Notas iniciais
Quem é viva sempre aparece não é mesmo? É, eu sei, ando totalmente sumida de todas as minhas histórias e sinto muito mesmo por isso. Eu não ando muito bem de saúde e isso impacta totalmente na minha produtividade. Então provavelmente as atualizações ficarão mais lentas, mas eu sempre volto gente, por mais que demore. Dito isso, vamos ao que importa, um capitulo enormeeeee que é meu preferido (sim, de novo) A música tema dele (link nas notas finais) é "I Found" do Amber Run, que é tbm citada do meio do capitulo (vocês vão saber o momento) Acho que é isso Boa leitura.

E eu encontrei o amor
Onde ele não devia estar,
Bem na minha frente...
I Found — Amber Run

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Quando as pessoas falam sobre estar na guerra sempre é sobre o ruim, os traumas, o sangue, a morte, a perda... Sam Wilson aprendeu a ressignificar tudo que lhe fazia mal, na maior parte das vezes ver o lado bom da situação era a forma mais simples de fazer isso, por exemplo, suas incursões também tinham ensinado coisas valiosas como: trabalho em equipe, hierarquia, disciplina e rotina.

Sam não dizia isso com muita frequência, mas gostava bastante de rotina, acordar cedo todos os dias; cinco voltas no parque; lavar roupa as sextas; reuniões planejadas durante a semana; e, é claro, mercado aos domingos.

Isso com certeza não era algo que falava para os colegas veteranos, mas gostava mesmo de ir ao mercado, era o que costumava fazer com a avó e talvez por isso nutrisse boas memorias sobre essa atividade tão corriqueira. No entanto, naquele dia em particular Bucky Barnes tinha atrasado seu cronograma de domingo.

Não estava bravo, longe disso, Bucky realmente precisava ouvir umas verdades, porque era muito cabeça dura... Mas em se tratando de relacionamentos todo mundo tinha suas próprias questões.

O fato é que, a conversa com Bucky tinha feito com que o mercado de domingo à tarde, se tornasse o mercado de domingo à noite. Então lá estava ele, escolhendo algumas verduras quando uma laranja cortou a área e Sam não precisou de muito para impedi-la com o pé.

— Desculpa. — Um garotinho pediu, se aproximando, enquanto Sam se abaixava para pegar a fruta.

— Não, foi nada, carinha. — Ele sorriu, estendendo a laranja para o menino que parou exatamente onde estava, em choque completo.

Franziu as sobrancelhas para a reação do menino, porém não precisou de muito mais que uma olhada na camiseta do garoto para entender a situação. Tinha o escudo do Capitão América estampado nela.

Sam não era reconhecido como o Falcão com tanta frequência, não ser uma das estrelas da equipe e usar os óculos protetores ajudava bastante nesse caso e, na maior parte do tempo, ele conseguia passar despercebido.

Todavia, uma pessoa ou outra o reconhecia às vezes e isso também podia ser bem legal. Principalmente quando eram crianças.

— Mike, eu já não te falei pra ficar... — A voz feminina fez com que Sam erguesse os olhos e assim que as orbes negras pousaram em si o reconhecimento foi mútuo e instantâneo, fazendo com que a mulher perdesse as palavras.

Era a vizinha de Bucky, a com o marido idiota. Beverly.

Sam não sabia dela há alguns dias, a última notícia que tivera foi que o marido estava de volta e os dois pareciam estar em um bom momento. Ele queria acreditar que tudo ficaria bem, mas já tinha visto o ciclo muitas vezes para ser ingênuo dessa forma...

— Hey. Oi! — Sorriu abertamente, quando acenou. — Você é a vizinha do Bucky, certo? Eu sou o Sam, a gente se conheceu outro dia lá na frente do prédio.

— Eu lembro. — Beverly foi educada, mas seca. Se virou para o menino então e usou um tom carinhoso: — Eu já falei pra ficar perto de mim e não incomodar as pessoas no mercado... — Seus olhos negros seguiram para Sam outra vez. — Desculpa.

— Não foi nada. — Ele gesticulou com um sorriso simpático. — É... me desculpa, eu não me lembro do seu nome...

Claro que lembrava, Bucky tinha dito e Sam era bom com nomes, mesmo assim achou mais educado deixar que a moça tivesse a chance de se apresentar por ela mesma.

— É porque eu não disse. — Beverly retrucou daquele jeito sério que tinha.

— É Beverly e eu sou o Mike, senhor. — O garoto cortou, dando todas as informações sem permissão.

Sam riu de canto e se abaixou para que a altura dos dois ficasse parecida.

— Muito prazer, Mike, eu sou o Sam. — Estendeu a mão para o menino que pareceu muito animado com aquele cumprimento.

Beverly no entanto não expressava qualquer simpatia, e Sam não a culpava é claro. Era com certeza um mecanismo de defesa.

— Anda, vamos, eu não quero perder o ônibus. — Ela chamou o garoto que acenou para Sam e logo mãe e filho se afastaram entre as prateleiras.

