Isabella e o Duque
7 Capítulo 7 A FLOR DA PELE
Edward
Após nosso último encontro tinha que fazer algo para vê-la novamente.
Quando estávamos na carruagem, não consegui me conter, e num impulso a tomei nos braços e a beijei. Toda a razão estava embaçada como num dia de fog, completamente nebuloso. Eu apenas sentia, os doces lábios, o sabor, a delicadeza, o perfume... nossas línguas duelando, aferindo uma a outra. Mantive com todo o esforço do mundo minhas mãos em sua cintura, pois minha vontade era navegar sobre seu corpo.
Eu estava me perdendo... doce menina mulher... ainda enlouqueceria.
Afinal era isso que queria ter feito desde o início, desde que a havia visto pela primeira vez, próxima ao rio, de cabelos soltos ao vento... desde o momento em que ela desafiou-me eu a quis.
Quando, já sem fôlego, paramos para respirar... pude ver em seus olhos, a luxuria e o desejo, o reflexo dos meus próprios sentimentos. Ela queria mais, e eu... bem... eu queria muito mais.
Em um momento de quase lucidez, a questionei, perguntando se já havia beijado outros homens, pois só de imaginá-la nos braços de outro, a dor em meu peito rompia-se.
Ela deu-me um tapa, confesso merecido, o que na verdade, deixou-me ainda mais excitado... eu realmente estava enlouquecendo.
Fez o seu discurso fervoroso, fiquei feliz em saber que havia sido o primeiro a beijá-la e, ao dizer que no futuro nos encontraríamos, eu casado por conveniência e ela casada com o seu grande amor, senti uma dor aguda em meu peito.
O que o futuro nos reservava?
Saiu então, da carruagem sem dar tempo para que eu pudesse ajudá-la, e para cravar ainda mais, a espada em meu peito, disse que não queria ver-me nunca mais.
Por Deus, o que estava acontecendo comigo?
Voltamos, meus amigos e eu na mesma carruagem. Queriam saber o que havia acontecido para a senhorita Swan ter saído daquela forma. Claro que não disse nada, apenas falei que Lady Swan e eu tínhamos tido um discurso acalorado.
Tive que ouvir Arthur Martin dizendo:
- Realmente meu amigo Duque, Lady Swan é uma dama muito acima do trivial, pianista excelente eu diria, além de ser linda é claro. E ouso dizer, se permite caro amigo, fica perfeitamente bem ao seu lado.
- Ora Arthur, sem suposições. Lembre-se, Lady é 15 anos mais jovem.
- Não vejo problema algum nisso... mas não vou aborrecê-lo...
Nos dias que se passaram, consegui através de uma elaborada estratégia, fazer com que minha rebelde Lady pudesse comparece a Festa. Minha irmã vibrou com a notícia de poder participar e ainda contar com a presença do ilustre neto de vossa majestade, meus amigos adoraram a idéia, e meu pai foi o único que percebeu minha verdadeira intenção:
- Então meu filho, teremos a talentosa Lady Swan no salão de baile dessa casa? Sabe Edward, se a dama em questão fosse sua mãe, eu teria feito o mesmo.
Não poderia negar...
...
Quando ela abriu a porta para nos receber, linda, percebi que o rosto que estava alegre, tornou-se sério e seus olhos tinham uma nuvem de tristeza.
Ela tentou escapar do meu alcance, mas é claro que não perderia por nada suas reações diante da “surpresa”. E quando tive a oportunidade, disse apenas para ela ouvir, que a queria novamente em meus braços.
Isabella
Estava completamente aturdida, mais uma vez o Duque havia surpreendido.
Minha tia ficou exultante, Emie já imaginava como seria meu vestido e Anie olhava-me preocupada. Assim que conseguimos ficar sozinhas, após a saída do Duque e de Lorde Holmes, fomos para o sótão conversar. O sótão era amplo e lá estavam guardados diversos móveis e objetos dos meus tios. Sentamos num belo tapete que estava estendido e Anie, ansiosa logo perguntou:
- Bella o senhor Duque veio em pessoa trazer-lhe o convite. Ele realmente a quer na Festa.
