Notas iniciais
Bom, mais um capitulo pra vocês!!!

Há quanto tempo Jess estava sentada ali congelando? Ah, a um bom tempo, tanto tempo que já tinha escurecido; levantou-se quando sentiu o estomago dar sinais de vida pela primeira vez desde que chegara a Aspem, puxou a poltrona novamente para dentro do quarto e fechou as portas de vidro da varanda, jogou o edredom na cama e soltou o cabelo para esquentar um pouco o pescoço, que estava descoberto e frio, quando ia saindo do quarto o pequeno telefone que estava ao lado do criado mudo começa a tocar; deu uma pequena corrida até a cama e se sentou lá tomando o telefone nas mãos.

– Quem é? – foi direto ao ponto, estava com fome e seu estomago já estava roncando.

– Quem seria? – a voz feminina e delicada soou do outro lado, fazendo Jess sorrir quase que imediatamente; era Darcy.

– DARCY! – deu um grito animado reconhecendo a voz e rindo logo em seguida do ataque.

– Não, é o papai Noel. – a voz de Darcy era risonha do outro lado da linha, porque ela, de fato, estava feliz de falar com Jess, na verdade, estava mais preocupada com a amiga do que Jess poderia imaginar.

– Oh Papai Noel, eu já sei o que quero de presente, e eu estou sendo uma menina muito boazinha... – a voz de Jess insinuava e aguçava a curiosidade de Darcy, que de repente ficou curiosa para saber o que a pequena mulher gostaria de ganhar.

– E então minha pequena menina, o que gostaria de ganhar? – Darcy começou a fazer voz grossa para imitar o Papai Noel, arrancando risadas de ambos os lados.

– Na verdade, eu quero minha amiga aqui. – disse baixo e imaginou a reação da bela loira de olhos verdes com quem estava falando.

– Talvez eu possa realizar seu desejo,ho-ho-ho! – apesar de essa frase ter arrancado pequenas risadas de Jess, a fez ficar curiosa para saber o que a amiga estava tramando.

– Como assim Darcy? – perguntou curiosa, batucando os dedos no criado mudo ao mesmo tempo em que soprava alguns fios do cabelo castanho claro que insistiam em cair em seu rosto.

– Primeiro, antes de lhe explicar o que eu quis dizer, quero que você me explique uma coisa. – a voz da amiga estava seria e parecia lhe cobrar explicações; Jess engoliu em seco e colocou a mão na testa, suplicando para que Darcy não tivesse descoberto tudo.

– Pergunte o que você quer que eu lhe explique. – disse num tom distante e profissional, se mantendo calma e tranquila, mesmo que por dentro estivesse prestes a ter um ataque de pânico.

– Jessica, você já foi... Casada? – a voz de Darcy hesitava, e Jess respirou fundo; do outro lado da linha Darcy estava sentada em seu sofá olhando a televisão que estava muda enquanto enrolava uma mecha do cabelo ondulado e loiro, que contrastava com sua pele bronzeada e caia como um véu por sua cabeça, os olhos verdes demonstravam nervosismo e ansiedade, e ela respirava profundamente varias vezes tentando se acalmar.

– Onde... Onde você viu isso? – Jess gaguejou algumas vezes, mas tentou manter a voz calma, o que naquela situação era bem difícil.

– Jessica eu vi alguns papeis no consultório e estava lá isso, mais porque você não me contou? – a voz de Darcy não demonstrava nenhuma irritação, apenas curiosidade, ela só queria saber o porquê da amiga não ter lhe contado aquilo.

– Eu... É humilhante. — ela simplesmente cedeu depois de algum tempo em silencio, estava cansada de esconder aquilo, como a mãe tinha dito, a vida era dela!

– Prometo não caçoar de você. – a voz da amiga era tranquila e transbordava confiança, e ela, pela primeira vez em dois anos sentiu confiança para conversar aquilo com alguém que não fosse Sarah.

– Ele me traiu! – soltou as palavras rapidamente e nervosa, pois sabia que Darcy provavelmente nunca teria problemas como aquele, uma mulher alta e escultural com belos olhos verdes, cabelo loiro natural e pele bronzeada, era de dar inveja, e que homem a trairia? Só um bem louco.

