Is she a Barbie girl?
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Minhas mãos suavam frio enquanto eu olhava pela janela do táxi. Não conhecia Nova Iorque, então só passei o endereço da mãe de Mari para o taxista, sem saber se ele estava me levando para o lugar certo.
Já estava há três semanas sem a minha loira, e não aguentava mais. É, essa garota me fazia uma falta tremenda. Nos falamos todos os dias por WhatsApp e, de vez em quando (quando a saudade era grande demais para ambos), nos víamos no Skype. Não que a imagem dela diminuísse a saudade que eu sentia, mas me acalmava um pouco.
Há uma semana, a mãe dela me escreveu. Estranhei no início, porque nunca tínhamos nem sequer nos visto e, para ser honesto, não sabia nem seu nome. Só descobri quem era quando perguntei e ela me respondeu que era a "Bárbara, sua sogra".
Então, perguntei porque ela tinha me procurado. Ela me disse que Mari andava amuada há alguns dias, e ela achava que a minha presença melhoraria o estado de humor de sua filha. Claro que eu aceitei vir para cá o mais rápido possível.
Por fim, aqui estou eu, na frente de um prédio elegante, na própria Manhattan. A cinco minutos andando do Empire State.
Desci do táxi e andei, com minha mala, até a portaria do prédio. Expliquei, com o meu inglês enrolado, para o porteiro quem eu era e ele logo me liberou para subir até o apartamento. Bárbara já havia me avisado de que a essa hora não teria ninguém em casa, mas que eu poderia ficar a vontade.
O elevador me levou até o vigésimo primeiro andar, parando dentro do apartamento. Um por andar. Óbvio.
Corri meus olhos pelo ambiente, notando uma decoração impessoal e até mesmo fria. Tons claros dominavam o que devia ser a sala de estar e a cozinha. Peguei minha mala e fui descobrir o apartamento. Todo pintado de branco ou tons claros de bege. A primeira porta do corredor era um banheiro enorme, com chuveiro e banheira de hidromassagem. A próxima, era um escritório. As próximas duas eram quartos. Suponho que o primeiro seja o de hóspedes e, possivelmente, onde Mari esteja dormindo. O outro era uma suíte, portanto, o quarto de Bárbara.
Não queria parecer enxerido nem folgado, então voltei para a sala, deixando minha mala ao lado do sofá e me sentando no mesmo. Peguei meu celular, avisei meus pais e Bárbara que já havia chegado. Logo em seguida, recebi uma mensagem de Mari.
"Rafa, ta tudo bem? Por que não está me respondendo?"
Me toquei que não falei com ela o dia inteiro, por causa do vôo. Vi que ela já havia me passado cinco mensagens antes dessa.
"Bom dia amor, tudo bem?" — 8h37
"Ainda está dormindo, seu preguiçoso?" — 9h42
"Amor?" — 11h04
"Rafa, sério, to ficando preocupada." — 13h28
"Fiz algo errado?" — 15h13
Merda, o que eu diria? Que meu celular descarregou? Não, uma mentira muito óbvia. Que eu estava sem créditos? Claro que não, não precisava de créditos para mandar mensagens pelo WhatsApp. Que tinha perdido meu celular? Se eu estou com ele agora, não.
Mas não podia contar a ela o motivo real. Queria que fosse surpresa. Olhei para o relógio e vi que ela estaria em casa em menos de uma hora.
"Oi, princesa. Me desculpe pela demora. Está tudo bem, só tive uns imprevistos."
Sim, eu sei, está vago e ela desconfiará de mim. Mas, antes desconfiança a ela descobrir e estragar a surpresa. Minhas mãos voltaram a suar e minhas pernas começaram a tremer. Droga, eu era um frouxo para mentir para ela.
Meu celular vibrou novamente, anunciando uma mensagem. Mari.
"O que aconteceu?"
"Nada que você precise se preocupar."
"Me conta."
"Quando você chegar na casa da sua mãe, me avisa e eu te conto."
"Ok."
Ufa, ela caiu! Ainda bem. O celular vibrou mais uma vez. Dessa vez, é a Bárbara.
"Chegou bem, honey?"
Ela pegou essa mania de me chamar de "honey". Achei engraçado.
"Cheguei sim. Aliás, sua casa é linda."
"Ah, muito obrigada, honey. Muito gentil da sua parte."
Ri. Tava doido pra conhecer minha sogra. Ela parece ser uma figura. Meu pai me respondeu também. Mandou um "aproveita" com uma carinha maliciosa do lado. Logo em seguida chegou um "cuide-se e mande um beijo para Mari" de minha mãe.