- Não sei o que se passa na cabeça do Duque.
- Pois eu sei muito bem, ele tem olhos apenas para você. Essa Festa existe há muitos anos e ele conseguiu alterar as regras para que você participasse. Se isso não for am..
- Não diga essa palavra Anie. O Duque não tem noção do significado dela.
- Não seja dura Bella. Quero saber agora como faremos com o seu vestido, podemos confeccionar um apesar do tempo, temos apenas 4 dias...
- Minha mãe deu-me um vestido lindo antes de viajar à Paris e nunca mais retornar.,, seria o meu vestido de debutante, na festa dos meus 18 anos. Irei usá-lo em homenagem à ela.
- Oh Bella que lindo.
- Agora senhorita Anie, preciso saber em detalhes, o porquê de um certo Lorde, loiro e de olhos azuis, azuis da cor mar, vir acompanhar o Duque na entrega dos convites? O que a senhorita poderia dizer-me à respeito disso?
- Até posso ver, que num futuro muito próximo, haverão alguns pequenos loirinhos espalhados por esse jardim.
- Ai Bella, minha prima, será possível? Ele é tão lindo, e culto, é jurista em Londres, um homem renomado, o que veria em mim afinal?
- Certamente veria o óbvio, uma linda mulher, doce e encantadora, alegre e por vezes cômica, tentando agradar à todos, mesmo que as vezes, nem todos mereçam. Ele realmente está encantado por você.
- E eu por ele.
Rimos muito. Anie merecia e muito ser feliz e eu estava rezando por ela.
Um dia antes do Baile, Anie, Eric e eu fomos a cidade. Precisávamos comprar linha rosa que havia faltado, na saída do armarinho encontramos Srta. Denali, Tânia “a Harpia”.
- Oh mas que coincidência, membros da família Swan passeando pela cidade.
- Olá Tânia. – Disse timidamente Anie.
- Olá Anie. Então minha querida, pronta para a Festa? Já soube da novidade? O neto do Rei em pessoa estará presente. Então Srta. Swan, muito triste que não poderá comparecer ao baile? Afinal dois membros da realeza, e ainda solteiros, num mesmo evento é muita sorte. Pena que não poderá comparecer.
- É verdade Srta Denali, uma grande oportunidade, espero que aproveite bem, quem sabe não teremos um casamento real em pouco tempo. – Apertei o braço de Anie, para que ela não dissesse que eu também iria ao Baile. Queria ver até onde iria os anseios da harpia.
- Oh certamente... não tenho pretensões com o neto de vossa alteza, mas o Duque, que cavalheiro encantador, creio que formaríamos um belo par. Não acha Srta. Swan?
- Realmente, pelo pouco que pude ver, a senhorita e o Duque são muito parecidos. Além do mais, creio que o senhor Duque tenha ficado estupefato com sua apresentação ao piano.
- É verdade... e por favor não interpretem-me mal, mas entre as presentes ao chá, sem dúvida, minha beleza era evidente diante das demais... aliás em Sheffeld sou considerada a mais linda...
A loira sem noção continuava a falar... então resolvi, para acabar com a ladainha... colocar um pouco de tempero...
- Srta. Denali, tenho certeza que sua presença fará enorme sucesso ao Baile, gostaria apenas de lembrá-la, que haverão outras convidadas presentes, que não são moças de Sheffeild. Irmãs e primas dos convidados, todas de Londres é claro, também comparecerão à Festa. Portanto é muito importante observar sua produção... afinal mesmo sendo linda, como mesmo diz, haverá muitas outras damas presentes... e a senhorita sabe a concorrência é algo a ser considerado sempre.
- Oh é verdade, não havia pensado nisso.
- Agora, se nos permite, temos que voltar para casa.
Após as despedidas, Anie quis saber o que eu pretendia.
