Ironies Of Fate
11 Alice esteve aqui!
Notas iniciais
“A garota baixinha, de longos e ondulados cabelos castanhos, belos e profundos olhos azuis e pele pálida corria desesperadamente pelo corredor bem iluminado, era a terceira vez que chegava atrasada ao colégio, provavelmente ganharia um tempo de detenção; parou em frente a uma porta branca, bateu suavemente ali, as mãos tremiam de nervosismo e os olhos se apertavam, como se ela estivesse exposta ao sol.
– Novamente Srta. Stanley? – a professora de cálculos, Sra. Rodrigues, a perguntou com um desgosto palpável na voz carregada de sotaque castelhano.
– Oh, sim, desculpe-me. – abaixou os olhos, envergonhada, e mirou o chão de cerâmica branca, que era impecavelmente limpo.
– Sempre pedindo desculpas. – a mulher alta e já com seus bons quarenta anos balançou a cabeça, o que fez a incrível e reluzente cabeleira preta se agitar em volta do belo rosto pálido – Saiba que se chegar atrasada novamente irá para a detenção. – abaixou os óculos de aro redondo, como se dissesse para a garota a levar a serio, o que pareceu surgir efeito imediato, pois assim que os olhos azuis esverdeados da menina miraram os olhos castanhos escuros da professora, a mesma abaixou a cabeça e olhou novamente para a cerâmica.
– Sim Sra. – sorriu tímida e ergueu lentamente a cabeça, mirando, ao invés dos olhos, os cabelos curtos e pretos da professora.
– Ótimo, entre. – deu espaço para a garota entrar e bateu a porta com força, para chamar a atenção da turma, e como se estivesse dizendo ‘Não façam isso, nem todos terão a mesma sorte’.
– Obrigada. – a voz soou aguda e a garota ergueu o nariz quando notou todos a olhando de forma repreendedora.
Andou calmamente até o seu costumeiro lugar, raramente tinha duplas, dificilmente as pessoas se aproximavam dela, mas seu pai, antes de morrer, sempre dissera a ela que amizades eram inúteis, não a levariam a lugar algum, apesar de tentar, de toda forma, contrariar, aquilo parecia uma praga de seu pai, como se a dissesse que ela não teria amigos; suspirou como se para se livrar das memorias e mirou seu lugar, que era ao lado da janela e que sempre estivera vazio, agora estava ocupada por um homem alto, esguio, de cabelos acobreados e olhos cor de ouro, que a fitavam com um nojo palpável.
– Pode me dar licença? – perguntou educadamente olhando para o homem de forma entediada.
– Não. – respondeu simplesmente virando-se para frente de forma desconfortável.
– Esse é o meu lugar. – respirou fundo tentando se acalmar, nunca tivera que discutir com ninguém, mas estava disposta a discutir por aquilo.
– Não vejo seu nome nele. – a voz aveludada soou zombeteira, acompanhada pelas grossas sobrancelhas que foram levemente erguidas, num claro sinal de desafio.
– Procure melhor então. – resmungou apontando para a lateral da cadeira, onde marcara com canivete seu nome.
– Quem me garante que esse é seu nome? – encostou-se à cadeira, esquecendo completamente que a turma inteira mirava-os com os olhos, assistindo a cena com uma curiosidade palpável.
– Jéssica Stanley, muito prazer. – estendeu a mão pálida e pequena ao homem, como se realmente estivesse interessada em discutir aquilo.
– Edward Cullen, o prazer é meu. – sorriu sarcástico, ignorando totalmente a mão que lhe fora estendida enquanto mudava de lugar e via a pequena morena revirar os olhos azuis e sentar-se na cadeira.
– Ótimo, agora que resolveram que me deixarão explicar a matéria, vou aproveitar, antes que mudem de ideia. – Sra. Rodrigues alfinetou com ironia e voltou a escrever no quadro enquanto explicava calmamente, mas sempre lançando olhares desconfiados para os dois.”
– Edward? – Rosálie sentou-se calmamente na cama de casal enquanto abanava a mão em frente ao rosto do irmão, que parecia estar num lugar totalmente diferente.
– Oh, sim? – piscou os olhos e sorriu torto para a irmã, tentando esconder a emoção por trás daquela lembrança, o que pareceu não surgir efeito algum.
– No que estava pensando? – deitou na cama e fechou os olhos, sentindo a cama afundar ao seu lado, deixando claro que Edward também deitara, mas ao invés de estar com os olhos fechados, estava olhando para o teto, como sempre fazia, escutou a risada envergonhada do irmão, deixando claro que realmente estava do jeito que ela pensara.
– Você me conhece bem. – murmurou distraidamente e sorriu para o teto – Estava pensando em coisas desconexas. – deu de ombros suspirando cansado.
– Deveria saber que eu não acredito nisso. – abriu os olhos e virou a cabeça para o lado, encarando Edward de maneira repreendedora – Aproveite que Bella não está em casa. – deu de ombros e riu – Não precisa ter medo. – mordeu os lábios quando viu o irmão virar a cabeça em sua direção e arquear uma sobrancelha.
