Irmãos Orange - Segunda temporada
35 Algo que nos surpreendeu para a vida toda...
Notas iniciais
(Narrador Naruko)
Itachi e eu partimos para o hospital. Iríamos ver o Boruto.
Quando chegamos ao local, rapidamente fomos liberados e encontramos um Naruto todo bobo fazendo palhaçadas.
–Oi! — Cheguei perto da minha cunhada.
–Naruko-chan! — Ela me mostrou um largo sorriso e me abraçou. — Como está seu bebê? — Pôs a mão sobre minha barriga.
–Vai bem. — Sorri. — Mas Hinata, faz mais de um mês que o Boruto nasceu, por que você ainda não foi para casa?
–Apesar dele ter nascido com 9 meses, ele nasceu prematuro, com saúde, mas nasceu longe do peso ideal... — Explicou. — Mas voltamos hoje a noite.
–Que bom. — Sorri.
–Oi Hinata. — Meu marido finalmente se pronunciou.
–Oi Itachi. — Acenou para ele. — Finalmente você veio.
–É, o trabalho deu uma folguinha. — Riu baixinho. — E o Boruto? A cara da mãe ou a do pai?
–Do pai. — Respondemos em uníssono.
–Nossa, deve ter nascido um moleque feio pra cacete.
–Itachi! — O repreendi rindo. — Naruto e eu somos gêmeos!
–Fraternos. — Me deu um selinho. — Você é perfeita.
–Meu rosto tá queimando. Tem alguém falando mal de mim. — Meu irmão apareceu com a mão na bochecha. — Finalmente meu cunhado apareceu!
–Oi Naruto! — Se aproximou do loiro. — Então esse é meu sobrinho... — Falava do bebê nas mãos dele.
–Sim. É lindo, né? A cara do pai. — Como é narcisista...
–Só porquê é loiro e tem bigodes? Ele é a cara da Hinata, isso sim. Até o formato dos olhos é igual. — Passou os dedos nos cabelos da criança. — Por falar nisso, cadê minha princesa?
–Foi ao banheiro. — Dito isso a ruiva apareceu. — Olha só quem tá aqui!
–Titio! — Correu para os braços de Itachi e o abraçou. — Você veio!
–Como você tá?
–Tô bem! E você?
–Ótimo!
–Tia Nana! — Correu para os meus braços e pediu colo.
–Desculpa Akemi. — Flexionei os joelhos para frente e me inclinei para ela. — Não posso pegar peso.
–As mesmas desculpas da mamãe. — Cruzou os braços indignada fazendo bico, uma fofura. — Por falar nisso, você tá enorme tia! Aposto que anda comendo igual a mamãe! Vai explodir desse jeito...
–Akemi. — Repreendeu a morena.
–Eu vou parar de comer então. — Ri. — Como você está sendo com seu irmãozinho?
–Ótima! Mas ele é muito pequeno!
–Você já foi assim também.
–Mentira, sempre fui grande! Né mamãe?
–Sim, você sempre foi enooorme! — Sorriu ela.
–Não conte mentiras para ela. — Naruto pegou a filha no colo.
–Naruto, cadê o Boruto? Ele não estava no seu colo? — Indagou sua esposa.
–Olha ali. — Apontou com a cabeça para uma direção e com um sorriso brincalhão em seus lábios.
Acompanhei o gesto que meu irmão fazia e encontrei meu marido sentado num sofá segurando o meu sobrinho desajeitadamente nos braços. Boruto puxava os cabelos dele e ria feito bobo.
Aproximei-me daquela cena e não pude conter um sorriso ao vê-los daquela forma.
–É tão frágil... — Riu ele. — Sinto que vai quebrar a qualquer momento...
–Olha só pra você. — Ri enquanto tomava a criança de seus braços. — Tão feliz por um filho que nem é seu...
–Eu quero logo que o nosso nasça, mas parece que janeiro não chega nunca! Não aguento mais esperar... — Repousou sua cabeça sobre minha barriga.
Fiz um gesto para que Akemi viesse até a mim e coloquei Boruto em seus braços, a mesma caminhou com o irmão até os pais.
Acariciei os cabelos de meu marido que parecia feliz e escutava nosso filho se mexer.
–Não precisa ficar ansioso. — Ri. — 4 de janeiro é minha cesariana...
–Vai demorar... — Resmungou.
–Bobo.
Nós dois nos despedimos deles e fomos para a nossa viagem. Eu senti que Itachi estava diferente após aquela visita, ele parecia mais ansioso que antes.
Eu passei o caminho todo dentro daquele carro o encarando e segurando sua mão que estava fria. O olhar dele parecia distante naquele trânsito.
–O que você tem? — Resolvi perguntar.
–Nada. — Sorriu. — Por que a pergunta?
