Notas iniciais
Oiee! Feliz Páscoa gente!!! Eu corri muito muito pra postar esse capitulo hoje, porque tinha gente me pedindo (as vezes eu consigo atender pedidos gente kkkk) Então... não é chocolate, mas vamos torcer pra ser doce (sim, isso foi uma piada ruim kkkk) A música tema desse capitulo é "The Wreck of Our Hearts", e dá pra ler ouvindo só ela, mas duas outras músicas serão diretamente citadas, e como uma vem na versão cover, eu vou deixar o links de todas nas notas finais e no trechos correspondentes. Boa Leitura!

Há um quarto frio e vazio
Há uma janela sem vista
Há um eu sem você
Mas não é a isso que eu pertenço
The Wreck of Our Hearts – Sleeping Wolf

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A casa ficava no fim da rua, em uma subida, calma e cheia de outras residências igualmente nobres, que Bucky atravessou com a Harley Davison sem o menor problema. Era uma construção de dois andares, com janelas grandes e uma entrada bem cuidada. Podia ouvir a música e as risadas vindas do quintal traseiro e, bem ali na calçada, destoando de todos os outros veículos caros da rua, estava o carro de Gus.

Então, sim, eles todos provavelmente estavam ali, no que devia ser uma festa.

Perdeu um pouco da coragem e determinação, não era um bom ambiente para falar com Savannah, talvez o mais sensato fosse esperar que ela voltasse para casa...

Não... Não podia esperar mais.

Deixou a moto ali e cortou o gramado pelo caminho de ardósia, parou em frente a porta e respirou fundo, apertando a campainha sem saber se seria ouvido por alguém.

Demorou pouco mais de dois minutos para que a porta se abrisse e Sierra encostasse no batente com uma expressão calma no rosto.

— Oi... — Bucky disse sem-graça, ele não estava preparado para dar de cara justo com ela e na verdade não sabia o que a garota tinha que lhe deixava um tanto intimidado.

Talvez fosse a possibilidade de Savannah estar com ela outra vez...

— Você veio. — Sierra saudou e moveu os lábios em um sorriso compassivo.

Só então Bucky se deu conta que aquela casa só podia ser dela. E ele estava ali sem ser convidado pela dona do lugar.

— Abby me mandou uma mensagem e... — Ele apontou totalmente sem-jeito, mas foi interrompido.

— Não foi a Abby, ela já está muito distraída pra pensar em mensagens. — A loira deu de ombros. — Fui eu.

Bucky franziu as sobrancelhas tentando processar aquela verdade e conectá-la com a mensagem sobre segundas chances. De fato, as palavras não tinham muito o jeito de Abigail.

— Os meninos queriam comemorar, mas não queriam problemas com os vizinhos já no primeiro dia. Então viemos aqui pra cá. — Sierra explicou, abrindo mais a porta e dando um passo para trás, assim o caminho ficava livre para que Bucky entrasse.

Ele hesitou, mas finalmente cruzou o batente, parando no meio do hall sem saber ao certo o que fazer a seguir. Não queria que aquilo fosse estranho, mas era...

— Olha... isso vai ser meio bizarro e constrangedor, porque não somos amigos e mal nos conhecemos. — Sierra fechou a porta e começou em um tom decidido. — Mas eu gosto de pensar que vamos ser amigos um dia, então eu vou te dar um conselho antecipado, pode ser?

Bucky morreu a cabeça devagar, estava pronto pra ouvir alguns verdades, ele merecia afinal... Além disso, com a reconciliação das duas, Sierra tinha o total direito de pedir que ele se afastasse.

— Você não pode deixar o dia amanhecer, brigado com alguém que é importante pra você. — Ela declarou, e Bucky franziu as sobrancelhas, porque realmente não era o que esperava ouvir. — Dizem que o tempo cura, mas algumas vezes o tempo só serve pra cultivar uma mágoa que vai crescendo sem controle. Palavras erradas na hora errada, podem se tornar uma grande maldição com o tempo. Coisas que podiam ser resolvidas com uma simples conversa, se tornam uma erva daninha que só cresce com o passar dos dias e, no fim, o que saiu pela boca não tem peso, mas aquilo que entrou pelos ouvidos e criou raízes no coração, vira um trauma que pode destruir tudo de bom ao redor.

Sierra foi calma e gentil no que disse, mas Bucky sentiu o impacto de cada palavra. Era um bom conselho.

— Eu... — Ele tentou dizer, mas foi interrompido de novo.

— Savannah está lá embaixo, na sala de música. — Sierra apontou a porta abaixo da escada que ficava a esquerda. — As cervejas estão na geladeira, sinta-se em casa.

Apesar das palavras sérias ela parecia leve e descontraída.

— Obrigado. — Fui tudo que Bucky conseguiu dizer.

Sierra sorriu e seguiu no sentido oposto, provavelmente em direção a festa que acontecia na parte de trás da casa.

Ainda sem ter muita certeza do que faria a seguir, Bucky dispensou a cerveja e foi direto para a porta abaixo da escada... E se fosse tarde demais? Reunindo toda sua coragem ele girou a maçaneta, se fosse tarde demais ele teria que descobrir de uma vez...

A primeira coisa que percebeu foi a mudança de som, aquele que vinha de fora não entrava, e ali dentro, enquanto descia os primeiros degraus, os toques das notas de um piano preenchiam o ambiente. Era um tipo de porão com isolamento acústico, isso ficou bem claro.

Desceu mais alguns degraus e o ambiente se abriu em uma sala de música com algumas caixas de som e instrumentos. Mas nada disso chamou mais a atenção que os fios ruivos de Savannah, que estava sentada na frente do piano de costas para a escada.

O coração de Bucky errou três batidas e a respiração dele ficou presa na garganta quando a voz melodiosa se espalhou por ali...

Amor da minha vida, você me machucou
Você partiu meu coração
E agora me deixa

Amor da minha vida, você não vê?
Traga de volta, traga de volta
Não tire isso de mim
Porque você não sabe
O que significa para mim...

Ela continuou a dedilhar o piano, o coração de Bucky pesado no peito, talvez pela letra da música, talvez por ter percebido o quanto tinha sentido falta de Savannah naquelas poucas horas. Estava parado naquele mesmo lugar da escada, mas todo seu corpo implorava por ela, não de uma forma sexual, era mais que isso, era como se cada átomo de Bucky precisasse de Savannah para funcionar direito. Ele queria envolver o corpo dela e sorver seu perfume...