– Poupe-me Rosálie. – revirou os olhos e voltou a fitar o teto – Estava pensando na primeira vez que vi Jéssica. – sorriu lembrando daquilo.
– Ela era teimosa. – franziu as sobrancelhas lembrando-se quão desafiadora a garota tinha sido.
– Ainda é. – afirmou suspirando.
– Ela foi traída Edward, não vai querer a mesma coisa para Bella. – deu de ombros sentando-se e encarando o irmão de forma dura.
– Sim eu sei. – manteve os olhos fixos no teto – Mas não é como se eu quisesse traí-la. – voltou os olhos para Rosálie que apenas o olhou com zombaria.
– Conte outra. – abanou as mãos num claro sinal de ‘esqueça’ – Bom, vim aqui para falar de Alice. – deu de ombros e olhou para a parede.
– Eu sei disso. – sentou-se rapidamente enquanto mirava a mente da irmã, que parecia perdida, revirou os olhos e encostou a cabeça na cabeceira de cama.
– Nessie foi falar comigo... Hoje mesmo. – continuou e relembrou a conversa, o que pareceu deixar Edward nervoso.
– Não esperava menos do Black. – travou a mandíbula enquanto se levantava, não era como se Bella e Alice fossem matar Jéssica, ou algo do gênero, às vezes sua família exagerava.
– De certa forma ele está certo, pense Edward, Bella não aceitaria perder você, e Alice... – foi interrompida pela risada do irmão.
– Alice está me dando apoio, e Bella não machucaria ninguém. – explicou calmamente para a loira, que apenas revirou os olhos e se levantou da cama, como se estivesse falando com uma criança, mas ela não conhecia Bella, não sabia nada da personalidade dela, não podia julgar.
– E quem disse que elas precisariam sujar as mãos? – perguntou mirando a janela e soltou uma lufada de ar – Louis provavelmente está disponível. – viu o vidro ficar embaraçado e escreveu ‘Nojo’.
– Bella não procuraria Louis. – Edward riu da logica da família, às vezes todos eram paranoicos, mas estava com medo, se alguém machucasse Jéssica, ele nem queria pensar no que faria.
– Nada a impediu de procurá-lo uma vez, o que a impediria agora? – virou-se olhando o irmão de relance, que parecia seguir sua linha de raciocínio.
– Ele ameaçou não apenas Renesmee, como a família inteira, se não está lembrada. – revirou os olhos com esforço, tentando não ligar para aquilo.
– Mas Carlisle disse que era melhor não contar a Bella, para ela não se sentir culpada. – completou olhando para um ponto acima da cabeça de Edward.
– Você acha que...? – deixou a pergunta no ar, não conseguia terminar de dizer aquilo, nunca imaginara que sua Bella deixaria de ser sua tão rapidamente da forma que acontecera; muito menos que ela procuraria aquelas pessoas, ou que pudesse matar alguém.
– Carmen confirma. – lembrou-se de repente dos desenhos que Carmen fizera quando eles foram passar uma temporada no Alasca, um esboço de uma visão de Alice; Jéssica ali com Louis, e o mesmo com as mãos em volta do pescoço dela, o apertando, quase o quebrando, não podia nem montar aquela cena em sua mente, aquilo era terrível.
– Aquilo? – levantou-se da cama e andou até a cômoda, procurando os desenhos, mas os mesmos não estavam mais ali – Rosálie? – perguntou nervoso enquanto abaixava a cabeça.
– Sim? – respondeu rapidamente enquanto se colocava ao lado do irmão.
– Os desenhos que Carmen nos deu sumiram. – olhou de relance para Rosálie, que parecia, assim como ele, ter visto uma assombração.
– Espere. – ergueu o dedo indicador e se abaixou em direção à gaveta, respirou fundo inalando o aroma doce que saia dali, conheceria aquele cheiro nem que passassem mil anos – Edward? – perguntou levantando a cabeça e encarando o irmão com preocupação.
– Uh? – o corpo dele estava entorpecido, se pudesse estaria desmaiado, Bella não podia fazer aquilo, por Deus, ela vira os olhares dele para Jéssica, não podia entender?
– Alice esteve aqui. – murmurou fechando os olhos, tentando evitar pensar na tragédia que aconteceria.
– O que faz aqui Adam? – sorriu para o homem a sua frente.
– Ora, não me quer por aqui? – perguntou virando-se para ir embora.