– CRETINO! – o grito do outro lado da linha foi estridente, e segundos depois do grito Jess escutou o baque de algo indo ao chão do outro lado da linha.

– O que foi isso? – perguntou preocupada com a amiga.

– Droga! A minha televisão. – disse Darcy num resmungo – Eu joguei uma almofada nela, mas não vamos falar sobre a televisão, você quer falar sobre isso? – perguntou como uma verdadeira psicóloga, fazendo Jess rir.

– Não Darcy. Estou disposta a recomeçar de agora em diante, e ficar lembrando Mike não vai me fazer bem algum, mais obrigada. – disse realmente agradecida, há quanto tempo não tinha uma amiga assim? Ou melhor, ela nunca tivera uma amiga assim, isso se um dia tivera amigas.

– Isso é esplêndido, mas acho que notei mais do que você gostaria que eu notasse, alguma coisa está lhe deixando... Mal? – a voz de Darcy soava realmente como a de uma psicóloga, Jess revirou os olhos diante daquilo, mas lembrou-se de que tinham coisas que estavam a deixando mal.

– Cycy, se por acaso você tivesse uma... Paixão platônica na época do colegial, e a encontrasse, como ficaria? – ela revirou os olhos quando percebeu a bobagem que estava falando, afinal, não era como se ela gostasse de Edward Cullen, nem como se estivesse deslumbrada, não era?

– Bom minha querida Jessica Stanley, eu correria atrás, mais primeiro vamos aos dados? – perguntou curiosa e Jess se levantou da cama e foi em direção à porta, abrindo a mesma e pensando que tipo de dados a amiga queria saber.

– Dados? Que tipo de dados? Eu não sei quais são os números dos documentos dele nem os números de telefone. – disse como se fosse obvio e escutou a gargalha de Darcy do outro lado da linha.

– Ora Jessica, eu quis dizer como ele é. – Darcy respondeu depois de ter se recuperado do ataque de risos.

– Oh, bom, ele é pálido, quase transparente eu diria, tem olhos dourados, cabelos acobreados, é um pouco musculoso e é alto, bem alto! – refletiu lembrando-se do tamanho que ficava perto dele.

– Quase todos são altos perto de você, mas pelo que foi descrito ele é bonito, mas é casado? – perguntou enquanto Jess descia calmamente as escadas.

– Sim, e acho que tem uma filha. – depois de dizer aquilo se lembrou da garota que lhe entregara a chave que por sinal era muito parecida com ele.

– Ignore-o. – a voz de Darcy era como um comando, e ela seguiria aquilo de qualquer jeito.

– Eu iria fazer isso de qualquer forma. – disse se justificando e notando que finalmente chegara a cozinha, pegou novamente o leite e o cereal, foi ate o armário e puxou uma pequena tigela enquanto escutava Darcy estalando os dedos como se analisasse a situação.

– Mas isso não lhe impede de admira-lo. – a voz da amiga era mais animada e Jess segurou a vontade de bufar alto enquanto apoiava o telefone entre o ombro e o ouvido para conseguir mexer as mãos com maior facilidade.

– Pelo amor de deus Darcy, você já foi mais esperta, mais agora tenho que desligar, eu estou morrendo de fome e quero fazer algo descente para comer. – dispensou à amiga quando viu que leite e cereais não iriam acabar com sua fome.

– Ok, vá comer, e me ligue amanhã, não se esqueça! – a voz era mandona e risonha.

– Não vou Cycy. – disse pronta para desligar.

– Tchau Jessie. – Darcy disse e desligou antes que Jessica pudesse reclamar do apelido idiota.

Desligou o telefone escutando o ‘tu, tu, tu’ irritante e lembrou-se de uma coisa que se esquecera de perguntar, oque Darcy estava querendo dizer com “Talvez eu possa realizar?”, é claro, ela queria que a amiga estivesse em Aspem com ela, mas como ela iria?

