It's In The Blood
7 You Can't Always Get What You Want
Notas iniciais
Pov's Chris
Eu conheço muito bem os meus amigos. Sei o que sentem só de ouvir seu tom de voz.
Tudo começou duas semanas após o início das aulas. Tracy e Daniel ainda estavam lidando com alguns idiotas julgadores que falavam merda sem saber nada sobre eles. Mas a pior de todas era Rennie Morris, uma loirinha de olhos acinzentados e totalmente nojenta. A desgraçada fazia questão de dizer coisas completamente sem noção sobre eles, fazendo-os parecer mesquinhos e metidos. Ela fazia parte do New Directions e conseguiu deixar uns bons 10 alunos do coral contra eles. Vadia.
Mas para um grupo de 34 alunos, isso não era tanto. E tiveram dois alunos que fizeram mais e se aproximaram de nós. Alex e Katherine Mills. Eles eram gêmeos, mas definitivamente não tinham nada em comum fisicamente. Ele era um baixinho forte e meio mal encarado, com o humor mais ácido que já vi. Seu cabelo era de um castanho médio brilhante e quase tão comprido quanto o de Dan, e ele tinha os olhos mais verdes que já vi. Bem bonito, eu diria. Kat era morena, os olhos verde mel e nada baixinha. Os cabelos negros iam até perto do bumbum, mas ela estava sempre de rabo de cavalo. E era o ser mais doce, ingênuo e fofo da face da terra. Só perdia o cargo para Brittany, a mãe de Dan. Foi bem legal a forma como perceberam a situação dos dois e vieram fazer amizade.
* Flashback on *
Tracy, Daniel e Chris estavam encostados em seus armários, que por uma doce coincidência ficavam um ao lado do outro. Conversavam sobre a atividade da semana no coral, quando um garoto e uma garota de aproximaram deles.
— Oi. — disse timidamente a menina. — Vocês dois são os alunos novos, não é?
Chris os conhecia de vista, já que estudava na McKinley desde o quinto ano. Já havia estudado com eles em algumas aulas e os conhecia também do coral. Não eram más pessoas, pensou ele.
— Sim, somos nós — respondeu Daniel, desconfiado. Ele não era muito de confiar nas pessoas, principalmente num lugar onde a maioria o julgava sem conhecê-lo.
— Oi. — Tracy nem tirou seu olhar de dentro do armário, onde pegava alguns livros. Havia subido a guarda para os alunos do colégio, e a raiva das pessoas a julgando a impedia de medir a própria grosseria.
— Sou Alex Mills, e essa é minha irmã Katherine — disse o garoto, com a voz mais grave que o esperado para um menino de catorze anos.
— Podem me chamar de Kat! — sua voz saiu aguda por conta da animação.
— Hey, conheço vocês do coral e da aula de música. Acho que também faço matemática com vocês — respondeu Chirs, talvez um pouco desesperado para ser notado.
— É verdade! Christian DeBrassio, não é? — perguntou Kat, estendendo a mão para ele.
— Eu mesmo — respondeu Chris, apertando sua mão.
— Hey, Chris — disse Alex, sorrindo de canto e trocando um hive-five com ele.
— Esse é Daniel Lopez-Pierce, eu sou Tracy Hummel-Anderson. Mas vocês já devem ter ouvido os comentários sobre nós pelos corredores.
O sorriso em seus lábios não podia ser mais cínico e seu tom não podia ser mais ácido. Alex e Katherine ficaram um pouco desconfortáveis.
— Tracy... — Daniel a repreendeu — Desculpe. Mas está um pouco complicado se enturmar por aqui. E esse Hobbit aí não está lidando bem com as pessoas não sendo legais com ela. — completou simpático, cutucando Tracy.
— Vá à merda, Snixx — ela disse, lhe dando a língua. Ele apenas riu.
— Nós percebemos — disse Alex. — Deve ser realmente chato ser recebido dessa forma no colégio novo, por isso resolvemos chamar vocês para almoçar com a gente.
— Não é justo falar de vocês sem conhecer. Por isso queríamos conhecer vocês melhor. E aí, topam? — perguntou Kat.
Tracy os pediu de cima à baixo com os olhos. Mas em seguida abriu um sorriso sincero.
— Tudo bem, vamos lá.
— Vamos nessa. — disse Daniel.
Foi uma ótima decisão.
* Flashback off *
Almoçamos com eles naquele dia, e no outro e no outro. Tínhamos muito em comum. Por mais bizarro que pareça, eles ouviam muitas bandas de rock, pop rock e rock alternativo antigas, entre elas Paramore. Tenho duzentos por cento de certeza que éramos os únicos adolescentes no planeta que ainda ouviam essa banda. Todos os outros fãs deviam ser adultos com a idade dos nossos pais, que tinham nossa idade na era de ouro da banda. Em 2034, era apenas uma banda antiga que os adolescentes sem cultura julgavam antiquada.