Sam tentou voltar para suas compras, odiava saber que aquele menininho podia presenciar a mãe sofrendo nas mãos do pai, no entanto tinha que aceitar que nem sempre podia ajudar todo mundo, por mais que quisesse...

No entanto o destino não parecia inclinado a deixar que Sam esquecesse aquele assunto, porque vinte minutos depois, já com as compras no porta-malas, ele avistou os dois novamente, parados no ponto de ônibus vazio com várias sacolas nas mãos.

Provavelmente tinham perdido o ônibus.

Ele parou o carro ali e abriu o vidro.

— Quer uma carona? — Perguntou, vendo Mike abrir um grande sorriso que não foi copiado por Beverly.

— Não, obrigada. — Ela respondeu com educação e desviou os olhos dele.

— Eu tenho que passar no Bucky mesmo, então... — Sam deu de ombros e insistiu uma vez mais.

Não tinha que passar no Bucky, muito pelo contrário, aquela noite com certeza tinha que ficar bem longe, porque ele estava lidando com uma reconciliação. Mas não lhe custava nada um pequeno desvio.

— Vamos mãe! — Mike pediu, fazendo uma carinha de dó. — Por favor!

Sam tentou permanecer sério, mas o garoto era mesmo uma graça, por isso não sorrir era uma tarefa quase impossível.

— Vai ter que esperar quase uma hora pelo próximo ônibus. — Lançou, mesmo não fazendo a menor ideia se essa informação era ou não verdadeira.

Beverly o encarou por alguns instantes, então finalmente concordou, mesmo que sua postura não transparecesse muita confiança.

— Obrigada. — Ela disse, depois que colocou Mike no banco de trás junto com as compras e sentou-se na frente, prendendo o próprio cinto e mantendo os olhos longe de Sam.

Não era medo no entanto, Wilson soube decifrar, a postura de Beverly era mais sobre não passar nenhum tipo de confiança. Mas isso não o incomodou.

— Então, Mike... Quantos anos você tem? — Sam preencheu o silêncio com uma conversa casual.

— Seis, senhor. — O garoto respondeu, se endireitando no banco como se aquela fosse uma conversa muitíssimo importante. — Quase sete.

Sam sorriu, observando a postura de Mike pelo retrovisor por um instante.

— Você não tem que me chamar de senhor, só Sam já basta. — Declarou, voltando os olhos para a rua.

— Sim, senh... Sam. — O garotinho respondeu, com a voz tremendo como se tivesse acabado de ganhar um prêmio.

Wilson riu de canto, aquela inocência e ao mesmo tempo inteligência inerente era o que fazia com que ele gostasse muito de crianças...

Ainda estava rindo quando flagrou as íris negras lhe observando com certa curiosidade, no entanto Beverly desviou os olhos assim que Sam moveu o rosto na direção dela. Ele não se incomodou com a postura esquiva, tampouco com o fato dela se manter focada na rua como se tivesse medo de olhar pra ele outra vez. Porém havia algo em Beverly que confundia um pouco Sam, Porque por fora Beverly parecia apenas uma mulher frágil e receosa, mas os olhos... Eles tinham uma força que Sam não sabia como explicar.

— Então, você gosta do Capitão América, Mike? — Sam preferiu não focar tanto na mulher sentada ao seu lado e resolveu preencher o silêncio momentâneo com mais conversa aleatória.

— É o meu herói preferido, ele é demais! — O garoto praticamente deu um pulo no banco de trás. — Mas eu também gosto do Falcão, ele é irado!

Sam sorriu outra vez, era sempre bom ter o ego um pouquinho massageado.

— Também acho. — Ele concordou e ouviu Mike falar ininterruptamente sobre sua coleção do Capitão América pelos próximos dez minutos.

Quando estacionou o carro em frente ao prédio de Bucky, Beverly colocou a mão instantaneamente na maçaneta, quase como se não quisesse ficar ali nenhum segundo a mais que o necessário.

— Muito obrigada. — Ela agradeceu com educação.

— Eu posso ajudar com... — Sam começou, mas foi interrompido antes mesmo que terminasse.

— Não vai se necessário. — Beverly já tinha descido do carro e recolhia algumas sacolas, entregando as mais leves para o filho. — Vai, Mike.

— Tchau, Sam! — O menino acenou da calçada, enquanto Wilson descia do carro.

— Tchau, carinha. — Acenou de volta e o menino seguiu para dentro do prédio.

Sam ajudou Beverly a recolher as últimas sacolas então.

— Tem certeza que não quer que eu te ajude com isso? — Ofereceu, enquanto ela dava alguns passos para trás.

— Olha só... — Beverly suspirou, parada há uns três ou quatro metros de distância. — Obrigada pela carona, mas eu sou uma mulher casada, então seja lá o que você esteja pensando que isso é... — Ela moveu a cabeça indicando os dois. — Não. Só, não mesmo.

