Isabella e o Duque
6 Capítulo 6 SURPRESA
Isabella
Meu avô, pai de minha mãe, sempre dizia:
“- Quando estiver no mar, e uma onda imensa lhe alcançar, deixe-se levar. Não tente nadar contra a maré” — Explico, meu avô pertencia a Real Marinha Inglesa, e passou sua vida navegando nos mares e oceanos. E foi pensando nessa sábia frase, que após ser pega de surpresa pelo Duque e tentar resistir ao seu assédio empurrando seu peito... deixei-me levar... deixei-me levar pelo sentimento arrebatador que tomou cada célula do meu corpo. Nunca havia beijado, e minha maior curiosidade, não era o ato em sim, mas o que sentiria de fato ao ser beijada.
Simplesmente... estonteante. O sabor da sua boca, o perfume que vinha dele, perfume único, masculino, dominador e inebriante... perfume de Edward. Sim, e o toque, a língua invadindo a minha boca sem pedir licença...
Tínhamos uma criada, que auxiliava minha mãe nos afazeres da casa, toda semana ela preparava um delicioso bolo de chocolate, e deixava comer a sobra que ficava na colher de pau. Não preciso dizer que não ficava uma gota sequer na colher. Pois bem, suguei a língua que me invadia da mesma forma que eu fazia com a colher repleta de chocolate e ousei como resposta ao ataque de Edward, invadir sua boca também, sugando sua língua e arrancando-lhe um profundo gemido.
O ar foi ficando escasso e o beijo acalmando, quando paramos, sentia as mãos de Edward na minha cintura, os lábios ainda nos meus, minha mãos em seus cabelos, as respirações arfantes e... finalmente abri os olhos... encarava-me com o olhar repleto de desejo.
Olhos nos olhos, fomos nos afastando, ao ponto de não nos tocarmos mais. Ficamos assim um bom tempo, apenas nos olhando.
- Estou esperando senhorita Swan? Não receberei uma bofetada pelo meu atrevimento?
- É o que merecia senhor Duque, mas não sou dada à violências.
- Fico feliz em saber. Saiba que beija muito bem minha Lady, com quem esteve treinando? — Algum amigo londrino? Ou talvez com seu primo Eric?
Sem raciocinar levantei a mão e dei uma sonora bofetada em seu rosto. Mesmo ficando chocada com minha atitude, mesmo percebendo que a carruagem diminuía a velocidade, disse-lhe:
- Certamente o senhor já deve ter beijado muitas bocas senhor Duque, para afirmar que eu beijo bem, mas não me julgue pelo senhor. Não faço parte do seu grupo. E saiba que a poucos segundos, dei meu primeiro beijo em um homem, mas tenha certeza que ainda darei muitos beijos em minha vida. Quem sabe, daqui a uns 10 anos, se nos encontramos por acaso, o senhor já não estará casado como alguma grande herdeira da alta sociedade inglesa a fim de cumprir o seu dever e dar seqüência aos descendentes do Duque de Sheffield e eu terei tido a felicidade de encontrar o grande amor da minha vida e, nesse encontro improvável, não possamos rir desse beijo que aconteceu agora tanto quanto ao tapa que lhe deferi na face.
- Até nunca mais ver, caro Duque.
E sem esperar por ele, que me ouvia com os lábios entreabertos e expressão perplexa, eu mesma abri a porta e sai da carruagem.
Abri a porta da casa e dirigi-me a escada, onde tia Mary vinha com uma pilha de lençóis dobrados.
- Bella... ouvi o barulho dos cavalos. Onde estão Anie e Emie? Como foi o chá na casa do Duque? Porque você está tão pálida?
- Oh tia. Elas estão subindo. Perdoe-me estou com dor de cabeça. Vou deitar um pouco, não se preocupe logo irá passar.
Corri apressada para o quarto, conseguia ouvir Anie e Emie agradecendo aos senhores Martin pela gentileza.
Tudo o que eu queria agora era deitar na cama e chorar, chorar... chorar até não ter mais forças. A dor rasgava meu peito por completo e, naquele momento de angústia lembrei-me mais uma vez de minha querida mãe e suas palavras, que naquele momento não faziam o menor sentindo para mim:
“- Bella, acredite, um lindo homem estará reservado para você. Ele será o seu amor, o seu companheiro, o seu par e você, será o seu Sol”.
Certamente se esse homem existisse, seria o oposto do senhor Duque.
Que homem arrogante...quando ele me beijou perdi a razão, e no fundo d’alma... o beijo tinha sido tudo e muito mais do que eu poderia supor... ele, o Duque, era lindo... tão certo e tão errado ao mesmo tempo... contraditório eu diria... opostos que se atraem... mas que no intimo sabemos ser impossível... é claro... para ele não passo de uma diversão...
