Notas iniciais
Olá minhas lindas, tudo bem? Última semana antes da minha viagem! Estou tentando deixar tudo pronto... Os próximos dois capítulos estão quase prontos, então vou deixá-los programados. Ainda não comecei a escrever o outro, então não sei se vai dar tempo. Mas vou tentar! Espero que vocês gostem desse.

– Eu te amo. Não se esqueça disso, ta bom? Te vejo em um mês.

– Eu também te amo, Rafa. Não aja como se isso fosse uma despedida permanente. É só um "até daqui a um mês". — ela riu, mesmo que seus olhos não mostrassem tanta felicidade assim

– Tem razão. Divirta-se em Nova Iorque. Mande um "oi" à sua mãe por mim.

– Ok. — ela sorriu e me beijou novamente

Ouvimos a chamada para o embarque. A abracei mais forte contra meu corpo, não querendo deixá-la ir. É claro que nos falaríamos diariamente, mas ainda assim é difícil soltá-la.

– Eu amo você. Cuide-se. — sussurrei em seu ouvido, sentindo mais uma vez o cheiro de laranja de seu cabelo — E feliz aniversário.

– Amo você, Rafa. Não faça nada que eu não faria enquanto eu estiver fora, ok? — ela riu e me deu um selinho — Você é o melhor.

Ela deu um último abraço em seu irmão, sua cunhada e seu pai. Minha mãe e irmã já haviam se despedido mais cedo dela. Merda, até parece que eu nunca mais vou vê-la. É só um mês. Nós sobreviveríamos.

Vê-la andando para longe de mim foi pior do que eu temia. Tinha um pressentimento ruim sobre essa viagem, mas é claro que eu não falaria nada. Não queria estragar com esse tempo que ela passaria com a mãe.

Fiquei plantado lá, olhando-a embarcar até a hora em que alguém sacudiu meus ombros. Victor.

– Cara, nós já vamos. Quer carona?

– Ãhn, sim. Claro. Obrigado. — pigarreei baixinho, tentando desfazer o nó em minha garganta

O que eu tinha que fazer nesse mês? O que poderia me distrair? Pois é... Absolutamente nada.

Podia passar mais tempo com a minha irmã... Apesar que os seus desejos são fodas demais de realizar, então é melhor eu me manter afastado. Gabriel? Estaria ocupado com Cintia. Os outros caras? Continuavam tão babacas quanto eu fui um dia. Claro que ainda eram meus amigos e eu ainda gostava deles. Mas eles com certeza passariam as férias em baladas, e a recomendação de Mari foi clara. "Não faça nada que eu não faria". Ela, sem dúvidas, não iria a uma balada sem mim.

Droga, minha vida ficava tão vazia sem ela... Eu podia me concentrar mais no basquete. É, essa parecia uma saída razoável. Durante o resto do tempo, eu falaria com ela. Ou tocaria violão. Ou qualquer coisa parecida.

Como eu sobrevivia antes, sem ela na minha vida? Ah sim, eu era um idiota. Vivia ficando com garotas aleatórias, dormindo com qualquer uma. Sendo um babaca completo.

Odeio ver que minha felicidade depende de alguém, mas fico feliz que pelo menos ela seja esse alguém. Não consigo pensar em ninguém melhor para esse cargo.

Fernando e Victor me deixaram na porta de casa e, depois de agradecer, entrei, dando de cara com Miranda beijando Douglas na sala.

– Argh, arrumem um quarto! Que merda. — reclamei, passando direto para a cozinha

– Alguém não está feliz que a namorada foi para longe. — ouvi Miranda murmurar

– Vai tomar no cu, Miranda. Não to com paciência pra isso. — peguei um copo e enchi de água

Ouvi a porta da frente se abrir, duas pessoas se beijarem e a porta se fechar. Passos denunciavam que minha irmã chegava na cozinha.

– Beijo sonoro é desnecessário, viu? Não sei se você sabe. — falei, ranzinza

– Ai Rafa... — ela suspirou — Você está quase pior do que eu. Olha só, relaxa. Esse mês vai passar rapidinho, você vai ver.

