Is real
13 Keserker
Lana mexia as pernas nervosamente de um lado ao outro, fitando o chão branco do andar hospitalar.
Algumas lágrimas escorriam de vez em quando. Mas quase não havia nada para escorrer. Allen estava em cirurgia a quase nove horas. Sem notícias.Cal estava a seu lado no sofá verde água da sala de espera onde só tinham eles, três sofás e duas portas, sendo uma do elevador, e a outra dos quartos, consultórios e salas de cirurgias.Na parede dessa porta, tinha uma estrela de Davi dos judeus; uma cruz de madeira dos católicos; a Lua nascente e a estrela dos islâmicos; a Roda Dharmica dos budistas. Lana passou a encarar todos aqueles símbolos, de religiões, esperando que algum Deus salvasse seu irmão.— Por que não vai dormir? São quatro da manhã.— Porque não sou tão frouxa quanto meus irmãos que obedeceram sua ordem. — ela deu de ombros. — Bom argumento. — Cal sorri. — Então dorme aqui, e eu te acordo se tiver notícias.Lana pensa por alguns segundos. Seus olhos doíam de tão pesados. Ela assente, e deita a cabeça em seu colo, com as pernas encolidas no sofá. Cal passa os dedo por seus cabelos gelados delicadamente, e Lana fecha os olhos.(...)"A antiga casa de Lana, em Orlando, era enorme. Parecida com uma fazenda, sem animais, apenas plantas, e a velha casa com paredes cinzas.— Peguei! — Allen grita, tocando seu ombro, e saindo correndo novamente.— Allen! — Ela sorri, correndo atrás dele. Allen corria muito. Não do jeito que corre hoje, com seus poderes, ele corria bem antes. Ela para, ofegante, com os braços cruzados encarando-o se afastar rápido. — Mas que coisa.— Ei. Por que parou? — Ele pergunta, de frente pra ela de novo. — Por que você corre muito mais que eu. Não é justo. — Quantos anos ela tinha? Uns 6? Allen tinha 7.— Corro mesmo. — ele dá de ombros. — Mas.. Quer tentar de novo?— Eu vou perder. — Ela faz um biquinho triste. — Eu não consigo.— Não vai, não. Você consegue. Você é especial, Laninha. Consegue fazer o que quiser. — Ta bem. — ela da um pequeno sorriso, se preparando.— Um, dois, três e... Já! — Ele corre, num ritmo menor, para deixa-la o alcançar. Com um pouco de dificuldade, ela consegue toca-lo.— Peguei! — Nossa! Você foi rápida! — Obrigada. Sei que sou. — ela sorri. — Mas estou cansada.— Eu tambem. O que acha de comermos algo?— Apoio. — ela sorri, abraçando o irmão."Lana dá um sorriso, recobrando os sentidos, com os olhos fechados. Ela ouvia murmurios ao redor, mas não queria acordar, queria ficar mais tempo com Allen. Relembrar as lembranças com ele. Até que ela ouve um grito de Allen, e pula do colo de Cal. Estavam lá Alex, Cal, Louis e Couty. Louis tapava os ouvidos, como se ouvisse não só os gritos: ouvia o que acontecia lá dentro.— O que é isso?— Allen. — Cal responde, com as sobrancelhas torcidas de preocupação e nervoso.— O que está acontecendo lá?— Não sei. — Ele engole em seco, encostando no sofá. Couty envolve a mão na dela, que se senta, fechando os olhos com força. Ela não queria ouvir.(...)Quase 1 hora depois, Jordan finalmente sai da sala, completamente exausto e acabado. Todos estão lá. Até Hodge.