Sam sorriu calmamente, nada afetado pelo comportamento arisco.

— Isso é o que parece ser, uma carona, só isso. Faria por você sendo casada, solteira, viúva, uma freira ou um cara. — Moveu os ombros casualmente. — E sabe, mesmo as pessoas casadas tem amigos. Vivemos em sociedade.

Beverly o mediu de cima abaixo por um instante rápido o suficiente para que olhos desatentos perdessem, mas Sam não era desatento. E estava lá outra vez, o olhar que contrariava a postura...

— Boa noite, Samuel. — Disse apenas, prestes a dar às costas.

— Porque acha que meu “Sam” é de Samuel? — Wilson retrucou em um tom divertido. — Podia ser de... Santana.

Beverly parou onde estava e virou o rosto na direção dele com as sobrancelhas franzidas.

— Você chama Santana? — Perguntou quase debochada.

— Não eu me chamo Samuel mesmo. — Ele devolveu movendo os ombros de forma divertida e isso arrancou dela um sorriso.

E a moça tinha mesmo um sorriso bonito... Não que ela fosse feia quando estava com aquela cara de brava e arisca que tinha sempre — muito pelo contrário — mas de alguma forma Sam achou que o sorriso combinava muito mais com Beverly.

Ela devia sorrir mais.

— Adeus. — A moça se despediu, desviando o olhar e negando algumas vezes.

— Até breve, Beverly. — Ele respondeu, vendo o esboço de um sorriso de canto antes que ela se virasse.

Por algum motivo bobo Sam riu sozinho e teria entrado no carro e ido embora com essa pergunta malformada na mente, mas a moto de Bucky veio pela rua e ele resolveu que seria estranho simplesmente sair daquele jeito...

Havia algo sobre andar de moto com Savannah que fazia com que Bucky nunca quisesse chegar ao destino, talvez fosse até meio ridículo, aquele sentimento de que nada podia alcançá-los se estivessem se movendo rápido o bastante, nem mesmo os fantasmas de sua própria mente...

Mas aquela noite não era para demora, afinal Savannah estava molhada e na moto o vento podia ser algo cruel, por isso Bucky foi direto para casa e com certeza se surpreendeu ao ver Sam parado ali na frente.

Só conseguia desejar que não fosse uma notícia ruim...

— Até que não foi tão ruim... — Savannah riu ao saltar, logo depois que Bucky estacionou no lugar de costume. — Mas é, eu teria congelado sem a jaqueta.

Ele tirou o capacete e arrumou os fios curtos com os dedos, enquanto sorria de canto sem um motivo certo.

Não. Ele tinha motivo, sim. Se chamava Savannah...

— Sobe e toma um banho bem quente, vai. — Apontou tirando os olhos dela e os pousando em Sam que, graças a Deus, não parecia nenhum pouco impaciente ou ansioso. Talvez não fosse algo ruim... Voltou a focar em Savannah então: — A gente se vê amanhã?

Ela abriu a boca e a fechou rapidamente, franzindo as sobrancelhas de modo mínimo e por um instante Bucky pôde ler a decepção no rosto dela.

— Ou a gente podia fazer alguma coisa agora... — A viu mover os ombros e suspirou, talvez de alivio, era muito bom saber que nada tinha mudado.

Porque na verdade ele também não queria se separar dela ainda, por mais que sentisse que devesse.

— Me manda mensagem depois então. — Bucky concordou e seu coração idiota pulou uma batida quando Savannah deu um de seus sorriso-sol.

Ela assentiu brevemente, levando as mãos aos bolsos como se procurasse alguma coisa.

— Merda... — Soprou nada satisfeita.

— O que? — Bucky questionou, tentando decifrar aquela expressão.

— Eu deixei a minha chave e meu celular na Sierra. — Savannah jogou as duas mãos para o ar em um misto de frustração e divertimento.

Ele riu, não foi muito difícil visualizar onde cada coisa tinha ficado: a chave em cima do piano, na sala de música; o celular, deixado por Gus em uma das mesas na frente da piscina.

— Eu abro pra você. — Declarou de forma prática.

— Quer dizer arrombar minha porta? — Savannah colocou a mão sobre o peitoral dele, como se estivesse impedindo Bucky de passar.

O toque, mesmo sobre a roupa era quente, fazia um milhão de pensamentos passarem rápido pela mente do Sargento, lembranças de toques nem tão inocentes que haviam acontecido pela manhã...

E que não poderiam se repetir outra vez.

— Mais um menos. — Respondeu, tentando focar no presente e afastar todos os pensamentos intrusos e inapropriados.

— De jeito nenhum, sabe quanto custa uma porta? — Savannah retrucou no mesmo momento e isso fez com que Bucky risse.

— No máximo vai ser o trinco. — Ele moveu os ombros como se fosse nada demais.

— Se eu for buscar a chave de uber vai sair mais barato que essa sua brincadeira de ninja-espião aí. — Ela apontou com um sorriso que fazia o único impulso de Bucky ser beijá-la ali mesmo.

