Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bom? Bem, obrigada pelos comentários! Fico feliz que vocês estejam gostando!! Espero que gostem

Eu estou curioso. Intrigado pela relação de Mariana com Victor. Quer dizer, eu tenho uma irmã mais nova, sei como é. E definitivamente, não é daquele jeito. Eles são muito próximos, apegados demais. Não parecem discutir, não parecem se odiar como irmãos normais fariam.

Ele ainda me dá medo, mesmo sendo irmão dela. Talvez, agora, me desse ainda mais medo. Mariana raramente saía dos meus pensamentos e isso também me assustava. Nunca fiquei preso à mulher alguma e, definitivamente, não irei ficar agora. Mas a frequência em que ela aparece em minha mente é, de fato, estranha.

Vou ficar com ela, sem dúvidas. Só espero que não tenha nenhuma consequência ligada ao gesto. Quer dizer, não quero que ela de repente se apaixone por mim. Ou o contrário...

Não, esquece. Eu nunca vou me apaixonar. E se acontecer algum dia, definitivamente não será com 17 anos. É uma perda de tempo esse negócio aí de "amor". Pra quê?! Por que as pessoas ainda cismam em se apaixonar? Para ficarem grudadas com a mesma pessoa o resto da vida? Para esquecerem dos amigos, da curtição, das baladas e de tudo mais que tem de bom nesse mundo?

Pois bem, eu não abro mão disso nunca. Muito menos por uma garota. Não sou desses de "relacionamento". O único tipo de relacionamento que eu aceito, é a amizade. De resto, é só curtição. Gosto de beijar, transar, experimentar. Mas essa coisa de relacionamento, rotina, uma pessoa só, não é comigo.

Não sei o tipo de pessoa que Mariana é. Talvez do tipo santinha, já que nunca ficou com ninguém que a escola tenha ficado sabendo. Ou do tipo virgem. Ela pode ser também aquele tipo de garota que acredita em contos de fadas e está à espera do príncipe encantado.

Ou, será então que ela é lésbica? Impossível, uma garota daquelas não pode ser lésbica, certo? Nada contra homossexuais, mas seria um desperdício para os homens se aquela garota gostasse da mesma coisa que nós. Apesar que é um tanto quanto excitante pensar nela pegando outra garota gostosa. Contanto que eu possa pega-la depois.

Não cheguei à nenhuma conclusão sobre o tipo de garota que Mariana é. Porque ela parece uma Barbie, mas não age como uma. É uma loira gostosa e inteligente. Criava cada teoria que eu nunca tinha ouvido antes. Ela me intriga porque, apesar da cara de garota fútil e metida, de patricinha ela não tem nada. Decidi que iria desvenda-la. Mas como fazer isso se ela não me deixava conhecê-la?

Numa decisão apressada, peguei minha jaqueta preta de couro e saí de casa sem dar satisfações a ninguém. Andei calmamente até a rua de Mariana, tentando não pensar no que vou dizer a ela quando tocar a campainha. Isto é, se ela estiver em casa e se me atender.

Virei a esquina e um corpo pequeno se chocou ao meu. O segurei pela cintura, impedindo-o de cair. Demorei um pouco para reconhecer a pessoa. De início, só vi uma cascata de cabelos loiros. Depois vi olhos verdes, esbugalhados pela surpresa, um tanto vermelhos e inchados.

– Mari? Você está bem?

– Dá licença, Rafael. — ela falou com a voz embargada, se equilibrando nas próprias pernas novamente e saiu correndo para o lado oposto da sua casa

– Ei, espera aí. Mari. Espera. — corri atrás dela e segurei seu braço

Ela se virou para mim e vi seus olhos cheios de lágrimas. Senti uma sensação estranha dentro de mim. Um aperto no coração. Puxei-a para meus braços.

– Qual é o problema? — perguntei, afagando seus cabelos enquanto ela molhava minha blusa com suas lágrimas

– Meu... Pai brigou com... Victor e... O expulsou de casa. — ela explicou, com a voz falhando e o corpo todo tremendo

– Vem aqui.

A puxei para um banco e a sentei ali, sentando-me ao seu lado e passando meus braços por seus ombros.

– Calma, Mari. Respira fundo. — falei, tentando acalma-la

Percebi que não está vestindo uma jaqueta por cima da regata e o dia hoje está gelado. Tirei minha jaqueta e a coloquei em seus ombros. Ela se acomodou mais aos meus braços e tentou controlar o choro. Afaguei seu braço e não disse nada até ela parar de chorar.

– Quer desabafar? — perguntei e ela assentiu

– Meu pai brigou com o meu irmão por ter se realistado e então, o expulsou de casa. Justo agora que eu o tinha de volta.

– O quê? Espera, Mari. Retrocede. Seu irmão é militar? — eu estava surpreso, mas não tem motivo para a minha reação

– É. Ele é médico do exército. Ama o que faz e eu entendo o motivo de ele ter se realistado, apesar de não querer que ele volte para lá... Passei 18 meses sem ver meu irmão e, justamente quando ele volta, meu pai o expulsa de casa! E o pior é que Victor não vai ficar aqui por muito tempo... Um mês. Dois, no máximo. E eu queria passar todos os segundos com ele, mas agora vai ser difícil, sendo que meu pai é um idiota e vai fazer de tudo para me afastar dele. — ela voltou a fungar e seus olhos marejaram

– Ei, vai ficar tudo bem. Você vai dar um jeito de ficar próxima ao seu irmão. Se quiser, eu te ajudo!

– O quê? Sério? — eu assenti — Por quê?

