a dor estava querendo sair, meu coração estava cansado como eu.
– Pode não parecer, mas merdas acontecem na vida de todo mundo. – ela riu derrotada, algo ela lembrava. Respirou fundo e voltou a insistir. – Se você começar a falar e não se sentir bem, podeparar.
Sentei ao lado dela começando a me render.Atanto tempo não tinha alguém para mim, alguém que quisesse cuidar de mim. Além, aquela estranha me inspirava uma confiança nem sei bem da onde, acho que foi a oferta de ajuda, foi o estender de mão:
– Meu nome é Jacob Black, todos me chamam deJake.
– ObrigadaJakepela sua casa como abrigo. – A educação polida dela me fez rir. – O que você pode me contar sobre você?
– É muito complicado.
– Sempre é. Na verdade sempre pareceser,ainda mais em nossas mentes.
– Você é algum tipo de psicóloga? – isso a fez rir levemente.
–Frequentei alguns semestres. Sei como o processo funciona, sei que no fundo todos nós queremos ser ouvidos. Vamos me conte, eu quero te ouvir e não vou te julgar.
Foi ali naquele sofá, com a chuva ao fundo comecei abrir a minha alma e meu sofrimento. As palavras jorravam da minha boca, só controlei o fato do sobrenatural, não queria assustá-la mais ainda. Ela escutou tudo com atenção carinhosa, perguntando quando preciso para eu continuar a falar. Não sei quanto tempo eu falei, nem sei quando as lágrimas escaparam dos meus olhos. Só sei que falar realmente era libertador.
Depois de despejar tudo conseguir ter noção de queBellarealmente nunca me amou nem perto do que eu a amei, eu só fiz mal a mim mesmo.Lydiacom toda paciência do mundo ao finalme aconselhou “amor constrói, não destrói nada, muito menos nós mesmos.” E ainda “Vai doer, vai ser difícil, mas você não está sozinho”.
E assim começou uma amizade, um processo de curar desse amor louco que sentia porBella, demorou muito, ainda tenho cicatriz dele em meu peito. Foi difícil receber o convite de casamento,quis fugir,Lydianão me impediu, na verdade me chamou para ficar com ela em Vancouver.
Fiquei lá até um dia antes da data da festa,foiuma decisãodifícilem irao casamento, porémLydiafalou que seria importante para ter um fechamento, achei meio bobo aquilo, a verdade é que eu sentia medo de abrir essa ferida. Minha nova amiga foi comigo, ficandoao meu lado, como um anjo mesmo.Tive uma dança comBella, foi bom ter essa última imagem dela, linda e viva, mas também foi doloroso demais em saber que era última vez. Sai arrasado, ainda mais queBellanão conseguia ver a loucura estava jogando a vida dela.
Lydiaficou comigo o tempo todo e falouafrase que resumiu “Jake, essa é a escolha dela. Não podemos salvar quem não quer ser salvo”. Fui incorporando essa verdade comolei na minha vida, afinal não temoscontrole sobre outro só de nós mesmo. E o tempo passou, fui me curando, fui experimentando um novo amor.E o amor pela minha antiga amiga foi minguando, foi ficando sufocado pelo amor novo que surgia por aquela ruiva de sorriso leve e inteligência aguçada. Um amor que constrói a cada dia, que não é fácil como respirar e mesmo assim é tão real e intenso quanto.
Nunca tive medo de ser eu perto deLydia, que aceita meu jeito de ser e eu o dela, sempre astuta e brigona pelas opiniões dela. Quando contei a ela sobre minha condição lupina, ela ficou em choque e falou “Nenhuma droga que já tomei na vida me deu tal viagem”.
Ela também expôs seu passado doloroso: havia sido abusada na infância, sentia culpada com isso mesmo sendo vítima, então ela começou desde muito cedo a tomar calmantes para dopar sua dor, ao perceber isso sua mãe a colocou em vários terapeutas, somente um conseguiu a salvar.
“- Eu sei tudo sobre processo de dor. Você está com uma especialista”.
Nosso amor é daquele tipo calmo e gostoso, onde não é preciso fingir estar bem, basta ser você com suas loucuras, dores e sentimentos. Estamos um para outro, sabendo cada dia é um novo começo, aprendi ao final que amar é cuidar e não ferir, que àsvezes amamos uma pessoa que ama outra e deixá-la ir é um ato de amor com ela e com a gente, afinal ficar preso em algo que lhe fere não há lógica só sofrimento.
Ontem vimosBellacom marido dela e a filhapasseando emForks. Assumo tomei um susto ao ver o tamanho da criança e saber que vampiros podem ter mestiços.Mas aquilo não era problemameu, e simda matilha, que eu negava em assumir como alfa, deixa pra Sam que gosta do posto. Eu quero viver a minha vida comLydiacalma e tranquila na medida do possível.
Senti uma emoçãoboade saber que aquela pessoa que um dia amei estava feliz na escolha delae eu na minha, hoje ela é uma estranha, minha inimiga natural, caminhos diferentes seguimos e assim é a vida, nem sempre os caminhos são os mesmos, novos surgem, podem ser bem melhores que os anteriores, pelo menos foi assim no meu caso.
Fale com o autor