Ele nunca permitiria que ela saísse de Uber toda molhada daquele jeito. Isso era implorar por uma pneumonia.

— Tem certeza que quer fazer todo o caminho de novo? — Tentou controlar os impulsos e continuar a conversa normalmente.

— É só água, não vou morrer... — Savannah retrucou, mas seus olhos seguiram para um ponto no portão. — Aquele é o Sam?

Ela franziu as sobrancelhas e Bucky riu de canto, com aquela demora pra notar, ainda bem que não era um assassino.

— Ele está ali desde que a gente chegou. — Revelou de forma neutra. — Faz assim, vai lá pra minha casa então. Depois que você tomar um banho quente e estiver seca a gente pensa.

Savannah abriu o sorriso de uma criança que acaba de ganhar um doce, assim que Bucky lhe estendeu a chave.

— Já que você insiste... — Ela aceitou de imediato, mas agiu como se estivessem discutindo por horas sobre aquilo.

Bucky riu e revirou os olhos.

— Vai, eu já subo. — Apontou, dando um passo para trás, afim de seguir na direção de Sam.

Savannah assentiu e então ergueu o braço para Wilson e gritou um cumprimento que foi prontamente correspondido. Ela entrou no prédio e Bucky se aproximou do amigo.

— Nada mal... — Wilson declarou, movendo a cabeça em aprovação. — Está quase merecendo um parabéns por fazer a coisa direito.

Bucky revirou os olhos para o tom debochado e colocou as mãos nos bolsos do jeans.

— O que você está fazendo aqui? — Perguntou, constatando que não havia nada de alarmante ou urgente naquela postura despreocupada de Sam.

— Vendo se você fez o que eu mandei. — O outro moveu os ombros como se fosse a coisa mais óbvia do universo, mas caiu na risada quando viu a expressão nada contente de Bucky. — Eu dei uma carona para a Beverly porque a encontrei no mercado, só isso.

Bucky franziu as sobrancelhas para a aleatoriedade daquela coincidência, seria mais fácil acreditar na primeira coisa que Sam disse.

— Mas aqui não é caminho pra sua casa. — Retrucou, encarando Wilson de forma desconfiada.

— Não me custava nada. — Sam devolveu encolhendo os ombros. — E você tinha razão sobre o garoto, ele é esperto mesmo, me reconheceu assim que olhou na minha cara.

Ele pareceu muito satisfeito em dizer aquilo e Bucky quase riu do quanto os dois eram diferentes, porque saber que um garoto de seis anos sabia sobre o Soldado Invernal o deixava meio apavorado, mas para Sam parecia uma coisa muito legal e divertida.

Totalmente louco.

— Mas eu já vou indo, não quero atrapalhar sua noite. — Wilson jogou, com a voz carregada de insinuações e abriu a porta do carro.

— Não começa... — Bucky advertiu sério e Sam pareceu surpreso.

— Mas vocês não fizeram as pazes? — Ele franziu as sobrancelhas em uma clara expressão de confusão.

— Não tem nada a ver com o que você está pensando. — Barnes respondeu calmamente.

— Eu não estou pensando nada. — Wilson encolheu os ombros e se sentou no banco do motorista. — Mas você devia pensar que tem uma garota toda molhada no seu apartamento agora e ir correndo pra lá, ao invés de ficar falando comigo.

Ele riu, mas Bucky não, porque a imagem sugerida passou sorrateiramente por sua imaginação e isso o fez engolir em seco.

— Aqui toma umas camisinhas. — Sam lançou dois pacotes laminados, que ele tinha acabado de tirar do porta-luvas, na direção do Sargento, que os agarrou por puro reflexo. — Você sabe usar um preservativo, não é? Quando é que eles foram inventadas mesmo..?

Sim, Barnes sabia o que era um preservativo, mesmo que tivesse certeza que a humanidade tinha modernizado muito esse conceito e embora nunca tivesse se preocupado em um usar um.

— Sam... — Bucky advertiu, mas foi totalmente ignorado.

— Bom não importa, você embala o seu... — Wilson gesticulou e prendeu a risada. — A sua ferramenta. — Riu abertamente, se curvando na direção do porta-luvas de novo. — Aqui, pega mais, provavelmente você vai estragar esses aí, porque é muito tapado.

Bucky pegou mais alguns pacotes no ar apenas para enfiar tudo no bolso rapidamente, porque alguns vizinhos estavam passando naquele exato momento.

— Sam, nada disso vai... — Tentou falar, mas foi cortado outra vez.

— E com “ferramenta” eu não quero dizer o braço de vibranium. — Sam ponderou bem-humorado, então fez uma pausa pensativo. — Se bem que dependendo do fetiche...

— Cala a boca, Sam Wilson! — Bucky ordenou, mas aquilo era também uma advertência clara para os próprios pensamentos. Porque não podia permitir que eles seguissem aquele rumo. — Nada vai acontecer, ela está comprometida com outra pessoa.

