Isabella e o Duque
13 Capítulo 13 DECISÃO (Spoilers)
Agora, sentada à frente do espelho, olhava meu reflexo... realmente eu estava bonita... meu cabelo havia sido cuidadosamente escovado e preso num magnífico coque, onde um cordão de ouro branco cravejado de diversos diamante, serpenteavam pelos fios escuros... a maquiagem perfeita... vestia apenas a roupa intima e um corpete branco que apertava meu corpo, delineando ainda mais minha cintura... aguardava pacientemente o vestido ser passado mais uma vez, no quarto ao lado...
Hoje era o dia do meu casamento... estava sozinha finalmente... fazendo o exercício que Lady Victoria havia ensinado: “Rosto calmo e resplandecente, emoções sob controle e a mente trabalhando vorazmente”.
Estava no palácio do Duque, minha futura casa... não havia visto Edward ainda, afinal era tradição não nos vermos, somente na hora do casamento... minha família arrumava-se num dos quartos da mansão e eu aproveitava o momento de total solidão.
Lembrava muito bem da conversava esclarecedora que havia tido com Lady Victória... combinamos que entre nós, seríamos apenas Victória e Isabella.
Nosso chá ocorreu na maior discrição possível. Cheguei pontualmente às 15hs e fui conduzida por um senhor muito educado, que acompanhou-me até um amplo escritório, repleto de livros em estantes de madeira de lei e paredes adornadas por cabeças de animais empalhados... Victória estava sentada com uma bandeja com xícaras e bules de chá fumegante... logo sentamos e iniciamos uma longa conversa.
Victória trabalhava como prostituta desde a adolescência em prostíbulos de Paris, Casablanca, Londres e há pouco tempo havia comprado sua própria casa, nos arredores de Sheffield... disse-me, que um grande amigo de longa data, havia ajudado a estabelecer-se... tive um insight de quem poderia ser o “grande amigo” mas abstive-me de qualquer comentário, não estava ali para fazer questionamentos, muito menos julgamentos...
Estava na hora de aproveitar o momento e perguntar a Victória minhas principais dúvidas... tentando vencer a vergonha e o constrangimento por meu rosto estar ruborizado, perguntei:
– Victória, você é uma mulher experiente, diga-me, porque o comportamento dos homens e tão diferente do das mulheres quando o assunto é sexo?
– Veja Isabella, o que está aqui (e apontou para minha cabeça) é o que faz a diferença. O sexo acontece em nossa mente, muito antes do ato em si, é a batalha entre o queremos e o que achamos moralmente correto.
– Porque os homens casados buscam frequentemente prostitutas... por várias razões é claro... mas a mais poderosa delas é o fato de um casal nos se expor, não dizer, não demonstrar o que realmente quer, o que realmente sente... e isso ocorre, principalmente pela falsa educação moralista, preconceituosa e arcaica em que vivemos. Se um marido quer sua mulher o tenha em sua boca, fazendo-lhe sexo oral... ou ele não diz por temer a reação da esposa ou ao dizer, espanta-se com a postura de sua mulher, que pode dizer que tem nojo, ou que não é moralmente correto, ou que ele deve urgentemente confessar-se ao padre seus pensamentos obscenos... por outro lado, quando a mulher, em seu intimo, gostaria de perguntar, ou sugerir algo a seu esposo, como algum desejo secreto, ela geralmente não dirá, por saber que será mal interpretada... o marido a questionará, como ela uma mulher de família pode ter um comportamento tão indecoroso... é mais fácil, para um homem, ir a um bordel, pagar por uma meretriz e dizer-lhe o que deseja... vestir as suas roupas, depois de satisfeito, jogar algumas notas e ir embora.
– Portanto isabella, se seu desejo e manter seu marido fiel a você e ao mesmo tempo optar em ser feliz na cama com ele, meu conselho é: “Liberte-se”, abra a sua mente... diga, faça, ouse, domine e deixe ser dominada... permita-se. Pense que com ele, não há limites, não regras, não há pudores... há apenas desejo, prazer e realização.
...
Agora, mais uma vez, olhando-me no espelho, abri um leve sorriso... minha conversa com Victória tinha sido muito proveitosa, e ela tinha toda razão... eu iria viver o meu casamento em toda a sua plenitude... realizaria todos os meus desejos, curiosidades e fantasias com Edward... minha única tristeza era saber que meu amor por ele não era correspondido... era um amor de mão única... porém... sabia que ele desejava-me e o faria dependente de mim, assim com um viciado no mais delicioso “absinto”.
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