Jacob Black's happy ending
2 One Shot II- Leh Black
Notas iniciais
Jake P.O.V.
Vazio. Era só um que eu sentia, um vazio enorme. Eu ainda podia ouvir a voz característica de sanguessuga, que agora era também característica da minha Bells.
Por que ela escolheu ele? Por que escolher a morte quando ela poderia ter escolhido a mim? Seria fácil como respirar...
Há meses estou nesse estado de "depressão" como diz o bando, ainda que eu ache puro exagero.
–Jake você não acha que está na hora de superar a Bella?
Me encolhi ao ouvir seu nome.
–Me deixa em paz, pai! — respondi nervoso
– Teremos visita hoje espero que você tenha a educação de cumprimentá-los.
– Diga que não estou aqui.
–Jacob Black você deveria estar cuidando da matilha e não sofrendo por alguém que não te quis.
Comecei a tremer violentamente.
– Sai.do.meu.quarto!
– Só acho que você deveria começar a pensar mais em você. — sussurrou antes de deixar meu quarto
Uma lágrima rolou pela minha bochecha caindo no travesseiro. Eu queria tanto simplesmente dizer para a dor parar e achar enfim a minha felicidade, mas eu não conseguia sair desse meu estado.
Ouvi o som de portas de carros sendo abertas e fechadas e logo ouvi meu pai:
– Lucas! Quanto tempo meu amigo!
– Billy, como você cresceu! — brincou o visitante
– Ah vem cá que vou te mostrar o quão grande meus bíceps ainda são! — ambos riram — E quem é essa moça linda?
– Prazer sou Lunna! — uma voz doce respondeu
– Minha nossa eu me lembro de você pequenininha na maternidade e olha você agora!
– E seus filhos Billy? — perguntou Lucas
– Rebecca está morando no Havaí com o marido, Rachel deve estar com o noivo, daqui a pouco eles chegam e Jacob… — suspirou — Ainda tentando remendar o coração. Ele não sai do quarto há dias.
Ugh. Será que meu pai tinha que detalhar a todos o que havia acontecido?!
– Querem conhecer a minha área de churrasco?
– Claro! — respondeu o homem
– Hum, Billy onde fica o banheiro?
– Segunda porta a esquerda.
– Obrigada.
– Nos vemos lá fora.
– Okay.
Ouvi passos no corredor e a porta do banheiro se abriu, pouco tempo depois a garota saiu de lá mas ao ivés de seguir em direção a sala ela parou em frente a minha porta. Seu coração estava acelerado, ela sabia que estava errada em querer invadir meu quarto.
– Vai embora! — resmunguei
Ouvi-a dando um passo para trás, mas segundos depois a porta se abriu e fechou.
Eu senti seu cheiro dominando meu quarto, era algo como rosas vermelhas e lírio, simplesmente inebriante, ela sentou-se no chão em frente a minha cama, eu permaneci calado com a cabeça contra o travesseiro.
– Quem te deixou entrar aqui? — perguntei nervoso
– Eu. — respondeu
– Cai fora.
– Não.
Mas o que essa atrevida acha que tá fazendo no meu quarto?!
– Eu não quero falar com ninguém!
– Que bom que não sou ninguém. Sou Lunna!
Eu podia sentir o sorriso em seu rosto, o que me deixou ainda mais furioso, ela tava tirando uma com a minha cara?
– Eu não quero falar com você. — me corrigi
– Eu não disse que quero que você fale comigo. Na verdade nem disse que quero conversar.
– Qual o seu problema?
– O meu nenhum, ao que parece o único com problema aqui é você. — retrucou
Que garota irritante, eu com problema? Ela que deve estar carente e veio grudar no primeiro que apareceu pela frente.
Resolvi então entrar no seu jogo.
– Realmente! Eu tenho um problema e se chama Lunna.
– Considerando que não sou de ninguém então você não tem, de fato, um problema!
Caramba ela era boa em ser chata, mas eu sou melhor.
– Então se não se importa vou voltar a dormir porque é melhor do que falar com você.