Sam franziu as sobrancelhas, parecendo em choque por alguns instantes, para depois olhar em direção ao lugar que Savannah tinha acabado de passar.

— E foi para o seu apartamento que ela veio? — A pergunta tinha um tom perspicaz de desafio.

— Ela mora aqui. — Bucky respondeu movendo os ombros como se fosse nada demais.

— Isso não explica porque ela vai passar a noite com você e não com a pessoa que ela está “comprometida”. — Sam retrucou, como se aquela fosse a única coisa que importasse. — Ela te disse que está comprometida?

— Ela não precisou. — Barnes respirou fundo, esfregando o rosto em um gesto de frustração. Não queria fala sobre aquilo.

— Então você viu ela beijando outra pessoa? — Wilson continuou, como se aquilo fosse um tipo de interrogatório.

— Não exatamente... — Bucky respondeu, nada inclinado a contar que tinha fugido da possível cena. Não queria a visão daquele beijo em sua mente, já tinha o suficiente de memórias dolorosas para lembrar.

— Então você não tem certeza? — Sam acusou, com um sorrisinho vitorioso. — Já pensou em, sei lá... perguntar? Achei que fossem amigos.

— Nós somos amigos. — O Sargento reforçou, sem saber responder porque não tinha apenas perguntado.

Seria meio estranho, não é?

— Ótimo, então articule as suas palavras. — Wilson ordenou de modo prático. — Porque eu acho que essa sua “certeza” é só você fugindo das coisas boas que te acontecem. Só fim é mais fácil acreditar que vai perder essa coisa boa, que você enfiou na cabeça que não merece, do que aceitar que está tudo ao alcance das suas mãos.

Bucky suspirou, quis negar, mas talvez Sam estivesse certo no fim dar contas. Ele geralmente estava e isso era um grande saco...

— De nada pelas camisinhas. — Wilson deu um sorriso superior e fechou a porta do carro, sem esperar qualquer despedida antes de dar a partida. — Faça valer a pena.

O carro ganhou as ruas e Bucky ficou ali parado no mesmo lugar por alguns minutos, uma porção de camisinhas no bolso, dezenas de dúvidas na mente e a vontade quase visceral de assassinar um certo Falcão...

Odiava o fato de que novamente podia ser apenas seu subconsciente sabotando as coisas, era exaustivo lutar contra um inimigo invisível que vinha de dentro, que atacava na surdina e que era tão bom em fazer parecer que a batalha estava perdida antes mesmo que houvesse de fato uma batalha.

Porque Bucky podia enfrentar um exército e vencer, mas não era capaz de lutar contra si mesmo...

E esse era apenas mais um dos pontos que o fazia pensar que não merecia Savannah. Porque era um homem complicado, mesmo quando tentava não ser. Qualquer tipo de relacionamento com ele seria sempre um risco, porque Bucky sabia que podia se sabotar a qualquer momento, nem ele próprio aguentava mais isso, quem dirá outra pessoa....

A verdade é que estava em um ponto da vida que sequer conseguia mais lembrar se algum dia tinha sido diferente disso, sempre pensou demais e destruiu todo de bom antes mesmo que estivesse em suas mãos, ou houve um momento em que conseguia aceitar os pequenos presentes da vida?

Ele honestamente não sabia... e também não importava de verdade, porque aquele que um dia tinha sido não existia mais de toda forma.

Com um suspiro cansado Bucky se virou para voltar ao apartamento. Subiu as escadas sem ânimo, exausto dos próprios pensamentos e do peso do próprio corpo. Os altos e baixos eram cada vez mais cruéis, porque toda vez que pensava que as coisas podiam dar certo, algo dava errado. E esse “algo” era sempre ele mesmo.

Quando as autossabotagens iriam parar?

Abriu a porta do apartamento e Alpine lhe recebeu com um miado languido, trançando em suas pernas como se fosse a gatinha mais amorosa de todas, nem parecia a mesma que sequer tinha acordado para lhe receber mais cedo. Ela tinha dessas. Bucky acariciou o pelo branco e ouviu o chuveiro correndo no cômodo ao lado.

Tentou não pensar demais sobre o fato de ter uma garota tomando banho em seu apartamento.

Uma garota não, Savannah...

Ignorou isso e deixou Alpine no chão, seguindo para o quarto. Abriu a primeira gaveta da cômoda e jogou todo os pequenos pacotes laminados que Sam dera ali dentro, tentando não pensar em nada. Porque estava cansado demais de fazer isso e às vezes só queria ser capaz de desligar a própria mente por pelo menos alguns minutos...

Dentro do banheiro cheio de vapor Savannah deixava a espuma do shampoo escorrer por seus fios rubros. Com os olhos fechados e um sorriso nos lábios, ela ainda tentava entender alguns pontos daquela noite, mas no geral estava feliz.

Tudo tinha acabado bem.

