Is real
7 Nepean é o Inferno
Lana tentava não encarar a garota ruiva a sua frente. Ela parecia nervosa, insegura, preocupada, com os olhos nervosos percorrendo todo o ambiente.
A outra garota que estava ferida a algumas horas agora parecia bem melhor, apenas com marcas psicológicas.
Lana se perguntou qual seria o poder deles. Hodge atrai a atenção de todos com palmas.
— Por favor. Vamos ouvir nossos visitantes. — O homem grisalho rabugento respira fundo. Seus olhos atentos nos analisavam de cima a baixo, e os inúmeros machucados de antes haviam sumido, obra de Alex.
— Sou Ezaquiell, mas podem me chamar de King Kong, ou só Kong. — Ele aponta para os amigos. — Esse é meu imediato, Thay.
O asiático estufa o peito, e acena com a mão.
— Elas são as irmãs Cahn, Sam e Bella. — Bella, a garota ruiva, tenta abrir um sorriso, e a outra nem se dá o trabalho de mexer.
— Eu e minha irmã morávamos numa cabana na floresta, em Nepean, aqui perto de Ottawa. — ela deu de ombros.
— Até que um demônio nos encontrou. — Sam diz, sem tirar os olhos tristes da mesa.
— Caçavamos esse demônio a meses. — Thay continuou. — Mas não podíamos mais caçar ele sozinhos, eles eram muito poderosos. Fugimos com elas em direção a essa base, e perto desse túnel subterrâneo, caímos em um tipo de ninho cheio deles. Quase não escapamos, Sam ficou ferida e os despistamos.
— Ninho de demônios. — CJ sorri consigo mesma, debochado.
— Não acredita em nós? — Kong pergunta, irritado.
— Estou no mínimo desconfiada. — ela cruza os braços.
— Mas é verdade. — Bella pisca os olhos marejados.
— CJ. Pare com isso. — Hodge a repreende, e ela apenas revira os olhos. — Vou comunicar o concelho da P.A.A.N. Vamos mandar gente para cuidar do ninho. Por enquanto, descansem. Cal, pode explicar ele como e nossas escalações funcionam? — Cal assente. — Dispensados.
Eu me levanto, e acompanho Ethan pra fora dali.
— Algo na Bella me é familiar. — Lana diz, dando de ombros.
— Esse monte de gente em perigo vai dar problema para nós.
— Sim. Agora que entramos na confusão, não tem mais volta.
(...)
Risos de gente mais animada que o normal, por estarem quase todos bêbados, ecooavam pela base.
Todos se reuniram na sala principal da base, com garrafas de cerveja e petiscos que Allen preparava bem rápido. Ele era um ótimo cozinheiro.
Lana apenas observava, quieta e timida, e acabou descobrindo que das irmãs Cahn eram metade demônio, metade Yunixinianas, e as duas tinham poderes de alterar a gravidade, mas Sam era bem mais Yunixiniana que Bella, que era mais demônio, e conseguia fazer os olhos ficarem negros, como naqueles filmes exorcistas.
Thay e King Kong eram ambos humanos durões, com várias histórias de caçadores de demônios maus.
Todos riram com uma delas, que envolvia um dia em que Glenn dormiu com uma demônia, e descobriu que ela era mal no dia seguinte, e teve que mata-la.
— Não curto nada disso, também. — Logan se apoia no balcão onde ela estava sentada.
— Estou cansada.
— Também. Mas nem imagino como é pra você. — ela ri pelo nariz.
— Já estou me acostumando. Esse negócio de poderes é legal. Mesmo eu tendo apenas um poder muito fraco e bipolar, que não sei usar nem um pouco.
— Você vai aprender.
CJ conversava com Jordan e Kyle, abraçados. Max ouvia a conversa entre Cal e Gleen sobre motos, Bella conversava baixinho com a irmã, que mal falava, Louis ria animado com Jaden e Allen, preparando comida, e Ethan, Kong e Christopher faziam "competição de quem era mais macho".
Um bip começa a apitar, e Kong levanta, sobressaltado, já gritando.
— Parem! Meu alarme de demônio está apitando.