— Ele vai ficar bem. — Todos suspiram de alívio, mas Lana percebe que sua cara tem uma expressão triste. — Alex conseguiu conter o avanço do processo de petrificação naquela hora, mas enquanto tentavamos remorver as células que viraram pedra, o processo recomeçou novamente. Muito rápido. Se a pedra chegasse ao coração ele morreria. Então tivemos que amputar o braço dele.Lana arregala os olhos, prendendo a respiração. O que? A quilo parecia extremamente surreal. Ela estava confusa.Ele estava vivo. Ficaria bem. Isso a dava alivio, felicidade, vontade de chorar.Mas ele tinha perdido um braço. Deus, seu irmão tinha predido um braço! Isso a deixava devastada, com vontade de chorar, também. Mas ela não consegue. Estava sendo egoísta, pensando mais em seu alivio de ele estar bem, não na tristeza de Allen por perder uma parte de si.Ninguém consegue falar absolutamente nada. Um silêncio mortal permanece, como se fosse uma "vaca amarela" que resultaria em morte se alguém abrisse a boca.— Ele sentiu? — Lana diz, com a voz tremendo. Jordan prende a respiração, como se não esperasse que alguém faria essa pergunta.— Não deu tempo de dar anestesia. Foi muito rápido. — Lana fecha os olhos, ouvindo em sua mente os gritos de Allen novamente.— Posso ve-lo? — Lana sabia que se abrisse a boca de novo, choraria e não pararia mais.— Sim. — Ela pula do sofá, e abre a porta bruscamente, andando com passos largos pelo corredor branco.— Alex. Preciso de você. — Jordan diz, e Alex a segue, tão tenso e devastado quando ela. Ela encara o número 7 na porta branca.7 era o número da sorte de Allen. Ele dizia que tem 7 vidas, como um gato. Uma delas já se foi.
— Ei. — Alex pressiona os lábios, olhando pra ela. — Vamos?Ela respira fundo, e abre a porta, sem conseguir falar. Allen respirava por inúmeros aparelhos. Sua pele era pálida como um papel. Seus cabelos loiros e cacheados caiam nos olhos. Seus olhos azuis estavam fechados, meio roxos em volta. Sua boca estava seca, roxa de frio. Ele estava numa cama reclinável com aparelhos o monitorando por todo lado, e grossas cobertas brancas esquentavam sua roupa quadriculada de hospital.E uma atadura contornava seu ombro, onde seu braço não existia mais.Lana imagina onde seu braço estaria agora.Ela se aproxima devagar, como se ele fosse acordar e sair correndo. Suas mãos tremiam, e lagrimas silenciosas rolavam.Ela toca seu outro braço, com os olhos focados no círculo roxo que envolvia seus olhos. Ela queria que eles abrissem.— Allen. — ela murmura, com a voz firme derrepente. — Acorda. Nada.— Allen. — Sua voz falha novamente pelos soluços que lhe rasgavam a garganta. Ela fecha os olhos, e lagrimas caem na cama e em sua blusa. — Acorda! Lana grita alto, apertando seu braço. No mesmo instante Alex a agarra, tirando a Lana esperniando e se debatendo de perto dele. O monitor cardíaco começou a bater mais forte, e Lana chuta Alex.— Lana. Para. — Ele diz, com a voz falhando também. — Não! Allen! — Lana, cala a boca. — ele a abraça com força, sentindo as lagrimas que segurou antes rolarem agora. — Cala a boca. — Alex repete, olhando pra cima e acariciando seus cabelos enquanto ela chorava em sua blusa.Jordan e Cal entram na sala, sobressaltados, Cal com as garras de fora, se precisasse defender o irmão de algo.Nada. Era apenas seus irmãos, sofrendo. Ele preferia um demônio o atacando que três das pessoas que ele mais amava sofrendo. Ele entra no quarto, e se apoia na cama de Allen, sentindo náuseas. — Desculpe. — Lana murmura, mas Alex não consegue dizer nada, apenas a larga, enchugando as lágrimas de um jeito brusco. Seus olhos encontram os de Cal.— Cure ele. — Ele diz, com um nó na garganta.Alex assente, mesmo com os olhos extremamente vermelhos, e Jordan se aproxima do curativo.— É melhor você não olhar. — ele diz com uma voz triste. — Está feio.