- Simples, ela está tão preocupada em arranjar um casamento, que sabendo que virão outras senhoritas ao baile, irá acabar exagerando na produção... se ela foi ao chá repleta de babados laranja, imagine como irá a Festa.
Eric ria muito, dizendo que eu daria uma excelente estrategista de guerra.
O dia da Festa chegou, com ele, a angústia em meu peito somente aumentava.
Lá nas profundezas da alma, meu medo era que tudo não passasse de uma brincadeira de mau gosto, e o Duque queria apenas rir as minhas custas.
Pela manhã, eu mesma havia desamassado o vestido, e ele era magnífico, da mais pura seda branca, não tinha alças, apenas uma delicada faixa azul na borda acima dos seios, essa mesma faixa ia até as costa e descia harmoniosamente até a cauda. Minha mãe havia mandado bordar com linha prata, leves arabescos no contorno na faixa azul, na famosa bordadeira Sra. Stone.
Absolutamente magnífico.
Tia Mary e eu, fizemos o cabelo de Emie e Anie. Emie quis um coque baixo, fiz um bem elaborado, o vestido ficou lindo, como tinha a cintura bem marcada, colocamos uma linda faixa amarela na cintura, o que valorizou ainda mais sua silhueta. Já Anie optou uma grossa trancha, entrelaçamos fitinhas na cor rosa e prendemos ao cabelo, no caso de Anie, costuramos uma faixa de cetim rosa, logo abaixo dos seios, que era amarrado num pelo laço nas costas, ficou romântico.
Antes de vestir-me, sentei na cadeira que ficava junto à janela, o por do sol, lindo no horizonte, nesse momento fiz um acordo mental comigo mesma, que eu iria comportar-me como uma verdadeira Lady, que claro, seria educada com todos, cumprimentaria Edward e manteria a maior distância possível dele no decorrer da Festa. Não sofreria ao vê-lo flertar com qualquer outra dama, nem sentiria dor ao vê-lo escolher entre tantas senhoritas, aquela que iniciaria o Baile dançando com ele.
Optei por um coque médio bem preso, não quis colocar nenhum adereço no cabelo, quando voltei para a sala onde todos estavam, já com meu vestido, percebi pela reação de minha familia, que talvez tivesse exagerado. Na verdade, não olhei-me no espelho. Não tive coragem, lembraria de minha mamãe e certamente iria às lágrimas.
- Isabella, minha sobrinha você está linda.
- Bella que maravilhoso vestido.
- É uma obra prima... se sua mãe a visse agora...
- É lindo Bella... você está fantástica.
Tio John alugou uma carruagem para que fossemos ao Baile.
Estávamos atrasadas. Tio John fez questão de nos servir um pouco de licor de amêndoa. Afinal, segundo ele, tínhamos que chegar ao baile com as faces levemente rosadas, o nariz levemente empinado e com o coração sob controle.
O palácio do Duque de Sheffeild estava reluzente, totalmente iluminado, imagino quantos candelabros foram acesos... ao chegarmos tive a sensação que éramos as últimas, tamanha era a quantidade de charretes que partiam da propriedade. Um criado, devidamente uniformizado e com luvas brancas impecáveis abriu a porta e nos auxiliou a descer. Fomos encaminhadas a porta principal, e ao chegarmos ao hall, o Duque de Sheffeild e seu filho lado a lado davam as boas vindas as damas e cavalheiros que chegavam, portanto havia uma fila de algumas pessoas a nossa frente.
Com o coração aos saltos fomos nos aproximando, primeiro Anie, depois Emie e eu por último. Ouvia todos dizendo praticamente o mesmo.
“- Senhor Duque de Sheffield é uma honra estar em sua casa fazendo parte de evento tão maravilhoso...”
- Já para o Duque, o meu algoz, as moças sorriam, balançavam os ombros tentando ganhar sua atenção.
