Notas iniciais
Oi gente, digamos que esse capitulo ficou um pouco revoltadinho kkkk é assim que me senti enquanto escrevia, confesso que fiquei P* da vida com aquela declaração (decorada) da Lea sobre o Cory. Gente, sério, me desculpa quem Shippa Monchele, mas naquela declaração ela tentava mais convencer de que Achele não foi real, do que seu "amor" pelo Cory, e isso me revolta. --'
Raiva a parte, ta aqui mais um capitulo, espero que gostem *-*

Ela não soube dizer quanto tempo havia passado desde que Santana desligara o celular. Horas, dias, meses. O ambiente pareceu pegar fogo apenas com o olhar da morena, e Quinn parecia estática ainda dissolvendo a noticia. Ela nunca poderia esperar por aquilo. Sam? E...Brittany? A Britt-Britt? Aquela que cresceu com ela e Santana brincando nos balanços do parque da cidade? Aquilo era um tanto...Estranho.

– Santana você está me assustando. — foi a única coisa que a loira foi capaz de dizer ao se aproximar da amiga que no mesmo instante se afastou como se tivesse levado um choque com o toque.

O silencio foi absolutamente incomodo e Quinn já estava cansada de sentir-se assim desde que chegou a cidade, como se não pertencesse ali ou com se algo lhe faltasse. Santana desviou-se dos braços da loira e andou em passos apressados em direção á escada. Quinn, temendo o pior, correu logo atrás dela e entrou no quarto principal onde agora a morena remexia a gaveta da comoda desesperadamente.

– O que está procurando? — a pergunta saiu mais desesperada do que o ato da amiga. — Santana, você não tem uma arma ai dentro, tem?

– Estou procurando o boneco de voodoo que fiz para a Berry uma vez. Ele ainda deve servir para alguma coisa, só preciso de uma cabeleira loira, oliosa e uma tampa pra usar como boca! — as palavras saíram um pouco sistemáticas e céticas.

Quinn não duvidou que ela estivesse dizendo a verdade, mas também sentiu-se mais aliviada por não ser uma arma de fogo.

– Pare com isso, Sant. Tudo bem, eu também achei estranho esse namoro, mas você terminou com ela...

– Cala a boca! — Santana se virou agressivamente para Quinn com os olhos tão vermelhos, que ela poderia jurar que nunca os tinha visto daquele jeito. A loira recuou alguns passos surpresa com a reação da outra. — Você não sabe o que estou passando, e provavelmente nunca vai entender!

Mais uma vez, a latina passou por Quinn descompassadamente e desceu de volta para a sala, mas como Quinn poderia ficar calada vendo sua amiga ser uma egoísta?

– Quando vai entender que o mundo não gira em torno de você? — gritou dando um empurrão nela. — Você se deu o trabalho de ir até Lima para terminar com ela, e agora espera que ela fique sentada como um cachorrinho esperando você criar coragem para voltar? Eu acho que não!

Santana deu um soco na parede e engasgou com as próprias lágrimas, Quinn primeiro ficou preocupada, mas a raiva que estava sentindo no momento era tamanha que sua pose firme voltou no mesmo instante em que a latina avançou contra ela com as palavras explodindo na boca.

– Eu mandei você calar a boca, Fabray! Eu não fui á Lima para terminar com ela, sua imbecil! — praticamente cuspiu as ultimas palavras. — Tudo parecia bem. Parecia. Ate Brittany me lembrar que eu a deixei para trás, que ela estava machucada sem mim. Sabe como aquilo me atingiu? Sabe como eu me senti?

– Santana...

– Não! Você não sabe! Você não sabe o que é amar alguém, Fabray. Como espera que eu possa lhe explicar? Sua vida é uma completa mentira, assim como você, assim como minha vida longe dela!