É, a última coisa que Lana queria era ver isso. Ela tampa os olhos, olhando para baixo.Ela fica assim por alguns segundos, quando ela é forçada a abaixar as mãos pela "coisa" que a controlava as vezes."VEJA". Uma voz grossa e alta grita em sua mente, e Lana arregala os olhos, sem tempo de raciocinar.O chão foi ficando escuro, o teto esmagando-a. O curativo tinha sido retirado, e a única coisa que ela via era sangue e partes da anatomia humana que ela nunca tinha visto. No mesmo instante seu estômago revira, e ela cai de joelhos no chão. Antes que Cal possa fazer alguma coisa, ela já está cambaleando porta a fora.Traumatizada era a melhor palavra para descreve-la agora. Ela não encherga pra onde vai, apenas vê sangue para todo lado e as paredes rodando.Ela vai se apoiando nas predes, completamente tonta com o cheiro de ferro a derrubando.Lana escancara a porta da sala de espera, e todos os olhares se dirigem a ela. Quando tenta andar de novo, seu corpo bate na parede e não levanta mais, cega pelas lágrimas que corriam desesperadamente sem controle. Não tinha ar em seus pulmões, e a voz assustada de Louis e Logan estava abafada com um ruído. Ela nega com a cabeça sem saber exatamente o que, mas aponta pra fora, se arrastando, e os braços de Louis a ergue do chão, correndo pra fora dali. Ele vai para corredor, onde a claridade branca do céu nublado entrava na janela.Louis a coloca sentada, olhando em seus olhos.Os outros aparecem na porta, afobados, mas Louis faz sinal para eles ficarem quietos.— Lana. Você está usando uma meia rosa e outra verde.– Assim que ele diz isso, para de chorar, o encarando de novo. Ela respirava, e não via mais sangue.Ela olha pros pés, esperando ver duas cores diferentes, mas só via seu tênis com meias brancas.— O que? — Quando Allen tinha ataques de pânico papai dizia isso a ele. — Ele a abraça suavemente, como se transferisse o peso de suas costas para as dele. Ela se sente mais leve. — Para onde você quer ir?— Para o.. Meu... — por um instante ela esquece a palavra, correndo os olhos nervosos pelo corredor. — Eu.. Eu não consigo me concentrar.. Eu não consigo segurar. — Ela nega com a cabeça, voltando a chorar.— Lana. Tudo bem. Olhe pra mim. — ela nega, com os olhos fechados. Louis sente sua pele fria e seu medo irradiando ao toque. Ele sabia o que significava. — Você está em choque. — Não. — ela nega novamente, choramingando.— Sim. Olhe pra mim. — ela obedece, o encarando. Não enxergava-o direito. — Vamos para seu quarto, certo? — ela assente, e ele a puxa pelos braços, forçando-a a levantar, mesmo tremendo. Suas pernas falham, mas ele a segura. — Respire.Eles vão andando devagar até o elevador, e sobem, depois entram em seu quarto. Louis a deita na cama, e abre as cortinas, a envolvendo com cobertas. Ela tentava se manter calma, parando de tremer aos poucos. — Você está melhor, Laninha?— Não consigo pensar. — ela diz, segurando sua mão. — Fica comigo. Louis deita ao seu lado, sem largar sua mão. Eles ficam em silêncio por muito tempo.— Lana.— O que?— O que você não consegue segurar?— Não consigo segurar meus segredos. Eu ouvi vocês, em Napean. Daqui. Ouvi Allen se machucar. — sua voz era leve, como se estivsse em transe. Ela não queria ter contado, só não percebeu.Louis arregala os olhos.— O que?— Jaden estava comigo.— T-Tem quilômetros de distância de Nepean até aqui. Não é possível.— Eu ouvi.— Você está delirando.— Okay. — ela fecha os olhos, dando de ombros e dorme em segundos. Louis fita suas pálpebras, assustado. Não era possível.Lana é uma kesearker.
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