Notas iniciais
OLÁ PESSOAS !!! Não demorei muito, não é ? Queria ter postado no Natal, mas não consegui :( Mas deixando as desculpas para depois, preciso esclarecer algumas coisas sobre a história. Primeiro, a partir daqui pretendo escrever em primeira pessoa. Mas nos próximos dois ou três capítulos, teremos apenas pov's Tracy, pq ela precisa contar histórias que serão importantes pra fic. Mas teremos, mais a frente, pov's Kurt, Blaine, Daniel, e outros personagens próximos ao casal e a ela. Tbm peço atenção ao ler, por que Tracy vai variar muito entre chamar os entes queridos pela nome e chamar por pronomes (pai, papai, mamãe, madrinha, etc). Vcs vão perceber , agora no começo, ela é bastante confusa. Mas logo isso se ajeita. Sem mais delongas, dêem as boas vindas a nova Hummel-Anderson :D

Pov's Tracy

Eu vim a esse mundo com o intuito de trazer amor e felicidade aos meus pais. De dar-lhes uma família. Mas para que eu pudesse realmente vir para cá, eu causei um bocado de discórdia.

Eles estavam casados há três anos quando tomaram a decisão de ter um filho. Conseguiram organizar um jantar com as pessoas para quem queriam contar primeiro: Mercedes, Rachel, Quinn, Sam, Tina, Jeff e Nick (como meu pai os reencontrou é uma longa história que contarei depois), além de vovô Burt, minhas avós Carole e Pam, e o tio Cooper.

Quando eles deram a grande notícia, a felicidade invadiu a sala de jantar. Vovô perguntou se eles achavam o momento adequado, já que papai estava prestes a abrir sua agência de moda e o pai estava no último ano de faculdade e fechando contrato com uma gravadora. Além de estarem fazendo uma peça na Broadway. Mal tinham tempo para si mesmos, quem dirá para um bebê !

Foi quando eles se explicaram que os seus problemas começaram.

O motivo para estarem decidindo isso agora era simples: eles queriam usar uma barriga de aluguel. E isso é um processo demorado. É preciso se escolher uma mulher que não vá fugir com seu filho, fazer uma infindável bateria de exames, ter infindáveis conversas com assistentes sociais, assinar infindáveis papeladas... O processo até a gravidez em si pode levar até três anos. Até lá, eles já estariam estabilizados e mais que prontos para serem pais.

Automaticamente Rachel começou a falar, alto e rápido, como ela TINHA que ser a mãe do filho de seu melhor amigo. Papai levantou e a abraçou chorando.

— Você sabe que eu nunca iria confiar em outra pessoa para isso, não é, Rach ?

— E nós não esquecemos nossa promessa, Quinn — disse o pai, piscando para a mesma.

— Q-que bom, meninos ! — Ela respondeu, sorrindo amarelo.

Ninguém entendeu o porque daquela reação, ela sempre esteve tão animada para ser a doadora dos óvulos. E quando a ficha de todos caiu, acharam melhor fingir não ter notado o desapontamento dela.

A razão era Rachel ser a barriga de aluguel. Há alguns meses atrás, elas haviam entrado numa briga tremenda. Tudo por causa do que a Glee Family (como eu chamo os amigos de colégio dos meus pais, que são como uma família para nós) chama de "O Incidente Da Despedida De Solteira".

Eu só fui entender o que realmente era o incidente aos 16 anos, pois até hoje elas trocam farpas. Tudo aconteceu na despedida de solteira de Rach. Ela convidou todas as amigas do ensino médio e da faculdade. Mas em algum momento ela e Quinn começaram a beber e dançar juntas. Os dançarinos perderam a graça, em algum ponto. Elas se beijaram. Foram parar em um quarto. Acordaram nuas, lado a lado, no dia seguinte.