Quão insano isso era? Sentir falta de alguém daquele jeito por causa de algumas poucas horas?

Desceu mais um degrau. Ainda não sabia o que dizer ou que o fazer, só sabia que precisava ficar mais perto dela...

Savannah dedilhava o piano com o coração pesado, pelas últimas horas sua mente era um compilado de pensamentos desconexos, todos eles sobre James Barnes, queria conversar com ele, mas sabia que tinha que esperar que ele estivesse aberto a isso. Porque aquela saída repentina do Sargento ainda era algo que não conseguia entender...

Por isso “Love Of My Life” do Queen era tão apropriada para o momento.

— É uma música muito bonita... — A voz conhecida fez o coração de Savannah disparar e seus dedos tremerem tanto que a canção foi repentinamente cortada em uma nota errada. — Triste, mas bonita.

Savannah ouviu o primeiro passo, quis se virar imediatamente, mas uma parte de si temia que não fosse verdade. Suas mãos escorregaram do piano, enquanto seu coração batia fora do ritmo de uma forma tão intensa que a ponta dos seus dedos formigava.

Ouviu outro passo, ou talvez tenha sentido a aproximação com a perfeição de quem sente frio ou calor. Ele estava mesmo ali?

— Savannah... — O timbre rouco e baixo fez com que ela fechasse os olhos e suspirasse, os pulmões exalando o alivio de quem não respira a horas... a falta que sentia dele era tão intensa que a dor parecia física.

— J... — Engoliu as letras antes que formassem a palavra e corrigiu. — Bucky...

Ele não avançou mais. Savannah abriu os olhos e virou a cabeça minimamente, não o suficiente para que se vissem, mas o bastante pra que notasse que ainda havia uma grande distância entre eles. Muito mais do que ela gostaria.

É claro que estava magoada, ele tinha ido embora do nada, mas de todas as realidades terríveis que tinham povoado seu pensamento naquelas horas, as piores James tinha dispersado apenas por estar ali.

Porque o primeiro pensamento de Savannah foi que ele simplesmente sumiria no mundo...

— Gus disse que você teve que resolver uma coisa... — Ela comentou, colocando as mãos de volta no piano, mas não tocando qualquer tecla. — Eu sei que você não pode me falar o que é, mas todo mundo está bem? Alguém se feriu?

Apesar do primeiro pensamento, a preocupação central de Savannah tinha se tornado aquela, porque podia superar o fato de que ele simplesmente partisse de uma hora para a outra, partiria seu coração nunca mais vê-lo, é claro, mas pensar que ele podia se ferir em alguma daquelas missões foi vinte vezes pior.

Porque se algo acontecesse com James... Savannah sequer conseguia pensar nisso.

— Está todo mundo bem. Não era esse tipo de coisa que eu tinha que resolver... Era só informação. — Ele respondeu e Savannah suspirou aliviada. — Desculpa, não pensei que ficaria preocupada.

Ela não respondeu, havia um nó em sua garganta, seus olhos ardiam e seu coração bombeava medo por todo seu corpo. Savannah tentou reprimir um certo pensamento o dia todo, mas agora que estavam ali, tão perto e tão longe, ela não conseguia mais conter isso... Porque se James estivesse ali para dizer que não podiam mais ser amigos ela não... não saberia o que fazer.

Não queria dizer adeus...

Queria ter controle sobre isso, sobre todos os pensamentos ruins e irracionais, mas fazia muito tempo que não tinha que lidar com essa parte de si mesma e simplesmente não conseguia conter a sensação de que tudo estava desmoronando.

Sabia que era apenas uma crise de ansiedade, mas saber não tornava mais fácil passar por ela, saber não a fazia sentir menos fraca ou confusa... E talvez por isso não tivesse qualquer coragem de encarar James naquele momento, porque se ele partisse o coração dela, da forma que os pensamentos ruins previam, Savannah sabia que desmoronaria.

— Podemos conversar? — O ouviu questionar e respirou fundo. Moveu a cabeça de forma positiva e escorregou mais para o lado do banco comprido em que estava sentada, abrindo espaço para ele.

Sim, estava com medo de um fim trágico para aquela conversa, mas não fugiria dela, James não merecia isso. E Savannah nunca fugiria dele, por mais que isso significasse o risco de um coração partido...

Bucky tremia, se aproximou em direção ao banco, mas não tinha qualquer certeza de que um pedido de desculpas adiantaria alguma coisa. Savannah parecia tão distante...

Ele se sentou finalmente, de costas para o piano, mas ao lado de Savannah, foi quando ela virou o rosto e os olhos enfim se encontraram e, por um número incontável de segundos, nenhum deles disse nada.

Queria saber o que se passava na mente dela, talvez assim todas as palavras certas seriam ditas e Bucky consertaria as coisas. Porque aquilo... a distância estranha entre eles, mesmo que estivessem lado a lado, parecia errada e dolorida demais. Não era assim que as coisas deviam ser.

— Eu... — Savannah engasgou com as palavras e respirou fundo.

— Posso falar primeiro? — Bucky a interrompeu, mesmo que ainda não soubesse o que dizer.

Qualquer frase que ele montava em sua mente parecia insuficiente.

Savannah assentiu devagar, ele teve o impulso bobo de apenas cortar os centímetros restantes e colar os lábios nos dela, como se isso pudesse mesmo resolver tudo. Mas não seria justo ou honesto fugir das palavras que precisavam ser ditas, aquilo não seria consertar as coisas, seria apenas mascarar a situação.

Além disso Savannah e Sierra provavelmente estavam juntas outra vez... Devia respeito as duas em primeiro lugar.

— Me desculpa, eu fui idiota e estúpido. Eu nunca quis te magoar. — Disse finalmente, mas aquilo parecia tão pouco comparado ao que sentia de verdade.

Savannah piscou devagar e suspirou, quase como se exalasse alivio.

— E eu fui muito dura e intransigente. — Ela devolveu sem tirar os olhos de Bucky. — Ele é seu amigo e eu devia ter respeitado isso, eu vou respeitar. Me desculpa ofender a memória dele. E me desculpa, de verdade, por ofender você.

