Irracional.
1 One - En
Os olhos verdes corriam através das letras garrafais que manchavam o papel amarelado — outrora branco. Lia na Britannica que criara relações com o dinamarquês — mesmo sem entender o motivo disso.
Nunca estabelecera sequer um diálogo com o outro e raramente o via, embora só recordar a presença do maior já fazia um arrepio percorrer-lhe o corpo. Seu cheiro forte de whisky e sua voz embargada de uma estranha virilidade juvenil cativava o inglês.
Certa vez, a primeira em que o vira, sentira algo que nunca havia sentido antes em sua vida. Ciúme é a palavra. Um sentimento estranho e, até então, desconhecido o fez corar assim que viu Aleksander rir com o sueco — que lançou um olhar sutil até o inglês. Cerrou os punhos e bateu o pé, ignorando a interrogação que se formara na face do louro que o acompanhava.
Aquilo não fazia sentido algum. Sequer o conhecia, por Deus!
Sentado na terceira mesa daquela biblioteca, o inglês ouviu passos se aproximando. Nem desviou o olhar de seu livro, imaginando ser aquele americano bastardo.
— What do you want, your bastard?
— I’m sorry?
É. Não era o americano bastardo.
O inglês manteve-se em silêncio, cabisbaixo, esperando a repreensão — que não veio — do maior.
— Your name is Arthure, right? – ele disse, acomodando-se na cadeira defronte ao inglês.
— Arthur, actually.
— Hey, Arthur! My name is Aleksander. Nice to meet you.
O louro apenas estendeu a mão automaticamente, com o intuito de retribuir o gesto do maior, algo meramente robótico e frio.
— Why are you here? Talking with me, I mean…
— I have no idea. Maybe it’s because I like you...
Mal podendo processar o que acabara de ouvir, o inglês notou que o outro circundava a mesa, ficando ao seu lado.
Antes mesmo de conseguir responder, Arthur sentiu a boca dinamarquesa em contato com a sua. Não houve movimento algum, só o encostar dos lábios era o suficiente. Ao separar-se daqueles lábios finos, Aleksander sorriu e retirou-se do cômodo.
Arthur levou dois dedos aos lábios, como se tentasse prolongar a sensação que acabara de ter. Por um momento, seus olhos verdes não puderam afirmar se aquilo fora real ou apenas uma peça pregada pela sua mente sorrateira. Mesmo sem saber, deixou um sorriso desenhar-se em sua face enquanto colocava ligeiramente aquele livro em seu lugar de origem. Ele precisava ter certeza.
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