A briga começou quando Santana resolveu tirar sarro se Quinn, dizendo que a noite delas no quase — casamento do Sr. Shuester a tinha feito pegar "gosto pela fruta". Quando Rachel descobriu que não era primeira vez que Quinn fazia aquilo com uma mulher, a acusou de ter aproveitado que ela estava bêbada e abusar dela. Quinn jurava que também estava bêbada e que Rachel estava sendo injusta ao acusá-la de estupro. Ela não havia forçado nada, argumentava. Em menos de um mês o clima era de puro ódio. Tia Sant diz que Rachel inventou essa briga para se afastar e não assumir que tinha amado a noite. Ela é bem venenosa.

Tudo havia acontecido poucos meses antes do jantar organizado por meus pais. Era muito recente e havia muita mágoa. Depois uma noite de sexo da qual as duas — supostamente — se arrependiam amargamente, a ÚLTIMA coisa de que precisavam era ter um filho "juntas".

Elas não tocaram no assunto durante o jantar. Mas assim que tiveram a oportunidade, começaram a infernizar os meus pais. A questão é que eles amam as duas. Eles haviam prometido a Quinn que ela doaria o óvulo antes mesmo de seu segundo término. E Rachel é melhor amiga do papai, e também é muito querida pelo pai. Eles nunca confiariam em outra pessoa.

Levaram meses para convencê-las a ao menos separar as coisas e ajudá-los. Foram meses loucos. Durante uma discussão, elas jogaram pratos uma na outra. PRATOS ! Tudo por causa de algo feito durante um momento em que elas não estavam conscientes do que faziam e que poderia ser esquecido ou ignorado. As vezes concordo com Tia Sant. Mas, depois de um tempo, elas passaram a aturar a ideia, pelos amigos.

Mas logo esse problema foi substituído pelo fator genético. Nos primeiros exames, os médicos disseram que misturar os genes delas com qualquer um dos possíveis pais, poderia acarretar em graves sequelas, físicas e/ou psicológicas ao bebê. Algo referente a etnia e combinações perigosas de genes recessivos, coisa que nunca entendi totalmente.

Mais meses de indecisão. Foi proposto não usar o óvulo de Quinn. Indicaram Blaine como o pai mais "seguro". Mas saber de antemão quem seria o pai estava fora de cogitação. Eles planejavam enviar o sêmen de ambos ao laboratório e utilizar um processo onde o médico receberia as duas amostras sabendo que pertenciam a eles, mas sem saber qual é qual. E então nem ele mesmo saberia quem seria o pai. Tudo isso porque eles queriam evitar brigas em que a paternidade fosse um argumento. Para que ninguém ficasse excluído em nossa família. Não que eu fosse capaz de renegar à um deles por não ser meu pai de sangue, mas eles queriam evitar. E também não queriam ter que desistir de incluir Quinn no processo.

Depois de tantos meses debatendo os pós e contras e as possibilidades numéricas, eles decidiram arriscar. Todo o planejamento havia começado em 2018, mas mamãe só engravidou em 2020. Com o óvulo de Quinn e sem saber quem era o pai.

Elas sempre dizem que meus pais nunca foram tão grudados como foram naqueles 9 meses. Decoraram meu quarto juntos. Compraram minhas roupas juntos. Não tinha tempo ruim. Não haviam dias tristes. Me sinto feliz por ter sido o motivo da felicidade.

* * *

O dia em que nasci, aparentemente, foi uma loucura.

Eram quatro e meia da manhã. Meus pais dormiam abraçados quando o telefone tocou. Sonolento e meio emburrado, Blaine se levantou e atendeu.

— Alô ? — disse, a voz rouca e meio enrolada

— VOCÊS TEM QUE VIR PRO HOSPITAL AGORA! — gritou um Jessie extremamente desesperado do outro lado. — RACH ENTROU EM TRABALHO DE PARTO !

Foi todo o necessário para que ele acordasse.

Mamãe ficou quase 12 horas tendo contrações antes de REALMENTE começar a dar a luz. A sala de espera se resumia aos amigos mais próximos preocupados hora com Rachel, hora com os dois pais desesperados.