Me aconcheguei mais na cama e pus meu plano em prática: comecei a roncar feito um porco montado num trator. (n/a: comparação estranha)
E aquela impertinente começou a rir! Rir era pouco ela gargalhava!
– Meu Deus Jake agora entendo quando diz que tem um problema!
E a gargalhada continuava.
Isso me fazia ter vontade de simplesmente jogá-la pela janela, porém ao mesmo tempo seu riso era tão contagiante que tive que me segurar para não me render e rir junto.
Essa constatação me irritou profundamente, como ela entra no meu quarto me perturba, me chama pelo apelido e quase me leva a rir de mim mesmo.
– Sai daqui! — falei num tom raivoso — SAI DO MEU QUARTO! — gritei
Sua risada cessou e quase comemorei por ter vencido, mas ao que parece eu estava errado, ela permaneceu e começou:
– Sabe Jacob você não deveria deixar alguém que quebrou seu coração estragar sua relação com seu pai e seus amigos.
– Você não sabe de nada. — sibilei
– Sei que não dá para vivermos pra sempre remoendo a dor.
Ri amargamente. Como se aquela garota que não deveria passar dos 15 soubesse algo sobre dor.
– Ah e o que você sabe sobre a dor? Seu namoradinho de escola disse que você é muito irritante e te deu um fora? Ou melhor suas Barbies cansaram de brincar com você e se jogaram na lixeira? Porque você não passa de uma criança chata e sem educação que invade o espaço alheio. — falei irônico
Seu coração pareceu falhar uma batida. Isso de uma forma estranha me fez sentir mal, talvez eu tivesse deixado meu mau humor ir muito além.
– Não Jake… — sua voz parecia afetada, me arrependi um pouco de ter sido um babaca, mas eu nunca a deixaria descobrir isso. — Mas, eu sei o que é dor sim. Sei o que é ver sua mãe morrendo aos poucos numa doença sem cura, depois vê-la sendo enterrada ao som de belas palavras que no fundo não fazem diferença nenhuma. Sei o que é ver seu pai se perdendo nas bebidas, tornando-se violento, ou te culpando por tudo o que acontece. Sei o que é ter que lutar por alguém, para tentar ajudá-lo quando ele não quer ajuda. Ou esquecer de si mesmo, e abrir mão de sonhos e oportunidades para se dedicar exclusivamente a alguém que você nem sabe se será realmente capaz de ajudar.
Eu podia sentir o cheiro salgada de suas lágrimas assim como sua respiração irregular.
– E é por isso Jacob que não vou desistir de te fazer levantar dessa cama e abraçar seu pai e seus amigos, porque durante todo esse tempo eles estão abrindo mão de muitas coisas por você e pior do que se sentir vazio Jacob — sua voz tornava-se cada vez mais severa — é depois, quando for tarde demais, perceber que você não só perdeu toda a sua vida sofrendo por algo que você eventualmente teria que superar, como impôs o mesmo sofrimento as pessoas que mais te amam.
Nocauteado era assim que me sentia agora, nocauteado pelas verdades que uma garotinha me escancarou. Como não pude perceber o quão egoísta fui com todos ao meu redor? Quantas vezes meu pai deixou de sair com amigos, ou meus amigos com seus imprintings apenas para garantir que eu comesse?
Mais perguntas indignadas percorriam minha cabeça me fazendo sentir cada vez mais envergonhado. Comecei a chorar compulsivamente, agora não mais pela Bells, mas sim pelo que eu havia me tornado. Me tornei um fardo, e obriguei que todos ao meu redor o carregassem. Deixei de ser o Jacob “sorriso-de-sol” e me tornei o Jacob “humor-de-tempestade” e por quê? Por alguém que a essa hora devia estar na sua décima lua de mel!
Me assustei quando uma mão tocou meu ombro.
– Está tudo bem sofrer quando as coisas dão errado Jake, mas não acabe com sua vida por isso, você merece mais do que isso.- sua voz agora era calma e compreensiva o que aliviou um pouco da dor no meu coração
– Me desculpa, me desculpa! — eu implorava apertando sua mão e chorando feito um bebê, eu havia sido tão rude com ela
– Relaxa Jake, não é comigo que você tem que se desculpar.