Não esperava que ela fosse dizer algo como aquilo, honestamente não achava que ela precisava se desculpar.

— Você não me ofendeu. — Ele foi honesto sobre isso. — Você não disse nenhuma mentira sobre mim.

Savannah podia exagerado sobre Steve, ou não, dependendo do ponto de vista, mas Bucky sabia que ela tinha sido certeira no que disse sobre ele... Porque o Soldado de fato amava Steve demais, e a si mesmo de menos.

— Eu não tinha o direito de dizer isso, sinto muito. — Ela reforçou, mas Bucky negou várias vezes.

— Foi minha culpa. Eu disse coisas que... — Ele respirou fundo, sem encontrar as palavras certas. — Eu realmente sinto muito, sei que fui injusto com você, e só não... não quero que pense que...

Porque era tão difícil encontrar o jeito certo de dizer as coisas?

— Tudo bem, eu entendo. — Savannah anuiu devagar, Bucky viu que ela moveu a mão, mas não chegou a tocá-lo de fato, quase como se não soubesse se devia fazer isso... — Eu disse coisas que não devia também, e eu sinto muito por isso.

— Eu... — Bucky respirou fundo, sua garganta entalada de coisas não ditas que ele não conseguia colocar em palavras que fizessem sentido.

— Não precisamos falar disso, está tudo bem, sério. — Savannah lhe ofereceu um sorriso compassivo, então se colocou de pé, quase como se estivesse impaciente demais para ficar sentada.

— Não, não está. — Bucky devolveu, porque sabia que meias palavras não resolveriam nada de verdade. — Eu não quero que você pense que não dou valor para as coisas que você fala, ou que eu acho você uma garotinha dramática, eu juro que não é isso, é só que naquela hora eu...

— Você estava protegendo seu melhor amigo. — Savannah completou de forma neutra, enquanto gesticulava. — Eu entendo. Sério. Eu não entendi naquele momento, mas eu entendo agora, eu sei que ele é importante pra você. Não precisa me pedir desculpas.

Bucky esperou que ela se calasse e que os olhos deles se encontrassem outra vez, então respirou fundo, tentando ignorar o bater incessante dentro de seu peito.

— Eu preciso pedir, sim, porque você é importante pra mim também, Savannah — Declarou com honestidade e viu o exato instante em que ela prendeu a respiração, sem que azuis e avelãs se separarem por um só segundo. — E eu não quero te perder...

Savannah franziu as sobrancelhas minimamente e se aproximou dois passos.

— Você não vai me perder. De onde você tirou isso? — Seu tom de voz era confuso e ao mesmo tempo compassivo. — Tivemos uma discussão, é normal, já passou.

Barnes respirou fundo e encarou o chão por alguns momentos, queria ceder ao alivio que as palavras traziam, mas sua mente ainda não estava pronta pra isso.

— Você está me chamado de Bucky... — Argumentou, em um meio sussurro. Algo assim não devia lhe incomodar, mas incomodava...

Ergueu os olhos e viu Savannah sorrir de canto um tanto sem-graça e então assentir devagar, antes de dar alguns passos para voltar a se sentar ao lado dele.

— Achei que você gostava de Bucky. — Ela moveu os ombros como se fosse nada demais e os dois se observaram por alguns segundos.

Aquele desejo de apenas beijar a boca dela estava lá outra vez e Bucky não fazia ideia de onde vinha esse impulso inoportuno.

— Não gosto quando vem de você. — Ele confidenciou, tirando os olhos dela para encarar um ponto qualquer do cômodo. — E eu também não gosto quando você me evita...

Eu estava te evitando? — Savannah repetiu com um tom claro de surpresa na voz. — Você sequer olhava pra mim.

Então ela tinha reparado... Bucky engoliu em seco e assentiu algumas vezes, respirando fundo e encarando os próprios pés.

— Eu te fiz chorar, como você queria que eu olhasse pra você depois disso? — Soprou as palavras tão baixo que sequer sabia se Savannah seria capaz de ouvi-las.

— Eu sou chorona, achei que depois de assistir tantos filmes comigo você já soubesse. — Ela respondeu em um tom leve, usando o próprio ombro para empurrar o de Bucky amigavelmente. — Eu não estava evitando você, sério mesmo.

— Você não atendeu as minhas ligações. — Bucky ergueu a cabeça e viu Savannah franzir as sobrancelhas.

— Você me ligou? — Ela levou a mão ao bolso do shorts imediatamente, tirando primeiro a chave do próprio apartamento e a colocando em cima do piano, para depois pegar o celular e analisar a tela por alguns segundos, antes de colocar o aparelho no bolso outra vez. — Me desculpa, você sabe que meu celular fica sempre no silencioso. Eu não vi.

Sim, Bucky sabia, e honestamente não entendia a utilidade do aparelho se ele nunca tocava quando necessário...

— E você saiu... Você não queria fica perto de mim. — Ele terminou, engolindo em seco, sabia que não tinha o direito de cobrar nada dela, mas ainda assim era algo que precisava dizer.

Savannah o encarou por alguns segundos, um vislumbre de entendimento passando pelos olhos castanho-esverdeados e Bucky soube que ela tinha percebido que o real motivo pelo qual ele tinha ido embora nada tinha a ver com qualquer missão.

— Eu estava tendo um ataque de pânico... — Ela revelou devagar e então desviou o olhar. — E eu não queria estragar o momento do Gus e do TJ com isso.

— Você está bem? — Bucky perguntou no mesmo instante, se sentindo péssimo por ter deixado Savannah sozinha justo naquele momento. Tudo bem que Sierra saiu atrás dela, mas ainda assim...

— Acontece às vezes, eu não tinha faz um tempo, mas está tudo sob controle. — Savannah explicou como se fosse nada demais, mas Bucky não se convenceu com aquele tom.

— Foi minha culpa, não é? — Perguntou de forma amarga e se colocou de pé, sentindo ainda mais raiva de si mesmo naquele instante.

— Eu me senti sufocada, não é culpa de ninguém... — Savannah deu de ombros e não havia nada nos olhos avelãs que dissessem o contrário disso.

Ela não o culpava.

