Is she a Barbie girl?
24 Capítulo 24
Notas iniciais
– Vai, porra! Passa a bola! Vai, vai, vai! — Mari gritou do meu lado
– Amor, você sabe que os jogadores não te ouvem, né? — falei, rindo
– Shhh. — ela falou, fazendo um gesto para que eu ficasse quieto
Ri novamente e peguei mais um punhado de pipoca, enfiando tudo na boca. Na televisão à nossa frente, passava o primeiro jogo da Copa do Mundo. Brasil x Croácia.
Eu sou fã de futebol, mas a Mari é louca pelos jogos. Ela diz que prefere outros esportes, mas não parecia quando ela estava assistindo jogo do Brasil.
Gabriel riu ao meu lado com os ataques de Mari. Estávamos todos reunidos na casa dela. Mari, eu, Gabriel, Cintia, Jéssica, Rodrigo, Pedro, Lucas, Roberto, Jaqueline, Vanessa e Bianca. As garotas não ligavam muito para o jogo, exceto a Mari que estava excêntrica, gritando junto com Pedro, Lucas e Roberto.
O intervalo do jogo chegou e Mari se levantou para fazer mais pipoca. Cintia e Bianca foram com ela. Rodrigo estava dormindo em um canto, Vanessa e Jéssica fofocavam em outro, eu e Gabriel ficamos conversando no sofá.
– E aí? Como ta tua irmã?
– Ah, ta bem né... O difícil foi contar pra minha mãe. Ela ficou puta com a Miranda, mas quando a poeira baixou, disse que a apoiava. O viadinho do Douglas disse que vai assumir o filho e que quer ser um pai presente.
– Mas também né, Rafa, depois do tanto que você ameaçou o garoto... Ele assumiria mesmo se não quisesse. — Mari falou, voltando para a sala
– Sorte a dele. — comentei
– Ui, bad boy você, hein Rafinha?! — Jéssica falou, me olhando meio de lado, como se quisesse ser sedutora
Só pude rir da sua cara e da expressão que a Mari fez. Se olhares matassem, Jéssica já estaria enterrada. Puxei minha namorada pelo quadril, a sentando no meu colo e passei meus lábios por seu pescoço, sentindo o cheiro de seu shampoo de laranja. Deixei um beijo molhado em sua nuca, fazendo-a se arrepiar e bater em meu braço, que estava ao redor de sua cintura, com um sorriso no rosto.
– Te amo. — sussurrei ao pé de seu ouvido
– Também te amo. — ela me respondeu, roçando os lábios nos meus
Não posso dizer que não brigamos mais, porque seria mentira. Mas, ao mesmo tempo, nos declaramos muito mais para o outro. Sinto que nossa ligação está cada vez mais forte e sorrio ao pensar nisso.
– Cara, deixa isso pra quando vocês estiverem sozinhos, por favor. — Gabriel falou
Todos riram, exceto Mari que ficou vermelha como um pimentão e saiu do meu colo, sentando ao meu lado no sofá. Jéssica também não ficou com uma cara nada boa. Quando essa menina vai se tocar que eu não quero mais nada com ela?
– Então, quem você acha que vai ganhar a Copa? — perguntei a Gabriel, quando a atenção de todos já havia dispersado novamente
– Velho, Holanda ta forte viu...
– Não acha que o Brasil ganha, não?!
– Se o negócio for justo, não. Apesar de termos feito o primeiro gol da Copa — rimos — não estamos tão fortes assim.
Eu continuaria com a conversa se a Mari não tivesse começado a conversar com Cintia sobre os jogadores mais bonitos. Além do assunto não me interessar, elas estão falando alto e do meu lado, atrapalhando minha conversa.
– Ah cara, sei lá viu... Acho que- — comecei, mas a voz de Mari me interrompeu
– Ci, você viu aqueles italianos?! Eu achei que foi a seleção mais bonita!
– Como eu estava falando-
– Apesar que alguns ingleses são bem bonitos também. — novamente fui interrompido
– Não sei se o negócio é justo, mesmo porque-
– Você viu a bunda do Hulk?! Meu Deus... — ela se abanou
Aproveitei que meu braço estava apoiado em seus ombros e coloquei minha mão por cima de sua boca, a tapando. Ela reclamou, mas começou a rir.
– Então né, Gabriel, continuando nosso assunto. Acho que o Brasil ganha. O governo não ia deixar a seleção perder, principalmente depois de todo esse gasto. — continuei, rindo um pouco
Mari ria e tentava se soltar dos meus braços, mas eu a segurava firmemente. Estávamos praticamente rolando pelo sofá, ambos rindo. Até que ela mordeu minha mão, me fazendo soltá-la.
– Ô cacete. Puta dente afiado, hein menina?! — falei, olhando minha palma para ter certeza de que não estava sangrando
Ela só sorriu para mim e me deu um beijo na bochecha.
– Aguarde a minha vingança. — sussurrei em seu ouvido maliciosamente
Ela riu baixinho e se ajeitou no sofá, cruzando as pernas, com o pote de pipoca no colo. O segundo tempo já estava começando, então me sentei novamente ao seu lado, passando meu braço por cima de seus ombros.
– Não! Tira, Rafa! — ela reclamou com uma voz manhosa, tirando meu braço
– Por quê?!
– Não gosto de nada me prendendo durante o jogo. — ela respondeu, simplesmente e eu ri, pegando um punhado de pipoca
– Ei, está queimada! — reclamei
– Só um pouquinho. Não enche o saco. — ela nem sequer desviou os olhos da televisão
Dei uma risada anasalada e virei para assistir o jogo. A torcida dos vizinhos estava animada, assim como a nossa. Lucas teve a brilhante ideia de trazer vuvuzelas, então fazíamos muito barulho.
Percebi que Mari estava se exaltando muito com o jogo e, a qualquer momento, deixaria o pote de pipoca cair no chão. Puxei o pote de seu colo e o coloquei no meu, escolhendo as pipocas que comeria.
– O que você ta fazendo? — Mari percebeu e me perguntou
– Escolhendo as pipocas. Não vou comer pipoca queimada.
– Ah, deixa de viadagem, moleque. — ela me deu um tapa de brincadeira na cabeça
– Ai amiga, me deixa sair do armário. — falei com a voz mais afeminada que pude, fazendo todos rirem
O jogo acabou e todos comemoraram a vitória do Brasil. Pouco a pouco, nossos amigos foram embora, deixando somente nós dois na sala, limpando toda a bagunça.
– Obrigada pela ajuda, Rafa. — ela me agradeceu
– Imagina, amor. — beijei sua bochecha
Nos jogamos no sofá, exaustos pelo dia. Ouvi a porta da frente se abrir e um Victor entrar de fininho. Mari pigarreou para chamar-lhe a atenção, que a olhou com cara de criança que foi pega no flagra aprontando.
– Ãhn, oi? — ele cumprimentou, abaixando a cabeça e coçando a nuca
– Onde estava, mocinho? — Mari falou, fingindo ser uma mãe zangada, mas logo em seguida foi correndo abraçar o irmão — Como foi lá com a Bru?
Desde que tínhamos ido à praia juntos e Victor tinha conhecido a Bruna, eles se tornaram muito amigos e, mais pra frente, ficantes. Agora vamos descobrir se eles são namorados.
– Ela aceitou! — ele respondeu, animado
– Que bom, Vic! To feliz por vocês! — Mari disse, abraçando-o novamente
Me levantei e andei até eles.
– Parabéns, cara. — falei, o cumprimentando
– Valeu.
Mari gosta muito da Bruna. Especialmente porque foi ela quem convenceu o Victor a não se realistar. E, além do mais, a garota só estava de passagem pelo litoral. Na verdade, morava a meia hora da casa de Mari.
– Bom, acho que eu já vou indo. Vocês têm muito o que conversar. — falei
– Tchau, amor. Obrigada por hoje. — Mari me abraçou pelo pescoço e me deu um selinho, indo para a cozinha depois
– Já to indo, Mari, só um segundo. — Victor falou e apontou para a porta, dando a entender que ele sairia comigo — Precisava conversar contigo. — ele disse quando já estávamos do lado de fora
– Diga.
– O aniversário da Mari ta chegando.
– Sim... — o incentivei
– Pensei em fazer uma surpresa pra ela.
– Que surpresa?
– Eu tava falando com o meu pai de como a Mari sente falta da nossa mãe. Meu pai falou de comprar uma passagem pra ela ir pra Nova Iorque.
– Isso é ótimo!
– Ela passaria o mês de julho lá.
– Inteiro?! — falei, vendo o lado negativo da surpresa
– Sim. — ele respondeu, abaixando a cabeça — Olha, Rafael, entendo que você vá sentir falta dela. Mas é pro bem dela, sabe? Ela pode não falar, mas ela sente muita falta da mãe. E, se você ta preocupado com o que ela pode fazer enquanto está lá sem você, é melhor você confiar nela.
– Eu confio nela. De verdade. É só que eu nunca pensei em passar tanto tempo longe dela...
– Pensa nisso, ta? Não que eu dependa da tua autorização pra fazer isso por ela, mas gostaria muito que você aceitasse.
– Ta bom. A gente se fala depois.
– Falou.
Nos despedimos e eu voltei para minha casa.
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