– Eu to com medo. — admiti — medo de ter sido tão impossível de se aguentar que ninguém mais queira estar por perto.
– Jacob quando amamos alguém não importa o que aconteça estaremos lá por essa pessoa. — suspirou — E se ninguém mais quiser estar por perto, o que eu duvido muito, eu prometo que não vou desistir de você, okay? E tenha certeza disso porque acho que já deu pra perceber que sou insistente! — disse divertida
Ri junto e me virei para encarar o anjo que me tirou desse estado vegetativo, e foi aí que tudo se desfez…
Seus olhos azuis como mar pareciam me puxar para si como ondas das quais eu não podia, nem queria, escapar. Seus cabelos loiros caíam em perfeita cascata sobre seu ombro. Ela era um anjo, o anjo banhado pela luz da lua. Minha Lua. Minha Lunna.
Não havia nada que não fosse ela, de repente não importava mais se eu viveria muito tempo ou se morreria nesse segundo, toda a minha vida havia valido a pena se pude estar perto dela.
Meu mundo é ela, eu a protegerei, cuidarei e amarei para sempre e com todo o meu coração. Seria seu amigo, irmão, confidente e quem sabe um dia seu namorado, marido…
Ela parecia estar também em um transe, mas balançou a cabeça abaixou o olhar e sorriu.
– Você é lindo. — sussurrou mordendo o lábio nervosamente
Meu sorriso se alargou, o que a deixou completamente vermelha.
– Mas acho que sem barba fica bem melhor! — disse se levantando me deixando com uma cara de decepção o que a fez rir — Vai Jake! Faz a barba, se arruma e vamos lá pra fora que o dia está lindo! — disse saindo do meu quarto e me deixando totalmente bobo
Eu havia achado o sentido da minha vida, minha escolhida, ou devo dizer que ela me achou? Ri com meu pensamentos e fui fazer o que meu anjo me mandou.
Encontrei-a sentada no sofá me esperando, ela se levantou e me chamou pra fora, o medo e a vergonha me abateram novamente, senti então mãos delicadas se encaixando a minha.
– Vai dar tudo certo! — disse e me puxou
– Nossa Lunna que demora achei que teria que chamar uma ambulância! — falou Lucas
– Me desculpem, é que esbarrei com alguém no caminho.
E foi aí que apareci meu pai deixou o copo de vidro cair no chão e começou a chorar.
– Meu filho…
Não pude conter minhas próprias lágrimas, e corri abraçando meu pai. Ah que saudade do meu velho!
– Me perdoa pai.
– Não há o que perdoar!
O resto da tarde foi maravilhoso, descobri que Lunna não era apenas um anjo pra mim como para várias outras pessoas, ela mudou seu pai completamente o “trazendo de volta a vida” segundo o próprio, meu pai lançava-me olhares sábios e quando tive a oportunidade de confirmar que Lunna era meu imprinting ele parecia explodir de felicidade, quase como se ele mesmo houvesse sofrido o imprinting.
E eu sorria sempre ao encarar meu anjo, que parecia surreal a luz do pôr-do-sol.
*.*.*.*.*
5 anos depois…
Alguns anos se passaram e minha Lunna já estava com 21 anos e já havia se formado em psicologia. Era incrível a dedicação e o amor com que ela trabalhava numa instituição para crianças especiais. A cada dia eu me orgulhava e me apaixonava mais por ela.
Já estávamos namorando a 4 anos e nesse quatro anos muitas coisas aconteceram.
Lucas e eu abrimos uma oficina mecânica em sociedade, que em pouco tempo resultou em mais 3 filiais pelo pais e já estávamos acertando a documentação para a 4ª.
No ano em que eu e Lunna começamos a namorar eu reencontrei Bella e o resto dos Cullens, descobria que a mesma havia tido uma filha com nome estranho, e naquele momento não senti nada por Bella a não ser um sentimento de dó, por saber que ela escolheu morrer para conseguir alcançar sua felicidade.
Nesse mesmo dia eu contei ao meu anjo sobre ser um lobo e se você acha que ela se apavorou, está muito errado, ela simplesmente riu e me abraçou dizendo: “Um gato que ronca como porco e se transforma num lobo do tamanho de um cavalo?!”.
