Notas iniciais
Olá pessoalzinho, tudo bom? Não me matem, por favor! Estamos passando por uma fase triste da história... Mas no próximo cap já voltamos ao normal! Não se esqueçam de me seguir no Twitter pra saber de tudo com antecedência: @le_prior Espero que gostem

– Vamos?

– Mari, eu não posso fazer isso.

Eu estou sentado na ponta da minha cama, na a cabeça entre as mãos, e os cotovelos apoiados nos joelhos.

Mari me convenceu a ir ao cemitério "ver" meu primo, mas quando a hora chegou, senti que ia desmaiar. Comecei a hiperventilar e minha visão ficou embaçada.

– Ei, ei, ei. Calma. Olha pra mim.

Ela deve ter percebido meu desespero, porque se posicionou na minha frente, abaixando o rosto no nível do meu. Tirou minhas mãos de cima de meu rosto e me obrigou a olhá-la. Segurou meus pulsos juntos com uma mão, enquanto a outra acariciava minha bochecha.

– Rafa, calma. Respira fundo. Vai ficar tudo bem.

Mari se sentou atrás de mim na cama, deixando suas pernas abertas e se encaixando em minhas costas. Colocou as mãos em meus ombros e começou a massagear. Respirei fundo, tentando me acalmar, mas só de pensar no meu primo, a culpa me corroía.

– Rafa, você precisa colocar um ponto final nisso. Não pode continuar se sentindo culpado pelo resto da vida. Ainda mais porque não foi sua culpa.

– Não adianta. Ele morreu me odiando. Eu só queria... Sei lá, só queria dizer o quanto eu sinto muito. E que, se eu pudesse voltar no tempo, eu voltaria e mudaria tudo.

– Você acredita em espíritos, Rafa?

– Acho que sim. Por quê?

– Por que você não diz isso para ele? Aonde quer que ele esteja, ele vai te ouvir. E você vai tirar esse peso de seus ombros.

– Não sei... — parece que quanto mais eu penso nisso, mais culpado eu me sinto

– Rafa, você sabe que não foi sua culpa, certo?

– Não, eu não sei. Aliás, acho que foi sim minha culpa.

– Por quê?

– Porque se eu não tivesse beijado a namorada dele, ele não se realistaria, e estaria aqui até hoje.

– Como você sabe? Como sabe que ele não morreria cinco minutos depois?

– Eu-

– Não, nem adianta. Porque você não sabe. Rafael, você tem que entender que ele não morreu por sua culpa. Ele morreu no exército, protegendo o país dele. Ele morreu com honra, Rafa. Você não acha que é melhor morrer fazendo o que você escolheu fazer do que morrer acidentalmente? Como em uma batida de carro, ou em um assalto?

– Talvez, mas isso não muda o fato de que ele se realistou por culpa minha.

– Talvez sim, talvez não. E se ele não te culpasse? E se ele culpasse Isabella? Já pensou nisso?

– O quê?

– E se ele não considerasse que você a beijou, mas o oposto. Que ela te beijou. Você ainda seria o culpado da morte dele?

– Eu não sei, mas-

– Rafael, me escuta. Você deu opção para ela antes de beija-la? Ou você só partiu pra cima dela?

– Eu não quero falar disso.

– Me responde. — ela parecia realmente brava comigo

Me virei para ver sua expressão. Seu rosto está vermelho de raiva e suas mãos estão fechadas em punho.

– Eu me aproximei dela. Ela ficou olhando pra minha boca e não se afastou. Me aproximei mais até beija-la.

– Viu?! Ela não se afastou! O Matheus podia culpar a Isabella pelo beijo.

– Eu não to entendendo qual é o ponto disso.

– O ponto, Gutenberg, é que ele pode ter se realistado por causa da Isabella. Não necessariamente por sua causa. Entende?

– Ele não a culparia.

– Você não sabe disso.

Pela primeira vez em anos, parei para pensar nisso. Talvez Mari estivesse certa. Talvez a culpa não fosse somente minha.

– Então, quer dizer que a culpa não é inteiramente minha? É da Isabella também?

– Rafael! — ela gritou e se levantou da cama, parando na minha frente — A culpa não é de ninguém, ok? Quer saber, isso é típico do ser humano! Se achar poderoso o suficiente para tirar a vida de alguém.

–Como assim?

– Aceita que você não é tão foda a ponto de fazer alguém ser morto, ok? Você não é Deus, você não é o destino, você não é a porra do soldado que atirou no Matheus. Você é simplesmente o Rafael, um garoto de 17 anos que não tem nem ideia do que te aguarda no futuro. Você não tem o poder de ser culpado pela morte de alguém. Nem você, nem a Isabella. Se você precisa tanto achar um culpado, culpe o soldado que atirou no seu primo. Ok? Estamos entendidos?!

Assenti, assustado por sua reação. Mariana não falou mais nada e se retirou do quarto, batendo o pé.

Será que ela tinha razão? Que eu estava sendo egocêntrico? Merda, é lógico que ela tem razão. Ela sempre tem razão.

Quanto me toquei do que tinha acontecido, desci atrás dela. A encontrei sentada no balcão da cozinha, conversando com a minha mãe.

