Is real
14 Mentiras se passando por verdades
Notas iniciais
Louis encarava a irmã a sua frente na mesa. Ela estava focada no que Hodge dizia, mas ele sabia que sua mente vagava em Allen.
Mas agora ele sabia a verdade sobre sua irmã. Ela é uma Kesearker, e ele não podia pensar em outra coisa.
Depois que tinham certeza que Allen estava bem, Hodge pediu uma reunião urgente com todos, incluindo os novos demonios que abrigavam.
— Vamos começar com algo simples. Quem são vocês? — Ele diz, procurando as palavras certas pra lidar com gente de sua espécie.
— Sou Noah. Essa é Violet e Malia. Simos caçadoras de demônios maus. Há anos desertamos do Clã e vamos atrás de demônios supremos por todo o mundo.
— Okay. Mas a pergunta que realmente não quer calar é: por que procuraram a P.A.A.N? — Kong diz, mexendo as pernas inquietantemente.
— Por que sabemos de coisas que pode mudar o curso desse conflito. E isso atingirá a espécie de vocês. — Malia aponta pra Lana, que gela na hora.
— O que é? — Alex ergue uma sobrancelha.
— Se contarmos, vão ter que nos deixar ficar. — Noah explica. — Fenhai colocou todo o clã atrás da gente depois que descobrimos isso. Quase não chegamos aqui com vida.
— Fechado. — Hodge diz. — Bem vindas a P.A.A.N.
— Ta bom, ta bom, to curioso, falem logo. — Kong revira os olhos.
— Fenhai quer dominar esse mundo como fez em Yuinix. — Violet cruza os braços com a mandíbula tensa. — Ele está reunindo um exército.
A sala mergulha num silêncio surpreso, e Hodge permanece impactado, de olhos arregalados. Ele foi o único naquela sala que lutou naquela guerra, ainda do lado perdedor.
— Meu Deus. — Cal passa a mão pelo cabelo, nervoso.
— Não é só isso, não. — Violet sorri.
— Violet. — Noah a adverte, e seu sorriso só aumenta. Noah faz os olhos ficarem negros, e ela desmancha o sorriso, olhando pra frente, como se Noah a tivesse ameaçado e mandado ficar quieta.
— O que? — Logan pergunta, e Noah suspira.
— Fenhai quer Lana.
Ela arregala os olhos, e todos olham pra ela.
— Por que? — A voz de Lana falha.
— Não sabemos. — Noah toca a mão de Violet, temendo que ela falasse algo que não devia. — Não temos nem idéia.
— Zod está atrás dela também. — Hodge diz, e Noah encara Lana. Disso ela não sabia.
— O que você tem de especial? — Noah pergunta, e Lana continua encarando-a.
— Não sei. Nem sabia que Demônios existiam há um mês atrás.
Louis resmunga alguma coisa, mas todos ouvem, e o encaram.
— O que? — Kyle pergunta.
— Você sabe de alguma coisa? — Couty diz, apertando o braço da cadeira.
— Eu... — Ele respira fundo. — Eu acho que Lana é uma Kesearker.
Cal larga o copo que segurava sem querer, e ele estilhaça no chão. Todos o fitavam mais assustados que antes. Menos Lana, que o fitava cnfusa.
— Sou uma o que?
— Você só pode estar brincando. — Couty dá um sorriso nervoso.
— Lana ouviu Allen se machucar. Daqui. Ela ouviu Allen se machucar em Napean. Quilômetros de distância.
— Isso é verdade, Lana? — Hodge a encara.
— Como você sabia...?! — Ela arregala os olhos.
— Você me contou. Ontem. — Ele respira fundo, e Lana se cala.
— É verdade. Eu estava com ela. — Jaden diz, sem coragem de olha-la.
— Bem... Pode ser. — Hodge a olhava com os olhos marejados e de emoção.
— Vocês vão me explicar o que diabos é um kisirk? — Lana cruza os braços, irritada. — E Demônio supremo?
— Kesearker. — Louis corrige, fitando a mesa.
— Demônio supremo são demônios poderosíssimos. Geralmente são a Elite do Clã. Não existe nenhum Demônio Supremo bom. Todos são maus. — Noah diz rapidamente.
