Is she a Barbie girl?
27 Capítulo 27
Notas iniciais
POV Mariana Leite
– O que ta fazendo aqui? — perguntei a ele
– Eu que te pergunto isso. Até onde eu saiba, você morava no Brasil.
– Eu moro. Só estou visitando minha mãe. E você?! Não mora mais no Brasil?
– Na verdade, não. Consegui uma bolsa de estudos na Columbia University e vim para cá.
– Hum.
Abaixei a cabeça, não sabendo mais o que falar. Mas que merda, já fazia dois anos! Eu não podia me livrar dele para sempre?!
– Ei, como você ta? — ele teve a ousadia de colocar os dedos no meu queixo, levantando meu rosto para que eu olhasse em seus olhos
– Eu to bem. — afastei sua mão de mim
– Ah, qual é, Mari! Dois anos se passaram! Até quando vai ficar magoada?
– Não estou magoada, Andrew. Mas, definitivamente, não quero mais nenhum contato com você.
– Não pensa mais em mim? — ele fez cara de triste
– Não.
– Tem certeza? — ele chegou mais perto, colando nossos corpos e colocando uma mão em minha cintura e a outra em meu rosto
– Sai de perto, Andrew! — o empurrei
– Poxa, amor, vamos aproveitar que você ta aqui e tentar de novo.
– Primeiro: não me chama de "amor". Segundo: chegou tarde. A fila andou.
– Vai dizer que encontrou alguém igual a mim?
– Não.
– Então, continua solteira desde que terminamos... — ele deve ter pensado alto
– Não, seu otário. Eu não encontrei outro como você, e é por isso mesmo que estou namorando. — quase esfreguei minha aliança na cara dele
– Nossa, o cara até te deu aliança?!
– Ele não é um idiota como você.
– E onde está esse partidão? — ele falou, sarcástico
– Me esperando, no Brasil.
– Ih, tem certeza que ta te esperando?! Eu não garanto...
– Vai se fuder, Andrew.
– Relaxa, amorzinho. Vai, aproveita que ele não ta aqui e faz o que quiser com o meu corpo. Eu não nego nada que você pedir.
– Ah, é?! — tentei parecer sedutora e deve ter dado certo, já que seus olhos brilharam de desejo
– Com certeza, gata.
Dei um passo a frente e passei a mão por sua bochecha, como se fosse uma carícia. Ele fechou os olhos e suspirou. Afastei minha mão de seu rosto, só para dar um tapa estalado em sua bochecha, o fazendo virar o rosto.
Ele voltou a olhar para mim, passando a mão no lugar onde eu bati. Deu uma risadinha e balançou a cabeça.
– Você não muda... — ele comentou, em voz baixa
– Muito pelo contrário, Andrew, eu mudei muito.
Voltei para a empresa de minha mãe. Respirei fundo, tentando acalmar o ritmo frenético do meu coração. Encontrei o pessoal combinando de ir em um pub mais tarde.
– E aí, Mari? Vai com a gente? — Peter me perguntou
– Você sabe que eu só tenho 17 anos, né?
– Relaxa, o pub é mais pra um karaoke do que um bar. Não vamos te dar bebidas. — ele piscou para mim, com aquele jeito borboletado dele
Não pude deixar de rir e assentir, concordando em ir. Falei que só teria que passar em casa para trocar de roupa, mas eles disseram que eu estava ótima daquele jeito mesmo.
O expediente acabou mais rapidamente do que eu esperava. Logo eu estava me despedindo de minha mãe e entrando no carro de Annabelle. Mal podia esperar para conhecer o pub.
O lugar é enorme e está cheio. Olho para frente, por cima das cabeças que estão atrapalhando minha visão, e vejo um palco, com um microfone, um violão e um piano.
Procuramos uma mesa vazia e temos sorte; tem uma de frente para o palco. Nos sentamos e pedimos as bebidas. Fiquei com um coquetel de frutas, enquanto os outros dois pediam cerveja.
– Sabe cantar? — Anna me perguntou
– Sei sim.
– Sobe lá!
– Ah, não... Vergonha. — fiz uma careta, fazendo-os dar risada
– Vai, Mari! Tenho certeza que sua voz é boa.
Depois de muita insistência e uma coragem desconhecida por mim, me levantei e fui em direção ao palco. Sentei no banco e apoiei o violão em meu colo. Toquei os primeiros acordes, afinando-o, e ajustei o microfone na altura certa. Pigarreei baixinho e comecei.