Claro que ela não podia mentir, tinha sentindo falta de um beijo... um que James prometia a todo o instante com os olhos, mas nunca dava de fato. Savannah não entendia o motivo de terem voltando para o momento do “apenas amigos”, mas estava tentando não se importar demais com isso. Tinha permitido que a mente se enchesse de merda o dia todo e isso foi apenas uma grande perda de tempo. Porque no fim todas as suas suposições estavam erradas...

As duas batidas pesadas na porta a fizeram dar um pulinho involuntário de susto.

— Savannah... Já cheguei. — James soprou através da madeira e os olhos dela pousaram na maçaneta ansiando que ele apenas entrasse e se juntasse a ela no banho. O que obviamente não aconteceu.

— ‘Tá bom. — Respondeu apenas e o silêncio tomou conta de tudo outra vez.

Savannah contou devagar, trinta segundos e nenhuma palavra... Ela suspirou então e apenas negou algumas vezes, tentando acalmar as batidas do próprio coração.

— Eu peguei umas roupas suas, espero que não se importe... — Declarou em voz alta, apenas porque queria ouvir a voz dele.

A resposta demorou tanto pra vir, que Savannah quase pensou que James não tinha ouvido.

— Não me importo, não. — Ele respondeu finalmente e algo no timbre dele fez com que o corpo inteiro dela se arrepiasse.

Savannah prendeu a respiração, para então deixá-la sair devagar dos pulmões. A intensidade do que sentia por aquele homem ainda lhe parecia um pouco surreal, não era como nada que já tivesse sentido antes...

James tinha poder sobre ela e sequer notava.

Talvez o sensato fosse temer isso, porque diziam que amar é enrolar uma corda no pescoço e dar a ponta a alguém, torcendo para que a pessoa não puxasse demais e te roubasse o ar ou a vida.

O amor era pintado como esse sentimento doloso em todas as artes, porque amar era dar poder demais a alguém, torcendo para que isso não se virasse contra você no fim do dia. Amar era jogar roleta-russa, e permitir que todos os dias a outra pessoa disparasse contra seu peito, rezando para que, só por mais um dia, não fosse a vez da bala te atingir.

Sim, ela devia ter medo... Porque as melhores músicas de amor eram sobre sofrimento e dor, porque um coração partido parecia o fim inevitável de todas as histórias de amor.

Mas o irônico sobre Savannah Devenport era que, apesar do que fazia para viver, ela não era muito de romantizar as coisas, claro que adorava romance e talvez fosse um pouquinho romântica também, mas isso era diferente de ver a vida por aquele espectro dramático. Já tinha passado daquela fase.

Então, não. Não estava com medo. A dor era parte inerente da vida, assim como o ar, ela estava por toda a parte, mas isso não significava que o certo fosse parar de respirar. Se o amor vinha com a dor, então que fosse... Ela não estava disposta a fugir disso.

E afinal de contas, fugir desse sentimento não era exatamente o que faria dele doloroso?

Se tudo estivesse mesmo destinado a dar errado, no dia seguinte, em dez dias ou em um ano, se James fosse se tornar aquele que puxaria a corda e o gatilho, Savannah não se importava realmente, era tudo sobre o agora.

Porque todas as chances de dar errado, também eram chances de dar certo. Por isso pensar demais não fazia sentido naquele caso...

E o ponto principal talvez fosse muito mais simples: Savannah não apenas amava James Barnes, ela confiava nele, mesmo que ele mesmo não confiasse, mesmo que as mãos dele estivessem sujas de sangue e o coração impregnado de gelo. Ela confiava nele.

Simples assim.

Se o futuro viria a galope destruir isso, foda-se. Tinha o agora, o amor e a confiança, isso era o bastante.

Se bem que colocar uns beijos na equação não seria nada mal...

Terminou o banho e desligou o chuveiro, tinha escolhido uma camiseta e uma calça de moletom, mas a segunda peça ficou imensa, então foi dispensada. A camiseta, no entanto, lhe servia como um vestido, cobrindo tudo que importava. Era uma peça azul-marinho, com três botões vindos da gola e mangas compridas. Deixava vidente a diferença de tamanho entre os dois, já que estava tão larga que um dos ombros de Savannah ficava facilmente de fora.

Ela sorriu para si mesma por tocando o colar de sol em seu pescoço. Seu coração estava disparado sem motivo algum... talvez porque a roupa tivesse o cheiro de James, mesmo que estivesse impecavelmente limpa, ou talvez porque vestir algo dele, daquele jeito íntimo, sem mais nada por baixo, despertasse um certo sentimento de pertencimento que no fundo agradava seu ego.

Quantas garotas será que já haviam vestido uma camiseta dele antes?

O simples pensamento de ser a primeira fazia o coração de Savannah acelerar, nunca se importou muito com primeiras vezes, mas quando e tratava de James aquilo parecia ter outro tipo de significado...

Tudo culpa de seu coração apaixonado, certamente, e ela nunca fingiria que aquela sensação não era de fato a melhor de todas.