Passada uma semana que começamos a andar com os Mills, estávamos na nossa mesa de almoço, afastada das demais, esperando pelos gêmeos. O tema era o último show de Santana, onde ela deu um chute em um segurança que estava maltratando uma fã, e comparando com a vez que a Hayley Williams, do Paramore, fez algo parecido no Brasil, quando Kat chegou correndo com seu irmão vindo atrás, tentando acompanhá-la.
— Vocês ficaram sabendo da última ?! — disse Kat, sentando ofegante em nossa frente. Seu irmão se jogou ao seu lado.
— Depende do que você está falando — disse Tracy, o rosto levemente inclinado e a expressão confusa.
— A Dalton Academy estava em reformas há anos, mas ninguém sabia quando ia ser reinaugurada. Mas acabou de vazar por aí que foi reinaugurada esse ano, e eles já tem um coral formado, que está ensaiando para as Sectionals.
Fiquei pasmo. Antes mesmo de eu nascer, aquela escola pegou fogo, e a perda foi total. Não esperava que após todos aqueles anos eles decidissem trazer ela de volta. Isso que eu chamo de persistência.
Eu e Dan olhamos ao mesmo tempo para Tracy, quando lembramos de um detalhe. De repente lembro da vez que ela me contou que seus pais prometeram que, se um dia a Dalton fosse reerguida, eles a levariam à uma espécie de tour, contando toda a história que eles viveram nela. Ela está encarando Kat com uma expressão paralisada, meio sem sentimento. Acho que ela não quer pensar, porque se pensar, vai acabar chorando.
— Está tudo bem, Tracy ? — pergunta Alex. Ele a encarava como quem diz "você está louca?".
— Claro. — seu tom de voz é trêmulo e nada convincente.
— Ei! Seu pai Blaine estudou lá, não é?
Lembro de uma entrevista onde ele falou da escola, ele parceria gostar muito de lá. -diz Kat.
— É, ele estudou lá. A Dalton é... especial para ele. — disse Daniel por ela. Ela engoliu em seco e deu um sorriso amarelo para eles, assentindo.
— Por quê? — perguntou Kat. "Merda," pensei, "você não podia ter escolhido uma pergunta pior".
— Hm... ele e... o papai... Papai Kurt se conheceram lá. E começaram a namorar lá. E ele pediu Kurt em casamento lá. Enfim... é. — ela falava meio engasgada, o olhar perdido. Acabei a abraçando de lado e colocando a cabeça em seu ombro, em sinal de conforto. Danny lhe lançou um sorriso confortador.
— UAU ! Que legal. A Dalton meio que faz parte da sua história!! Quer dizer, você não teria nascido se eles nunca tivessem se encontrado lá!
— É. — Tracy realmente não conseguia falar sobre eles e a época em que estavam juntos. Me perguntei se valeria a pena ela ficar em Ohio, ou se aquela dor ia ficar para sempre nela.
— Você não gosta de falar nisso porque não consegue lidar com o divórcio deles, não é? — perguntou Alex, subitamente mais gentil. Até seu olhar parecia mais acolhedor. Ele parecia tão fofo assim.
— Isso. Na verdade, foi por isso que eu vim pra cá. Todo mundo acha que minha vida é perfeita porque eu tenho dinheiro, mas de um tempo pra cá tem sido uma grande merda. — Dan apenas sentou-se mais perto dela e lhe deu um beijo na testa. Percebi que ele a olhava diferente, mas achei que fosse só preocupação.
— Eu sinto muito, Tracy — disse Kat, toda sentimental. Estava até com os olhos lacrimejando.
— Tudo bem. Não quero pensar nisso. Vim para Lima dar a volta por cima, e é isso que eu vou fazer. — Seu sorriso a là Blaine Anderson — totalmente estonteante — voltou ao sei rosto, e eu literalmente respirei aliviado.
Mas foi antecipadamente.
[...]
Estávamos na sala do coral e todos falavam ao mesmo tempo, e Sam observava enquanto tentávamos chegar à um consenso entre duas músicas para cantarmos nas eliminatórias da escola. Apenas um dos corais da McKinley iria representar a escola nas competições, e o coral que vencesse a competição interna seria o felizardo.
A discussão seguia acalorada quando alguém bateu na porta. Todos ficamos em silêncio enquanto Sam abria a porta. Três garotos com uniformes azuis estavam parados lá.
