Is real
23 Vibradores
Notas iniciais
— Sério? Sem mover um dedo? — Louis sorri.
Ele e Avery treinavam juntos na sala de treinamento da base.
— Seríssimo.
— Isso é muito legal. Faça. — Ele pede, e Avery tira a camisa, se posicionando em frente ao banco de madeira. Ele começa a flutuar como uma pena, e O'Malley não demonstra esforço algum. Acontece o mesmo com o outro. Louis vibrava, animado.
Continuam flutuando, cada vez mais alto, voando pela sala.
— Louis! — Lana entra correndo, e num susto, Avery desvia os olhos dos bancos, e eles caem. Na direção de Lana.
Ela não tem tempo de fazer nada, apenas se desequilibrar e cair sentada. Louis já estava a sua frente, com as mãos segurando os dois bancos num impacto forte.
— Oh, Buda. — Avery como um raio, vai para seu lado no chão, segurando sua mão. — E-Eu não queria... Você está bem?
— Estou. — Ela dá de ombros, e ele a ajuda levantear.
— Sério, sinto muito.
— Eu que atrapalhei... — Ela olha para seus músculos no abdômen, esquecendo completamente do que ia falar. — Vocês...
— Eu estou bem também, obrigado. — Louis resmunga, colocando os bancos no chão sem delicadeza.
— Louis, obrigada. — Ela sorri, passando um braço por suas costas.
— De nada, minha linda. — Ele sorri também.
— Ahh, eu vim dizer que o nosso pessoal já está chegando.
— Okay. Vou tomar um banho, estou morto. — Louis diz, balançando a cabeça. — Encontro vocês lá.
Ele sai, e Avery coloca a mão ma nuca, desviando o olhar dela.
— Eu fui meio dura com você.
— E eu quase te matei. — Ele zomba, frustrado.
— Que dramático.
— Mas você poderia ter se machucado. E a senhorita querendo ou não, minha missão é te proteger. Comecei mal.
Ele encolhe o corpo, e sai dali com passadas largas.
É. Ela tinha sido dura demais.
(...)
O avião pousa.
Kylan é a primeira a descer, e já está voando na direção de Kyle num abraço forte.
— Minha pequenaaa! — Ele diz, a rondando no ar.
— Eu já odeio esse lugar. Sabia que um dos deuses desses caras é uma moto? Ela começou a ser cultuada após reaparecer várias vezes no local do acidente que matou seu dono, em 1988.
— Interessante.
— E vibradores são proibidos no país todo. Melhor jogar o seu fora. — Kyle arregala os olhos, e todos riem.
CJ desce agarrada a sua mochila, e tira os óculos escuros. Ela estava de óculos no avião?
— Que droga de país é esse? — Ela resmunga, batendo as botas pretas na escada. Alex a esperava no chão.
— Pensei exatamente a mesma coisa quando vi. — Ela sorri, ele a tira da escada num abraço apertado, e ela o agarra num beijo, ignorando todos.
— Eu nunca imaginei essa. — Lana repete, com um sorriso enorme. Couty sorri.
E Bella manipula a gravidade ao seu redor facilmente, e num pulo já está agarrada a Louis num beijo surpreso.
— Nem essa. — Lana dá um sorriso fraco. Ele não a abandonaria por isso.
Logan desce também, seguidos por Jaden e Max. Seus olhos param em Lana o encarando. Suas mãos tremiam. A saudade rasgava seu peito com força. Ele queria abraça-la dizer que estava tudo bem, pedir desculpas. Mas não o fez. Continuou andando reto.
Lana suspira, frustrada, com lágrimas ameaçando se formar.
— Não fica assim. — Couty passa os braços por seus ombros. — Ele é um idiota.
— É. — Ou talvez ela fosse idiota.
Sam, Noah, Violet e Malia descem juntas também, seguidos pela cadeira de rodas de Hodge.
— Bella, pode me ajudar? — o idoso dá um sorriso gentil, e ela assente.
— Claro.
Sua mão se ergue, levitando a cadeira de rodas não muito alto, apenas o suficiente para não tocar a escada.