— Kesearkers são raros. Alguns nem acreditam que existem. Dizem que são lendas. — Cal começa.
— São lendas. — Kong cruza os braços, descrente.
— Kesearkers eram um "grupo" em Yunix. Eles eram a família real que comandava o planeta inteiro. Eles tinham poderes plenos, totalmente poderosos. Geralmente, o poder de um Kesearker é passado de pai para filho, mas as vezes, você pode ganhar esse título. O universo te dá os poderes de um Kesearker. Dizem que todos morreram na invasão dos demônios a Yunix.
— Explicaria por que todo mundo te quer. — Alex dá de ombros.
— Mas não é possível. Nem sei usar meu poder. — ela pressionou os lábios.
— Você vai aprender, criança. — Hodge saiu de onde estava, e foi até ela com a cadeira de rodas. — Posso falar com você? A sós.
Lana olhou pra Cal, que assentiu. Ela se levanta, e o seguiu pro corredor.
— Sei que as vezes não acredita no seu potencial. Mas desde que chegou, sei que há algo especial em você. Uma faísca que não pode ser explicada. — Ele sorri, e Lana pensa por um instante se era assim ter um avô. — Eu acredito nisso. Sua mãe era poderosíssima. Mas você ainda vai passar por muitas coisas. Ainda existem muitas mentiras se passando por verdades. Você se machucará, por dentro.
— Você é vidente? — Lana arrisca, e ele ri.
— Quase isso. Só sei de várias verdades. Agora vamos voltar aos outros.
(...)
Lana voltou pro quarto pensando nas palavras de Hodge. Ele acreditava nela.
Ela vivia em meio de várias mentiras? Mais? E o que ele sabia que ela não sabia?
Kesearker. Ela. Uma Kesearker. Não tinha como.
O mundo havia enlouquecido e ela não lembrava quando tudo isso passou a fazer parte de sua vida.
Ela continua pensando, quando uma idéia a atinge como um raio. O livro. Ela pega o livro e o encara por alguns segundos.
Aquela coisa era maligna. Olha o que fez com ela? A forçou a ver o que ela não queria: o sofrimento do irmão materializado.
Mas ali ela poderia conseguir respostas. Ela abre o lirvo, e escreve radicalmente: "Eu sou uma Kesearker?" E o fecha.
(...)
Louis tromba com um vulto ruivo que cai no chão na mesma hora. Bater contra Louis era como bater numa parede dura.
— Ai meu Deus. Desculpa... Bella. — Ele estende a mão pra garota, que revira os olhos e aceita.
— Tudo bem. Você viu sua irmã?
— Qual deles?
— Qual dos seus irmãos é mulher além da Lana? — ela sorri.
— Ah, Lana, eu.. Não, não vi... quer dizer, vi, vi na reunião ela... Hã... — Bella sorri maliciosamente.
— Está nervoso, Louis?
— O que? Sim. Fico nervoso quando falo com garotas bonitas. Espera...
— Me acha bonita?
— Não, não.. Quer dizer, sim. Muito. — ele cora, olhando pro chão.
— É mesmo? — ela toca seu ombro, rodando ao seu redor devagar.
— Ahn... S-Sim.
— Bem. — Ela se inclina na direção de seu ouvido. — Também te acho bonitinho.
Ela sorri, e sai andando, o deixando em estado catatônico parado.
— E-Eu acho que ela está n-no quarto...
— Obrigada. — ela diz, de longe, sem olha-lo.
(...)
Cal socava um saco de pancadas com força, fazendo barulho ecoar por toda a academia.
— Está com raiva? — a voz de Noah o interrompe.
— Se estiver é de você. — ele coloca as mãos na cintura, respirando ofegantemente.
— Eu já fiz algo que te irritou? — Ela sorri, cruzando os braços.
— Sinto que está escondendo alguma coisa.
— Talvez. Se conseguir ganhar de mim numa luta corpo a corpo eu conto. — Cal ri, desenrolando as ataduras da mão.
— Jura?
— Não acredita que posso ganhar de você? É porque estou no corpo de uma mulher morta?
— Na verdade é pelo tamanho do corpo de mulher morta que está possuindo. Nunca achei que iria dizer algo assim.
— Qual é, você tem o que? 1 e 80?
— Hum... 89. Você é uns trinta centímetros menor que eu.
