Isabella e o Duque

14 Capítulo 14 DESEJO


Edward

Eu estava realmente preocupado com meus pensamentos... afinal, dizia a mim mesmo, como um mantra, que estava casando com Isabella, a fim de unir o útil ao agradável. Um dia teria que casar... ter herdeiros... alegrar meu pai e minha melhor escolha era Lady Swan.

Isabella não era de família nobre, mas pertencia a uma família londrina respeitada... era culta... era verdadeira em suas posições, o que agradava-me muito. Passei a vida rodeado de pessoas falsas e hipócritas, que viviam de aparências e nada mais. É claro que poderia estar casando com alguém da alta sociedade, o que economicamente seria interessante... mas, sinceramente, passar a vida ao lado de uma mulher fútil não estava na minha lista das 100 coisas a fazer, antes de morrer.

E é claro, Isabella era linda, abalava minha sanidade, com seus lindos olhos verdes... eu a queria, eu a teria.

Uma vez, quando ainda era adolescente, estive na África com meu pai, mais precisamente fizemos uma expedição pelo Niger, Mali e Nigéria, uma região que ainda era colonizada por nós ingleses... ficamos hospedados na Fazenda do Conde de Whinchester e de lá, partimos em uma expedição pelas selvas africanas... num determinado dia de sol escaldante, meu pai, eu e dois guias encontramos com um grupo faminto, formado por três leoas e um leão. Foi a experiência mais assustadora da minha vida... graças a habilidade dos guias saímos ilesos... o leão e duas leoas foram abatidos... mas, a terceira leoa conseguiu escapar... fiquei fascinado com a agilidade, coragem e altivez da fêmea... em momento algum ela acovardou-se e como uma rainha felina escapou de nossa captura... assim que vi Isabella pela primeira vez, quando nos enfrentamos por ela ter invadido, sem permissão, minhas terras... via ali, minha leoa... altiva, corajosa e destemida... era essa mulher que queria.

O mês que precedeu ao casamento passou rapidamente, tive que ficar em Londres por vários dias, a fim resolver diversos negócios de minha família... e a cada dia, mais saudades sentia de Isabella... é óbvio que deixei Isabella bem protegida, sem que ela soubesse, mantive seu primo Eric bem distante... dois funcionários discretos que controlavam cada passo dado por ela, toda vez que saía da casa de seus tios e é claro, minha querida irmã, recomendada, que se houvesse qualquer problema, mandaria um mensageiro até Londres.

Mal há vi quando retornei para Sheffeild... apenas em duas ocasiões, quando fui visitá-la na casa dos Swan... linda como sempre...

Fui informado por meus empregados, dos passos dados por Isabella em minha ausência... soube do enfrentamento, as portas da Igreja, com a senhorita Denali... e apreciei sua atitude... Isabella tinha a questão justiça sempre presente em sua vida. Soube também, que ela estivera na livraria da cidade e passara algumas horas em uma sala reservada para a leitura... isso chamou-me a atenção... porém, meus funcionários garantiram que Isabella entrara sozinha e saíra sozinha... como sabia que ela adorava ler...

Hoje era o grande dia... o casamento e depois a festa e depois nós dois sozinhos... e eu mal poderia esperar pela noite de núpcias... tinha muitos planos, entre eles deixá-la viciada em mim...

Já estava vestido e pronto, aguardando ser chamado para ir a capela, que sabia, já estava repleta de convidados.

Isabella

Agora, sentada à frente do espelho, olhava meu reflexo... realmente eu estava bonita... meu cabelo havia sido cuidadosamente escovado e preso num magnífico coque, onde um cordão de ouro branco cravejado de diversos diamante, serpenteavam pelos fios escuros... a maquiagem perfeita... vestia apenas a roupa intima e um corpete branco que apertava meu corpo, delineando ainda mais minha cintura... aguardava pacientemente o vestido ser passado mais uma vez, no quarto ao lado...

Hoje era o dia do meu casamento... estava sozinha finalmente... fazendo o exercício que Lady Victoria havia ensinado: “Rosto calmo e resplandecente, emoções sob controle e a mente trabalhando vorazmente”.

