Jack Frost e A Guardiã dos Animais
2 Ainda Mais Estranho
– O que você faz aqui? – perguntei.
– Ora, o que sempre faço. Não sei se você reparou, mas estamos no começo de Dezembro. – disse ele, usando seu cajado de madeira para apontar a neve ao redor do parque.
– Ah, é mesmo! Eu quase me esqueci, desculpe! – eu disse com sarcasmo. Jack arqueou uma sobrancelha para mim.
– Muito engraçado. – disse ele, espreitando os olhos. – Mas você ainda não respondeu minha primeira pergunta.
E, quando eu estava prestes á responder, ambos ouvimos um ganido de cachorro e um grito de uma criança. Arregalei meus olhos e olhei assustada para Jack, me transformei em uma águia e logo ambos estávamos voando em direção ao ganido o mais rápido que podíamos.
Quando chegamos ao local, descobrimos que uma casa de madeira pegava fogo.
– SPIKE! SAIA! – gritava um menino loiro para o cachorro, de uns 7 anos, á uma certa distância da casa.
Me transformei de volta e, sem nem pensar, corri para dentro da casa.
– Kali, não! – gritou Jack.
– Fique com o menino! – eu gritei de volta, entrando na casa e procurando pelo cão através de seu ganido. Quando o achei, uma madeira estava em cima dele e, como era um filhote, não conseguia sair.
Tirei a madeira e o peguei no colo, ninando-o junto ao peito. E, quando eu ia sair da casa, ouvi um outro som, um gemido de dor vindo de um homem. Por um instante eu parei e olhei para trás. O homem gemeu de novo e eu não tive dúvidas: tinha que resgatá-lo também.
– Vou deixá-lo a salvo primeiro. – eu disse á Spike, que tremia em minhas mãos.
Saí da casa e deixei o filhote perto do menino, que o pegou e o abraçou fortemente.
– Espere! – disse Jack, quando me viu voltando para a casa. – Você vai voltar?!
– Tem um homem lá dentro, e ainda está vivo. Tenho que salvá-lo também. Se eu não voltar em 5 minutos, não me espere. Daqui a pouco essa casa vai explodir e vocês têm que estar longe daqui. – eu disse e corri para a casa sem nem esperar por alguma resposta dele.
O homem estava em um quarto no fundo da casa e, quanto mais eu chegava perto, mais madeira caía atrás de mim, mas consegui chegar ao quarto intacta. Ele estava caído no chão, inconsciente, mas ainda sim o seu coração batia. Peguei seus braços e coloquei ao redor de meu pescoço para poder levantá-lo e, quando eu estava perto da porta do quarto para sair, uma madeira grossa caiu bem em cima de nós, e acabou prendendo minhas pernas. Eu tossia loucamente, pois a fumaça já havia tomado conta de toda a casa, e estava quase perdendo a consciência quando, de repente, tudo ficou petrificado e frio, e a fumaça aos poucos se dissipou.
– Kali?! – perguntou Jack, aparecendo na minha frente de repente com os olhos arregalados e tirando a madeira da minha perna. – Você está machucada?
– Jack... – comecei, olhando ao redor da casa, que agora estava congelada, e uma frustração me atingiu. – Ah, não! Porque não pensei nisso antes?
– Tudo bem, acontece. Eu também não pensei. – disse ele, dando um sorriso. – Agora acho melhor nós tirarmos ele daqui, daqui a pouco chega ajuda da cidade.
Assim, conseguimos tirá-lo de lá. Falamos com o menino, que conseguiu nos ver depois que Jack congelou a casa, e voltamos para o Central Park quando os bombeiros chegaram.
– Você não acha que as coisas estão um pouco estranhas demais ultimamente? – perguntou Jack. – Sabe, já não é a primeira vez que uma criança quase morre em um acidente com fogo. Já é a 3ª vez nesta semana.
– É mesmo? – perguntei, arregalando os olhos. – Sabe... coisas estranhas estão acontecendo aos meus animais também...
– Que tipo de coisas estranhas? – perguntou ele, estreitando os olhos.
– Dois animais que salvei nesta semana foram arrastados e machucados por... sombras. – contei.
Jack arregalou os olhos e ofegou.
– Mas, Jack, eu não acho que é o... Breu. – eu disse cuidadosamente. – Ele não tem poder sobre o fogo.
– E se ele tiver um aliado? – perguntou Jack, olhando para mim.
Quando nossos olhos se encontraram, sabíamos que tudo estava muito estranho e que deveríamos procurar ajuda, se não as coisas ficariam piores. Me transformei em águia outra vez e nós levantamos voo. Jack parou no meio do ar e me encarou.
– O que foi? – perguntei.
– Como você faz isso? Isso de se transformar em águia? É muito legal! – perguntou ele, sorrindo.
– É uma das minhas magias. – respondi também sorrindo para ele e, de repente, vi outro sorriso travesso formando-se em seu rosto.
– No que você está pensando? – perguntei.
– O que me diz de uma corrida ate o Polo Norte? – perguntou ele, com os olhos brilhando.
– O que vou ganhar se eu vencer? – perguntei.
– E quem disse que você vai vencer? – disse ele, sorrindo de novo e voando em direção ao Norte rapidamente.
– Vamos ver, então! – eu disse, batendo as asas o mais rápido que pude e voando até que eu conseguisse ultrapassá-lo.
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