— Com licença. Aqui é a sala do professor Evans? Do coral New Directions? — perguntou o que estava no meio, ele tinha um cabelo acobreado e um sorrizinho sacana refletido nos olhos verde claros. Tracy o notou imediatamente.
— Sim, sou o Sr. Evans. Em que posso ajudá-los?
— Somos representantes dos Warblers, da Dalton Academy. Ficamos sabendo que uma pessoa especial faz parte de seu coral e gostaríamos de falar com essa pessoa.
— Claro. Quem seria? — Algo na expressão de Sam e na forma como ele olhou de relance em nossa direção, dizia que ele já sabia quem era.
— Nós queremos falar com a filha da lenda. — Disse o garoto, com um sorriso enorme.
[...]
— Eu não esperava entrar aqui quando mudei para cá — disse Tracy, encarando a entrada magnífica da escola.
O tal garoto que a chamou de "filha da lenda" chamava-se Kevin. De alguma forma bizarra, o diretor da escola, que era sobrinho do cara que foi diretor na época dos pais de Tracy, descobriu que ela estava na cidade ao lado, estudando no colégio que "roubara" seu maior talento tantos anos antes. E o nome de Blaine ainda circulava pelos corredores, anos depois. Ele foi um aluno exemplar, um professor dedicado e tornou-se famoso, além de sempre citar o nome da escola com carinho. Então é compreensível.
Aparentemente, quando os alunos descobriam que a Tracy estava à menos de duas horas de distância, piraram totalmente e insistiram para ela vir ao colégio. Então ele deu permissão para que Kevin, o solista deles, viesse com dois colegas para convidá-la.
Foi especialmente chato lidar com Rennie depois que, a muito custo, eles convenceram Tracy à ir para Dalton uma semana depois e foram embora. Ela ficou fazendo comentários sobre como todos tratavam Tracy como se ela fosse muito especial por ter pais talentosos, mas esqueciam que isso não significava que ela também era. Foi a gota d'água para minha amiga.
— Realmente, Morris, talento não passa de um ser para o outro por osmose.
Nas quando for falar do meu talento, compare os prêmios que eu já há ganhei e os solos que eu já fiz com os seus.- ela disse antes de sair da sala ao som do sinal. Todos riram da cara de Rennie, foi ótimo.
Agora, nós estávamos cabulando aula para ir falar com os Warblers. Alex e Kat ficarem preocupados com ela e vieram junto. Quanto íamos entrando, vi um mapa na mão de Tracy. Perguntei o que era aquilo.
— Papai guardou isso durante o casamento todo. É um mapa da Dalton com todos os lugares que foram importantes para eles marcados: onde se conhecem, onde se beijaram pela primeira vez. Até onde eu sei, eles reformaram isso aqui para ser uma réplica exata da escola que era antes. — ela faz uma pausa. — Droga. Eu devo ser masoquista, porque eu pareço gostar de me torturar.
Ficamos os quatro em silêncio, sem saber como respondê-la. Fomos andando pelo colégio e percebi quando Tracy apertou o passo para passar direto por uma escadaria, sem olhar para ela.
— Essa é a escada, não é? — perguntou Dan. Ela apenas assentiu.
Alex e Kat me olhavam sem entender nada, então expliquei que os pais dela haviam se conhecido ali, e que Blaine pedira Kurt em casamento ali também.
Seguimos para a sala do coral e pudemos ouvir as conversas pelas portas encostadas. Daniel bateu na porta e logo um dos meninos a abriu.
— ELA CHEGOU !! — gritou ele. Nós levamos o maior susto e Kat deu um gritinho agudo.
Ele nos guiou para dentro, e logo nos sentamos. Foi iniciada uma conversa com Tracy sobre como era ser filha de uma lenda, por que ela estava em Ohio e quem nós éramos. E pela primeira vez, ela pareceu bem em responder à maioria dessas perguntas. Até que alguém disse que ela deveria cantar.
— Ah, não. Não, tudo bem. Eu estou bem aqui sentadinha.
— Nada disso. Como solista, eu insisto que cante comigo. Se você não cantar, sua visita terá sido em vão. — disse Kevin, galanteador. Daniel franziu o rosto para ele. Eu achei que fosse só preocupação, pois ele era muito super protetor com Tracy e não ia deixar qualquer um chegar nela. Mas logo percebi que não era por isso.
Tracy aceitou, então Kevin sussurrou para seu grupo qual era a música, depois o repetiu no ouvido de Tracy. Daniel, agora em pé perto da porta junto à mim, Alex e Kat, ajeitou a postura e cruzou os braços de cara feia. Logo eles começaram a cantar, os meninos fazendo um coro delicado no fundo.