Estava no palácio do Duque, minha futura casa... não havia visto Edward ainda, afinal era tradição não nos vermos, somente na hora do casamento... minha família arrumava-se num dos quartos da mansão e eu aproveitava o momento de total solidão.

Lembrava muito bem da conversava esclarecedora que havia tido com Lady Victória... combinamos que entre nós, seríamos apenas Victória e Isabella.

Nosso chá ocorreu na maior discrição possível. Cheguei pontualmente às 15hs e fui conduzida por um senhor muito educado, que acompanhou-me até um amplo escritório, repleto de livros em estantes de madeira de lei e paredes adornadas por cabeças de animais empalhados... Victória estava sentada com uma bandeja com xícaras e bules de chá fumegante... logo sentamos e iniciamos uma longa conversa.

Victória trabalhava como prostituta desde a adolescência em prostíbulos de Paris, Casablanca, Londres e há pouco tempo havia comprado sua própria casa, nos arredores de Sheffield... disse-me, que um grande amigo de longa data, havia ajudado a estabelecer-se... tive um insight de quem poderia ser o “grande amigo” mas abstive-me de qualquer comentário, não estava ali para fazer questionamentos, muito menos julgamentos...

Estava na hora de aproveitar o momento e perguntar a Victória minhas principais dúvidas... tentando vencer a vergonha e o constrangimento por meu rosto estar ruborizado, perguntei:

- Victória, você é uma mulher experiente, diga-me, porque o comportamento dos homens e tão diferente do das mulheres quando o assunto é sexo?

- Veja Isabella, o que está aqui (e apontou para minha cabeça) é o que faz a diferença. O sexo acontece em nossa mente, muito antes do ato em si, é a batalha entre o queremos e o que achamos moralmente correto.

- Porque os homens casados buscam frequentemente prostitutas... por várias razões é claro... mas a mais poderosa delas é o fato de um casal nos se expor, não dizer, não demonstrar o que realmente quer, o que realmente sente... e isso ocorre, principalmente pela falsa educação moralista, preconceituosa e arcaica em que vivemos. Se um marido quer sua mulher o tenha em sua boca, fazendo-lhe sexo oral... ou ele não diz por temer a reação da esposa ou ao dizer, espanta-se com a postura de sua mulher, que pode dizer que tem nojo, ou que não é moralmente correto, ou que ele deve urgentemente confessar-se ao padre seus pensamentos obscenos... por outro lado, quando a mulher, em seu intimo, gostaria de perguntar, ou sugerir algo a seu esposo, como algum desejo secreto, ela geralmente não dirá, por saber que será mal interpretada... o marido a questionará, como ela uma mulher de família pode ter um comportamento tão indecoroso... é mais fácil, para um homem, ir a um bordel, pagar por uma meretriz e dizer-lhe o que deseja... vestir as suas roupas, depois de satisfeito, jogar algumas notas e ir embora.

- Portanto Isabella, se seu desejo e manter seu marido fiel a você e ao mesmo tempo optar em ser feliz na cama com ele, meu conselho é: “Liberte-se”, abra a sua mente... diga, faça, ouse, domine e deixe ser dominada... permita-se. Pense que com ele, não há limites, não regras, não há pudores... há apenas desejo, prazer e realização.

...

Agora, mais uma vez, olhando-me no espelho, abri um leve sorriso... minha conversa com Victória tinha sido muito proveitosa, e ela tinha toda razão... eu iria viver o meu casamento em toda a sua plenitude... realizaria todos os meus desejos, curiosidades e fantasias com Edward... minha única tristeza era saber que meu amor por ele não era correspondido... era um amor de mão única... porém... sabia que ele desejava-me e o faria dependente de mim, assim com um viciado no mais delicioso “absinto”.

Edward

A capela estava repleta de convidados, muitos londrinos, entre eles membros da realeza... era assustador, para aqueles que não estavam habituados, ver tantas jóias,,, a mais pura ostentação num só lugar... haviam é claro, convidados de Sheffield,que esforçavam-se em manter a correta postura.