O choro parecia inevitável. Quinn sentiu-se cambalear com as palavras da amiga e abaixou a cabeça. Santana, por outro lado, parecia estar colocando para fora o que guardara desde o dia em que terminara com Brittany, mas Quinn não conseguia entender como aquilo poderia estar atingindo tanto alguém como a latina. Sim, ela sabia do amor e tudo o que a outra passara por Brittany, ela sabia de tudo isso e se orgulhava da amiga. Mas, ver o estado em que ela chegara apenas com a noticia de que Brittany seguira em frente, era como assistir a uma peça desconhecida. Não parecia o bastante para Quinn, todo o desespero de Santana parecia...Exagerado.

– Hey, Hey! — Quinn tentou segurar os ombros da morena. — Você está sendo dramatica. Aceite que ela seguiu em frente, e aproveite para seguir também. A vida é assim, não deu nessa, na próxima você consegue.

Santana encarou Quinn parecendo não acreditar no que estava ouvindo. Balançava a cabeça negativamente atordoada e perplexa.

– Um dia você vai sentir a mesma dor que eu estou sentindo!

– Não, você está sendo dramá-

Um tapa. Um tapa foi o que bastou. Santana lançou uma ultima olhada para Quinn e então enxugou as lágrimas e subiu, dessa vez a loira não a seguiu, continuou encarando o vazio enquanto massageava o lado esquerdo da face onde ainda queimava. Talvez Santana não estivesse exagerando, pensou, talvez aquilo realmente a tivesse consumindo. Ela só queria entender o porque... Como alguém poderia amar tanto outra pessoa a ponto de destruir paredes protetoras como as de Santana?

Ela só queria entender.

***


Ainda na cama, Quinn se remexia inquieta. Era um novo dia e isso significava mais um dia monótono, encarando uma morena nada feliz, e pensando na saúde de Rachel. Haviam se passado quase três dias e tudo o que Quinn desejava no momento era voltar para Yale, pular as parte em que servia de amante, se enfiar nos livros e ignorar as pessoas, afinal, lidar com elas não era uma tarefa fácil.


Não para ela.

Levantou da cama e tomou um bom banho para ver se despertava completamente. Vestiu uma calça e antes mesmo de terminar de se arrumar, seus olhos automaticamente correram para um diário esquecido no criado mudo ao lado da cama. O coração de Quinn deu um salto ao se lembrar dele, e mais ainda, em cima do diário, seu celular anunciava duas novas mensagens. Sem perder tempo, ela caminhou até ele tremendo de frio por estar apenas de calça e sutiã e abriu a primeira mensagem revelando ser de Kurt:

"Pensei que gostaria de vê-la, estarei aqui no hospital caso apareça."

E na segunda mensagem estava o endereço do hospital.

Quinn sentiu o celular escorregar de suas mãos. Ela poderia vê-la? Ela poderia ver Rachel? Pensou que talvez fosse uma brincadeira de mal gosto. Mas, então balançou a cabeça se perguntando porque Kurt brincaria com isso. Oh, meu Deus. Só de imaginar ver a pequena outra vez lhe causou mais calafrios do que se lembrava ter tido na vida. Sem perder tempo, vestiu uma cacharrel branca e uma jaqueta de couro preta por cima. Calçou suas botas e penteou o cabelo com as mãos mesmo. Pegou o celular e a bolsa e desceu para a sala encontrando-se sozinha. Santana ainda não acordara em plena segunda feira de manhã? Estranho. Visualizou o objeto prateado em cima da estante e hesitou alguns instantes, mas como não estava pensando muito naquele momento, decidiu que não haveria problema em pegar o carro de Santana emprestado. Elas eram amigas. Certo?