– Mariana, você tem que parar de achar que tudo que eu faço é para ter algo em troca. Vou te ajudar porque eu sei como é ter um parente militar e querer passar todos os minutos com ele, quando ele volta. Vou te ajudar porque eu queria ter sido ajudado quando meu parente voltou pra casa.

– Então, você está me pedindo ajuda?

– Mariana, para e me ouve direito. Não estou te pedindo nada em troca. Estou fazendo isso da bondade do meu coração, ok?

– Não sabia que você tinha um coração, mas ok...

– Consegue ser engraçada até quando está chateada?! — eu ri fraco e ela sorriu amarelo

– Quer desabafar? — ela repetiu as mesmas palavras que eu havia dito a ela, alguns minutos atrás

– Sobre o que? — perguntei, confuso

– Sua história.

– Muito longa. Talvez outro dia.

– Ah, qual é, Rafa! Você já sabe uma parte da minha.

– O que que tem? Não te obriguei a contar.

– Ta certo então. Touché. Bom, obrigada por me ouvir.

Ela ainda está chateada e eu posso ver isso. Mas não sei como anima-la e voltar a ver aquele sorriso lindo.

– Ei. O que eu posso fazer pra você voltar a colocar aquele sorriso meigo nos lábios?

– Me compra um sorvete. — ela disse e riu logo em seguida

– Ok. Vamos lá.

– O quê? Não, espera, Rafael! Eu estava brincado!

– Pois eu não estou. Vamos logo que agora eu também estou com vontade. — falei e a puxei pelo braço

Andamos lado a lado sem falar muito. Ela está distraída pensando em alguma coisa. Mexe nas unhas sem perceber. Olha para os pés, ao invés de olhar para frente.

– Ah, aqui. Toma. — ela tirou minha jaqueta de seus ombros e a esticou para mim

– Pode ficar. Ainda está frio.

– Por isso mesmo.

– Gosta de passar frio?

– Não. Mas imagino que você também não.

– Fique com a jaqueta, Mariana. Eu estou bem.

– Ãhn, obrigada. — ela recolocou a jaqueta em seus ombros

Não sei se estava alucinando, mas acho que a vi cheirar minha jaqueta. Sorri, contente com o fato de que ela gosta da minha colônia.

Chegamos à sorveteria, que estava vazia, devido ao frio que fazia em São Paulo. Clima meio louco esse. Anteontem estava um calor infernal, tanto é que aproveitamos uma piscina. Hoje, está tão frio que as pessoas não consegue sair de casa sem blusa. Incrível.

Pedi um sorvete de chocolate, com calda de chocolate. Se alguém aqui é chocólatra? Imagina...

Mariana pediu um sorvete de chiclete. Olhei para ela, estranhando o pedido, mas ela deu de ombros, não se importando com o meu julgamento. Paguei os sorvetes e nos sentamos em uma das mesinhas presentes no local.

– Nunca experimentei sorvete de chiclete. — comentei

– Isso é uma indireta para que eu te ofereça? — ela sorriu

– Não, é somente um comentário ingênuo. — sorri de volta e ela riu

– Aceita um pouco do meu sorvete de chiclete, senhor Gutenberg?

– Como sabe meu sobrenome?

– Está no seu Facebook.

– Não, não está. Não é esse.

– Ta bom, eu admito. Pesquisei um pouco sobre você.

– Pesquisou sobre mim?! — perguntei, em tom de piada

– Você realmente acreditou naquela que eu só analisava a pessoa pela aparência? — ela bufou — Por favor, né Rafael. Use um pouco mais essa massa cinzenta aí de dentro. — usou o dedo indicador para encostar em minha testa

– Está dizendo que eu sou burro?

– Muito pelo contrário. Você é um rapaz inteligente. Só que não aproveita essa inteligência toda porque ignora o seu cérebro.

– Ai, você gosta de me ofender né?!

– A cara de magoado que você faz é bonitinha. — ela admitiu, corando logo em seguida e abaixando os olhos para seu sorvete — Enfim. Quer? — ela me ofereceu novamente seu sorvete

Peguei uma colherada considerável do sorvete dela e a enfiei inteira na boca. É bom. Tem gosto de tutti frutti, o que é uma delícia.

– Ei! Você acabou com metade do meu sorvete com essa sua colherada! — ela reclamou e eu ri

– Como você acha que eu mantenho esse corpão?! — perguntei, sarcástico

– Idiota. — ela riu, apesar do comentário ofensivo

Acabamos de tomar nossos sorvetes com muitas risadas e xingamentos. Então, a acompanhei de volta à sua casa.

– Nunca pensei que eu fosse dizer isso, mas obrigada, Rafa. Por me ouvir, me ajudar e me alegrar. — ela sorriu e eu retribuí

– Foi um prazer ser o responsável por esse seu sorriso meigo.

Ela corou e abaixou o rosto.

– Me empresta seu celular. — não pedi

– Pra quê?

– Vamos lá, não gosta de surpresas?! — sorri irônico para ela

– Ta bom.

Ela pegou o celular do bolso e me passou, desbloqueando-o. Entrei em seus contatos e adicionei meu número.

– Aqui está. Qualquer coisa, me ligar, está bem? — ela assentiu — Agora, qual o seu?

Ela pegou meu celular da minha mão e gravou seu número nele.

– Bem, acho que nós vemos amanhã, né?

– Até amanhã, Mari.

– Até. — ela deu uma piscadela entrou em sua casa

Notas finais
E aí? Não se esqueçam de comentar... Beijos, até a próxima