– Não foi isso que quis dizer. – revirou os olhos rindo daquilo – Você poderia ter ido a minha casa, mas resolveu marcar uma hora no consultório onde eu trabalho, posso saber o porquê disso? – perguntou e cruzou as pernas, admirou o amigo da época da faculdade discretamente, Adam não mudara nada, o mesmo jeito jogado e desleixado, tanto que o sobretudo preto social que usara para chegar até ali estava molhado e jogado num canto do consultório, mas mesmo assim bem cuidado, sua postura imponente sempre fizera juízo aos seus 1,90 de altura, seus músculos definidos, porém, discretos, marcavam a camisa azul marinho social que estava com três botões abertos, deixando parte do peito musculoso à mostra, as coxas bem torneadas estavam cobertas pela calça social preta de risca de giz, os cabelos num tom incrivelmente preto azulado estavam impecavelmente cortados e pingava por conta dos pequenos flocos de neve que caiam fora do consultório, à pele branca chegava a ser rosada por conta do sangue, e por último os olhos, verdes como as folhas da mais bem cuidada árvore que podia existir, Adam, sem duvidas, era um dos homens mais belos que Jéssica já tivera a oportunidade de ver.
– Ora, quando você parar de admirar minha beleza, talvez eu lhe conte. – riu da careta de espanto que a pequena amiga fez; Jéssica não era tão discreta quanto pensava que era.
– Eu... Eu não... – gaguejou e viu Adam arquear uma sobrancelha, bufou de desgosto e fez bico – Sim, já disse, você é meu amigo, mas não deixa de ser bonito. – sorriu descruzando as pernas e notou o olhar do amigo nas mesmas – Gosta do que vê? – perguntou sarcástica e viu as bochechas de Adam corar discretamente.
– Na verdade, sim, gosto muito do que vejo. – sorriu ignorando o rubor e apoiou o cotovelo no braço da poltrona enquanto colocava os pés em cima da mesinha de centro, ficando mais a vontade para olhar as pernas de Jéssica, que estavam cobertas por uma calça social vermelho sangue.
– Obrigada. – sorriu acenando com a cabeça – Mas minha curiosidade é maior, o que lhe trouxe aqui? – arqueou as sobrancelhas e inclinou-se levemente para frente.
– Vim lhe convidar para sair. – explicou e tirou rapidamente os pés da mesinha de centro quando sentiu o tapa firme de Jéssica nas canelas.
– Sair? – perguntou voltando a sua posição original e ajeitou a blusa de seda preta nervosamente, não saíra com ninguém desde o divorcio.
– Sim, sair, respirar novos ares. – deu de ombros e viu a pequena revirar os olhos.
– Você, por acaso, é a encarnação de Cycy em forma masculina? – perguntou tentando parecer interessada e inclinou levemente o tronco para frente.
– Há-há, engraçadinha. – revirou os olhos e olhou para os pés de Jéssica, que estavam com apenas metade dos saltos pretos nos pés – Você não muda. – balançou a cabeça fingindo desgosto – Quer dizer, nesse meio tempo você mudou apenas o cabelo. – apoiou os pés nos sapatos sociais pretos e andou calmamente em direção a Jéssica.
– Foi Cycy. – revirou os olhos sentindo a mão de Adam soltar o coque bem feito.
– Sim, você não seria capaz de fazer algo tão... – pensou na palavra apropriada – Radical. – piscou o olho direito zombando de Jéssica, que bufou e deu um safanão na mão dele.
– Mas eu fiz. – deu de ombros e cruzou novamente as pernas.
– Depois de muita pressão da parte de Cycy, aposto. – riu da careta de Jéssica e voltou a sua poltrona e sentou-se.
– Não vou especular sobre isso. – empinou o nariz e olhou de relance para Adam, que a olhava prendendo o riso, não aguentou e riu junto do amigo, há quanto tempo não via Adam? Há dois anos? Três? Não sabia, não contara.
– Não, não especule. – controlou a risada e inclinou-se levemente na direção da amiga – Vai sair comigo? Por favor, Jess. – olhou intensamente para a mulher que sempre tivera uma tremenda queda, e agora talvez tivesse chances, estava solteira e se tivesse sorte, estaria disposta a dar uma chance aos dois.
– Eu... Uh... Bom... – engoliu em seco e olhou para o teto em busca de ajuda, mas desde quando a ajuda caia do céu? Desceu lentamente o olhar mirando os olhos verdes que a encaram numa suplica muda, e encarou aquilo como um novo começo, talvez Adam a ajudasse, talvez ele fizesse bem a ela, estava na hora de esquecer Mike e Edward e começar sua vida do zero.
– Então... – Adam arqueou as sobrancelhas, na voz rouca a esperança era palpável, ele sabia daquilo.
– Acho que será bom respirar novos ares. – sorriu alegremente e mergulhou nos olhos verdes de Adam, que a fitavam com uma intensidade que ela jamais vira igual, ou talvez não.
Notas finais
Então, o que vocês acham da reviravolta de Alice, porque, de certa forma ela mudou.
E Bella?
A fic tomou um rumo mais macabro, não é?
Mas era como tinha de ser.
Enfim, espero que tenham gostado.
Comentem, recomendem, favoritem, essas coisas, pois são bem importantes, enfim, nos vemos nos comentários.
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