No caminho, Quinn se lembrou de sentir fome e se odiou por perder mais tempo parando em uma lanchonete para comprar um lanche natural. Decidiu que comeria no caminho, enquanto dirigia. Ela estava no automático, nada a fazia parar e ela amaldiçoou Santana por morar longe do hospital. Ligou o rádio e resolveu verificar o que a amiga escutava, não pode deixar de sorrir ao constar que aquele era um CD com a maioria das musicas do ND original que Artie gravara para todos, e a faixa estava em Songbird. Quinn sentiu-se mal ao se lembrar de que ensaiara junto de Santana para que ela cantasse essa música para Brittany, aquela definitivamente não era uma musica que fazia bem para a loira. Então ela decidiu continuar mudando as faixas e seu dedo automaticamente se afastou do MP3 quando a musica I Feel Pretty/Unpretty começou a tocar. Ela reconheceu sua própria voz e no entanto, ao ouvir a voz de Rachel sentiu vontade de chorar. Havia tanto tempo que não escutava aquela voz que era como se os anos não tivessem passado, como se...Droga! Por que ela se sentia tão vulnerável?

Quinn estacionou o carro em frente ao hospital e de repente recobrou a consciência. Ela estava ali para ver Rachel, a Rachel do presente, que talvez não fosse mais a pequena Rachel do passado.

Suas pernas a conduziram para dentro do hospital que não parecia movimentado naquela segunda, nem mesmo a rua estava movimentada. As pessoas pareciam mais preocupadas em ficar em casa naquele frio, a sair para contemplar a Big Apple. Não demorou muito para reconhecer Kurt sentado em uma das cadeiras da sala de espera ao lado de três homens e uma negra que Quinn reconheceu no mesmo instante.

– Mercedes? — chamou surpresa. A negra pareceu procurar por quem a chamara e ao encontrar Quinn, deu um largo sorriso e foi de encontro dela para dar-lhe um abraço.

– Quinn! Que surpresa vê-la por aqui. — disse bagunçando os cabelos da loira que sorriu. — Você está linda!

– Você é quem está, Mercedes. — rebateu envergonhada. — Senti sua falta. — disse sincera dando mais um abraço na outra que sorriu mais ainda. Mercedes era uma das poucas pessoas que conseguia sentir falta de verdade, e também, uma das poucas pessoas em quem conseguiu confiar no colégio.

– Olá, Quinn. — a loira se virou para Kurt que tinha um pequeno sorriso no rosto e os olhos inchados. — Sabia que você viria.

Ela sorriu e abraçou o rapaz.

– Como ela está?

– Daqui a pouco você pode entrar para vê-la. — ele disse voltando a se sentar. Quinn jamais pensou encontrar um Kurt tão desanimado como o que vira no apartamento e agora no hospital.

Ela passou os olhos pelos outros homens e reconheceu Brody encostado na parede. Ela se perguntou porque ele estava ali, sendo que as visitas eram apenas para família e amigos próximos.

Mas, ela não era nem amiga e nem próxima de Rachel...

– Quinn Fabray? — uma voz desconhecida a chamou. Ela olhou para o homem alto que a encarava e balançava a cabeça. — Eu sou Hiram e esse é meu marido Leroy. — o mais baixo estendeu a mão para ela. Eles pareciam tão abatidos quanto Kurt. — Somos os pais de Rachel.

Então ela se lembrou. Definitivamente eles eram os pais de Rachel, ela os conheceria no dia do casamento se não tivesse sofrido o acidente. Quinn sentiu-se mal por estar ali como uma intrometida, perante aos dois homens que lhe sorriam agradavelmente.

– Então, Quinn... Onde está Santana? — a pergunta foi de Mercedes que parecia mais curiosa sobre os ultimas acontecimentos, a loira suspeitou que Kurt tivesse lhe contado sobre a viagem e a estadia na casa da morena.

– Ela não está muito bem, — pensou no que poderia dizer. — Ela...Ela soube de algumas coisas...

– Descobriu que Brittany está com o Sam? — perguntou Kurt um pouco mais animado. Quinn arregalou os olhos. — Não se preocupe, todos já sabem, ele fez questão de alterar o status do Facebook.

Quinn compreendeu e abaixou a cabeça.