Porque era. Amar aquele homem lindo, maravilhoso, doce, fofo, corajoso e com um enorme senso de justiça era sim a melhor sensação de todas...

Bucky estava sentado na cama, nas mãos o caderno que deixava na cabeceira, não tinha focado em informação nenhuma, estava apenas passando as folhas aleatoriamente quando a porta do banheiro se abriu e o vapor trouxe aquele perfume delicioso de mel e frutas vermelhas direto para suas narinas.

— Pelo menos meu shampoo ficou aqui. — Savannah riu e ele instantaneamente ergueu os olhos na direção dela. — Sua calça, no entanto, dá duas de mim, impossível usar...

Ela jogou o moletom na cama, mas não foi esse movimento que Bucky acompanhou, porque seus olhos azuis escorregavam pelo corpo dela e focaram nas coxas expostas.

Nunca pensou que uma garota vestindo algo seu teria qualquer apelo, mas caramba, tinha sim, principalmente porque essa garota era Savannah.

Ele tentou focar em qualquer outra coisa não fosse ela, mas como evitaria o magnetismo fervente que Savannah tinha? Era o mesmo que que a Terra tentar fugir da órbita do Sol, impossível.

Baixou os olhos, tentando não observar cada pequeno detalhe do corpo feminino, mas isso não impedia que o perfume inebriasse todos os seus sentidos e fizesse desejos impulsivos se espalharem por suas veias. Porque tudo que queria era levantar e tomar Savannah nos braços, para desfrutar dos lábios dela só um pouquinho... ou muito.

Engoliu em seco e focou no pequeno caderno de notas, como se houvesse algo muito importante ali.

— Era algo urgente com o Sam? — Savannah perguntou naquele tom natural, então se sentou na ponta da cama, enquanto secava o cabelo.

— Não. — Bucky respondeu e se colocou de pé repentinamente. — Na verdade ele veio dar uma carona para a Beverly.

— Sério? — Ela franziu as sobrancelhas enquanto ele passava em direção a cozinha. — Que aleatório.

Savannah riu e o Sargento sentiu que aquele apartamento era pequeno demais para que os dois estivessem ali juntos e ele não perdesse totalmente a sanidade.

— Sam pode ser muito aleatório. — Jogou como se fosse nada e abriu a geladeira sem qualquer propósito. — Com fome?

— Não... — Sentiu Savannah se aproximar, mesmo que estivesse virado de costas. — Você está?

Quis fugir de olhar pra ela, mas não podia ficar encarando a geladeira por muito mais. Não tinha motivos para isso afinal...

Savannah estava debruçada na bancada, o pingente de sol pendendo de seu pescoço e os olhos nele daquele jeito doce, Bucky balançou a cabeça em negativa para a pergunta, mesmo que não se lembrasse do que tinha comido naquele dia. De toda forma não sentia fome, era como e seu estômago estivesse congelado, preso entre a ansiedade e a excitação.

Era irônico porque ele se lembrava perfeitamente de ficar naquele apartamento com ela sem ter o impulso constante de ceder aos desejos, mas naquele instante tudo que conseguia pensar era nos lábios de Savannah, no modo como eles tinham se movido contra os seus e em como eles se encaixavam perfeitamente.

Seu coração disparado e suas mãos formigando para tocar a pele quente eram apenas alguns dos sintomas que lhe acometiam, Bucky suava frio também, quase como se resistir a ela fosse uma tortura.

E isso era uma grande idiotice se parasse pra pensar, afinal era um soldado treinado, além de uma maldita arma da Hidra, já tinha enfrentado todo tipo de tortura, ficado cara a cara com os mais diversos inimigos, como podia se sentir tão balançado e intimidado por uma garota com pouco mais de um metro e meio?

Era como se ela fosse um imã... e Bucky era apenas um cara com um braço de metal, que ansiava tocá-la. Tão estúpido.

Seus pés se moveram na direção dela. Quatro, cinco passos. A respiração saiu do ritmo pesada e densa. Savannah se virou quando ele se aproximou o bastante, menos de um passo os separava. Bucky só tinha que beijá-la e então... ia estragar tudo.

Se fizesse isso, mesmo sabendo que Savannah podia estar — e ele acreditava totalmente que estava sim — comprometida, acabaria com a amizade deles pra sempre.

Devia perguntar. Mas precisava estar com a cabeça e o corpo um pouco mais frios pra isso.

— Acho que vou tomar um banho também. — Decidiu de repente e virou as costas antes que Savannah pudesse dizer qualquer coisa.

Simplesmente pegou as coisas no armário e se enfiou no banheiro, fechando a porta atrás de si, quase como se fosse um demônio fugindo da cruz.

— Banho gelado. Preciso de um banho gelado. — Balbuciou inaudível e ligou o chuveiro, entrando na água assim que se livrou das roupas que vestia.