Deve estar agora rindo, juntamente com seus amigos, de sua bravata... dizendo à todos o quanto foi ousado.
Batidas leves na porta... — Bella posso entrar?
- Entre Anie.
- Bella o que ouve. Mamãe disse que estava com dor de cabeça, mas logo vi que algo havia acontecido, já que não nos aguardou quando chegamos.
- Porque choras?
- O Duque foi indelicado com você? Chamarei papai agora mesmo...
- Não Anie. Não. Pense. Tio John trabalha para a família do Duque. Tudo o que não precisamos é arrumar qualquer conflito.
- Mas Bella, olhe o seu estado. – Disse Anie deitando-se ao meu lado.
- Você é a minha prima querida, não posso vê-la assim. O que aconteceu Bella?
- O senhor Duque e eu temos sérios problemas de incompatibilidade Anie. Ele realmente me detesta.
- Bella, ele não tirava os olhos de você.durante todo o chá. Você tinha que ver como seus olhos brilhavam de total encantamento quando você tocava, tão lindamente, ao piano. A senhorita Denali estava inconformada que o Duque não lhe dava a menor atenção. Tinha olhos apenas para você.
- Anie, ele me beijou.
- Mas que atrevimento... na carruagem sozinhos... Conte-me como foi? Foi bom? Foi como imaginava que seria? O coração disparou como nos romances? Onde ele a tocou? Fale-me Bella?
Tinha que sorrir. Anie apesar do choque inicial... queria todos os detalhes.
- Foi bom... não... foi muito bom... o coração disparou muito mais que nos romances que costumamos ler... e ele abraçou-me pela cintura.
- Oh... Bella que emocionante... você beijou antes de mim, que sou mais velha que você...oh Bella, o que aconteceu depois... conte-me tudo... não esqueça nada por favor.
- Depois, como sempre o Duque vestiu-se de sua prepotência habitual e deu a entender que eu já havia beijado antes outros homens. Então, eu dei-lhe um belo tapa naquele rosto lindo e arrogante dele. E pretendo nunca mais vê-lo em minha vida.
- Mas Bella...
- Não Anie, não quero mais falar nisso. Daqui à poucos dias haverá o baile,e nossa preocupação agora e que vocês estejam divinas para a festa. O Duque estará retornando à sua casa e não correrei o risco de encontrá-lo em Sheffeld. Sinceramente minha prima, não quero mais falar nesse assunto.
- Agora, senhorita Anie Swan, quero saber todos os detalhes da conversa animada, que a senhorita e Lorde Holmes tanto partilhavam no decorrer do chá.
Pude ver as bochechas de Anie ficarem rosadas, o olhar abaixar em direção as mãos.
- Você notou Bella? Ele pareceu-me tão gentil, e inteligente, e cavalheiro, e educado, e ...
- Creio que temos uma lady apaixonada.
- Bella será que é errado ter esperanças? Afinal sou apenas a filha de um empregado, uma moça do campo, aliás você e a senhorita Alice, são as únicas exceções, nascidas em Londres. Temos limitações, não estamos acostumadas as formalidades e a conduta, que esses senhores estão familiarizados.
- Anie não é errado ter esperanças. Claro que não. E não deixe de ser quem você realmente é. Uma menina doce, meiga e amorosa. Não tive irmãos. Mas se pudesse escolher, adoraria que você fosse minha irmã.
- Oh Bella. Eu também... somos irmãs de coração.
...
Três dias haviam passando desde o fatídico dia do beijo.
Estava determinada a deixar o ocorrido ao lugar que pertencia: Ao passado.
Estávamos todas envolvidas na confecção dos vestidos para o Baile. Tinha trazido comigo vários moldes de vestidos. Após muita indecisão decidimos por 2 modelos. A cor das debutantes seria o branco, como tradição. Mas como sinal dos tempos, podíamos enfeitá-los com alguns detalhes coloridos. Anie optou pelo rosa e Emie pelo amarelo.
Também fiz algumas cavalgadas com Eric, mas sempre evitando os domínios próximos ao palácio.
Tudo o que queria era não ter o desprazer de encontrá-lo.
Tio John havia ido a cidade buscar alguns mantimentos, levou com ele Sophie e Greg. Quando voltaram, Sophie veio correndo contar as novidades.
Os convites para o Baile estavam sendo distribuídos por um emissário do Duque de Sheffeild.A cidade estava em polvorosa.
À tarde ainda costurávamos na sala de costura, quando ouvidos batidas à porta. Como tinha visto a Sra. White indo em direção à horta que ficava nos fundos da casa. Eu mesma, fui para a sala principal, atender a porta.
Ninguém menos que o Duque e Lorde Holmes estavam no hall da varanda.