Ao contrário do poder de Avery, o dela tremia. Literalmente. A cadeira de Hodge tremia com as irregularidades da gravidade.
— Obrigado. — Ele diz ao "aterrissar" no chão. Hodge avista Avery encostado numa pilastra os encarando, e num segundo, vai até ele, que assume uma posição de respeito. — Você deve ser Avery O'Malley.
— Sim, senhor.
— Senhor não. — Ele ri, estendendo a mão a ele. — Meu nome é Hodge.
— É um prazer, Hodge.
— O prazer é meu. O agente infiltrado da base de Zod? Ouvi muito falar de você, garoto.
Ele sorri.
— Estou pronto para dar um relatório completo.
— Sim, vou providenciar isso. Agora, vamos nos estalar direito. — Ele sorri, e dá meia volta com a cadeira. — Vamos entrar?
Todos obedecem, conversando animados, e Avery os deixa passar, observado tudo. Seus olhos param em Noah, que estava encostada na outra pilastra mais perto da porta, o encarando com os olhos negros.
Ela rodava uma faca em suas mãos, com um sorriso no rosto.
Avery estava mais do que tudo, incomodado. Aquilo era uma ameaça? Ele a encara de volta, com o cenho franzido.
— Posso ajudar?
Noah ri, negando com a cabeça, e seus olhos voltam a ser violetas. Duas outras garotas se posicionam ao seu lado. Malia e Violet.
Okay, agora isso estava estranho demais.
Ele muda de posição, pronto para um ataque que não vem. Elas saem com as botas batendo forte e sorrisos cúmplices no rosto.
— Tenso.
(...)
— Kyle vai ser o primeiro a entrar, invisível. — Cal projetava a voz como um líder, e todos ouviam com atenção.
Com um toque no tablet, uma projeção em 3D do prédio Zod apareceu no centro da enorme mesa high tech.
— Eu sou o pontinho vermelho. — Kyle muda de posição na cadeira estofada, desconfortável.
— Você é o pontinho vermelho. — Cal concorda. — Ele passará pelos guardas. Fará reconhecimento da área. Quantos homens são. Onde estão os reféns. Onde Zod está.
Kyle engole em seco com o nome. Ele respira fundo. Por seus amigos. Por Jordan. Por Kylan. Eles precisavam ficar seguros.
— Depois, Jaden, Avery, Sam e Bella levarão metade de nós pro telhado, a equipe de extração. Jaden sobrevoou o lugar mais cedo, há uma entrada no duto de ar que passa pela base toda no último andar. O teto é bem protegido com snipers, como Tell foi atingido. É um prédio grande, e eles não parecem dormir lá. A troca de turno é de 12 em 12 horas. A outra metade de nós entrará pela frente, e quem estiver nos dutos vão sair e cuidar de um setor.
As luzes vermelhas se movimentavam de acordo com o que Cal falava. Do telhado, aos velhos dutos de ar.
— Precisamos de uma distração. — Alex constata.
— Sim. Vamos ter duas. Avery e Ethan — Ele ergue as sobrancelhas.
— Distração? — Avery pergunta.
— Você vai se entregar. — Cal dá de ombros.
— O que?! — Lana arregala os olhos, como todos na sala.
— Sim. E vai dizer que há mais de nós no bosque. Vai ser acompanhado por Ethan na forma de um dos soldados snipers mortos do telhado. Vão até Zod. Respirar o mesmo ar que ele. E quando ele sair da sala, provavelmente vai para a frente do prédio, e vocês nos avisarão quando isso acontecer, então a equipe de extração tirará os reféns de lá.
— É perigoso. — Noah arqueia uma sobrancelha.
— Temos que fazer o que for preciso para tirar os civis de lá. — Cal se aproxima de Avery, sério. — E precisamos testar sua lealdade. — Ele apoia a mão na mesa a frente do garoto, que vira a cadeira para encarar Cal com uma cara ameaçadora.
Avery nem pisca, o fitando no mesmo tom, e Lana gela.
— É capaz de fazer isso, O'Malley?
Seus olhos se estreitam, e sua única reação é um sorriso quase imperceptível brotando.
— Com certeza. — Cal o analisa por dois segundos.