Achou que isso acalmaria seus pensamentos impróprios e na verdade até deu certo, mas só até que ele saísse da água, convencido que podia continuar com a coisa de “apenas amigos”, e batesse os olhos no pequeno varal de chão ali no canto...

Bucky se deu conta então, por causa das peças estendidas, que Savannah estava ali no outro cômodo usando apenas sua camiseta.

Nada. Mais. Que. Isso.

Esfregou a toalha no rosto com mais força do que o necessário, pedindo a Deus, ou a qualquer outra divindade, que lhe desse forças em nome de tudo que era mais sagrado.

Seria uma noite bem longa...

Se vestiu então, regata e moletom, respirou fundo e abriu a porta. Não podia ficar no banheiro para sempre...

O apartamento estava vazio, mas era envolvido pela música que vinha da televisão, Bucky não perdeu tempo se perguntou como Savannah tinha colocado aquele site de vídeos naquele aparelho, apenas caminhou lentamente para a cozinha, que se encontrava iluminada apenas pela luz do quarto, tentando agir com a normalidade de sempre.

— Eu roubei seu vinho... — Ela avisou assim que o viu, se referindo a garrafa que Bucky tinha comprado por motivos culinários e que agora estava na mão dela. — Mas sou uma péssima ladra e não consigo abrir o que eu roubei.

Ele riu de canto então, negando algumas vezes enquanto dava alguns passos na direção dela.

— Por que eu não estou surpreso com isso? — Jogou de volta, estendeu a mão de vibranium para que Savannah lhe entregasse a garrafa.

— Porque você me conhece, Sargento. — Ela o presenteou com um sorriso que era o equilíbrio perfeito entre travessura e inocência.

Bucky lidou com a rolha sem grandes problemas e deu um longo gole na bebida, quase como se o álcool fosse mesmo fazer algum efeito em si. Savannah por sua vez balançava sutilmente no ritmo da música animada que tocava de fundo.

— Você está me devendo uma dança, sabe? — Ela declarou, quando ele lhe estendeu a garrafa de volta. — Não pense que eu esqueci.

— Está me cobrando? — Bucky perguntou, tentando um tom bem-humorado, apenas para disfarçar o quanto ficou tenso com o quase convite.

— Talvez... — Ela riu, leve, doce. Totalmente Savannah.

A observou mover os pés pelo carpete com a garrafa as mãos, era evidente que ela estava feliz e isso fazia o coração de Bucky bater mais forte e mais quente. Não conseguia evitar aqueles sentimentos, mesmo que não os entendesse bem, eles estavam lá, inegáveis, intensos e contagiantes.

Porque era impossível não sorrir quando estava perto de Savannah.

A música acabou e ela parou no meio do cômodo, os olhos em Bucky daquele jeito quente e hipnótico.

— Vai me pagar ou vai dar calote? — Questionou divertida e ele riu abertamente.

A próxima música veio com um toque suave e uma nota forte. Por que não?

— Senhorita... — Estendeu a mão direta e deu um passo na direção de Savannah.

Ela sorriu, um lindo pôr do Sol, colocou a garrafa de vinho sobre a bancada e aceitou o convite de Bucky, deslizando os dedos sobre a palma dele suavemente, no mesmo instante que a voz masculina entoava os primeiros versos da música.

Ele lhe beijou as costas da mão, antes de se aproximar ainda mais, colocando o braço de vibranium respeitosamente em volta da cintura feminina, enquanto a mão direta ainda segurava a dela.

Começaram os primeiros passos no ritmo que a música tinha, os olhos presos uns nos outros, as respirações indo e vindo em conjunto.

Bucky já tinha dançado com várias garotas na vida, mas nenhuma única vez seu coração tinha batido daquele jeito tão acelerado, era quase como se seu peito formigasse a cada pulsação. Se pudesse parar sua vida naquele exato instante faria isso, mesmo que uma parte de si ainda teimasse em dizer que não devia gostar de Savannah daquela forma...

Ele tentou se lembrar dos motivos, sabia que tinha uma lista deles, mas simplesmente não lhe vinha nenhum à mente naquele momento. Todo o resto tinha desaparecido, só havia Savannah Devenport.

E Bucky a queria, não só “apenas amigos”, mais que isso, mesmo que ainda não soubesse o que exatamente...

— Então... — Limpou a garganta, criando coragem por um segundo. — Você deve estar muito feliz com a Sierra de volta, não é?

Começar sutilmente, como a música que dançavam, parecia a melhor forma de obter uma resposta. Seu coração, no entanto, temia essa informação em batidas tensas e desconexas.

— Normal. — Savannah franziu levemente as sobrancelhas, como se não entendesse o assunto aleatório. — Estou feliz, mas não tão feliz quanto a Abby, com certeza.

— Abby? — Foi Bucky quem franziu as sobrancelhas, confuso com aquela resposta.

— Você não está sabendo? — Os olhos avelãs piscaram rapidamente e Savannah sorriu. — Elas estão juntas, ou quase... sei lá... