Notas iniciais
E ENTÃO EU VOLTO PARA ALEGRIA DAS PESSOAS QUE AINDA ESTÃO LENDO ESTA PARADA!
Sim, eu sei, caguei com vocês ao demorar (apenas um pouco) a postar. Maaaaaaaaaaas... Tem gente que abandona totalmente as histórias e não dá nem satisfação, então olhem o lado positivo da coisa!
E então eu resolvi compensar as pessoas que ainda estão comigo com um capítulo rumando para o faberrynismo da coisa!
Palminhas para mim!
E EU GANHEI MAIS UMA RECOMENDAÇÃO! Super balões em mim \o
Quem quiser manter qualquer tipo de contato comigo para me cobrar os capítulos ou dar sugestões, é só mandar inbox! ~~aprendi a usar essa parada~~
Boa leitura!

''A família Fabray deseja à você e à sua família boas festas!''

É inacreditável que Russell tenha te enviado o cartão festivo padrão dos Fabray como lembrança de Natal. Acompanhado de mais alguns galeões para despesas extras e só. Você até pensou que tivesse alguma outra coisa no envelope, virando-o e revirando-o a procura de um mero bilhete. Absolutamente nada.

Uma leve risada amargurada e irônica escapa de seus lábios. Santana te observa atentamente da cama dela, os olhos negros focados no objeto em suas mãos.

– Cartinha do papai? — pergunta sarcasticamente.

Aceno positivo.

– Britts ainda quer saber se você vai ou não pra festa de Natal que eles estão preparando...

Você dá de ombros.

– Vou considerar isso como um ''sim''.

Santana dá um leve pigarro na tentativa de chamar sua atenção, seus olhos amendoados encontram os dela por uma pequena fração de segundos.

– Então... Como vai o seu pseudo relacionamento com a nossa querida colega de dormitório? — a latina questiona fazendo pouco caso.

Você arqueia uma sobrancelha em sinal de desprezo e resolve ignorar a pergunta impertinente de sua colega. A quantia em galeões é guardada em seu baú e o cartão é amassado e jogado direto na lixeira do quarto.

Santana continua aguardando uma resposta para sua provocação e observa atentamente seus movimentos pelo cômodo. Você finalmente redireciona seu olhar para a latina e a encara amarguradamente.

– Ele realmente não te quer de volta em casa? — o tom de voz da morena é um pouco mais suave.

Aceno positivo.

– E Fran? Ela provavelmente está te esperando para o Natal, você pode ir passar com ela e seu marido... Apesar de ser um idiota pretensioso, Greengrass é mais tolerável que Russell. Sem ofensas.

Você dá de ombros e foca o olhar em qualquer coisa que não seja a moça.

A relação (ou melhor, a falta dela) entre você e seu pai é algo que nunca teve trégua. Desde que você se entender por gente que Russell Fabray sempre te olhou impassível, quase como se sua presença não fizesse a menor diferença em sua vida. Representar o papel de figura paterna nunca foi o forte do Senhor Fabray, apenas o apoio financeiro sempre esteve lá. A única maneira de despertar o interesse do homem para com você era desrespeitar alguma de suas regras... Como não se portar propriamente como um bruxo puro sangue.

É tudo sobre a aparência.

– Preciso de sugestões para o presente de Brittany, alguma ideia? — a latina percebe que o assunto anterior te deixou incomodada e tenta mudá-lo.

Seu sorriso pequeno é direcionado para o chão e você agradece internamente pelo tato emocional da morena. Tato que quase nunca é usado, mas tudo bem...

– Puta merda, conversar com você é a mesma coisa que falar com um trasgo surdo e mudo...

XX

A paisagem é quase que completamente branca e seus olhos estão incomodados. O gelo chega até mais ou menos a altura da batata de sua perna e é complicado andar normalmente.

– Odeio neve, odeio inverno, odeio frio, odeio Natal e odeio ter que andar até Hogsmead para comprar sabe-se lá o que para minha namorada. — Santana resmunga ao seu lado.

Você adora o inverno, a nave, o frio e andar até Hogsmead com gelo até quase os joelhos. É uma ótima época para procrastinar ou ler um bom livro.

Nota mental: ir até o senhor Landau e arrumar alguma coisa para ler durante o feriado.

Suas orelhas estão geladas, assim como todas as extremidades de seu corpo. Você apruma o gorro na cabeça e torna a se concentrar no caminho até a pequena vila. Esta é a última visita ao vilarejo antes da partida para os feriados de fim de ano. Sua última obrigação como Monitora Chefe antes do grande descanso de dez dias... O castelo ficará consideravelmente vazio e suas rondas serão desnecessárias.

O pensamento te faz abrir um largo sorriso.