Meia hora depois, ouvi o elevador subindo. Comecei a tremer e a andar pela sala. Meu coração saltava em meu peito a ponto de eu não conseguir ouvir mais nada ao meu redor. Só a voz da minha princesa.
– Rafa? — ela perguntou, talvez para ter certeza de que eu não era uma miragem
Não consegui responder, então só sorri e abri meus braços para recebê-la. Mari veio correndo ao meu encontro, chocando seu pequeno corpo contra o meu. A segurei firme e coloquei meu rosto entre seus cabelos, finalmente sentindo seu cheiro de laranja. Fechei os olhos e respirei fundo, apreciando seu cheiro e suas unhas raspando em minha nuca, me causando arrepios.
Ficamos assim por alguns minutos, até que abri os olhos e levantei a cabeça, vendo, provavelmente, Bárbara parada, nos olhando com um sorriso no rosto. Dei um beijo na testa de Mari e fui cumprimentar minha sogra, me soltando um pouco de minha namorada. Que não aceitou essa distância e entrelaçou seus dedos aos meus.
– Mãe, esse é o Rafael, meu namorado. Rafa, essa é a Bárbara, minha mãe.
– É um prazer te conhecer, Bárbara. — falei, esticando a mão
– Ô, honey, finalmente nos conhecemos pessoalmente. — ela ignorou minha mão e veio me dar um abraço, que eu retribuí
– Como assim? — Mari perguntou, claramente confusa
– Quem você acha que me disse para vir? — falei, olhando em seus olhos verdes
– Ah! — a ficha caiu — Mãe! — ela repreendeu a mãe, mas logo a abraçou, sussurrando um "obrigada" em seu ouvido
– Imagina, sweety. Por que você não vai mostrar o apartamento para seu namorado, enquanto eu penso no que vamos jantar?
– Ok. — Mari virou e me puxou atrás dela, me apresentando os cômodos — Este é o meu quarto. E, agora, o seu também. — um sorriso enorme brotou em seus lábios
– Ah, não sei, Mari. Não quero que sua mãe tenha uma impressão ruim sobre mim.
– Que nada. Ela deixa, com certeza. Vem. — ela me puxou para dentro do quarto e fechou a porta
Pulou em meu colo e grudou os lábios nos meus. Segurei seu copo firmemente contra o meu, passando a mão pelas curvas tão conhecidas por mim, mas que tinha sentido tanta falta.
Senti a textura macia de seus lábios e de sua língua em minha boca, despertando sentimentos adormecidos em mim. Sentia falta da minha loira e era agora que acabaríamos com toda essa saudade.
Sentia suas mãos explorarem meu corpo como se fosse a primeira vez. E a reação era sempre a mesma: arrepios prazerosos por todo o corpo. O beijo se tornou cada vez mais urgente e eu a apertava mais contra o meu corpo, como se quisesse nos fundir em um só. E eu queria.
A falta de ar nos alcançou, nos afastando um pouco. Nossas respirações ofegantes se misturavam. Tentei acalmar meu coração acelerado, e sentia que o seu também estava.
– Como eu senti sua falta. — declarei, beijando sua bochecha
– Eu também senti a sua, meu príncipe.
Sorri e dei-lhe um leve selinho. Tínhamos tantas coisas para fazer, tanto para conversar...
– Minha mãe te mandou um beijo. Assim como Cintia.
– E você pode me entregar esses beijos? — ela perguntou, maliciosa
– Claro. — dei dois beijos em sua bochecha e ela riu
– Você, por acaso, não me mandou um beijo também? — ela perguntou, um pouco mais séria
– Já te entreguei o que havia mandado.
– Mas que merda, Raf-
Calei sua boca com a minha em um beijo cheio de paixão e saudade. Escorreguei minhas mãos pela lateral de seu corpo, puxando suas coxas para o entorno de meu quadril.
– Não existem números para definir a quantidade de beijos que eu te mandei. — sussurrei em seu ouvido quando nos separamos, causando arrepios em sua pele
Ouvimos batidas na porta e a voz de uma mulher, com o sotaque americano, soou.
– Com licença, darlings, dou cinco segundos para vocês colocarem a roupa.
Rimos enquanto Bárbara contava até cinco e abria a porta. Coloquei Mari no chão, mas não a soltei. Ela continuava com as mãos em minha nuca.
– Ah, me desculpem, cheguei bem na parte boa, né? — ela riu, sendo seguida por nós dois — Por que não se arrumam para irmos jantar, sim?
– Ta bom, mãe. Já estamos indo.
– Ta certo, entendi. É a minha deixa. — ela riu e saiu do quarto, fechando a porta
Mari me deu mais um selinho e foi para o closet. Saiu de lá com uma calça jeans e uma camiseta nas mãos, e deixou em cima da cama. Sem cerimônias, tirou a roupa na minha frente, passou meu perfume preferido e vestiu as novas peças. Mantive os olhos em seu corpo, controlando minhas mãos e minha ereção.