— Devo ter o dobro da sua força.
— Duvido.
— Certo. Não o dobro. Mas sou bem fortinha. Aceita, ou não?
— Aceito. — ele sorri, indo pro ringue. Ela passa pelas cordas vermelhas e elásticas, e entra no ringue.
— Eu não quero te machuc... — Ela segura seu pulso, o roda, e em segundos, Cal está no chão, de barriga pra cima. — Jesus. O que aconteceu aqui?
— Você perdeu. Eu te derrubei. Te deixei no chão. Como preferir. — ela sorri vitoriosamente.
— Certo. — ele geme de dor, se levantando. — Melhor de duas.
— Muito bem.
Ela o enta socar, mas ele segura seu pulso, e tenta gira-lo, mas ela pula, se apoiando em seu joelho, e leva sua mão segurando a dela ao chão, passando por sua cabeça. Ela cai no chão com os punhos e um joelho e o pé apoiados, e a cabeça abaixada. Ela a levanta, fazendo seus cabelos cairem pra trás.
— Okay, eu já ia perguntar como três garotinhas conseguiam cuidar de um demônio supremo. Agora entendi. — ela sorri, se levantando.
— Desiste?
— Não mesmo. — ele levanta num pulo, e ela se prepara.
Cal ataca primeiro, e ela desvia de seu punho, e o tenta dar uma rasteira. Ele se esquiva, agarrando seu braço a forçando ao chão e ela dá uma cambalhota pro outro lado do ringue, caindo de pé.
Ela o tenta chutar, mas ele pula para trás e soca seu rosto a fazendo cair no chão com a cabeça virada pras cordas.
Ele ia sorrir, mas Noah não levanta.
— Noah? — ele arregala os olhos, com o coração pulando. Cal corre até ela, e segura seu ombro, a fazendo olha-lo. — Você está bem? Meu Deus. Eu te machuquei?
— Não. — ela sorri, pulando pra cima de Cal, e o derrubando e ficando por cima dele.
— Isso é trapaça. — eles sorriem. — Eu ganhei, vai me contar?
— Ganhou? Quem está caído de baixo de mim?
— Eu. — ele ri, e tira uma mecha de seu cabelo do rosto. Ele segura seus pulsos rapidamente, e a força sair de cima, e a pressiona no chão, ao contrário dessa vez. — Quem está de baixo de mim?
Ela sorri.
— E é Gol do Cal! — Couty sorri maliciosamente, se encostando na parede.
Cal revira os olhos, e a ajuda a levantar.
— Você está vermelho. — Ela sussurra a ele, que revira os olhos de novo.
— Quem ganhou?
— Eu. Três vezes.
— Ta brincando? Cal! Estou impressionado. — ele ergue a mão e ela a aperta. — Sou Couty.
— Oi. — Ela sorri, e ele pisca pra Cal. — Divirtam-se. Não muito.
E sai andando.
— Meu Deus. Não ligue pra ele.
— Não ligo de fazerem piada com você. — ela sorri, e Cal se senta no chão, sem evitar rir. Ela faz o mesmo.
— O que houve com sua irmã? — Ele diz derrepente, e ela desmancha o sorriso.
— Eu...
— Acho que descobri o que você esconde.
— Mais ou menos. — ela abaixa os olhos violetas. — Sei que você teoricamente ganhou uma vez. Mas se eu contar, vocês não vão me deixar ficar.
— Você ajudou a descobrir o que é minha irmã. E é sempre bom ter alguém que consegue me derrubar na equipe. Nem Alex consegue. — ela sorri.
— Okay. Vou contar por que prometi que contaria. Aliás. Não sei porque vou te contar. Só Violet e Malia sabem.
— Hum... Você vai me contar porque sou muito gato. — ela gargalhou, negando com a cabeça.
— Muito bem. Você vai ter medo de mim depois que souber.
— Medo de você?
— Não pode contar a ninguém.
— Não vou. Fala logo!
— Certo. — ela respira fundo. — Hell é minha irmã. Meu pai a escondeu depois que ela nasceu. Eu só a vi uma vez. Ela era um bebezinho.
— Quem é seu pai? — Cal franze o cenho, pensando como um pai poderia fazer isso com a filha.
— Fenhai. Fenhai é meu pai.
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