– E você? O que faz aqui? — foi a vez de Quinn perguntar a negra, cujo sorriso morreu no mesmo instante.

– Assim que soube o estado de Rachel eu viajei e só volto assim que ela receber alta...

O que ela disse depois não fez diferença, a mente de Quinn parou em "receber alta".

– Do que está falando, Cedes?

A negra e o rapaz trocaram olhares significativos e ela segurou um ombro de Quinn.

– Um milagre.

– Um... O que...?

Ela teria ao menos tentado terminar a frase se Kurt não a tivesse cutucado e segurado sua mão fazendo-a segui-lo. Uma moça esbelta e morena saia de um dos quarto que Quinn deduziu ser de Rachel assim que Kurt parou em frente a este. A moça deu um meio sorriso a ele e Quinn pode ler na bolsa da moça "NYADA". Então Rachel tinha amigos na faculdade?

– Eu não sei se é milagre Quinn, ou se o destino está fazendo as coisas da maneira dele. — disse Kurt praticamente num sussurro. A loira não entendeu muito bem o que o rapaz disse, mas logo foi deixada sozinha em frente ao quarto.

Ela pensou uma, duas, tres vezes antes de girar a maçaneta e entrar.

De primeiro a imagem assustou a loira, não, assustar seria muito pouco: deu uma parada cardíaca. Nada do que ela esperava encontrar estava ali naquele quarto. Por que? Pois Rachel estava meio sentada na maca coberta até o peito por uma manta, parecia mais magra que de costume e alguns fios em seus braços. Mas...

Ela estava acordada.

Então era esse o milagre de que Mercedes falara?

Quinn não soube explicar, mas seus pés afundaram no chão e seus olhos cravaram nos castanhos da pequena. Ela parecia tão frágil, como porcelana e ao mesmo tempo tão...

Linda?

– Estava pensando quanto tempo mais você levaria para abrir a porta. — foi o primeiro comentário de Rachel.

Seu primeiro comentário e ela usa desdém? Faça-me o favor.

– Como se sente? — foi a unica coisa que saiu da boca da loira no instante em que conseguiu desprender os pés do chão e dar alguns passos, mas nada que a deixasse próxima a Rachel.

– Ainda sinto pontadas na cabeça, meu corpo dói. Na verdade os médicos dizem que acordei de madrugada, mas eu não me lembro. É como se eu tivesse dormido a vida inteira e despertado para algo novo, ainda estou preocupada com meu corpo pois não quero ter sequelas muito graves...

Quinn sorriu aliviada. Rachel Berry e seus monólogos estavam de volta, e isso a fazia tão feliz, e por um momento tudo o que queria fazer era passar um tempão ouvindo monólogos dela.

– Hum...Você pode se aproximar se quiser, não é contagioso.

As duas sorriram e Quinn se aproximou mais, parando ao lado da cama. De repente tudo pareceu flutuar e Quinn não sabia mais o que era real e o que não era, ela estava ao lado de Rachel.

E Rachel estava viva.

O sorriso da pequena diva não demorou muito para morrer nos lábios, assumindo assim uma linha reta. O de Quinn também morreu, elas se encararam agora com tanta intensidade que seria possível uma troca de energia.

– Por que você está aqui, Quinn? — a pergunta foi dolorosa. Uma facada. Quinn perdera a conta de quantas vezes havia sido atingida desde que chegara e algo a fazia ter vontade de fugir do quarto, encarar agora aqueles olhos castanhos estava sendo angustiante.

– Eu... — e então ela procurou em sua mente os motivos que a levaram ali. Repensou desde o dia que chegara e chegou a conclusão de que não tinha uma resposta. Ela apenas estava ali, preocupada com a pequena, apenas passara praticamente duas noites em claro pensando no estado dela e se perguntando quando seria a ultima vez que a veria. Mas, isso não era algo a se dizer, soaria estranho para outros. — Eu não sei.