– Não tem vergonha, não?! — perguntei, quando ela acabou de se vestir e se virou para mim
– Não. Por que teria?! — ela deu um sorriso falsamente inocente
– Por me deixar duro tão facilmente. — sussurrei em seu ouvido, apertando sua bunda
– Isso não é coisa para se envergonhar, querido. — ela mordeu o lóbulo de minha orelha, apertou minha bunda e saiu de perto de mim, indo se olhar no espelho
– Mari, Mari... — a repreendi, balançando a cabeça com um sorriso de lado nos lábios
– O quê? — ela se fingiu inocente
Dei uma risada anasalada. Coloquei as mãos nos bolsos da minha calça e senti uma corrente de metal entre meus dedos. Então me lembrei. Tirei a corrente de meu bolso e andei até Mari, parando atrás dela. Coloquei a corrente em seu pescoço.
– O que é isso? — ela perguntou, segurando o pingente entre os dedos
– Abra. — falei
Ela abriu o pingente de coração e vi seus olhos se encherem de lágrimas. Ela secou algumas delas que caíram e então me olhou nos olhos.
– "No conto de fadas pós-moderno, o príncipe que precisa ser salvo pela princesa"? — ela repetiu o que estava gravado dentro do pingente ao lado de uma foto nossa, em forma de pergunta
– Sim. Afinal de contas, foi você que me salvou. — respondi, colocando os braços ao redor de sua cintura
– Eu te amo, príncipe. — ela falou com um sorriso enorme no rosto
– Eu também te amo, princesa. — encostei meus lábios nos seus, em um selinho singelo
– Ai, merda. Você vai me fazer borrar minha maquiagem. — ela ralhou, quando nos afastamos
Ri de seu drama forçado e beijei sua testa. Nos demos as mãos e saímos de seu quarto, encontrando Bárbara na sala de estar, mexendo no celular.
– Vamos, mãe?
– Oh meu Deus, sweety. O que aconteceu? Por que está com os olhos vermelhos? Andou fumando drugs por acaso? — minha sogra disparou
– Não, mãe, calma. Nada aconteceu. O Rafa só fez algo que me emocionou. Ta tudo bem.
– Certeza?
– Absoluta. Vamos?
– Claro.
Bárbara saiu e nós fomos atrás. Passei o braço pela cintura fina de Mari e entramos no elevador. Meia hora depois, estávamos estacionando na frente de um restaurante italiano na Quinta Avenida.
Nós nos sentamos em uma mesa ao lado da janela, podendo ver a cidade ainda ativa do lado de fora. Fizemos nossos pedidos e ficamos conversando animadamente sobre amenidades. Bárbara me fez milhares de perguntas íntimas e um pouco constrangedoras de se responder para a minha sogra, como quando descobri que estava apaixonado por Mariana, o que mais me encanta nela, como eu a pedi para namorar comigo, como meus pais lidaram com isso, se já tínhamos transado...
– Mãe! — Mari a repreendeu antes que eu pudesse responder
– Ah, que tolice a minha. Claro que já transaram. Right, Rafa?
Dei uma risadinha constrangida e abaixei a cabeça, escondendo a vermelhidão repentina de meu rosto.
– Manhê. Sério. Não força.
– Ok, ok, sorry.
O clima ficou mais leve depois, mesmo que ainda sentisse meu rosto um pouco quente.
Nossos pratos chegaram e começamos a nos deliciar com aquela comida italiana. Estava tão gostosa! Falávamos menos, devido à massa enchendo nossas bocas.
– Mari? — ouvi uma voz grossa com um leve sotaque americano soar atrás de mim
Mari se virou, sorriu e levantou para cumprimentar o rapaz. A segui com o olhar. O cara era alto, mais velho do que eu, moreno, de olhos castanhos. Bombado. Eles se abraçaram e percebi a mão boba dele descendo em direção à bunda da minha namorada, mas ela se afastou antes que algo acontecesse.
– Bárbara! Quanto tempo não te vejo! — o cara cumprimentou a mãe de Mari que só olhou para ele com desprezo e acenou com a cabeça, abrindo um sorrisinho falso de lado — E você é...? — ele olhou para mim
– Ah, que falta de educação a minha. — Mari disse, dando um passo para trás
Me levantei e peguei a mão dela, ainda encarando o rapaz à minha frente.
– Andrew, este é o Rafael, meu namorado. — senti seus dedos apertarem os meus — Rafa, este é o Andrew, meu... — ela hesitou — Ex.
Oi?!
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