Fiquei feliz de estar descentemente vestida, com os cabelos presos e arrumados. Fiz uma reverência formal para ambos senhores.
- Senhor Duque, Lorde Holmes boa tarde cavalheiros.
- Boa tarde senhorita Swan. Viemos entregar os convites para a Festa dos 18.
- Claro. Por favor entrem e fiquem à vontade, chamarei minha tia e minhas primas.
Sem dar tempo para respostas, virei-me e retornei a sala de costura. Onde as 3 já haviam sorrateiramente ouvido a conversa. Anie não cabia em si de alegria pela presença de Lorde Holmes.
- Vamos meninas. O Duque veio em pessoa trazer o convite, é uma honra. Não podemos deixar os cavalheiros esperando. — Isabella você não vira´?
- Não tia, estamos com os vestidos atrasados. Ficarei aqui trabalhando...
Minha tia ficou indecisa. Não sabendo como agir...
- Tia eles estão aguardando.
Então as três saíram em direção a sala. Ao longe podia ouvir os cumprimentos, resolvi levantar e silenciosamente fechar a porta. Continuaria ali trabalhando, sem pensar o quão lindo ele estava e, em como meu coração disparou ao olhá-lo.
Alguns minutos depois a porta foi aberta, e Emie entra esbaforida:
- Bella, o Duque pede à sua presença.
- Como? E tia Mary onde está?
- Mamãe foi preparar um chá, e o Duque perguntou porque você não havia retornado para sala. Anie explicou que você estava envolvida na confecção dos vestidos. Mesmo assim, ele disse que adoraria sua presença.
- Muito bem.
Calma Bella. Serenidade, sua primas irão ao Baile e você não pode estragar nada. Não caia em nenhuma armadilha.
Chegado a sala, os dois educadamente levantaram, sentei-me no único lugar disponível, numa poltrona ao lado da poltrona onde o Duque estava sentado. Já Anie sentava-se juntamente num sofá com Lorde Holmes, vale lembrar, que havia uma boa distância entre eles.
- Então senhorita Swan, não sabia que havia herdado o talento de sua falecida mãe. Também é uma estilista?´- Perguntou o Duque.
- Não, claro que não. Mamãe de fato era talentosa, estou apenas auxiliando minhas queridas primas senhor.
- Lamento muito, pelo ocorrido aos seus pais senhorita Swan. Tenho certeza que foi uma perda enorme para a senhorita.
- Realmente Lorde Holmes.
- O que fará quando completar a maioridade. Voltará a Londres senhorita Swan?
- Provavelmente senhor Duque.
- Desculpe-me pela pergunta, mas já tem algum pretendente da alta sociedade londrina senhorita?
- Não senhor Duque. Sou uma moça muito simples para ter pretendentes da alta sociedade ou da côrte. E tão pouco penso em casar-me cedo.
- Não creio que seja uma moça simples senhorita Swan. Parece-me, ao contrário, muito sofisticada e se permite dizer uma linda dama.
Apenas acenei com a cabeça em agradecimento. Afinal com era a intenção do Duque com todas aquelas perguntas.
- E falando em côrte senhorita Swan, tenho uma imensa surpresa para a Festa dos 18, o neto do Rei Jorge III, Lorde Andrew de Hanover estará presente em nosso palácio. Tenho certeza que a presença ilustre de um descendente da monarquia será um motivo a mais para engrandecer nossa Festa.
- Oh senhor Duque, que privilégio teremos. – Disse Emie visivelmente emocionada.
- Achei que os netos da alteza, o Rei, fossem ainda muito jovens senhor Duque. — Falou Anie.
- Realmente. Lorde Andrew tem 17 anos, e essa é a grande surpresa. Com a confirmação da presença dele em nossa Festa, estaremos abrindo o precedente para convidarmos todas as demais damas, que também não possuam 18 anos completos. Como minha querida irmã, que está exultante e... logicamente... Lady Swan que nos honrará com sua presença.
Simplesmente não acreditei, ele estava ali, diante de mim, e como desconfiava, veio pessoalmente, não apenas para entregar o convite, mas dar o bote. Qual era sua intenção afinal? Fazia de propósito, queria na verdade aniquilar-me, somente para mostrar o quão superior era.
Meu coração apertava-se diante do olhar inquisitor do meu oponente.
Nesse instante minha tia entra na sala, trazendo em uma bandeja o chá, Emie levanta-se para ajudá-la e Lorde Homes faz algum comentário a Anie. O astuto Duque, aproveita-se, para aproximar-se e sussurrar:
- Não achou mesmo que a deixaria livre Lady Swan.
- Não compreendo porque tanto esforço senhor.
- Pergunto-me a mesmo... apenas sei que não escapará dos meus braços tão facilmente minha querida.
Fale com o autor