Mais uma vez Rachel apenas fitou a loira. Algo lhe intrigava naqueles olhos esverdeados e ela queria descobrir o que, mas não poderia negar que estava extremamente feliz de ter a loira ali do seu lado, já fazia tanto tempo. Até mesmo a verdade ainda não dita parecia distante naquele momento.

– Obrigada. — ao contrário do que vocês poderiam pensar, isso saiu da boca de Quinn, acompanhado de uma fina lágrima. Rachel pareceu surpresa, e procurou a mão de Quinn. A loira olhou para suas mãos enlaçadas e sentiu seus olhos transbordarem em lágrimas ao sentir o toque. — Obrigada por estar viva.

Num impulso ela inclinou seu corpo ao de Rachel e deu-lhe um abraço não muito apertado para não causar dor na pequena. Encaixou a cabeça ao peito dela e rodeou o pequeno corpo com o braço direito, Rachel se esforçou para afastar um pouco as pernas para que Quinn deixasse as dela em cima da maca. E assim elas ficaram por alguns minutos, Rachel acariciava os cabelos de Quinn com uma das mãos e a outra segurava o ombro da loira, impedindo-a de ir embora caso batesse arrependimento. E Quinn chorava silenciosamente no peito da pequena, sentindo um alivio jamais sentido antes.

– Já fazem dois anos... — a pequena sussurrou no ouvido de Quinn. — E não houve um dia em que eu tenha deixado de pensar em você. — o corpo todo da loira estremeceu. — Sua amizade foi muito importante para mim, Quinn.

– Eu te dei uma passagem...

– E você tinha a outra.

Silencio.

Rachel continuou acariciando os cabelos de Quinn, e ela poderia jurar que dormiria nos braços da pequena se continuasse assim.

– Acho que houve um caso de ego aqui. — brincou Rachel. Quinn sorriu e se levantou com esforço não queria sair dos braços dela, não queria ir embora de casa, pois foi assim que se sentiu com pequenos braços em volta de seu corpo.

Enxugou as lágrimas e continuou segurando a mão de Rachel.

– Apenas não se jogue mais do palco, Berry. — disse irônica. — Principalmente quando receber um Tony.

A expressão de Rachel endureceu no mesmo instante, como se ela tivesse levado um tiro. Quinn ficou preocupada e pensou em correr para chamar um médico, mas a pequena apertava sua mão com tanta força agora que seria impossível soltá-la.

Os olhos de Rachel se perderam na janela do quarto e Quinn seguiu seu olhar. Dois médicos conversavam a sós com os Berry em um canto da sala de espera, eles pareciam explicar algo cautelosamente até Leroy cair de joelhos com as mãos cobrindo o rosto e Hiram ajoelhar ao lado do marido abraçando-o como se não houvesse amanhã. Os médicos pareciam tristes e decidiram dar espaço ao casal se retirando. Quinn voltou seus olhos para Rachel, que ainda encarava a cena, ela parecia mais fria do que nunca.

– Eles já receberam a noticia. — disse sem desgrudar os olhos dos pais. O coração de Quinn se apertou e ela arfou. Rachel subiu os olhos e encarou os verdes de Quinn, houve uma conexão inexplicável que a loira desejava decifrar. — Durante os exames os médicos descobriram algo a mais. — Quinn desceu da cama sentindo as pernas bambearem. — Eu tenho câncer, Quinn. E provavelmente dois meses de vida!

Há momentos na vida em você deseja desaparecer. Quando tudo a sua volta enche! Seus amigos te traem pelas costas, sua família deseja por você, seus relacionamentos não passam de diversão e pessoas alheias julgam. Isso enche um dia, e você sente vontade de explodir, desaparecer, morrer, tanto faz, com tanto que algo te tire de perto deles. Você se sente num buraco negro, e era num buraco negro que Quinn se sentia agora.

Kurt e Mercedes sabiam! Rachel sabia!

Ela...Oh, meu Deus. Ela morreria. Dentro de dois meses Rachel estaria morta, ela nunca mais veria aquele par de olhos castanhos e...