Kevin
Summer has come and passed
(O verão chegou e passou)
The innocent can never last
(O inocente nunca pode durar)
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)
Tracy
Like my father's come to pass
(Assim como meu pai se foi)
Seven years has gone so fast
(Sete anos passaram muito rápido)
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)
Kevin
Here comes the rain again
(Lá vem a chuva de novo)
Falling from the stars
(Caindo das estrelas)
Drenched in my pain again
(Encharcando minha dor de novo)
Becoming who we are
(Nos tornamos quem somos)
Tracy
As my memory rests
(Enquanto minhas memórias descansam)
But never forgets what I lost
(Mas eu nunca esqueci o que eu perdi). Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)
Nesse momento o coro ganhou força, representando o momento da música em que o instrumental toma forma e fica alto. Era algo realmente lindo e eu estava empolgado por ter um time tão forte na competição, se ganhássemos deles, seria ótimo para a estima do grupo. E Tracy e Kevin tinham muita química musical. Eu e os gêmeos estávamos adorando. Não se pode dizer o mesmo de Daniel.
Tracy
Summer has come and passed
(O verão chegou e passou)
The innocent can never last
(O inocente nunca pode durar)
Tracy e Kevin
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)
Kevin
Ring out the bells again
(Toquem os sinos de novo)
Like we did when spring began
(Como fizemos quando a primavera começou)
Tracy e Kevin
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)
Here comes the rain again
(Lá vem a chuva de novo)
Falling from the stars
(Caindo das estrelas)
Drenched in my pain again
(Encharcando minha dor de novo)
Becoming who we are
(Nos tornamos quem somos)
Kevin
As my memory rests
(Enquanto minhas memórias descansam)
But never forgets what I lost
(Mas eu nunca esqueci o que eu perdi)
Tracy e Kevin
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)
O coro ganhou ainda mais força, e agora os Warblers batiam na mesa, nas cadeiras e nas paredes, deixando a performance incrível. Podia imaginar Blaine ali no meio. Alex e Kat também pareciam ansiosos para enfrentá-los.
E Daniel encarava Kevin como se estivesse planejando seu assassinato.
De repente o coro acalmou de novo e eles voltaram a cantar.
Tracy
Summer has come and passed
(O verão chegou e passou)
The innocent can never last
(O inocente nunca pode durar)
Tracy e Kevin
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)
Kevin
Like my father's come to pass
(Assim como meu pai se foi)
Twenty years has gone so fast
(Vinte anos passaram muito rápido)
Tracy e Kevin
Wake me up when September ends
Wake me up when September ends
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)
A performance acabou e todos aplaudimos, menos Daniel. Tracy sorria boba para Kevin. Foi quando tive certeza de duas coisas.
Tracy havia gostado de Kevin.
Daniel estava perdidamente apaixonado por Tracy.
Problemas estavam a caminho.
~ H.A ~
Pov's Blaine
Estava tudo relativamente bem. Minha carreira estava maravilhosa e a turnê ia a todo vapor. Falava com Tracy todas as noites e ela parecia estar se adaptando bem ao colégio e já havia feito amigos. O mês de outubro estava realmente bom, mas era óbvio que algo tinha que acontecer para acabar com a paz.
Começou logo após a ida de Tracy, na verdade. Eu e Kurt nos aproximamos bastante naquelas semanas. Falávamos de Tracy, de nossas carreiras, de nossas rotinas. Ríamos muito. Eu ficava horas a fio pensando se, no final, nós simplesmente estivéssemos destinamos a sermos apenas bons amigos, já que tudo ficava melhor quando era assim.
Até que, mais ou menos na segunda semana de outubro, eu fiz um show no Canadá, onde Kurt estava passando a semana resolvendo alguns assuntos de sua última coleção. Um dia antes do show, recebi uma mensagem dele
De: Kurt ♥
Então quer dizer que o Sr. Anderson vai tocar em Vancouver? Será que ele poderia descolar uns ingressos pra um fã de longa data (provavelmente o número um)?
PS: Elliot está aqui também e gostaria de ir, mas o show está esgotado :(
Tive que rir. Podia até imaginar seu tom de voz e a carinha de cachorrinho abandonado dele ao dizer essas palavras. Respondi na mesma hora.
De: Bee ♥
É claro que sim! Vou colocar o nome de vocês na lista de convidados da área especial. Vejo vocês lá ;)
No dia seguinte, acordei cedo e passei o dia me preparando para o show de mais tarde, como sempre fiz. Algumas horas mais tarde, no início da noite, recebi mais uma mensagem dele.
De: Kurt ♥
Quase pronto pra grande noite! Elliot foi atacado por um grupo de fãs e quase não sobreviveu pra te ver hoje. Ainda estou rindo da cena dele parecendo uma centopéia se desviando das fãs para entrar no carro.