Shine bright like a diamond (x2)
Find light in the beautiful sea
I choose to be happy
You and I, you and I
We're like diamonds in the sky
You're a shooting star, I see
A vision of ecstasy
When you hold me
I'm alive
We're like diamonds in the sky
I knew that we'd become one right away
Oh, right away
At first sight I felt the energy of sun rays
I saw the light
Olhei para cima pela primeira vez e vi que todos presentes, prestavam atenção em mim. Sem exceções. Foi fácil achar os rostos surpresos de meus novos amigos.
So shine bright tonight
You and I
We're beautiful like diamonds in the sky
Eye to eye
So alive
We're beautiful like diamonds in the sky
Shine bright like a diamond (x3)
Beautiful like diamonds in the sky
Shine bright like a diamond (x3)
Beautiful like diamonds in the sky
Meus olhos varreram o local e encontraram um par de olhos castanhos familiares. Não acredito que ele está aqui também. Ainda bem que cantar é algo natural, se não, já teria perdido o fio da meada.
Palms rise to the universe
As we moonshine and Molly
Feel the one who will never die
We're like diamonds in the sky
You're a shooting star, I see
A vision of ecstasy
When you hold me
I'm alive
We're like diamonds in the sky
At first sight I felt the energy of sun rays
I saw the light
So shine bright tonight
You and I
We're beautiful like diamonds in the sky
Eye to eye
So alive
We're beautiful like diamonds in the sky
Shine bright like a diamond (x3)
Beautiful like diamonds in the sky
Shine bright like a diamond (x3)
Beautiful like diamonds in the sky
Seus olhos não saíam dos meus. Sabia que ele estava me analisando. Merda, por que eu precisava corar bem agora?! Seu olhar estava tão intenso que me senti nua em sua frente.
Shine bright like a diamond (x3)
So shine bright tonight
You and I
We're beautiful like diamonds in the sky
Eye to eye
So alive
We're beautiful like diamonds in the sky
Shine bright like a diamond (x3)
Beautiful like diamonds in the sky
We're beautiful like diamonds in the sky
Shine bright like a diamond (x7)
Ouvi os aplausos, agradeci e desci do palco, deixando o violão onde o encontrei. Fui até a mesa onde meus amigos estavam boquiabertos.
– Você ainda estava com vergonha?! Mesmo tendo essa voz?! — Peter me perguntou, sarcástico
– Ah, não sou de ficar cantando pra plateia.
– Sua voz é linda! — Annabelle elogiou
– Obrigada. — corei e abaixei a cabeça
– Mari? — ouvi aquela voz me chamar
Olhei para trás e lá estava ele. Me analisando, do mesmo jeito que fazia quando eu estava no palco.
– O que foi? — perguntei rude, em português
– Podemos conversar?
– Ta. — me virei para Peter e Annabelle e os avisei, em inglês — Gente, já volto.
Eles assentiram e eu me levantei, seguindo Andrew. Saímos do pub e nos encostamos no muro do lugar.
– O que você quer, Andrew?
– Pedir desculpas.
– Pelo quê?
– Por tudo. Tanto pelo que eu falei hoje quanto pelo que fiz há dois anos.
Mantive uma expressão de indiferença em meu rosto, tentando absorver o que acabei de ouvir.
– Por que se desculpar agora? — perguntei
– Porque só nos reencontramos agora.
– E você não tinha meu telefone? Não podia ter ligado? Passado uma mensagem?
– Não é tão fácil quanto parece, Mariana.
– É sim! — gritei — Você só precisava escrever um "me desculpe por ter sido um babaca". Só isso!
– Eu era orgulhoso, ta bom?
– E não é mais?!
– Sou, mas estou passando por cima disso.
– Por quê?
– Porque eu me arrependo, caralho. Me arrependo por ter terminado com você por causa de outra pessoa. Eu nunca devia ter ouvido a opinião de ninguém sobre nós.
– Tarde demais para se arrepender, Andrew,
– Eu sei, e eu peço desculpas por isso também. — ele respirou fundo — Olha, Mari, eu sei que não tenho mais chances com você-
– Não tem mesmo. — o interrompi, mas ele me ignorou
– Eu só quero ser seu amigo, ok? Sem segundas intenções.
– Não sei não, Andrew...
– Você me perdoa? Por toda a bosta que eu fiz?
– Perdoar eu perdoo. O problema é esquecer.
– Não precisa esquecer. Só me dá uma chance de ser teu amigo.
– Tudo bem. — suspirei — Mas, mais um deslize, e já era, viu? Não dou uma terceira chance.
– Obrigado. — ele sorriu e me abraçou
Retribuí o abraço, estranhando um pouco. Mesmo que eu já tivesse superado e perdoado o ocorrido de dois anos atrás, tomaria cuidado com ele. Afinal de contas, nunca se pode confiar totalmente em certas pessoas.
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