Quinn sentiu suas estruturas se abalarem. A superfície desapareceu e tudo em sua cabeça rodou, agora sua visão estava em câmera lenta. Ela piscou algumas vezes liberando as lágrimas e afastou sua mão da de Rachel, os olhos da pequena encheram de lágrimas com o ato da loira, mas ela não estava pensando, estava agindo pela razão e sua razão a guiou até a porta de costas. Com uma ultima olhada para a pequena, Quinn girou a maçaneta.

– Quinn, não me deixa, por favor! — aquele pediu queimou o sangue de Quinn e ela trombou em um dos médicos, estava tonta, apoiando nas paredes, caminhou cambaleando pelos corredores, Kurt e Mercedes tentaram impedir, mas com apenas um olhar enfurecido, ela os afastou.

Ela não soube dizer como, mas entrou no carro de Santana e dirigiu loucamente pela cidade. Suas mãos tremiam, suas lágrimas teimavam em descer e ela fazia de tudo para prende-las. O MP3 ligou automaticamente e a música que ouvira por ultimo começou a tocar.

– Mais que inferno! — com um soco, desligou o aparelho. Sua mão latejou, como se ela se importasse com a dor.

Incrivelmente ela conseguiu chegar em casa sem sofrer um acidente. Abriu a porta de casa com violencia e passou por uma latina confusa:

– Q, eu soube o que acontece... — tentou Santana, mas Quinn não deu ouvidos e correu para seu quarto trancando a porta. Não precisava que ninguem sentisse pena dela agora.

Jogou o celular com força na cama e tirou a jaqueta, deixando-a jogada no chão. Andou de um lado para o outro no quarto com as mãos nos cabelos. Se perguntava porque Deus estava fazendo aquilo com ela, porque ele a deixaria ver Rachel apenas mais alguns dias para depois arrancá-la de uma forma tão cruel. O mundo era cruel. E Quinn estava se torturando por sentir-se tão abalada por uma amiga se nem mesmo Kurt estava assim. Parou alguns instantes para encarar sua própria imagem no espelho, estava com os olhos inchados agora, totalmente descabelada.

"- Já fazem dois anos... — a pequena sussurrou no ouvido de Quinn. — E não houve um dia em que eu tenha deixado de pensar em você. — o corpo todo da loira estremeceu. — Sua amizade foi muito importante para mim, Quinn.

– Eu te dei uma passagem...

– E você tinha a outra."

As lembranças ecoaram em sua mente e ela sentiu raiva de si mesma. Pegou uma caneca em cima da escrivaninha e a lançou contra o espelho despejando toda sua raiva.

– Você é estupida, Fabray. — berrava para si mesma. — Você teve dois anos. Dois anos para vê-la! E agora é tarde!

Quinn deixou que suas pernas cedessem assim como as lágrimas. Largou-se ali mesmo, no chão daquele quarto frio. Sentiu uma ruptura em seu peito. Uma dor que lhe causava angústia, desespero e alucinação.

– Agora é tarde. — sussurrou tão baixo...

Seus olhos se encontraram com o diário. Novamente Quinn sentiu aquela energia e ficou de joelhos para pegá-lo. Depois voltou a sua posição e encostou o corpo na cama. Abraçou ternamente a si mesma e a sua dor. Ela queria Rachel viva. Encarou o diário em seu colo: só de imaginar que ela tocara aquele papel, que talvez lágrimas tenham caído ali enquanto escrevia...Fazia daquele diário o bem mais precioso que já tivera em mãos, e que agora, apertava com toda a força que conseguia contra o peito, agarrou-se a ele como se fosse sua salvação...E assim adormeceu.

"Rompendo as sombras do palco vazio, apenas um unico feixe de luz rosado, e, no seu centro, havia uma garota: A garota mais maravilhosa — percebeu Quinn no mesmo instante! — que ela já tinha visto"