Respondi em meio à um ataque de risos
De: Bee ♥
Oh meu Deus ! Hahaha! Pobre Elli. Mas eu o entendo. Semana passada, após o show em Londres, eu juro que quase fui estuprado. Fãs são malucas. Mas nós amamos elas mesmo assim :D
De: Kurt ♥
Jura ?!?! AH MEU DEUS EU ESTOU RINDO TANTO HAHAHA
Sabe, eu queria te perguntar o que vai fazer depois do show de hoje.
Eu estranhei um pouco a pergunta, mas achei que fosse apenas uma tentativa de puxar assunto.
De: Bee ♥
Ir para o hotel, tomar banho, me jogar na minha cama e entrar em coma de tão cansado :)
De: Kurt ♥
Jesus Blaine! Hahahahaha! Será que sempre tem que fazer piada com tudo?
Mas será que eu poderia mudar seus planos? Não sei, podíamos sair e beber alguma coisa. Só curtir um pouco. Sabe? Amigos ajudando amigos ;)
Opa. Opa opa opa. Eu conheço essa frase. Eu conheço muito bem essa frase. Em outra situação, em outros tempos, eu teria sentido uma onda de excitação ao ler aquilo. Mas naquele momento...
Eu senti uma onda de ódio.
Porque era tão simples para ele fazer tudo o que fez, e tentar partir de fininho, e quebrar uma de suas promessas que era a mais importante para mim, e do nada reaparecer e me usar porque precisa de alguém na cama dele. Era tão simples subir no seu maldito pedestal de orgulho e deduzir que eu me submeteria a ele simplesmente porque ele é Kurt Hummel e ninguém diz não à Kurt Hummel.
Demorei a responder àquilo. Automaticamente lembrei das palavras de Brittany no dia que ela veio me ver, uma semana após Kurt ir embora.
"Sabe, Blaih, eu sempre gostei muito de Kurt. Ele costumava ser tão doce e bom. Antes de você ele era tão só e incompreendido. Então você apareceu e... Ele ficou completo. Você revolucionou o mundo dele e não tem noção de como nós, amigos dele, fomos gratos por sua existência. Mas o tempo o deixou mesquinho e orgulhoso, e ele te deixou escapar pelos dedos tantas vezes, querendo estar certo sem estar. Não sei como dizer isso, mas... Ele não é mais o velho Kurt, e o novo Kurt não te merece, Anderson. E ele pode querer te por para baixo ou fazer parecer que você é o errado, ou que você jamais o superará enquanto ele mal lembra de sua existência. Eu ainda amo muito o Kurt, mas em se tratando de relacionamentos, eu não o reconheço mais. Tome cuidado. Não o deixe te usar para alimentar o próprio orgulho."
Britt. Tão doce e ao mesmo tempo tão genial. E ela estava totalmente certa. Dessa vez, eu não seria o brinquedo de Hummel. Ele tinha amor próprio? Ótimo, eu também. Tive a idéia perfeita e o respondi após quase duas horas.
De: Bee ♥
Desculpe essa demora, apareceu um imprevisto sobre o show. Me deixe responder sua pergunta do meu jeito. Essa noite, vou incluir uma única música que não é minha na setlist. Ela é a sua resposta.
Vejo você lá ;)
Eu podia imaginar a animação de Kurt do outro lado. Se sentindo o máximo por conseguir que eu lhe dedicasse uma música. Já criando as imagens da noite em sua mente. Pobre Hummel.
Não sabia que estava prestes a provar um leve gostinho de seu próprio veneno.
[...]
Assim que subi no palco, pude ver Kurt e Elliot na área reservada, onde amigos do pessoal da banda e alguns fãs premiados em uma promoção de um de meus patriciodores ficavam. Olhei para lá com meu melhor sorriso, e mal podia esperar para executar meu plano.
Cantei algumas músicas da setlist, e antes da primeira pausa, anunciei:
— Bem pessoal, antes de dar uma pausa, gostaria de cantar uma música. Não é minha e não está na setlist, mas eu realmente gosto dela e gostaria de cantar ela para vocês. Estão prontos? — Uma gritaria animada foi a minha resposta, a melhor forma de um público de quase um milhão de pessoas dizer sim — Ótimo, então vamos lá. — Fiz sinal para a banda que já estava avisada, então ele iniciaram a música.
