Isabella e o Duque
5 Capítulo 5 CINCO SENTIDOS (spoilers)
Isabella
Meu avô, pai de minha mãe, sempre dizia:
“- Quando estiver no mar, e uma onda imensa lhe alcançar, deixe-se levar. Não tente nadar contra a maré” — Explico, meu avô pertencia a Real Marinha Inglesa, e passou sua vida navegando nos mares e oceanos. E foi pensando nessa sábia frase, que após ser pega de surpresa pelo Duque e tentar resistir ao seu assédio empurrando seu peito... deixei-me levar... deixei-me levar pelo sentimento arrebatador que tomou cada célula do meu corpo. Nunca havia beijado, e minha maior curiosidade, não era o ato em sim, mas o que sentiria de fato ao ser beijada.
Simplesmente... estonteante. O sabor da sua boca, o perfume que vinha dele, perfume único, masculino, dominador e inebriante... perfume de Edward. Sim, e o toque, a língua invadindo a minha boca sem pedir licença...
Tínhamos uma criada, que auxiliava minha mãe nos afazeres da casa, toda semana ela preparava um delicioso bolo de chocolate, e deixava comer a sobra que ficava na colher de pau. Não preciso dizer que não ficava uma gota sequer na colher. Pois bem, suguei a língua que me invadia da mesma forma que eu fazia com a colher repleta de chocolate e ousei como resposta ao ataque de Edward, invadir sua boca também, sugando sua língua e arrancando-lhe um profundo gemido.
O ar foi ficando escasso e o beijo acalmando, quando paramos, sentia as mãos de Edward na minha cintura, os lábios ainda nos meus, minha mãos em seus cabelos, as respirações arfantes e... finalmente abri os olhos... encarava-me com o olhar repleto de desejo.
Olhos nos olhos, fomos nos afastando, ao ponto de não nos tocarmos mais. Ficamos assim um bom tempo, apenas nos olhando.
– Estou esperando senhorita Swan? Não receberei uma bofetada pelo meu atrevimento?
– É o que merecia senhor Duque, mas não sou dada à violências.
– Fico feliz em saber. Saiba que beija muito bem minha Lady, com quem esteve treinando? — Algum amigo londrino? Ou talvez com seu primo Eric?
Sem raciocinar levantei a mão e dei uma sonora bofetada em seu rosto. Mesmo ficando chocada com minha atitude, mesmo percebendo que a carruagem diminuía a velocidade, disse-lhe:
– Certamente o senhor já deve ter beijado muitas bocas senhor Duque, para afirmar que eu beijo bem, mas não me julgue pelo senhor. Não faço parte do seu grupo. E saiba que a poucos segundos, dei meu primeiro beijo em um homem, mas tenha certeza que ainda darei muitos beijos em minha vida. Quem sabe, daqui a uns 10 anos, se nos encontramos por acaso, o senhor já não estará casado como alguma grande herdeira da alta sociedade inglesa a fim de cumprir o seu dever e dar seqüência aos descendentes do Duque de Sheffield eu terei tido a felicidade de encontrar o grande amor da minha vida e, nesse encontro improvável, não possamos rir desse beijo que aconteceu agora tanto quanto ao tapa que lhe deferi na face.
– Até nunca mais ver, caro Duque.
E sem esperar por ele, que me ouvia com os lábios entreabertos e expressão perplexa, eu mesma abri a porta e sai da carruagem.
Notas finais
Já o Duque reage, muitas vezes, sem pensar diante dessa mulher tão diferente aos padrões da época.
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