Quando chegou a minha vez, pude ver a alegria do Duque de Sheffeild:
- Senhorita Swan, ouso dizer que é a dama mais linda da Festa dos 18 e estou muito feliz com sua presença.
- Senhor Duque suas palavras são encantadoras e digo-lhe com o coração, alegro-me deixá-lo feliz.
Fiz mais uma vez a reverência, andei dois passos, e fiquei de frente para meu algoz.
Parados frente á frente, ficamos nos olhando, fizemos uma leve reverência. O Duque, gentilmente pegou minha mão, levando aos lábios.
- Lady Swan tenho apenas uma palavra para a definir: Perfeita.
- Obrigada senhor Duque.
Acenei mais uma vez com a cabeça e retirei-me.
Procurei não pensar, que meu coração batia descompassadamente , que minhas mãos estavam geladas e que ele... bem... ele estava lindo...
Quando adentrei ao salão principal, juntamente com minhas primas, pude ver o quão luxuoso tudo estava. Inúmeros candelabros, lustres repletos de velas brancas, iluminavam todo o imenso salão. Haviam muitos cavalheiros bem vestidos, e damas lindamente produzidas, todas de branco com algum detalhe colorido, dando um toque de arco íris em todo o ambiente. Uma linda orquestra ao fundo tocava uma melodia muito leve e tranqüila, diversos criados, serviam refrescos para as jovens.
Vários grupos de cavalheiros de um lado e outros grupos de damas do outro. Tive que sorrir com a cena.
Pude perceber diversos olhares masculinos em minha direção, o que deixou-me sem graça. Para minha felicidade Lorde Holmes veio ao nosso encontro, cumprimentando-nos, demorando-se um pouco mais que o necessário com Anie... logo Lady Alice irretocávelmente vestida, usando uma linda tiara de diamantes, veio ao nosso pequeno grupo.
- Lady Isabella com estás linda.
- Obrigada, por favor chame-me de Bella e a senhorita também está maravilhosa.
- Oh estamos maravilhosas... agora chame-me de Alice...
Num determinado momento o Duque de Sheffeild deu abertura ao Baile. Dando boas vindas à todos, agradecendo especialmente a presença ilustre do membro da monarquia e anunciando o início da Festa.
Um mestre de cerimônias foi posicionando as senhoritas de um lado do imenso salão, como numa grande fileira, todas lado à lado, No lado oposto uma fileira de cavalheiros. No meio de ambas fileiras um grandioso espaço, onde ocorreria a valsa de abertura.
Pude ver bem no meio da fileira, Tânia Denali, com um vestido branco extremamente apertado na região dos seios. Ele era bordado com diversas flores laranjas... oh ela de fato adorava a cor laranja... os cabelos presos com flores artificiais no mesmo tom... o pior de tudo ao meu ver, era o tecido branco usado na confecção do vestido... um cetim cintilante demais, dando a impressão de ser perolizado.
Anie e Emie ficaram na ponta mais distante e eu disfarçadamente coloquei-me um passo atrás... tudo o que queria era não chamar a atenção.
O senhor Duque... Edward... posicionou-se no início da fileira e lentamente caminhava... pude vê-lo sorrir levemente para cada uma das damas por que passava...
Quando chegou a frente de Tânia Denali, senti meu coração perder uma batida... será que ele a escolheria?
Para minha satisfação, continuou andando lentamente... pude ver Tânia fazendo um bico de indignação...
Provavelmente passaria por toda a fileira educadamente e depois retornaria aquela jovem que houvesse sido a escolhida...
Passou por Anie, Emie e chegou a mim, que estava um pouco atrás... o lindo sorriso que estampava o rosto sumiu, assumindo uma postura séria.
Deu um passo em minha direção, olhando-me profundamente, estendeu a mão, e no maior silêncio que havia no momento, sua voz ecou:
- Lady Isabella Swan, daria-me o prazer dessa dança?
Poderia um coração deslocar-se do peito em direção a garganta? Seria possível? Pois o meu parecia que sim.
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