Now that we are over
(Agora que acabamos)
As the loving kind
(Como casal)
We'll be dreaming ways
(Estaremos sonhado com meios)
To keep the good alive
(De manter vivo o que é bom)
Only when we want is not
(Só quando queremos, não é)
A compromise
(Um compromisso)
I'll be pouring tears
(Eu estarei pondo lágrimas)
Into your drying eyes
(Nos seus olhos secos)
Assim que eu comecei, o sorriso de Kurt ficou mais fraco. Acho que ele conhecia a música e sabia que seu significado podia não ser bom. Eu olhava para todo o público com o mais genuíno sorriso no rosto.
Friends, lovers or nothing
(Amigos, amantes ou nada)
There can only be one
(Só pode haver um)
Friends, lovers or nothing
(Amigos, amantes ou nada)
There will never be an in-between
(Nunca haverá um meio termo)
So give it up
(Então desista)
Cantei o refrão o olhando discretamente e ele parecia muito irritado. Eu estava amando aquilo. Em There will never be an in-between, so give it up, fiz um sinal de não com mão, sorrindo sacana para ele.
You whisper, "Come on over"
(Você sussurra "venha")
'Cause you're two drinks in
(Porque seus dois drinks subiram)
But in the morning I will say
(Mas de manhã eu direi)
"Good-bye again"
(Adeus outra vez)
Cantei essa parte revirando os olhos, com uma cara desinteressada e gesticulando com as mãos em sinal de tédio. Pôde-se ouvir risadas na platéia.
Think we'll never fall into
(Achamos que nunca vamos cair)
The jealous game
(Nas armadilhas do ciúme)
The streets will flew
(As ruas irão ficar cheias)
With blood of those who felt the same
(Com o sangue daquele que sentiram o mesmo)
Nessa parte, olhei para ele com os ombros encolhidos e os braços estendidos como quem diz "O que posso fazer? "
Friends, lovers or nothing
(Amigos, amantes ou nada)
There can only be one
(Só pode haver um)
Friends, lovers or nothing
(Amigos, amantes ou nada)
There will never be an in-between
(Nunca haverá um meio termo)
So give it up
(Então desista)
Em There can only be one, fiz um sinal de "acabou" com os braços, de cara fechada e olhando para o público, causando gritos dos fãs. Nos últimos dois versos, cruzei os braços e fechei os olhos empinando o nariz, então batendo o pé no chão, como quem faz pirraça. Mais risadas. O instrumental começou e eu dançava no palco ao som dos gritos da multidão, e sob o olhar raivoso de Kurt.
Friends, lovers or nothing
(Amigos, amantes ou nada)
We can really only ever be one
(Nós realmente só podemos ser um)
Friends, lovers or nothing
(Amigos, amantes ou nada)
We'll never be the in-between
(Nós nunca vamos estar em um meio termo)
So give it up
(Então desista)
We'll never be the in-between
(Nós nunca estaremos em um meio termo)
So give it up (Então desista)
Cantei o ultimo refrão com todas a força e encarando disfarçadamente Kurt, e ele parecia querer me matar com o olhar. Agradeci por ele não ter visão de calor.
Anything other than yes is no
(Qualquer coisa além de sim é não)
Anything other than stay is go
(Qualquer coisa além de ficar é ir)
Anything less than I love you is lying
(Qualquer coisa à menos que "eu te amo" é mentira)
A última parte da música se repetia várias vezes, e eu cantei as duas primeiras sozinho e encarando Kurt bem nos olhos. Então pedi a ajuda dos fãs e eles cantaram comigo. Como será ser dispensado na frente (e com a ajuda) de quase um milhão de pessoas? Deixei o público cantar sozinho uma vez e fiquei o encarando. Ele tinha puro ódio nos olhos. Estava vermelho de raiva e vergonha. Cantei o último verso sozinho, e por fim o público explodiu em palmas e gritos enquanto eu saia do palco. Antes de entrar no camarim, mandei uma última mensagem para Kurt.
De: Bee ♥
Caso não tenha entendido, isso foi um NÃO.
~ H.A ~
Pov's Kurt
Não sei dizer como aquilo foi, ou como me fez sentir.
Estava em Vancouver para algumas reuniões de trabalho. Em uma tarde, estava em meu quarto no hotel quando o telefone do quarto tocou. Era da recepção.
— Senhor Hummel, tem um rapaz aqui querendo falar com você. Senhor Gilbert.
— Deixe ele subir !!
Assim que Elliot bateu na porta, corri para abri-la e o abracei forte. O convidei para entrar. Ficamos conversando sobre tudo e nada jogados na cama, quando vi pelo celular que Blaine iria tocar na cidade. Abri meu maior sorriso.
— Já que está aqui em um mês de férias, que tal ir em um show ?! — perguntei, animado.
— Parece uma boa. Show de quem?
— Do Blaine. Ele vai tocar aqui na cidade amanhã.