Deixou para pensar naquilo mais tarde e foi tentar achar alguma coisa enquanto guardava o cereal e o leite, mas se surpreendeu ao ver que não tinha absolutamente nada naquela cozinha além daquilo que ela acabara de guardar; bufou indo para o quarto escolher uma roupa quente e confortável para ir a um mercado que ela nem sabia que existia ou onde ficava; andou pelo closet por alguns minutos até encontrar um jeans preto, uma blusa branca com botões nos seios e uma jaqueta de couro preta com pequenas tachinhas, optou por calçar uma bota de montaria preta de couro para poder andar com mais facilidade, pois ainda se lembrava dos dedos congelando na sapatilha enquanto ela ia do aeroporto para sua nova casa; pegou apenas a carteira e desceu as escadas correndo, chegou à porta da frente em apenas segundos e já estava sentindo o frio congelando lhe os ossos, respirou fundo e saiu de casa girando a cabeça, pois novamente estava com a sensação de estar sendo observada, revirou os olhos e disse a si mesma para parar de maluquices e começou a andar, já que não avistava nenhum taxi.

Estava a bons minutos caminhando, isso se já não fizesse horas, os osso reclamando do frio e as mãos descobertas estavam quase roxas, o que a fez ficar com medo pensando na hora em que iria ter que tirar as botas; suspirou afastando alguns fios insistentes que insistiam em dançar em frente ao seu rosto, olhou para os lados para ver se não tinha ninguém andando ou algum carro estava passando para lhe dar carona, mais a rua ou aquilo seria uma avenida? De qualquer forma o local parecia estar deserto, e ela começou a sentir o pânico invadindo suas entranhas, estava frio e ela podia sentir alguns poucos flocos de neve cair sobre o seu rosto, a fazendo sentir ainda mais frio e seu nariz arder quando tentava respirar profundamente, ela provavelmente morreria naquele lugar e ninguém notaria sua ausência, pois não conhecia ninguém em Aspem; balançou a cabeça tentando tirar qualquer tipo de pensamento relacionado a morte de sua cabeça, tirou as mãos dos bolsos, estalou os dedos e girou os pulsos, pois estava sentindo suas mãos travarem, assim que sentiu mais flexibilidade começou a esfregar uma mão na outra para tentar esquenta-las, sem sucesso, a temperatura de seu corpo também estava baixa, virou a cabeça para o lado e notou um pequeno ‘degrau’ de pedra, onde a avenida ou rua se desenhava em uma curva fechada, foi andando calmamente até ali e se sentou, sabia que a chance de alguém passar era mínima, e de alguém passar e querer ajuda-la eram menores ainda; encostou a cabeça numa arvore que estava ao lado parecida com um pinheiro e fechou os olhos tentando achar sua calma.

Ela ficou minutos naquela posição até começar a ouvir o barulho de um motor, e era motor de carro, desencostou a cabeça da árvore e abriu os olhos, meio animada meio hesitante, se ela pedisse carona e não dessem ia ficar com cara de tacho, mais se desse ela desconfiaria, pois era um desconhecido; viu uma Mercedes preta correndo quase na velocidade da luz, mais quando ia fazer a curva parou, muito perto do pé dela por sinal, e as janelas foram abaixadas.

– Aceita carona? – ele tinha deixado um pouco mais da janela aberta para Jessica poder mirar seu rosto e sorria simpático.

– Han? Eu? – ela virou a cabeça procurando outra pessoa por ali; Edward Cullen realmente estava lhe oferendo carona? O homem que tinha repulsa dela no colegial e viva a desprezando e rejeitando?

– Acho que só você está aqui Jessica. – ele disse mais abaixo e desviou os olhos dos delas, parecendo de repente incomodado com algo; seria algo que ela tinha feito?

– Ah, obrigada, mais não precisa. – ela realmente tinha vontade de se bater, de onde tinha tirado esse ‘não precisa?’, é claro, por mais que estivesse congelando seu orgulho falava mais alto, mais ela nesse momento realmente precisava de uma carona, de um banho e de edredons, pois sentia que ficaria doente.

– Entre no carro. – ele disse revirando os olhos diante da bobagem dela; ele sabia o que se passava com ela, ficaria doente em breve e ainda assim teimava para ficar no frio?

– Tudo bem. – por fim cedeu entrando no carro quente e sentando-se no banco de couro afivelando o cinto e finalmente sentindo o calor retornar aos poucos em seu corpo.


Notas finais
Nem demorei muito pra postar não é? Dois ou três dias no máximo! Mais enfim, ai está o capitulo novo!
Oque será que essa carona vai resultar han?
Espero até o próximo capitulo!!!