Apesar de não poder visitar Frannie durante o Natal, a ideia de passar o feriado no castelo não é tão ruim. Dar um tempo dos deveres escolares e dos estudos apenas para poder ler durante todo o dia, de fronte a lareira da sala comunal e sem se incomodar com os outros adolescentes barulhentos. É praticamente um sonho.

– Puta merda... — a latina arfa.

Seu sorriso aumenta.

– Tire esse sorrisinho idiota da cara, Fabray! — a irritação da moça só te diverte ainda mais.

Vocês chegam até a vila e observam com deleite a maravilhosa decoração do local. Guirlandas nas portas, azevinhos nas janelas e neve até a altura dos telhados...

Alguns alunos já estão no local e você se despede de Santana para cumprir seus deveres de monitoria. A latina faz pouco caso e resmunga algo sobre encontrar o presente perfeito para sua namorada mais que perfeita.

As ruas do vilarejo são menos movimentadas essa época do ano, pois quase todos estão dentro dos estabelecimentos locais tentando se aquecer. Claro que sempre há aqueles adolescentes bagunceiros e desocupados que adoram infernizar a vida alheia e a paz local.

O casal Chang passa por você e acena levemente com a cabeça, indo direto até um grupo de corvinais tentando iniciar uma guerra de neve. Você agradece a Merlin internamente pela benção de os alunos da Sonserina serem mais (metidos) a comportados do que os das outras casas. E também pelo fato de eles te temerem e te respeitarem.

Você faz o caminho até a casa do velho livreiro e adentra o local, os comprimentos são rápidos, mas calorosos e o senhor Landau te presenteia com um antigo livro de literatura trouxa.

– É uma das primeiras edições de Vathek, uma história maravilhosa de William Beckford! — o senil homem comenta.

O embrulho de papel pardo é entregue ao senhor e ele sorri agradecidamente. Vocês trocam presentes (livros) desde o seu quarto ano e dessa vez você observa os olhos arregalados do homem ao receber o exemplar em miniatura do Alcorão. O livreiro tem uma grande curiosidade sobre os assuntos de religião trouxa e miniaturas de livros.

Os agradecimentos ecoam até o momento em que você se retira da loja. Um grande contentamento se apossa de si e um grande sorriso toma conta de seus lábios.

Está um pouco mais frio do que antes, a brisa gelada que abraça as ruas de Hogsmead te faz entrar no Três Vassouras sem pensar duas vezes. Você não é muito fã do estabelecimento, mas é melhor do que congelar nas calçadas.

A quantidade de alunos no local é mais do que o ambiente pode suportar, tornando-o mais quente que o necessário para ser confortável. E já quando você ia tirando o cachecol e o sobretudo, seus olhos pousam na figura de Emiline Parkinson e automaticamente você se joga porta a fora.

O que é um friozinho de alguns graus negativos?

Seu primeiro pensamento é ir até o Cabeça de Javali, o outro Pub da vila, mas o ambiente não é muito amigável para estudantes. Muito menos estudantes filhos de ex-comensais.

Seus pés começam a te guiar por uma rua qualquer, sem ter um rumo certo ou destino final. Andar mantém seu fluxo sanguíneo nas pernas e evita que você fique com mais frio. Você para de andar quando nota uma lojinha de antiguidades na outra calçada, uma casinha um pouco maior que a do livreiro, mas com melhor aparência.

Seu corpo sente um calor agradável ao entrar no local, o ambiente é amigável, mas extremamente bagunçado. É um trabalho andar por todos aqueles cabides lotados de roupas bruxas de segunda mão, alguns utensílios de cozinha, livros, porcelana barata e usada, alguns vasos e um sanitário trouxa. Apenas mais uma típica loja de conveniência bruxa, ou melhor colocando ''achados e perdidos''.

– E este utensílio não pode ser considerado terrivelmente hostil para a segurança e o bem-estar de meus progenitores trouxas? Pois veja bem, meus pais possuem zero conhecimento em qualquer coisa relacionada ao mundo da magia e eu me sentiria extremamente culpada em causá-los qualquer dano ou trauma. A senhora segue meu raciocínio?

Monólogos Berryanos, impossível não reconhecê-los.

A morena grifinória parecia bombardear com perguntas a velha e decrépita atendente da loja, a jovem segurava uma antiga caixa de madeira como se aquilo pudesse roubar-lhe um olho. Só a vendedora notou sua entrada silenciosa e já foi logo tratando de ''dispensar'' a morena. Ela viu em você uma saída perfeita para ignorar aquela lunática.

– Você deseja alguma coisa? — a mulher gritou por cima do ombro de Rachel.