Ele me olhou com seu melhor olhar sacana/desconfiado e soltou um sonoro "huuuuuuuuuum"
— Ah, cala a boca, Elli. Nós somos amigos. Temos uma filha, ter uma boa relação com ele é necessário.
— Ok, vou fingir que acredito. Ou melhor: mande uma mensagem para ele e peça ingressos. Se você ficar com alguém lá, eu acredito em você.
Olhei para ele desconfiado. A questão é que eu ainda não havia ficado com ninguém simplesmente porque eu passei a levar esse tipo de intimidade muito a sério. Quase mais do que levava antes do nosso primeiro término. Não conseguia me ver íntimo de mais ninguém além dele, muito menos alguém que eu acabara de conhecer. Foi quando à voz de Blaine soou em minha cabeça.
"Apenas amigos ajudando amigos"
Bem... não parecia má ideia. O podia haver de mal em manter o que era bom entre nós? Éramos amigos... Mas podíamos acrescentar algo nisso, não é?
— Pode deixar. Eu vou ficar com alguém.
Acredite em mim quando digo que, quando olho para o passado e lembro do que fiz, me sinto um imbecil.
No dia seguinte, mandei à ele aquela mensagem, e quando ele demorou a responder, podia jurar que ele estava com raiva. Mas então ele mandou aquela resposta... Me senti tão poderoso e feliz. Tinha certeza que seria uma noite maravilhosa.
Tão burro.
Quando ele cantou aquela música, eu me senti tão horrível. Ele estava fazendo aquilo em frente à quase um milhão de pessoas, eu me senti tão humilhado. Mas fiz minha melhor cara de ódio. Não ia sair por baixo daquele jeito. Quando ele me mandou aquela mensagem após a canção, tomei uma decisão. Ele queria guerra? Ele teria.
Sai do show assim que ele mandou a maldita mensagem. Elliot me seguiu às pressas, pois eu andava rápido.
— Aquilo foi para você, não foi? — Ele perguntou enquanto eu procurava um táxi. Não respondi. — Ah, meu Deus, Kurt. Você tentou ter uma amizade colorida com ele menos de um ano após o divórcio ?!?!
— Algum problema com isso ?! — Perguntei alterado. Ele só arregalou os olhos e levantou as mãos em rendição. — Olha, eu preciso ficar um tempo sozinho. Vou voltar pro meu hotel. — dei um beijo em sua bochecha e parei um táxi. Antes que eu pudesse entrar, Elliot me puxou pelo braço e disse:
— Sabe, Kurt... Você não devia deixar o medo de parecer fraco te possuir assim.
Apenas me soltei e entrei no carro.
[...]
Já no meu quarto, me joguei na cama, me esforçando para manter pensamentos de ódio sobre Blaine. Mas a verdade é que eu só queria estar com ele mais uma vez, porque eu sentia tanto a sua falta. Mas eu não tinha coragem de admitir.
Peguei meu celular e procurei uma playlist que Tracy havia me mandado, pedindo ajuda para escolher uma música para cantar no coral. Uma letra havia me chamado a atenção e era perfeita para o momento. A encontrei e dei play, cantando junto.
I scraped my knees while I was praying
(Eu feri meus joelhos enquanto estava orando)
And found a demon in my safest haven
(E achei um demônio no meu refúgio mais seguro)
Seems like it's getting harder to believe in anything
(Parece que está ficando mais difícil acreditar em qualquer coisa)
Than just to get lost in all my selfish thoughts
(Ao invés de simplesmente me perder em todos os meus pensamentos egoístas)
Eu me lembro quando eu conheci Blaine. Eu costumava acreditar tão fortemente no amor, costumava ser tão devoto à ele. Mas naquele momento parecia tão difícil acreditar naquilo... em qualquer coisa. A forma como tudo acabou me tirava as esperanças e a crença.
I wanna know what it'd be like
(Eu quero saber como seria)
To find perfection in my pride
(Achar perfeição no meu orgulho)
To see nothing in the light
(Não ver nada na luz)
Or turn it off, in all my spite
(Ou me desligar de todo meu rancor)
In all my spite, I'll turn it off
(De todo o meu rancor, eu vou me desligar)
Naquele momento eu queria tanto poder ter uma daquelas opções. Estar certo no meu orgulho, ou sabe como deixar todo aquele medo e rancor que eu transformava em orgulho de lado. Mas nenhuma delas estava disponível para mim naquele momento, e eu ainda sofri muito tempo por aquilo.