— O que? Hodge está lá em cima, e ele é bom. — Jaden diz, levantantando.
— Exatamente. — ele tirou um tipo de walkie talkie do bolso, que tinha uma antena vermelha piscando. — Se o demônio for bom, fica verde. Se for mau, fica vermelho. Tem um demônio mau entre nós.
Todos o fitaram, em silêncio. Alex começa a rir.
— Tá de brinks, não é?
— To com cara de quem to brincando, menino? — Lana quase ri com o modo que sua voz irritada ficou fina.
Ele vai girando lentamente, analisando todos, e a medida que ele se aproximava dela, ficava mais alto e mais constante.
Até que ele aponta pra Lana, e o negócio dispara, e ele logo saca uma arma, encantada com Dyu, feitiço que eles colocavam nas armas para matar demônios.
— Ei, abaixe isso! — Logan grita, se colocando na frente dela, sobressaltando todos.
— Ela é um demônio! — ele argumenta.
— Não, não é! — Cal coloca as garras e e seus dentes pontudos pra fora. — Abaixe.
Kong olha pra Thay, que tinha una expressão de: "Cara, ela não é um Demon."
E ele abaixa os braços, revirando os olhos.
— Por que isso apontou pra mim?
— Porque você é uma criatura do diabo! — Kong grita, irritado.
— Criatura do diabo é você, quem você pensa que é? — Ela coloca a mão na cintura, e ele ergue as sobrancelhas, surpreso.
— Deve ter sido um engano. — Max se levantou.
— Meu rastreador não erra. Vou ficar de olho em você, e se precisar eu te mato.
Ela arregalou os olhos, e ele saiu andando, e Thay a observou por alguns segundos, pensando, e foi atrás de King Kong.
— Ele não vai chegar perto de você. — Max tocou seu ombro.
— Não vamos deixar. — Alex completou.
(...)
Ela revira de um lado ao outro, sem conseguir dormir. Sua mente pesava 1 milhão de quilos, cheios de pensamentos.
Se Louis tem 2 super poderes, ela tem medo do que poderia ser.
Mas ao mesmo tempo tinha medo de não ser nada.
Todos que ela ama estão correndo perigo.
Ela mesma estava em um perigo extremo.
Lana não conseguia pensar com clareza. Ela força seus pensamentos a obedece-la, e adormece.
Mas logo, um sonho preenche sua mente.
Ela está voando, quer dizer, caindo.
Com um garoto de cabelos negros e olhos claros como o céu nublado. Lana está caindo, mas ele estava ali, então estava tudo bem.
Uma espada grande de ferro com grande destreza, a interrompe, e decapita alguém, que cai sem vida. Sangue escorre pela terra como um rio.
Fogo, raios, sombras, luz. Tudo de uma vez, enquanto tudo é destruído por sombras devorando tudo a frente.
Ela vê uma mulher. Olhos negros. Levantando milhares de pessoas de uma vez, com apenas 1 das mãos, junto de um homem de cara amarrada e os mesmos olhos negros, segurando sua outra mão.
Por fim, tudo cai, e o rastro de morte é familiar, novamente num planeta sem alma.
Lana abre os olhos novamente, e está de pé, com uma caneta de quadro preta nas mãos.
Ela respira fundo, assustada, largando a coisa no chão. Como ela foi parar ali?
Assim que se vira, ela vê o que desenhou na parede: um mapa, e, acima dele, uma frase: "tudo vai queimar".
Aquilo não fazia sentido.
— Ai meu Deus... — ela resmunga, apertando as têmporas doloridas.
Lana não tinha idéia do que deveria fazer.
Ela se vira para observar o mapa melhor.
O mapa mundi, agora, tinha um círculo grande e negro onde ela reconheceu ser o México, e um menor, onde parecia ser Nepean, a cidade das irmãs Cahn.
Ela tinha que descobrir de onde eram aquelas imagens, e desvendar esse mapa. Mas ela tinha medo de falar sobre isso com alguém, ainda mais que Kong estava "de olho nela". Era arriscado.
Ela se sentou na cama, resolvendo refletir sobre as imagens. De onde elas vinham? Quem eram aquela mulher, aquele homem? E ainda tinha o garoto de olhos cinzas... Que caía com ela.