As três e vinte da tarde, quando eu já estava (finalmente) dando sinal de que iria sair, meus pais e Quinn finalmente conseguiram entrar na sala de parto. O fato é que era difícil explicar aos médicos que, biologicamente, eu tinha dois pais e duas mães.

— Mas quem é o pai ?

— NÓS! — meus pais gritavam. O obstetra de mamãe não estava em plantão nesse dia, e o presente não tinha conhecimento do caso de meus pais. Papai chorava e implorava ao pai que ele não o deixasse perder o nascimento de sua menina.

Quando finalmente foram encaminhados à sala de parto, Quinn entreouviu um curto diálogo entre meus pais, que fez questão de me contar tão logo eu fui capaz de compreender. Eu imagino a cena, e percebo como eu já cheguei fazendo aquilo que sempre fiz de melhor: evitar a discórdia e mantê-los unidos. Lembrá-los que se amavam e que é por isso que eu estou aqui.

— Se ela tiver olhos azuis, intensos como o mar e, ao mesmo tempo, calmos como o céu, é sua. — sussurrou o pai, acariciando a mão do outro com o polegar. Papai riu timidamente antes de responder.

— E se tiver olhos dourados/mel/castanho esverdeados, ainda não cheguei a um consenso sobre isso- Blaine riu levemente- com o poder de aquecer a mais perturbada alma, é sua.

Mas eis a questão: eu não era de um deles apenas. Nunca fui, nunca seria.

Imagine qual não foi a surpresa deles, depois de longos minutos onde mamãe gritou, xingou e apertou a mão do meu pai, enquanto papai abraçava-o e era abraçado por Quinn, chorando junto com todos ao me ver lentamente saindo; depois de o cordão ser cortado, e eu minimamente limpa e entregue a minha mãe. Quando eu a olhei, e depois olhei para eles, após ter parado de chorar por um tempo.

Com um intenso, mas calmo, olho azul. E um outro quente e acolhedor olho dourado.

— B-bee... Bee, olha...v-veja os olhos dela! Bee!- Papai gaguejava, agora abraçado ao marido chorando de alegria em seu peito.

— Kurtie... e-ela não é m-minha ou sua... Ela é nossa ! É a nossa pequena, meu amor !

* * *

Sempre me emociono com essa história. Toda vez que alguém a conta. Me emociono porque é bom pensar que fui desejada e esperada por muito tempo, mesmo muito antes de ser uma vida em formação. E porque todos dizem que todo aquele planejamento que uniu tanto meus pais, e aquela pequena percepção de meus pais, que eu não era um pedaço de um deles, das sim dos dois, independente do sangue, eram uma amostra do que eu seria e como agiria do decorrer do anos. A pequena Tracy Hummel-Anderson, bancando a "cupida" desde a sua primeira palavra — literalmente. A criança inocente que armava planos para acabar com brigas bobas e climas tensos. A mini salvadora.

Acho que é por causa dessa pequena mania de infância que me senti terrivelmente culpada quando toda aquela merda aconteceu. Eu sabia que não tinha nada a ver com aquilo. Mas algo em mim insistia em perguntar : O que será que fiz de errado ?

Ou melhor: O que eu devia ter feito pra evitar ?

Notas finais
Tadinha da Tracy, só tem viado e sapatão na família, nem a mamãe escapa. E se preparem pq Tia Sant tem muitos podres pra contar pra ela ashuashua E pq será q ela disse q apóia o relacionamento dos pais "literalmente" desde a sua primeira palavra ? E esse papo de cupida ? E q merda foi que aconteceu ? Veja isso é muito mais no próximo capítulo !!! E talvez tenhamos mais de Tracy e Daniel tbm (aceitando sugestões pro shipp name deles). Perdão qualquer pequeno erro que possam encontrar, e qualquer problema na formatação do capítulo. Estou escrevendo no bloco de notas do celular, estou sem PC e não queria perder a inspiração pra essa história, então peço compreensão. Então, sugestões ? Críticas ? Comentários ? Gosto de saber a opinião de vcs :D Até o próximo, galera !!