— Ótimo. — E volta para onde estava com os olhos nervosos correndo a projeção. — Assim que os tirarmos de lá, vamos sair pela frente, então a equipe de extração que entrará pelo telhado, deve estar acompanhada da equipe de base que entrou por onde sairemos. Entendido?
— Sim, senhor. — eles respondem juntos.
— A equipe de extração será composta por mim, Louis, Bella, Lana, Noah, Jaden, Chris. Base, Logan, Violet, Malia. Sam, Kyle, Max e CJ. CJ, sua prioridade deve ser cuidar das armas...
— Eles não usam armas, só os snipers. — Avery diz.
— O que? — Couty pergunta.
— É algo que eles chamam de "orgulho puro". Dizem que não precisam de armas. Dizem que são armas.
— Que estupidez. — Logan cruza as pernas debaixo da mesa.
— Uma estupidez que vai nos ajudar muito. — Chris dá de ombros.
— Sim. — Cal encara os pontos vermelhos se mexendo na simulação que ele preparou. — Falta alguma coisa. Um jeito de Alex chegar aos feridos rapidamente.
— Acho que posso ajudar com isso. — a voz de Goulab os faz encarar o homem mudo ao lado de Hodge. — Tenho um agente disposto a trabalhar com vocês. Ele se teletransporta.
— Bingo. — Alex dá de ombros. — Então qual o problema?
— Ele tem 98 anos.
— Uau. — Lana morde a língua.
— Não podemos colocar um idoso de 98 anos no front. — Ethan arqueia as sobrancelhas.
— Eu lutei na segunda guerra. — uma voz fraca vinda da porta os faz virar.
Ele usava sapatos sociais, uma calça engomada com suspensórios cinzas, e uma boina listrada. Suas mãos tremiam segurando a bengala. Parkinson.
— Me dispus a morrer pelo meu país uma vez. Reconheço uma guerra quando vejo uma. Estou disposto a morrer pela minha raça.
— O senhor tem certeza? — Cal suspira, sentindo uma lágrima nervosa se formar do nada. Isso o deixa nervoso.
Ele sorri, larga a bengala, e num segundo, uma nuvem de raios azuis vivos o envolvem, e tão rápido como surgiu, ela sumie, e o idoso aparece sentado ao lado de Lana, que pula de susto.
— Absoluta.
— Muito bem. — Ele balança a cabeça. — Qual seu nome?
— Jacob Ihons.
— Jacob Ihons? — Kylan se levantou. — Você trabalhou como americano infiltrado num campo de concentração na Europa. Salvava judeus. Todos acham que você está morto.
— Como acha que tirava eles de lá? — Ele deu um sorriso fraco e envergonhado.
— Meu deus. Vou trabalhar com um herói de guerra. — Ela se joga na cadeira, e todos riem.
— Você não vai trabalhar com ninguém. Vai ficar aqui em segurança, pateta. — Kyle cruza os braços.
— Pateta. — Ela bufa.
— Jacob, o senhor não tem idéia do quão gratos estamos por sua ajuda. — Hodge diz, e o outro idoso sorri. — Obrigado.
— Por nada. — Ele sorri adorávelmente. Lana quase tem um ataque. Ela amaaaaaava velhinhos.
— Muito bem. — Cal respira fundo. — Tem alguém que não se sente bem participando dessa missão?
Os olhos de Max se enchem de lágrimas. Zod. Ele não suportava a idéia de estar no mesmo continente que ele, imagina cara a cara? Seu estômago revirava, os órgãos batiam uns nos outros, e ele sentiu gosto de sangue invadir a língua onde ele mordia como se sua vida dependesse disso.
Max se levanta, e sai da sala como um raio, se apoiando nas paredes pra não cair.
— Deixa que eu vou. — Lana diz, e sai atrás dele antes que Logan pudesse raciocinar em ir atrás dele.
Ela demorou um muito para acha-lo, no telhado, encostado no murinho de concreto que os impedia de cair.
Sem dizer nada, ela se senta ao seu lado, e segura sua mão com força. Max explode em lágrimas, e deita a cabeça em Lana, que envolve seu rosto com as mãos, e o deixa chorar, com o coração apertado.
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