— Eu sei como é isso... — Bucky disse apenas, afinal tinha sido exatamente por esse motivo que deixou o apartamento apressadamente, sentiu que se não saísse de lá naquele instante não seria mais capaz de respirar...

Deixou que o silêncio reinasse entre eles, foi andando pelo cômodo vendo os instrumentos que haviam ali sem de fato prestar atenção em nada, sentia que ainda haviam coisas a serem ditas, mas não sabia ao certo quais coisas eram ou como dizê-las.

Viu quando Savannah se levantou também e caminhou em sua direção, a proximidade eminente fez com que Bucky se virasse, assim os dois ficaram frente a frente.

— Sinto muito se fiz você se sentir excluído, ou se pareceu que eu estava te evitando. Não foi minha intenção. — Ela declarou, ao dar mais um passo na direção dele, então tocou-lhe o braço de um jeito carinhoso. — Mas você não tem que se preocupar, porque você nunca vai me perder, James...

Bucky não saberia dizer se foi o toque em seu braço por cima da jaqueta, a proximidade confortável que ele tanto ansiava, o “James” nos lábios de Savannah, ou talvez a promessa implícita, mas ele enfim sentiu que os pulmões respiravam da forma correta.

— Às vezes a gente vai discutir por coisas bobas e às vezes vamos ter que nos contentar em concordar em discordar. — Savannah prosseguiu em um tom leve e pausando as palavras para dar ênfase. — Mas você. Não vai. Me perder.

— Eu não quero discutir com você nunca mais. — Bucky soltou as palavras como se fossem uma súplica. — Eu não vou mais falar sobre... você sabe.

Evitou dizer o nome, mas isso foi estranho, trouxe uma sensação ruim que Bucky tentou a todo custo ignorar.

— Eu não quero que você faça isso. — Savannah rebateu imediatamente e o olhou de forma firme e séria. — Eu não quero que você abra mão das suas armas por mim, não quero que você pare de falar do seu melhor amigo por mim, eu não quero que você mude por mim, isso não é certo. Não podemos nos tornar outras pessoas por alguém, não é saudável.

Bucky não esperava que ela dissesse aquilo, porque estava pronto para fazer quantos sacrifícios fossem necessários, por mais que isso fosse parecer estranho, por mais que fosse doer, ele faria pra mantê-la em sua vida, mesmo que apenas como amiga.

Pensou que a discussão que tiveram demandaria uma escolha, mas Savannah não queria isso, assim como ela não quis que ele abrisse mão das armas...

Aquela realidade era estranha para Bucky, porque sempre sentiu que havia uma parte de si que precisava ser suprimida para que fosse aceito, mesmo antes, mesmo quando não tinha sangue nas mãos e gelo nos ossos, sua vida era um sacrificar constante da própria sexualidade, porque ele tinha que se encaixar no mundo que vivia...

Mas Savannah não estava pedindo nada disso, ela nunca pediu, desde o primeiro dia ela nunca fez exigências, nunca houve uma parte de Bucky que ela não aceitou. E ainda era estranho... porque ele sempre pensou que qualquer relacionamento, mesmo as amizades, viriam com o sacrifício subentendido. Abrir mão de partes de si sempre pareceu exigência básica da vida para Bucky.

Mas ali estava Savannah — depois de ter abraçado o Soldado Invernal, depois de ter aceitado com leveza e naturalidade a sexualidade dele — dizendo que mesmo aquelas partes de Bucky, que podiam machucá-la de alguma forma, eram partes das quais ele não devia abrir mão.

Era quase irônico, porque aquela permissividade de Savannah podia soar como algo ruim, afinal Barnes tinha seu lado negro, e ela nunca pediu que ele abrisse mão disso, mas era justamente Savannah Devenport quem o impelia a ser melhor.

E por isso não podia perdê-la de forma alguma. Porque não haveria nenhuma outra pessoa como ela no mundo, mesmo que Bucky vivesse mais cem anos apenas para procurar.

— O ponto é que às vezes a gente vai discordar. De vez em quando não vamos gostar da mesma pessoa... Vamos entrar em conflito por razões bobas e às vezes vamos ficar bravos um com o outro, mas tudo bem... Somos pessoas diferentes, e isso é bom. Lembra? Somos peças de um quebra-cabeças e nenhuma peça é igual a outra, exatamente por esse motivo elas se encaixam — Savannah declarou, relembrando a conversa que um dia tiveram no telhado do prédio vizinho. — O importante é que a gente se respeite e saiba reconhecer quando passarmos do ponto, assim podemos conversar e acertar as coisas, como estamos fazendo agora. Porque ninguém nasce sabendo tudo, James, principalmente quando se trata de conviver com outras pessoas. Às vezes, por mais que a gente tente fazer o melhor, vamos cometer um erro. No fim, o que conta de verdade, é se vamos aprender com isso e ser melhores.

Ela sorriu, um daqueles sorriso-sol que Bucky tanto adorava e todo o coração dele pareceu bater de forma mais leve.

— Cometemos um erro hoje, eu e você, erros diferentes na forma como lidamos com o mesmo assunto. Mas isso não significa que você tem que abrir mão de alguém ou de parte de você por mim, assim como não seria certo se eu fizesse isso por você. — Savannah continuou e deu alguns passos para trás enquanto gesticulava. — Nós somos quem somos, com qualidades e defeitos. E isso inclui eu, comprando brigas que não são minhas, tomando as dores que eu acho que as pessoas deviam sentir e protegendo meus amigos. É isso que eu faço. E você é meu amigo, James...

O mover de ombros calmo que ela deu passou despercebido por Bucky, porque o primeiro pensamento que cortou a mente dele foi: Eu não quero ser apenas seu amigo...

Não foi algo premeditado, apenas surgiu, um pensamento solto, mas muito firme, que fez com que o Sargento engolisse em seco e guardasse aquelas palavras para si mesmo.

Sam tinha dito para que ele lutasse por Savannah, e Bucky até queria fazer isso, mas se ela estava com Sierra, isso seria justo? Não... Barnes não podia olhar para todo o sol que Savannah era e então pedir que ela abrisse mão de algo que a faria feliz. Porque Sierra era boa.

Não seria certo fazer nada que estragasse isso...

