It's In The Blood

1 This Time It Will Last Forever (introdução)


Notas iniciais
Heeey ! Essa é minha segunda fic, mas a primeira que eu vou terminar hehehe. É uma história bem diferente, eu acho. E acho q tem muito de Tracy em mim (ou de mim nela) Foi um sufoco escrever isso, e um maior ainda postar, então realmente espero q esteja bom. Enjoy :)

"Agosto de 2036"

Pelo menos dessa vez, ela estaria ali. E, dessa vez, eles não seriam os penetras.

Estava no salão onde ocorreria a recepção. Verificava as mesas, comes e bebes, tudo em ordem. Viu o local da cerimônia lá fora, a luz das estrelas. Os bancos organizados em meio ao jardim, a passarela até o altar estava iluminada por pequenas luzes presas ao chão, alinhadas com os bancos. Olhou para o altar, com um pequeno púlpito e decorado por um grande arco de flores. Alguns convidados chegavam, já se acomodando. Viu alguns familiares chegando (tanto aqueles ligados pelo sangue, quanto aqueles acolhidos por seus pais ao longo da vida) e sentiu-se feliz. Talvez desse certo dessa vez, afinal.

Voltou para o salão. Cantarolava quase inconscientemente aquela mesma velha canção da Katy Perry. Ela nem era nascida quando aquela música fez sucesso.

Mas talvez nem tivesse nascido, se não fosse por ela.

Uma certa morena havia prometido ajudá-la com aquela responsabilidade. Olhando em volta, encontrou-a conversando com a responsável pelo buffet. Rachel estava linda, usando o vestido azul de madrinha, o coque com duas mexas soltas emoldurando o rosto. Tinha aquela postura típica de uma estrela, presente na forma de andar, de falar. Algo que a garota tinha herdado.

— Mãe! — exclamou. A mulher virou-se para ela e abriu o seu mais brilhante sorriso.

— Filha! Ah, meu Deus, querida, olhe para você! Tão linda! — disse a mais velha, abraçando-a e depois a fazendo dar "uma voltinha". — Está deslumbrante!

A menina usava um vestido longo, num tom de azul um pouco mais escuro que o das madrinhas. O cabelo negro, usualmente difícil de domar, descia lindamente por seus ombros, ondulante. A maquiagem era mínima. Mas toda a produção perdia o destaque para a ambiguidade de seu olhar.

— Sem lentes hoje, hm? — Disse a mãe, arqueando a sobrancelha.

— Sem lentes — respondeu a garota, sorrindo. Toda a bagunça genética que resultou em seu nascimento deixou apenas uma "sequela": ela tinha heterocromia. E seja coincidência, ou destino, um de seus olhos era azul elétrico. O outro... bem. Seria dourado? Castanho esverdeado? Mel? Difícil dizer.

Ela costumava usar lentes para "igualar" seus olhos quando saía de casa. Não queria chamar a atenção para si (esquecendo que só por ter pais famosos, todos olhavam para ela em todos os lugares). Mas nesta noite, ela queria lembrar de onde vinha. Queria simbolizar aquela união. Queria dar sorte para que esta fosse eterna.

— Bem, se está tudo pronto por aqui... Preciso ir falar com os noivos — acima do salão, em salas separadas, seus pais se arrumavam. — Eles devem estar umas pilhas de nervos. Só não sei se vou ver o pai ou o papai primeiro... — completou, com uma expressão adorável de confusão.

— Vá ver o seu pai. Ele deve estar pirando com a possibilidade de ser largado no altar. Seria o quarto pé na bunda, coitado. Ele está traumatizado — diz a mãe. Ambas riem. — Eu vou lá ver o Hummel. Por algum motivo, seu pai sempre fica mais calmo com você por perto. Eu vou domar o provável ataque de pânico do papai, e então você pode ir falar com ele.

Elas riram outra vez. Após um abraço, ela dirigiu-se as escadas. No andar de cima, virou a esquerda no corredor, e no final dele, abriu a porta. Viu o moreno arrumando a gravata, claramente nervoso.

— Você está lindo, Sr. Anderson. Se não fosse meu pai, te daria meu número de telefone.

Blaine olhou para a filha através do espelho, rindo. O cabelo estava perfeitamente arrumado em um leve topete. Os olhos brilhavam como se toda uma galáxia habitasse ali, girando em torno de sua felicidade. Virou-se para a menina, chamando-a com a mão. Quando estavam próximos, abraçou-a e beijou sua testa. Respirou fundo e sussurrou, meio sufocado:

— Eu estou tão, tão nervoso, minha pequena...- suspiro.- Eu só... só quero que isso dê certo. Mais que tudo, eu quero que a gente dê certo de uma vez.

— Vai dar, pai. Vocês vão conseguir. — Ela levantou o rosto, cravando seus olhos nos do pai. — Ou eu não me chamo Tracy Hummel-Anderson.

* * *

Depois de ir falar com Kurt e assegurar-lhe que não, ele não parecia velho, acabado, gordo, mal vestido ou qualquer coisa que fizesse Blaine desistir, Tracy voltou para o andar de baixo. Já estava quase lá fora para receber os convidados, quando alguém passou o braço por seus ombros.

— Até que você fez um trabalho descente, Hobbit. — Ela revirou os olhos. Não precisava olhar para saber quem era. Só uma pessoa no mundo a chamava assim.

— Até que você está gentil hoje, Snixx.
Daniel Lopez-Pierce era seu melhor amigo a anos, apesar de terem sido inimigos na infância. Brigavam por tudo e por nada, perseguindo um ao outro dentro de casa e deixando os pais loucos. Ele sempre fez piada com sua altura. Ela certa vez ouviu os adultos falando da "personalidade do mal" de sua tia Santana. E logo chegou a conclusão que esta havia encarnado no corpo do menino que atazanava sua vida, e passou a chamá-lo assim. O tempo transformou a rixa em amizade, e os apelidos maldosos em algo carinhoso.

— Não se acostume. — Ela riu, e e ele ficou na sua frente, a olhando nos olhos. — Mas falando sério. Isso aqui está lindo. Sem contar tudo o que vocês fez para isso acontecer. Você é brilhante, Tracy.

— Obrigada, Danny. — Ela sorriu, e não notou quando ele perdeu o fôlego. — Eu realmente estava com medo de não conseguir organizar tudo.

— Como? Tracy, você é filha de Kurt Hummel-em alguns instantes — Anderson. Organizar casamentos está no seu sangue. — Eles riram. — Seus pais devem estar muito orgulhosos de você. Acho até que o tio Kurt vai deixar de ser tão orgulhoso, só para não correr o risco de desperdiçar seu esforço.

— Não vamos ser tão otimistas, querido. — Mais risadas. Ela não notou quando o apelido fez o amigo se arrepiar.- Bem, eu preciso ir receber os convidados agora. Mas, sobre o orgulho do papai, talvez seja um resquício de rancor, já que meu pai demorou séculos pra notar que gostava dele, e que papai estava apaixonado por si. Ele sempre foi meio lerdo, afinal.

E saiu, rindo. Não recebeu a cara indignada de Daniel, que logo se transformou numa expressão divertida, acompanhada de um suspiro e um menear de cabeça. Não percebeu o olhar apaixonado dele sobre si enquanto cumprimentava os convidados. Não se deu conta de quão irônico seu comentário tinha soado, pois não sabia que vinha fazendo a mesma coisa que seu pai, nos últimos quase dois anos. Provavelmente era ainda mais lenta que ele.

Provavelmente isso estava no sangue.

Notas finais
Bom ? Ótimo ? Péssimo ? Realmente gostaria de saber então... comente !!Até o próximo capítulo :D