Novamente, senti aquele nó na garganta. Tomei mais um gole de água, tentando relaxar.

– Quer falar sobre o que? — Miranda me perguntou

– Nada. Por que você não vai lá com o seu namoradinho e me deixa em paz?

– Porque eu sou sua irmã. E está escrito no manual de "Como ser uma boa irmã" que eu nunca devo te deixar sozinho quando sua namorada não está. Então, aqui estou eu. Pronta pra te fazer feliz. — ela disse isso de um modo tão sarcástico que foi impossível não rir — Aí ó, ta vendo só como eu sou boa?! — rimos juntos

– Mi, eu, sinceramente, não to afim de conversar. Sério.

– Ta bom. Então eu falo e você só escuta.

Suspirei. Acho que ela segue a risca esse manual. Ri comigo mesmo, deixei o copo vazio na pia e voltamos para a sala, nos sentando lado a lado no sofá.

– Sabe, Rafa, eu queria muito que meu filho fosse uma menina. Não sei porque, mas sinto que é. O que você acha?

– Acho que ta cedo pra pensar nisso.

– Como cedo?! Já tenho que comprar o enxoval e pensar no quarto e no nome... É tanta coisa pra tão pouco tempo!

– Pouco tempo?! Miranda, você tem mais sete meses pra pensar nisso.

– Seis meses e meio, ok?! E daí? Isso não é muito tempo.

– Ah, não? Ta bom então. — decidi não entrar em uma discussão com minha irmã — Já pensou em algum nome? — parece que escolhi o assunto certo, porque seus olhos se iluminaram

– Gosto de Manuela. Ou Emanuelle. Apesar que Manuelle também é bonito. Já ouviu Emanuella? Achei diferente...

– Mi, Mi, espera. Pára tudo. Não são iguais? — perguntei, sorrindo

– Por isso que eu gosto de todos. Eles são parecidos. — ela sorriu, sonhadora

– E nomes masculinos?

– Pensei em Bernardo. Ou Theodore. Ou Marco. O que acha?

– Gay.

– Todos?

– Todos.

– Ah, não é nada. Não tem essa de "nome gay". São bonitos. Eu gosto.

– Ta bom. Liga pro Douglas e pergunta o que ele acha.

– Agora?

– Lógico.

Ela bufou, mas pegou o celular e ligou. Colocou no alto-falante para que eu ouvisse também. Chamou três vezes e ele atendeu.

– Oi Mi. Ta tudo bem?

– Ta sim, amor. Eu to aqui com o meu irmão.

– Ah, e ele ta bem?

– Ta sim. Então, a gente tava falando sobre nomes... E eu queria saber tua opinião sobre alguns.

– Fala.

– Bernardo. Theodore. Marco.

– Ih, amor... De verdade?

– Sim.

– Não gostei muito não.

– Por quê?!

– Sei lá, quando eu penso em um cara que chama Bernardo, por exemplo, me vem na cabeça uma personalidade meio... Afeminada.

– Ta falando que é nome de gay?!

– É... Tipo isso.

– Ah, vai se fuder. — e desligou, com uma carranca no rosto

Não me aguentava de tanto dar risada. Minha barriga já estava doendo e eu estava escorregando do sofá, indo parar no chão. Minha visão estava embaçada devido às lágrimas de tanto rir.

– Cala a boca, Rafael.

Miranda jogou uma almofada na minha cara, mas isso não diminuiu uma crise de risadas. Fiquei com falta de ar e as gargalhadas foram cessando de pouco em pouco. Me sentei no chão e sequei meu rosto com a manga da blusa.

– Ai ai, Mi. Eu disse.

– Aff, vocês não sabem de nada. Vai ver só! Vou perguntar pra mãe quando ela chegar em casa. Com certeza ela vai gostar!

– Se ela falar que gostou, vai ter sido só pra te agradar.

– Vai se fuder, Rafael. Na moral.

– Calma, maninha. Sabe que eu te amo. — sentei ao seu lado novamente e abracei seus ombros — Mas esses nomes aí não deram certo... — segurei uma risada

– Queria ver só se fosse seu filho.

E meus pensamentos voltaram para a Mari... E se fosse ela que estivesse grávida, e não minha irmã? Eu estaria pirando, como Miranda? Ou estaria tão calmo, quanto estou agora?

– Ah, me desculpe, Rafa. Não queria que você ficasse triste. — ela deve ter percebido minha mudança rápida de humor

– Não se preocupe, não fiquei triste. Só fiquei pensando.

– Você pensa em um futuro com ela?

– Honestamente, não. Você sabe que eu não sou de planejar. Mas não me vejo longe dela.

– Isso é bom, né?

– Quando eu descobrir a resposta, te aviso. — falei, sorrindo de leve

A porta da frente se abriu e minha mãe entrou por ela. Nos viu juntos no sofá e sorriu.

– Ah, vejo que meus filhos sabem conversar, afinal de contas.

– Oi, mãe. — a cumprimentei com um sorriso no rosto

– Manhê, me ajuda numa coisa?

– Fala, filha.

– Eu e o Rafa estávamos pensando em nomes pro meu filho, se ele for homem.

– Hum, e o que vocês pensaram?

– Bernardo. Ou Theodore. Ou Marco.

– Correção, ela pensou nesses nomes. Não dei sugestão nenhuma. — me pronunciei

– Ah filha, são lindos. — a falsidade da minha mãe era quase palpável

– Mãe! De verdade?

– Eu gosto desses nomes, sério. — comecei a rir novamente

– Mãe, você não sabe mentir! — falei, gargalhando

– Aff, vai se fuder, Rafael. — Miranda levantou do sofá e subiu as escadas, provavelmente indo até seu quarto

– Poxa, Rafa, você bem que podia apoiar sua irmã, né?

– Mãe, até o namorado dela achou que os nomes são meio gays.

– Vá se desculpar com ela.

– O quê?! Por quê?!

– Porque você a magoou.

Bufei, mas subi as escadas do mesmo jeito. Bati na porta de Miranda e abri a porta. Ela estava deitada de costas para a porta.

– Mi?

– Vai embora, Rafael.

– Desculpa, Mi. Não queria te deixar chateada. — fui até ela e a abracei por trás

Ela se virou para mim e me abraçou de volta. A apertei em meus braços, sabendo que ela precisava do meu apoio, mais do que nunca.

– Eu gosto de Marcos. — me pronunciei

– É... Não é feio... — ela falou, se sentando na cama

– E é parecido com um dos que você falou.

– Uhum. — ela pensou um pouco e depois sorriu de leve — Obrigada, Rafa. Te amo.

– Também te amo, Mi.

Ficamos conversando por mais um tempo. Miranda estava animada por ter um filho, apesar da idade. Eu sentia que minha irmã amadureceu mais nesses dois meses do que fez em uma boa parte de sua vida. Ainda não sabíamos como ela faria com a escola mais para frente, quando sua gestação já estivesse quase no fim, mas sei que ela daria um jeito de conciliar tudo. Afinal de contas, essa é a Miranda.

Meu celular vibrou no criado-mudo ao nosso lado. Nova mensagem.

"Cheguei. Já desembarquei e encontrei minha mãe. Estamos indo pegar o taxi para ir à casa dela."

"E seu vôo foi bom? Já sinto sua falta. Te amo."

"Meu vôo foi ótimo. Também sinto sua falta. Gostaria que você estivesse aqui. Te amo."

Sorri, como o bobo apaixonado que eu sou. Miranda percebeu.

– Mari? — assenti e ela sorriu

– Boa noite, Mi. — beijei sua testa e fui para o meu quarto

– Boa noite, Rafa. Durma bem.

Notas finais
E então? Gostaram? Se quiserem conversar comigo enquanto estou viajando, não saio do Twitter: @le_prior Não se esqueçam de comentar e recomendar! Beijos, até a próxima