And the worst part is
(E a pior parte é)
Before it gets any better
(Antes de ficar um pouco melhor)
We're headed for a cliff
(Somos encaminhados à um abismo)
And in the free fall
(E na queda livre)
I will realize I'm better off
(Eu perceberei que eu fico melhor)
When I hit the bottom
(Quando eu atinjo o fundo)
Eu distorci totalmente o sentido desse refrão naquele momento. Eu pensava "Foi bom eu ter feito isso, afinal. Ele não me merece mesmo. E eu vou mostrar à ele. Eu posso ter tido que ir parar no fundo do poço para perceber, mas vou mostra à ele". Eu estava sendo tão idiota.
The tragedy, it seems unending
(A tragédia parece interminável)
I'm watching everyone I looked up to breaking, bending
(Estou assistindo à todos que eu admirava quebrados e dobrados)
We're taking shortcuts and false solutions
(Estamos pegando atalhos e falsas soluções)
Just to come out the hero
(Só para por para fora o herói)
Well, I can see behind the curtain
(I can see it now)
(Bem, eu consigo ver através da cortina [eu posso ver agora])
The wheels are cranking, turning
(As rodas estão funcionando, girando)
It's all wrong, the way we're working
(Está tudo errado no jeito que estamos trabalhando)
Towards a goal that's nonexistent
(Em direção a um objetivo inexistente)
It's not existent, but we just keep believing
(Ele não existe, mas nós continuamos acreditando)
Nessa parte, eu pensava nos últimos meses que passei com Blaine. Apenas digo que isso descrevia bem a situação.
And the worst part is
(E a pior parte é)
Before it gets any better
(Antes de ficar um pouco melhor)
We're headed for a cliff
(Somos encaminhados à um abismo)
And in the free fall
(E na queda livre)
I will realize I'm better off
(Eu perceberei que eu fico melhor)
When I hit the bottom
(Quando eu atinjo o fundo)
I wanna know what it'd be like
(Eu quero saber como seria)
To find perfection in my pride
(Achar perfeição no meu orgulho)
To see nothing in the light
(Não ver nada na luz)
And turn it off, in all my spite
(Ou me desligar de todo meu rancor)
In all my spite, I'll turn it off
(De todo o meu rancor, eu vou me desligar)
Just turn it off
(Simplesmente me desligar)
Again, again, again...
(Outra vez, outra vez, outra vez...)
Eu chorava. Ter sido rejeitado por ele me doeu tanto... Mas ele não precisava e não iria saber. Mas na solidão do meu quarto eu podia por tudo para fora, então chorei.
And the worst part is
(E a pior parte é)
Before it gets any better
(Antes de ficar um pouco melhor)
We're headed for a cliff
(Somos encaminhados à um abismo)
And in the free fall
(E na queda livre)
I will realize I'm better off
(Eu perceberei que eu fico melhor)
When I hit the bottom
(Quando eu atinjo o fundo)
(Repete)
Fechei os olhos e suspirei fundo ao som do instrumental final. As palavras de Santana, ditas na casa de meu pai, gritavam em minha mente.
"Jesus, Kurt !! Apenas se lembre de você mesmo aos 17 anos. Sozinho, incompreendido e subestimado. Ninguém te dava o valor que você merecia, ou ouvia o que você tinha a dizer, ou te elogiava pelo que você fazia. Sabe quando isso mudou? Quando Blaine chegou. Ele te deu tudo isso e um pouco mais. Ele fez tudo por você. A cada erro, ele se arrependeu amargamente e aprendeu com eles. Mas sabe de uma coisa, Hummel? Ele não deveria ter feito isso. Ele jamais deveria ter feito nada por você, porque você é UM IDIOTA QUE NÃO DÁ VALOR À NADA QUE FAZEM POR VOCÊ !!"
Santana e sua boca maldita. Sempre tão certa. É uma pena que eu só percebi isso muito tempo depois daquela noite.
~ H.A ~
Pov's Daniel
Sério, a vida é uma droga. Uma perfeita droga. Eu estava lá, feito um retardado, guardando para mim todos os meus sentimentos em prol dela, me rebaixando no meu próprio conceito só para por ela em primeiro lugar, e o que ela faz?
Dá bola para o primeiro engomadinho que aparece. Não se pode ter tudo que se quer, afinal.
Lembro que, quando eu soube como Kurt realmente havia ido embora, eu pensei "Não dar valor à quem realmente se importa deve estar no sangue dos Hummel".
Quando estávamos indo embora, eu e Alex ficamos mais para trás. Perguntei como quem não quer nada:
— Você sabe alguma coisa sobre o Kevin?
— Gosto como você se preocupa com ela. Tracy precisa de um amigo assim. Ela é meio inocente demais — ele disse com um sorriso sacana — Tudo que sei é que ele é filho do professor do coral.
— Ah é? Qual é o nome do professor deles?
— Sebastian Smithe.
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