A capela, a mansão, os jardins... tudo estava perfeito... Lady Alice havia feito um belo trabalho.

A música começou a tocar, piano, harpa e violinos, anunciando a entrada da noiva... as portas da capela são abertas e surge uma Isabella ainda mais linda, como se isso fosse possível... num belíssimo vestido... usava um par de brincos com duas magníficas esmeraldas, cravejadas de diamantes, presente de meu pai.

Ela, amenina mulher que povoava meu inconsciente, meus sonhos e minha mente estava esplêndida. Docemente, caminhava ao lado de seu tio, rumo ao altar. Quando toquei suas mãos suaves, seus olhos de felina olharam-me com um ar de mistério, de promessas seladas, de desejos oculto, fazendo-me vibrar.

A cerimônia, os votos, a festa... tudo saiu perfeito... agora Isabella, já com outro vestido, despedia-se de sua tia e suas primas. Passaríamos alguns dias numa linda casa que tínhamos a 40 minutos de carruagem do palácio. Era uma casa menor, do século XVI, que havia sido totalmente reformada... minha mãe, quando viva, deu o apelido de petit palais ou pequeno palácio, pedi para minha irmã deixá-la organizada para nós.

Ajudei Isabella a subir na carruagem, sentamos um ao lado do outro.

- Cansada minha esposa?

- Um pouco, creio que tenha sido a expectativa de ter tantos convidados e dar a atenção devida à todos.

- Pois saiba, que saiu-se maravilhosamente bem. Passei à noite recebendo elogios, meu pai então, não poderia estar mais feliz.

- E o senhor Duque? Também está feliz?

- Muito. Tenho dois pedido à fazer:

- 1° Chame-me de Edward.

- 2° Quero que confie em mim essa noite.

- Ainda não sei o porquê de estar casado-se comigo, mas decidi não pensar mais sobre isso... quero viver um dia de cada vez.

- Deite-se no meu ombro e descanse até chegarmos.

Ela apenas sorriu e encostou-se, fechando os olhos. Como sempre, desde que a conheci, Isabella surpreendia-me.

Quando paramos, o cocheiro adiantou-se e abriu a porta, Isabella acordou, sem perguntar, peguei-a no colo e levei-a para dentro.

- Gostas?

- Muito, é lindo e aconchegante.

Ainda em meu colo, subi com facilidade as escadas, e entrei em nosso quarto, que era amplo... uma imensa cama com lençóis brancos, a lareira acesa no canto mais distante, amplas janelas que davam para enormes pastagens. Desci-a cuidadosamente... ele então foi até uma das janelas, onde a lua iluminava... no quarto além da lareira, alguns candelabros estavam acesos.

- Naquela porta, há a sala de banho e ao lado estão seus pertencentes que vieram antes, vou deixá-la à vontade para trocar-se.

- Não irei demorar Edward, volte logo.

Mal acreditei no que ouvi... ela estava segura. Tirando o leve rubor do seu lindo rosto, suas palavras eram tranqüilas.

- Subirei em seguida.

Desci ao escritório, tirei o casaco, o colete, a gravata, as abotoaduras, abri dois botões da camisa e servi uma dose de cherry brands... precisava acalmar-me... dei algum tempo de privacidade à Isabella e logo voltei ao quarto.

Ao entrar, não estava preparado para o que viria.

Isabella de pé, em frente a lareira, vestindo apenas um hobby de seda branca transparente, de encontro a luminosidade da lareira, deixou o corpo sinuoso ainda mais evidente, cabelos soltos até a cintura... tão docemente como entrara na capela, veio caminhando em minha direção... parou próxima a mim e sem tirar os olhos dos meus, levou suas pequenas mãos até o laço que prendia a peça e o abriu... delicadamente o hobby desceu por seu corpo.

Linda

Nua

Mal consegui ouvir sua voz sussurrante:

- Agora sim Edward, o nosso casamento começa a valer.

Notas finais
Obrigada suas queridas :)
Agora estamos chegando na parte quente da história *...*