–Você tá ansioso com alguma coisa...
Ele me encarou com um sorriso pensativo e soltou um suspiro. — Não tem como eu esconder nada de você... — Dito isso, ele saiu do sinal e soltou outro muxoxo. — Eu tô com medo.
–De quê?
–De ser pai.
Não consegui disfarçar e minha voz saiu trêmula. — Como assim?
–Eu mal consigo segurar uma criança nos braços... — Riu. — Viu como segurei o Boruto? Por mais que eu esteja ansioso, não estou preparado.
–Esse é apenas o seu medo?
–Não. — Soltou minha mão e apertou o volante. — Não estou preparado para o sentimento que vai vir depois... Eu me senti um homem muito feliz segurando uma criança que nem fui eu que fiz, imagine meu filho, eu não estou preparado para esse sentimento... Mas quero muito senti-lo... — Me olhou de esguelha. — Eu quero ver o rosto dele, ensinar muitas coisas, dizer o que é certo e o que é errado, dar conselhos, ensinar a andar, a falar "papai"... Eu quero muito saber tudo isso, mas estou com medo. — Suspirou. — Tenho medo do que vou fazer, do que vou ensinar, do que vou falar... Tenho medo que não seja um bom pai.
–Itachi. — O cortei pegando novamente em sua mão. — Tenha mais confiança! Eu falei isso uma vez pro meu irmão quando Hinata entrou em trabalho de parto: você só precisa pensar no agora. Você está pensando muito no futuro. Seja um bom pai agora, seja um homem agora, não espere pelo amanhã, seja agora o que você quer ser no futuro. Deixe que o tempo lide com isso, o que tiver que acontecer vai acontecer. — Passei a mão em seus cabelos. — Entendeu? Não precisa ficar preocupado...
Ele mostrou um sorriso e beijou minha testa murmurando um pequeno "obrigado". Ele entendeu o que eu disse e tomou aquelas palavras para ele, mas em seus olhos, eu ainda via ansiedade.
–Tá ansioso com o que agora?
–Eu não sei. — Realmente, ele não sabia. — Eu tô sentindo alguma coisa no meu peito, não sei o que é, mas estou sentindo.
–É bom ou ruim? — Indaguei.
–Acho que é bom, eu acho. — Suspirou. — Eu tô sentindo que não devíamos fazer essa viagem.
–Então é um mal pressentimento... Vamos voltar. — Apertei sua mão.
–Não, não é. — Negou com a cabeça. — É algo muito bom, mas eu tô sentindo que não é para fazermos essa viagem... Como pode? — Me perguntou visivelmente confuso. — Tô preocupado, mas quero saber que sentimento é esse.
–Curiosidade matou o gato. — Bufei. — Você disse isso, agora estou preocupada também...
–Ei! — Puxou minha face para que repousasse a cabeça sobre seu ombro. — Não importa o que aconteça, estarei sempre do seu lado.
Segurando a mão dele daquele jeito e o mesmo dizendo aquelas palavras tão reconfortantes, me fazem sentir que realmente está tudo bem.
Chegamos ao nosso destino e retiramos as coisas do carro, era um pequeno sítio bem longe da cidade, o celular nem pegava.
–Que lugar é esse? — Perguntei enquanto fechava minha blusa, estava bem frio.
–É um sítio do meu falecido avô. — Sorriu. — Ele deixou isso de herança para o filho, meu pai no caso. Queria mostrar pra você...
–É lindo... — Sorri. — É tranquilo e silencioso... Bem melhor do que aquele ar bruto da cidade...
–Espero que você consiga relaxar um pouco. — Alisou meus cabelos.
Entramos naquela casa simples, demos uma arrumada básica e colocamos nossas coisas.
–Bora almoçar? — Disse ele enquanto colocava um avental preto.
–Ai que visão linda! — Bati palminhas. — Você tá muito sexy nisso aí!
–Palhaça. — Fez uma careta infantil. — Hoje eu sou o homem da cozinha. — Apontou a concha para mim.
–Vai conseguir?
–Querida, eu sou o mestre das facas. — Sorriu de canto. — Senta aí e aprecie.
Devolvi o mesmo sorriso e fiz o que ele pediu. Foi divertido vê-lo cozinhando, ele cortou o dedo várias vezes e ficou fazendo drama por causa de cortes que sequer saíam sangue. Depois de vários curativos (desnecessários), ele quase teve um chilique quando uma minúscula gota de óleo quente respingou no braço dele.
–Ah! Inferno!
–Calma Itachi! — Eu tentava acalmá-lo, mas eu ria feito louca. — Foi só uma gotinha.
–Caramba! Cozinha não é de Deus! Por que mulher faz trabalho sofrido?!
–Vocês, homens, que fazem drama pra tudo. — Gargalhei. — Mas o que você tá cozinhando?