— E eu sei que você não precisa, porque você é a pessoa mais forte e foda que eu conheço. — Savannah continuou, totalmente alheia ao que se passava na mente de Bucky. — Mas eu sempre vou tentar te proteger, mesmo quando não for realmente necessário. Porque é isso que eu faço, não posso evitar.

Ela riu de canto da forma mais doce e leve possível, porém a palavra “amigo” ainda perturbava a mente de Bucky de maneira tão incomoda que ele sequer pôde apreciar aquele momento.

Não era ruim... claro que não era, desde que Savannah estivesse em sua vida nunca seria ruim... Mas “amigos”, depois de ter provado os lábios dela e sentido o calor do corpo quente na ponta dos dedos, parecia tão... insuficiente.

Contudo Bucky aceitou isso, porque no fundo sentia que não merecia mais. Disse a Steve que queria descobrir como era ter sentimentos correspondidos, mas a verdade é que não acreditava que algo tão bom realmente pudesse acontecer em sua vida... Estava acostumado a não ter o que desejava, por isso acreditou e aceitou tão facilmente a possibilidade de Savannah e Sierra estarem juntas.

Era assim que as coisas eram... Respirou fundo e tentou focar na conversa.

— Eu tinha preparado um discurso muito bom, mas os seus sempre vão ser melhores e mais sensatos. — Lançou em um tom leve e conseguiu um sorriso-sol de presente.

— Você tinha preparado um discurso? — Savannah questionou divertida.

— Na verdade não, eu estava improvisando tudo. — Bucky riu de canto e ela negou algumas vezes, enquanto o som de sua risada jovial se espalhava pelo cômodo, indicando que tudo estava bem outra vez.

Savannah se virou em direção ao banco em frente ao piano novamente, mas o Sargento ainda sentia que devia dizer alguma coisa...

— Eu só queria que você soubesse que eu sinto muito mesmo por ter te magoado, e que eu vou tentar nunca mais fazer isso outra vez. — Declarou, sendo honesto em cada palavra e ganhando a atenção de Savannah outra vez. — Você é a melhor coisa que me aconteceu nesse século e eu não quero estragar isso.

Ela ficou exatamente onde estava, parada na frente do banco, com os olhos em Bucky, foram quase cincos segundos de silêncio, Savannah parecia prestes a dizer alguma coisa, mas não disse, suas bochechas ficaram adoravelmente coradas e ela por fim desviou o olhar

— Caralho, um século é muito tempo... — Riu claramente sem-jeito, arrumando alguns fios ruivos atrás da orelha.

— Eu sou velho... — Bucky moveu os ombros como se fosse nada de mais, porém seu coração estava disparado de uma forma atípica e ele teve que esfregar a mão direita nos jeans, porque suava frio.

Savannah ergueu os olhos, Barnes desejou que aquele momento fosse gravado, para ser reassistido um milhão de vezes, porque o sorriso que ela deu... devia estar um museu. Observou enquanto ela cortava a distância entre eles passo a passo, até que não houvesse nada além dos braços femininos ao redor do seu pescoço e o corpo de Savannah colado no seu, em um abraço que parecia ter sido aguardado por mais de um século.

Bucky correspondeu de imediato, envolvendo o corpo de Savannah e afundando o rosto no cabelo macio dela, sorvendo o perfume de mel e frutas vermelhas que ela tinha, como se isso fosse o néctar da felicidade, uma poção mágica que curaria qualquer doença terminal.

— Não precisa se preocupar, você não está estragando nada, James. — Ela murmurou, com o rosto encaixado na curva do pescoço dele.

Bucky a apertou um pouco mais, desejando parar o tempo naquele exato instante, onde nada mais importava a não ser os dois ali, juntos. E isso soou tão piegas, mesmo que apenas dentro de sua própria mente.

Quando se afastaram, Savannah tinha um sorriso leve que fez com que os olhos azuis focassem nos lábios dela. Seria estúpido dizer que Bucky teve o impulso repentino de beijá-la, porque na verdade aquele desejo estava ali, presente e latente, desde o segundo em que desceu as escadas e pisou naquele cômodo.

Ele tocou o rosto delicado com a mão direita, deslizando os dedos até que os infiltrasse nos fios ruivos e puxando Savannah um pouco para mais perto de si, sem que houvesse qualquer resistência, então seus lábios tocaram a testa de Savannah de modo suave e lento.

Claro que queria beijar a boca dela, talvez fosse aquilo que mais desejasse naquele momento, no entanto não parecia uma atitude honesta. Savannah estava comprometida com outra pessoa.

Uma boa pessoa.

— Acho que eu devia subir e dize “oi” para o pessoal. — Ele se afastou alguns passos, sabendo que ficar ali embaixo sozinho com Savannah naquele momento não seria uma boa ideia.

Ela pareceu confusa, franziu as sobrancelhas com aquele afastamento repentino, mas acabou sorrindo depois de alguns segundos.

— Eu vou com você. — Decidiu com a casualidade e o bom-humor que lhe eram inerentes.

Bucky assentiu e os dois subiram as escadas em silêncio, assim que Savannah abriu a porta a música animada tomou conta de tudo. Se Bucky fosse honesto, não estava muito no clima de uma festa, mas sabia que devia isso a Gus e TJ, não morreria por ficar alguns minutos...

Caminhou para a parte externa da casa junto com Savannah, ali a música era ainda mais alta e a pequena festa acontecia ao redor de uma piscina, mas não havia ninguém desconhecido, pelo menos isso.

— E aí, Bucky! — Gus saudou animadamente, enquanto Savannah se afastava depois de falar algo que Barnes não ouviu realmente. — Nem sabia que você já tinha voltado.

Deu uma desculpa qualquer e seus olhos procuraram por Sierra, que não estava em parte alguma ali de fora... considerando que Savannah também não, as duas certamente estavam juntas.

Bucky tentou não amargar esse pensamento, focou na voz frenética de Abby, se esforçando para estar ali de corpo e mente.

Aquela era sua nova realidade, Savannah estava comprometida e se queria mantê-la em sua vida teria que aprender a lidar com isso.

— ... e é por isso que eu preciso saber se a gente pode continuar comemorando ou vai rolar outra invasão alienígena? — Pegou uma frase de Abigail pela metade e a viu sorrir de forma inocente, ou quase isso. — É uma curiosidade sem nenhum interesse profissional.