Só de pensar naquela quantidade de sangue... Seu estômago revirava....
Três batidas ecoaram na porta. Lana levanta, desesperada, encarando o mapa.
— Lana? Sou eu. — a voz de Jaden a "acorda".
— Pera ai, já vou!
Lana olha em volta, pensando. Seu mapa mundi. Não o que ela desenhou perfeitamente enquanto estava meio sonâmbula, o grande mapa pendurável que ela tinha.
Ela o coloca no prego perto do teto com a ajuda de uma cadeira, e o esticou, cobrindo o mapa perto.
Ela abre a porta.
— Hey.
— Oi. Tenho notícias preocupadantes. — Ela franze o cenho. Esse era o jeito estranho de Jaden dizer que algo ia dar errado. — Vamos.
Ela o segue pelos corredores até o elevador, e esperaram.
— O que tem entre você e o Logan?
Lana o olha, como se ele tivesse uma melancia na cabeça.
— O que?
— Você e o Logan.
— Nada. Ele é meu amigo.
— Eu também sou seu amigo?
— É, ue. Por que isso agora? — ela arqueia uma sobrancelha.
— Nada. — Jaden sorri de lado, e ela resllve ficar quieta, mesmo com esse comportamento estranho em relação a ela.
A porta abre, e ela vê a sala de reuniões cheias de gente.
Alex, Cal, Logan, Allen, CJ, Kong, Thay e algumas pessoas que ela não conhecia estavam em volta de Hodge, enquanto outros como Kyle, Ethan, Max e Jordan estavam conversado dispersos.
— O que está acontecendo? — ela pergunta.
— Quem está com Hodge, vai pra acabar com o ninho de demônios que Bella contou. — Os olhos dela se arregalam, olhando pros irmãos e pra Logan.
— O que? Não, eles não podem... — ela ameaça ir até lá, mas Jaden a segura.
— Lana. É nosso trabalho. Manter as pessoas seguras. — Ele estava certo.
Lana os encara, triste, e Alex sente seu olhar sobre ele, e pisca pra ela, com um sorrisinho que ela não consegue devolver por estar muito preocupada.
— Eles cogitariam não te contar, para você não se preocupar, mas decidiram não o fazer, porque já escondemos muitas coisas de você, e queremos reparar isso. — Ela o olha.
— Certo. É o nosso trabalho. — ela sorri, e Jaden arregala os olhos.
— Não, Lana, claro que você não vai... Você não tem poderes, não sabe lutar, nem lidar com demônios.
— Obrigada por me lembrar que eu sou inútil. — mas ele estava certo. Ela seria inútil pra isso.
— Não foi o que eu quis dizer. — ele sorri. — Você serve pra várias coisas.
— Tipo o que?
— Correr, ginástica, arrumar problema, preocupar seus irmãos, fazer eu gostar de você...
— É. — ela dá de ombros, e ele sorri. Mas logo ela se toca do que ele falou, o olha. — Espera, o que?
— Nada. — Jaden ri, e bejia sua bochecha, andes de sair andando, a deixando sem reação.
— O que foi isso? — A voz de Ethan perto de seu ouvido a faz virar.
— Hã, que...?
— Ele é maravilhoso, devo concordar, mas você sabe como é o Jaden, não é?
— Sim, mas...
— Acho que tenho que bater um papo com ele.
— Ethan! Não se mete na minha vida, não.
— Ihhh. Me meto sim, pangua. — ela sorri, o dando um soquinho. — Mas... Você já sabe que eles vão pro ninho?
— Sim.
— Não se preocupe muito. Eles são bons.- ela assente.
— O que são esses ninhos exatamente? — Ethan olhou pros lados, verificando se ninguém os ouvia.
— Papai dizia que eram algumas das passagens para a segunda dimensão, o Clã.
— Serio? Você acredita nisso?
— Não. — ele ri. — Como Nepean poderia ser uma pessagem para outra dimensão?
Nepean.
Por um instante seu coração parou.
O mapa marcava Nepean, e México. Marcava 2 ninhos de demônios. Possíveis passagens a para o Clã. E com certeza tinham mais.
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