–Fui fritar batata e essa desgraça espirrou em mim!
–É por causa do gelo. — Expliquei. — Isso é completamente normal.
–Não comigo! — Comecei a rir da indignação dele.
Demorou, mas a comida havia ficado pronta. Estava uma delícia e de lamber os dedos, Itachi estava cada vez melhor na cozinha. Apesar de serem coisas simples, como arroz, batatas com bife acebolado, o almoço estava divino.
Passamos o resto da tarde dançando, cantando, assistindo filme... A hora naquele local simplesmente não parecia que passava. Tinha uma piscina no local e nadamos cantando "All of me", um clima perfeito!
Olhamos as estrelas, estava ridiculamente escuro naquele local, não havia iluminação nenhuma e eu mal enxergava dois palmos diante do nariz, mas na casa, ao menos isso, tinha iluminação. Bem fraquinha, mas tinha.
Era por volta das 2h15min da manhã que eu fui tomar meu banho para dormir. Não tinha chuveiro elétrico então tomei frio mesmo... Oh vida! Mas eu achei estranho quando eu comecei a fazer xixi do nada, tentei segurar pois odeio fazer isso no box, mas foi impossível, me sentia fazendo nas calças. Saiu bastante, eu não sabia que estava tão apertada assim... Que estranho...
Sai do banheiro já arrumada com minha camisola e meu cabelo num rabo de cavalo alto mal feito. Meu marido estava esperando para tomar o dele.
Estava indo dormir quando senti uma dor no meu abdômen. Gases? Não podia ser, a dor tinha aumentado.
Deitei-me na cama, mas nenhuma posição resolvia meu incômodo, a única que ajudava era quando eu ficava de quatro, mas era impossível eu dormir naquela posição. E a dor só aumentava.
Resolvi dar uma caminhada pela casa, estava ajudando, foi até relaxante. Andei mais um pouquinho antes de chegar no quarto, mas enquanto passava pelo corredor, eu não aguentei mais e sentei no chão.
Aquela dor imensa começou a aumentar, eu não sabia se apertava, latejava ou sei lá o quê! Doía, e doía muito!
Tentei mais uma vez levantar-me e não consegui. O intervalo de dores havia aumentado, sem saber o que fazer gritei.
Sem resultado, mas percebi que o chuveiro havia sido desligado, tentei mais uma vez, agora chamando por ele.
–ITACHI! — Não demorou 2 segundos e ele já veio correndo em minha direção com a toalha na cintura.
–O que foi?! Você caiu? — Aquele cômodo mal iluminado não me permitia ver com clareza, mas o pequeno feixe de luz que vinha do banheiro me mostrava nitidamente que ele estava pálido.
–Não, me ajuda... — Segurei em sua mão, só então percebi que estava trêmula.
–O que você tá sentindo? — Me perguntou, embora fosse óbvio.
–Dor, dor, dor. — Era tudo o que conseguia pensar. — Aqui. — Apontei com o dedo e ele me pareceu mais preocupado ainda.
–Naruko, você tá sentindo isso a quanto tempo?
–Uns 20 minutos.
–Percebeu algo estranho antes disso?
–Xixi.
–Como?
–Foi estranho, eu tava no banheiro e fiz contra minha vontade...
–Muito?
–Muito.
–Meu Deus! — Ele levantou-se com a mão na boca e olhou para o celular. — Sem sinal.
–O que foi? Descobriu o que eu tenho?
–Venha. — Ele me pegou em seus braços e caminhou comigo até o quarto e me colocou na cama.
Virou as costas, pôs uma cueca e uma bermuda e tornou a me encarar acariciando meu rosto. Aquilo estava bom e confortável, mas logo a dor me acertou novamente.
–Itachi. — O chamei baixinho. — Me ajuda...
Ele me encarou seriamente. — Naruko, sua bolsa estourou.
Eu ouvi aquelas palavras e não pude acreditar. — Como assim? Eu estou de 8 meses!
–Mas seu corpo já quer expulsar a criança.
–Será que não são contrações de treinamento? Aconteceu a mesma coisa mês passado... Mais fraco, mas aconteceu.
–Você disse que urinou contra sua vontade e muito, aquilo significa que sua bolsa rompeu, sem contar que muito provavelmente era transparente e você está sentindo cada vez menos intervalos entre as contrações. — Me explicou.
Meu Deus, fazia tudo sentido. Realmente a cada minuto eu sentia mais dores. — Não, não pode ser. — Comecei a chorar. — Eu tô com medo.
Ele me abraçou fortemente e senti que sua respiração estava acelerada, afagou meus cabelos e apertou minha mão.
Beijou minha testa e me encarou completamente decidido. — Eu farei, ou melhor, faremos juntos...
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