O susto te faz derrubar um cabide que estava ao seu lado, derrubando a maioria das roupas no chão. Ao tentar consertar a situação você só consegue piorá-la, derrubando mais cabides e mais roupas.

– Oh, deixe isso aí! Eu mesma arrumo! — a senhora gritou impaciente.

Você apenas concordou com a cabeça, sentindo suas bochechas e orelhas esquentarem em vergonha.

Rachel Berry continuava te encarando profundamente, ponderando se deveria rir da situação ou permanecer séria. Seus olhos encontraram os dela e a moça rapidamente desviou-os.

Seus pés te levaram até o balcão onde as duas mulheres estavam negociando e você se aproximou para observar o que a morena queria comprar.

Uma Custodien!

A morena tenciona um pouco a postura ao perceber sua súbita aproximação. Você nota que ela não se afasta (ao contrário das outras vezes), mas parece mais alerta. Os olhos dela estão vidrados na senhora rabugenta e não são capazes de te olhar por nenhum segundo.

– Você vai comprar ou não? — a velha questiona irritadiça.

– Estou pensando... — Rachel responde friamente.

Você está em uma luta interna sobre aconselhar a morena ou não, seu conhecimento sobre artefatos bruxos é superior ao dela e o que está em suas mãos pode ser algo bem impertinente.

– É um negócio perigoso. — seu conselho é só um murmúrio.

– Como disse? — ela pergunta sem te encarar, apenas observando atentamente o objeto em suas mãos.

– Comprar esta caixa será uma estupidez, se me permite dizer. — dessa vez sua voz é mais firme.

Rachel se atreve a te olhar bem nos olhos por alguns segundos, mas depois volta a desviá-los. Ela não parece tão hostil como das outras vezes, mas ainda te trata com cautela.

– E porque você diz isso?

– Isso é uma caixa Custodien, um artefato que serve para guardar segredos e não objetos. Normalmente elas são bem antigas e já possuem uma grande quantidade de segredos dentro de si, por isso tendem a ser hostis e perigosas. Ela consegue arrancar um dedo facilmente com apenas uma mordida.

E esta é a maior sentença que você falou em toda sua vida e para Rachel Berry.

A velha senhora está com uma imensa vontade de te bater, você observa como ela segura no tampo do balcão. Sua expressão vai ficando avermelhada a medida que a sua raiva aumenta. Claro, você acaba de fazê-la perder um ótimo negócio! Essas caixas são perigosas e o preço delas é alto, bem alto...

Rachel te observa melhor, mas de uma maneira um pouco diferente. Quase como se ela tivesse realmente te vendo.

– Acho que desisti da compra. — ela murmura.

– Oh, pelas barbas de Merlim! — a velha exclama de maneira indignada.

A morena apenas sorri (falsamente) e sai andando em direção a porta, e por algum motivo desconhecido (ou não tão desconhecido assim) você a segue prontamente.

O frio abraça vocês e Rachel se vira para te encarar.

– Obrigada por não deixar aquela velha me passar a perna. — ela fala em sua direção.

Seus olhos se esbugalham ligeiramente, mas você retoma a compostura. É a primeira vez que alguém te agradece alguma coisa em todos os seus anos em Hogwarts! Nem Santana alguma vez demonstrou qualquer tipo de gratidão pelas tarefas que você a deixou copiar. E receber esse tipo de reconhecimento de Rachel é ainda mais assustador.

Aceno positivo.

Vocês ainda estão paradas na calçada de fronte a loja, sem saber exatamente o que falar ou fazer. Seu interior quer permanecer assim, parada ao lado de Rachel, só apreciando sua presença. Mas a morena parece um pouco desconfortável.

– Você quer tomar um chá ou coisa parecida? — seu convite é feito de maneira contida, esperando algum tipo de super fora ou xingamento.

– Eu deveria encontrar com Finn para terminar as compras de Natal, então... Acho que fica pra próxima.

Não vai ter próxima vez, mas você esconde seu desapontamento apenas acenando.

Mas por algum motivo a menina permanece lá, ao seu lado na calçada, com uma expressão de dúvida em seu rosto.

– Oh... — ela geme impacientemente.

Você não consegue entender mais nada da situação e apenas encara a menina estranhamente.

– Tudo bem! Eu realmente não quero me encontrar com Finn e Kurt me disse que você é legal e eu deveria parar de ser idiota e de te hostilizar. É, vamos tomar algum chá ou coisa parecida!

A sentença toda foi dita de uma maneira tão rápida que custou para você discernir as palavras. Rachel jesticulava freneticamente enquanto seu tom de voz aumentava consideravelmente.

Ela é louca.

Loucuras a parte, você nunca se sentiu tão alegre em toda a sua vida. É quase como uma sensação de plenitude... Rachel Berry finalmente te reconheceu como pessoa!