Bucky se permitiu rir quanto entendeu que estavam falando da forma repentina que ele havia saído do apartamento. E claro que a curiosidade de Abigail era sim profissional.

— Está tudo bem, Abby. — Garantiu em um tom apaziguador. — Nada ruim está acontecendo.

Ao contrário do senso comum, Abigail não pareceu feliz com isso, muito pelo contrário, ficou frustrada quase como...

— Parece que você está esperando por uma tragédia intergaláctica, sabe? — A voz calma completou o raciocínio de Bucky e ele ainda pôde ver Abby corar como um tomatinho, antes de focar os olhos em Sierra que vinha acompanhada de Savannah...

Bucky até teve noção que uma conversa paralela iniciou ali, mas no instante que Savannah sorriu, caminhando em sua direção, todo o resto saiu de foco. Ela passou por Sierra e Abby, para parar ao lado dele e entregar as duas latinhas de cerveja que trazia.

Parecia a pior burrice de todas ter passado o dia todo longe dela...

— Duas? — Bucky perguntou, tendo noção que precisava parar de olhar pra Savannah daquela forma.

— Sejamos honestos, eu vou ferrar com o lacre da minha e você vai ter que dar um jeito no fim das contas, só estão me adiantando. — Ela riu, leve e descontraída, mostrando que a discussão era menos que uma lembrança vaga.

Só tinha servido para acabar com o clima em que estavam pela manhã.

Bucky sorriu de canto e abriu as cervejas, entregando uma para Savannah e dando um longo gole na sua, como se isso pudesse levar o gosto amargo de derrota embora.

Gus avisou que algo assim aconteceria, ele foi bem claro sobre um dia Bucky ter que assistir Savannah ser feliz com outra pessoa, o Sargento só não imaginou que isso aconteceria tão rápido...

— Já mandei mensagem para o pessoal. — TJ declarou acima da música, se aproximando da roda malformada em que eles estavam. — Não é uma festa se não tiver gente o bastante.

— Nunca ouviu falar de festa privativa? — Savannah retrucou e Bucky perdeu o foco da conversa novamente quando ela riu abertamente de sua própria piada.

Como alguém podia ser tão linda?

Se comparasse com Savannah de depois da discussão, quando Gu e TJ chegaram ao apartamento, a mudança era evidente e gritante, porque quando ela estava feliz seus olhos diziam isso, o sorriso brilhava e o corpo todo se movia com mais leveza.

Bucky respondeu afirmativamente para uma pergunta que alguém fez, mesmo que não tivesse ouvido de verdade, isso atraiu o olhar avelã para ele em um segundo que parecia fora da realidade e do tempo, porque quanto todo o restante passava frenético Barnes e Savannah estavam paralisados, hipnotizados um no outro.

Ou talvez fosse apenas ele, orbitando ao redor do Sol que ela era, como sempre...

— Ah! É a nossa música! — TJ gritou, mas foi o puxão que ele deu em Savannah que realmente tirou Bucky do transe.

A ruiva foi arrastada, junto com Gus e Abby, para um ponto mais aberto na frente da piscina, enquanto a batida animada da música tomava conta do lugar e a voz de uma garota acompanhava tudo.

Os olhos de Savannah deixaram Bucky, porque TJ demandava atenção, mas o Sargento não foi capaz de focar em nada mais a não ser no corpo feminino balançando e pulando no ritmo das batidas, enquanto os fios ruivos voavam por toda a parte e ela ria junto com os amigos.

— Um brinde ao poder de uma boa conversa. — Sierra parou ao lado dele e ergueu a própria lata de cerveja, então Bucky desviou os olhos da namorada alheia totalmente constrangido.

Fez o brinde por educação e se afastou alguns passos com a loira, em direção a algumas mesas e cadeiras a redor da piscina.

— Valeu por ter mandado a mensagem.... — Agradeceu, puxando uma cadeira para se sentar e evitando os olhos de Sierra, temendo que ela fosse ver o pecado dentro do azul gélido caso o encarasse por tempo o bastante.

— É o que os amigos fazem. — Ela moveu os ombros casualmente e também se sentou, focando os olhos na cena e rindo dos amigos.

— Não vai dançar com eles? — Bucky perguntou, apenas para puxar um assunto qualquer.

— Nada contra Taylor Swift, mas estou velha pra essas coisas. — Sierra respondeu em um tom divertido, mas não desviou os olhos da cena.

Se ela era velha, Bucky seria basicamente um fóssil então... Ele riu desse pensamento, mas nada disse, se limitando a beber mais um gole de sua cerveja, enquanto os outros gritavam os versos da música sem metade da afinação de Savannah, era algo sobre o ódio não fazer de ninguém menos gay...

Antes mesmo da música acabar, August deixou a roda e se aproximou de Bucky e Sierra todo ofegante. Se jogou em uma das cadeiras e a loira ofereceu a ele a própria cerveja.

— Cansou, Gus? — Ela perguntou entre divertida e debochada.

— Não sei de onde TJ tira tanta energia. — August declarou, pousando os olhos nos outros três que ainda dançavam. — Talvez ele tenha mesmo algum superpoder.

Sierra riu alto, pegando a cerveja de volta.

— Você devia ir lá, Bucky, aposto que você tem mais disposição que todo mundo ali. — Gus jogou em um tom descontraído, e o Sargento riu de canto.

— Eu não danço. — Ele deu de ombros.

— Eu não acredito nisso... — Sierra rebateu com um olhar afiado. — Os bailes eram moda nos anos 40, dançar era exigência básica para ter uma vida social, tanto quanto ter um celular é a exigência básica hoje em dia.

Bucky riu para o apontamento preciso da loira.

— Eu não dando esse tipo de música. — Ele corrigiu sem se deixar abater.

Nisso eu acredito — Ela apontou e os três na mesa riram.

Bucky percebeu que tinha se envolvido na pequena conversa o bastante para esquecer de Savannah e não notar que outra música tinha começado. Tinha uma batida mais forte e um tanto mais sensual talvez.

Os três começaram a dançar mais perto, os corpos indo e vindo, enquanto riam de qualquer coisa que diziam entre si. Não havia luzes ou qualquer coisa assim, mas para Bucky Savannah parecia sob um holofote, porque era como se só houvesse ela ali, principalmente quando os olhos deles se encontraram através da distância que os separava.