Acho que nunca vou parar de ser zuado pelo meu ronco. E sim, ela tem um problema em controlar sua risada e também sua sinceridade.
Hoje eu a iria pedir em casamento e estava morrendo de medo. E se ela achasse precipitado? Ou se ela recusasse?
– Olá meu amor! — disse ao abrir a porta de sua casa me dando um selinho e me abraçando
– Oi anjo! Que tal uma voltinha? — sugeri
– Vamos.
No caminho conversávamos sobre coisas banais até enfim chegarmos ao penhasco onde sempre foi meu refujo, a lua cheia brilhava mais do que nunca e sua luz banhava o corpo do meu anjo, a deixando deslumbrante.
– Nossa! — arfou — Esse lugar nunca perde sua magia não é?
– É… — respondi, respirei fundo e tomei coragem — E é exatamente por isso que quis te trazer aqui hoje. — peguei em suas mãos e encarei seus olhos — Esse lugar me lembra nós, a forma mágica como você foi capaz de mudar minha vida, com seu brilho natural, sua luz. Você é a garota mais perfeita que poderia ter entrado na minha vida, e sei que não sou bom com palavras, mas quero que nunca se esqueça que eu te amo com todo o meu coração, e gostaria de saber se você me daria a honra e o privilégio de poder acordar ao seu lado e ser o primeiro a ver seus olhos de manhã e de poder fazer isso todos os dias de minha vida? Você aceita se casar comigo? — nesse momento eu já estava de joelhos
Muitas lágrimas percorriam seu rosto.
– É claro que sim meu lobo! — disse sorrindo
Levantei a beijei, sentindo todo seu amor, seu cheiro, seu toque, era a ela que eu pertencia, pra sempre.
– Te amo!
– Também te amo!
*.*.*.*.*
4 anos depois…
Senti algo pelas minhas costas, virei e encontrei Sarah e Elizabeth entre eu e Lunna. Minhas duas gêmeas, seus nomes eram em homenagem a minha mãe e a de Lunna) tinham 3 anos e eram extremamente espertas, além de adorar vir para a cama dos pais no meio da noite.
– Outro pesadelo princesas? — perguntei sonolento
– Sim. — disseram juntas
– Vem cá meus amores. — disse meu anjo abraçando-as — Não tem o que ter medo a mamãe e o papai nunca vai deixar nada de mal acontecer com vocês.
– É memo? — perguntou Lizzie
– Mesmo Izzie, mesmo! — corrigiu Sarah
– Sim, minhas princesas, agora vem que o papai vai por vocês de volta na cama…
– Eba aviãojinho! — exclamaram animadas, e com seus erros de criança
Peguei ambas no colo e as levei de aviãozinho depositando-as em suas respectivas camas, dando-lhes um beijinho de boa noite.
Voltei para o quarto encontrando minha linda mulher me esperando. Deitei ao seu lado sendo abraçado, e apoiei minha cabeça em seu ombro.
– Fico me perguntando quando poderemos dormir a noite inteira. — perguntei rindo
– Hum por parte de Sarah e Lizzie logo, mas… — sua fala se perdeu
Levantei o rosto a olhando.
– Mas?
– Mas acho que em breve teremos que nos preocupar com mais alguém na nossa cama no meio da noite. — nisso puxou minha mão colocando-a sobre sua barriga
Minha boca se escancarou e meu coração pareceu explodir de tanta felicidade, quando eu pensava que nada poderia ser mais perfeito eu descobria que seria pai pela terceira vez.
Beijei seus lábios transmitindo toda a minha felicidade, meu amor e companheirismo. Não eram necessárias palavras, nosso amor não se resumia somente a isso.
Algum tempo depois nosso pequeno Nicholas nasceu para alegrar ainda mais nossa vidas.
Meus três pequenos e minha Lunna eram a cada nascer do sol o meu motivo de viver.
*.*.*.*.*
E assim é o nosso amor: começou num pôr-do-sol, se transformou à luz da lua e definiu meu nascer do sol.

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