– Ai Camila, eu tento ter a maior calma do mundo com ele. Mas ele precisa entender que não é culpa dele.

– Você é um anjo na vida do meu filho, Mari. Não se preocupe, eu mesma acho que ele precisa de um pouco de rigidez pra entender as coisas. Acho até que você foi paciente demais. Eu já teria dado uns bons petelecos na orelha daquele menino.

As duas riram, mas o clima não estava alegre. Respirei fundo e minha mãe me notou e, sutilmente, pedi que ela me deixasse a sós com Mari, que estava de costas para mim e não havia me visto.

Dona Camila pediu licença e saiu da cozinha. Andei até minha namorada e abracei sua cintura por trás. Ela deu um pulo de surpresa mas quando me viu, relaxou. Coloquei meu nariz entre seus cabelos, sentindo sua fragrância de laranja.

– Me desculpe. — pedi — Sinceramente, eu sinto muito por ser tão teimoso e egocêntrico, mas juro que não faço de propósito. De qualquer maneira, me desculpe e obrigado por ser tão paciente e por querer me ajudar. Eu te amo por isso.

– Eu só quero que você supere essa fase. — ela sussurrou

– Eu supero, por você, eu supero.

Ela se virou e encostou os lábios nos meus, levemente. Suas unhas arranhavam sutilmente minha nuca, me fazendo sorrir.

Fomos para o cemitério. Minha mãe só deixou um ramalhete de flores na lápide de meu primo, derramou uma lágrima ou outra e saiu. Mari apertou minha mão, me dando força para dar um passo a frente. Me agachei em frente à lápide e passei a mão nos escritos. "Matheus Gutenberg — uma morte honrada vale mais que mil vidas vazias (1993 — 2012)"

– Vou te dar um pouco de privacidade. — Mari sussurrou atrás de mim e eu assenti

Sabia que precisava fazer aquilo sozinho. Sabia que tinha o apoio das mulheres que eu mais amava na vida, e isso era o suficiente para que eu conseguisse me libertar de meu passado sombrio.

– Oi. — comecei — Ãhn, me desculpe pela demora. — respirei fundo — Eu sei que deveria ter vindo antes, que deveria ter te pedido desculpas no momento em que você me viu beijando Isabella. Ou melhor, que não deveria nem ter beijado sua namorada. Cara, eu não tenho palavras para te pedir perdão. Sei que fui idiota, infantil e egocêntrico. E, ultimamente, tenho percebido que sempre fui assim. Mas, sabe, encontrei alguém... Alguém que realmente me ajuda e me apoia. Sei que você deve estar torcendo para ela me trair com meu melhor amigo, porque é isso que eu faria se a situação fosse contrária. Não te culpo, de maneira alguma. Mas essa garota, Mariana, me ensinou que eu também não posso me culpar. O que você acha? Você me culpa? Eu sinceramente espero que não. Mas ao mesmo tempo, tenho a sensação de que sim. Enfim, eu preciso superar essa parte da minha vida, sabe? Tanto por mim mesmo, quanto pelo amor da minha vida. Ãhn, eu to me distanciando do meu ponto aqui... Eu queria te pedir perdão pelo que te fiz, dizer que eu te amo como meu irmão e sinto tua falta todos os dias. Eu era egocêntrico a ponto de não me importar com os seus sentimentos, mas espero que você fique contente em saber que eu evoluí, e agora, tudo o que me importa, são os sentimentos das pessoas ao meu redor. Especialmente de Mari. — ri baixinho — Acho que você nunca esperava que eu me apaixonasse, né? Eu também não... — respirei fundo — Espero que você não se importe de me ver seguindo em frente. Nunca esquecerei você, claramente, mas preciso parar de me culpar pelo que aconteceu com você. Você me perdoa? Acredito que sim. Obrigado por me ouvir.

Me levantei e dei uma última olhada em sua lápide, antes de me virar com lágrimas nos olhos, e me dirigir para o carro. Mari estava me esperando, encostada em uma árvore. Quando me viu, saiu correndo e pulou em meu colo. Entrelaçou os braços no meu pescoço e as pernas em minha cintura, me fazendo segura-la pela bunda.

Não seria uma posição desconfortável para mim se estivéssemos no meu quarto...

– To orgulhosa de você, meu amor. — ela sussurrou em meu ouvido, com uma voz embargada e suas lágrimas molharam meu pescoço

– Obrigado. — minhas lágrimas também escorriam por meu rosto

Vi minha mãe encostada no carro, olhando para nós com um sorriso sutil no rosto. Mari fungou e eu a coloquei no chão. Vi seu sorriso e seus olhos brilhando com lágrimas.

Notas finais
Aiiii, alguém chorou além de mim? Ou eu que sou muito emocional? HAHAHAHAHA Bom, espero que vocês tenham gostado! Não se preocupem, a atmosfera vai voltar ao normal (alegre e maliciosa) no próximo capitulo! SIGAM-ME NO TWITTER: @le_prior @le_prior @le_prior @le_prior @le_prior @le_prior @le_prior @le_prior @le_prior @le_prior @le_prior Não se esqueçam de comentar e recomendar! Beijos, até a próxima