— Olha essas liberdades aí. — Sierra gritou, mas sua voz era puro bom-humor. — Eu sou ciumenta, hein.

Bucky desviou o olhar para um ponto qualquer. Merda. Sabia que não era sobre ele, mesmo assim soou como um aviso claro.

A risada de Savannah cortou o ar e em resposta ela puxou Abby para perto e deu um beijo estralado na bochecha dela, mostrando a língua para Sierra em seguida, que riu também, enquanto todo o rosto de Abigail ficava vermelho.

Bucky tentou prestação atenção em qualquer outra coisa que não fosse aquela provocação amigável entre o casal de namoradas. Ele soube que teria que se policiar mais, afinal estava claro que Sierra era ciumenta e ele não queria de modo algum ofendê-la...

Viu Savannah e Abby se aproximarem rindo de alguma coisa, mas TJ as interrompeu antes que se chegassem mais perto da mesa.

— Vem, meninas, vamos tirar uma foto. — Ele pediu no tom de uma criança mimada, enquanto estivava a mão e a balançava freneticamente. — Me dá seu celular, Savy.

Savannah entregou o celular para TJ e ele pediu para Gus bater a foto. Os três se posicionaram então, mas o olhar no rosto do loiro fez com que Bucky franzisse as sobrancelhas desconfiado. Não levou dois segundos depois disso. Gus fez um sinal e Savannah levou um belo empurrão que a jogou direto na piscina.

Enquanto as gargalhadas se espalhavam por toda a parte junto com a água, Bucky a viu emergir com o cabelo ruivo já encharcado.

— Puta que pariu, TJ, eu vou te matar! — Savannah gritou, mas o sorriso em seu rosto dizia que não estava brava de verdade.

— Você tem que me pegar primeiro... — O rapaz desafiou, se esquivando alguns passos.

— Não seja por isso. — A ruiva soprou ameaçadora e os outros se afastaram, enquanto ela saía da piscina totalmente ensopada dos pés à cabeça.

Bucky acabou rindo também, se sentindo muito mais leve do que se sentira o dia todo. Podia fazer aquilo, podiam ser apenas amigos, todos eles...

— Eu estava brincando só, Savy! — TJ gritou, enquanto contornava a piscina na maior velocidade que conseguia, considerando o quanto já tinha se adaptado à prótese na perna.

Eles deram algumas voltas ali, e Bucky até teria deixado que a perseguição rolasse por mais tempo, se não tivesse visto Savannah quase escorregar ao menos três vezes, por causa dos tênis molhados.

O Sargento se colocou de pé então, um passo para a direita dois para a esquerda e apenas teve que se colocar na frente de TJ. Que parou imediatamente.

— Ah, qual é?! — O rapaz protestou, sabendo que não tinha qualquer chance. Bucky tentou não rir. — Gus...

Ele apelou para o noivo, mas August apenas ergueu as duas mãos.

— Se fodeu. — Abby debochou com um sorriso maldoso, parada ao lado de Sierra que ainda ria, mas tinha acabado de se colocar de pé.

Do outro lado da piscina, Savannah tinha um sorriso enorme e vitorioso, que fez Bucky ficar feliz por ter se levantando.

— Devia ter pensando duas vezes antes de sacanear a única pessoa na casa que tem um super-herói particular. — Gus debochou do noivo. — Boa sorte.

Bucky engoliu em seco, mas deixou a brincadeira passar, afinal era apenas isso uma brincadeira.

Não significava que todo mundo sabia que ele gostava mais de Savannah...

— Traidor. — TJ acusou, e então pousou os olhos no Soldado, fazendo a maior cara de coitado que poderia ser feito. — Qual é, Bucky... Eu sou seu amigo.

— E é por isso que eu vou deixar você pular sozinho ao invés de te jogar. — O Sargento retrucou com um sorriso de canto e o som estridente da campainha cortou o ar.

— Acho que o pessoal chegou! — TJ declarou, como se aquilo fosse o toque da salvação.

Bucky procurou o olhar de Savannah primeiro e ela apenas deu de ombros com uma careta de “deixa pra lá”, ele deu um passo para o lado então e permitiu que TJ passasse, coisa que o rapaz fez rapidamente, arrastando Gus dali. Só então Barnes percebeu que Sierra e Abby também tinham sumido daquele ambiente.

— Quando ele menos estiver esperando a gente dá o troco. — Savannah se aproximou, se jogando em uma das cadeiras e tirando os tênis molhados. — A vingança é um prato que se come frio.

Ela riu e o som foi como um imã que fez com que Bucky se aproximasse alguns passos. Assistiu enquanto ela se desfazia das meias ¾ e foi impossível não se lembrar do que tinham feito mais cedo...

Se não tivesse sido tão idiota naquela discussão, talvez Savannah e Sierra nunca tivessem voltado.

Não.

Não podia ter esses sentimentos mesquinhos.

Totalmente alheia aos pensamentos do Sargento, a ruiva se levantou e tirou o moletom com alguma dificuldade, mas Bucky pouco reparou no quanto a peça, pingando, parecia pesar naquele momento, porque Savannah usava uma daquelas camisetas curtas e agarradas por baixo... O tecido contornando cada parte do corpo dela, felizmente escuro, evitando qualquer transparência, não que isso parecesse menos inapropriado os olhos de Bucky.

Ele engoliu em seco, tentando não lembrar a textura que a pele dela tinha ou do quanto era quente ao toque do vibranium. Desviou os olhos para o chão, enquanto Savannah, ainda alheia, torcia o cabelo, recitando seu grande e criativo repertorio de palavrões.

— Mas é aí? — Ela soltou casualmente, dando um passo para mais perto de Bucky e fazendo que ele erguesse os olhos — Quer dançar com a menina mais encharcada da festa?

O coração dele deu um salto bobo no peito e um sorriso de canto nasceu em seu rosto. Ele queria, claro que queria... mas não seria algo apropriado.

— Fica pra outra hora. — Moveu os ombros casualmente, fazendo o melhor para se esquivar do convite. — Além disso, eu sou um péssimo dançarino.

— Acha mesmo que alguém aqui dança bem? — Savannah rebateu, estendendo-lhe a mão direita para reforçar o convite.

— Acho... — Bucky murmurou com os olhos presos nos dela. Porque Savannah dançava bem.

Ela curvou os lábios em um sorriso hipnótico e Barnes sentiu seus dedos formigarem para aceitar a mão ainda estendia. Era apenas uma dança afinal...

No instante em que moveu o braço o lugar inteiro começou a ser invadido por todo o tipo de pessoa desconhecida.

Dezenas deles, alegres e falantes, mas que deixaram Bucky instantaneamente desconfortável. Não estava pronto para interagir com tanta gente ainda...

Alguns passaram rapidamente, alguns cumprimentaram os dois com um aceno educado, e cada vez mais Barnes se sentia acuado.

— De onde você tirou tanta gente? — Ouviu Savannah perguntar e sequer percebeu que TJ e Gus tinham voltado.

— Pessoal da sua faculdade. — August moveu os ombros. — O povo de lá adora festa.

A música começou a parecer alta demais, mesmo que ainda estivesse no mesmo volume.

— Sierra vai te matar. — Savannah declarou para o casal e Bucky sentiu a mão quente envolver a dele

— Não vai não, a Abby não vai deixar. — TJ retrucou, e Bucky franziu as sobrancelhas, tentando entender o significado daquela resposta, mas Savannah já o puxava para longe dos amigos.

— Vem, é a oportunidade perfeita pra gente sair de fininho... — Ela declarou, atravessando o gramado sem soltar a mão de Bucky.

Honestamente ele ficou muito aliviado de sair do meio da bagunça, mas sabia que não era justo tirar Savannah dos amigos daquele jeito.

— Eu acho que devia ficar. — Ele declarou, quando chegaram no hall de entrada. — Não tem que ir embora por minha causa.

E Savannah não tinha que dizer que não era por causa dele, porque Bucky sabia que era sim.

— Eu sei. — Ela respondeu com naturalidade. — Mas eu quero ir...

Quando ela sorriu, Bucky não conseguiu pensar em qualquer outra coisa a não ser concordar. Savannah já estava com a mão na maçaneta, quando a porta abaixo da escada se abriu e Sierra surgiu junto com uma Abby muito mais corada que o normal.

— Já vão? — A loira perguntou casualmente e Bucky se sentiu estranho, traidor, fugindo de uma festa com a namorada de outra pessoa.

Savannah assentiu com naturalidade, e Barnes percebeu que na mente da ruiva realmente não havia nada errado com aquela escapada estratégica. Certamente qualquer malicia estava exclusivamente na cabeça dele, porque para Savannah, Bucky era apenas um amigo.

Amigo... Essa palavra nunca pareceu tão ruim quando naquele momento.

— Metade da minha roupa ficou aí. — Savannah apontou já abrindo a porta.

— Já estou acostumada com seu rastro de bagunça. — Sierra riu e revirou os olhos. — Coloco na secadora pra você.

Bucky se despediu rapidamente e saiu primeiro, porque certamente não queria presenciar o beijo que aconteceria entre as duas namoradas. Enquanto caminhava para a moto ele não pode deixar de perguntar a si mesmo se Savannah voltaria a morar com Sierra... afinal elas moravam juntas antes.

E, se isso acontecesse, seria ali naquela casa, ou Sierra levaria Savannah para fora do país quando retornasse ao trabalho?

Esse simples pensamento, a separação eminente, fez com que a respiração de Bucky saísse do prumo. Savannah já cruzava o gramado naquele momento, molhada, descalça e sem a blusa de frio, e ele teve que reprimir o desejo urgente de envolvê-la em seus braços e implorar que ela não fosse a lugar algum.

Mas não tinha o direito de pedir algo assim.

Se ocupou de pegar os capacetes presos na moto, assim quando ela se aproximou o bastante suas mãos estavam ocupadas. Porém isso não impediu que Barnes encarasse os olhos avelã por tempo demais...

Savannah arrumou o cabelo e estendeu a mão para pegar o capacete. Bucky tentou focar no presente e notou que ventava gelado. Tirou a jaqueta então e colocou a peça nos ombros da ruiva.

— Veste. — Pediu, perto o bastante para ver todos os tons de verde infiltrados nas orbes castanhas. Savannah abriu a boca para dizer alguma coisa, mas ele foi mais rápido. — Você está encharcada, vai congelar em cima dessa moto.

— Sim, senhor. — Ela sorriu e ele teve que se afastar antes de fazer alguma besteira.

Arrumou a manga comprida e colocou o capacete antes de subir na moto e logo sentiu o corpo feminino atrás de si. Quando os braços delicados apoiaram em seu quadril e a moto ganhou velocidade nas ruas quase vazias, Bucky suspirou, sentia que tinha perdido uma oportunidade... que teve algo realmente bom nas mãos por alguns instantes e deixou escapar porque foi idiota demais.

Ficava dizendo a si mesmo que não podia se apaixonar por Savannah, porque já tinha prometido o coração a outra pessoa, mas a verdade é que era tão idiota que precisou perdê-la, para enfim admitir pra si mesmo o que já sentia há um bom tempo...

Estava apaixonado por Savannah Devenport. E não podia ou queria mudar isso.

Notas finais
¹The Wreck of Our Hearts: https://www.youtube.com/watch?v=BsNm54UwWWQ ²Love Of My Life: https://www.youtube.com/watch?v=vCYtTYy5wss ³You Need To Calm Down: https://www.youtube.com/watch?v=GWtfOHBF1_w Dá até pra respirar mais aliviado agora neh? kkkkkkkk Depois de uma boa conversa tá tudo certo, ou quase, considerando que o Bucky acha mesmo que a Savy e a Sierra estão juntas (isso quando tava na cara que a Sierra e a Abby estavam se pegando na sala de músisa, mas neh kkkkk) A parte boa é que finalmente ele admitiu que tá apaixonado pela Savannah. Amém! (Tudo bem que todo mundo já sabia kkkkkkk) A reconciliação terminou sem beijo (crueldade), mas a noite ainda não acabou e, quem é detalhista deve ter percebido que a Savy tá indo embora em a chave de casa... bom, pensem nisso. Feliz Páscoa e espero que o capitulo tenha sido doce o bastante ❤❤❤ Logo estou de volta! Beijos e até ❤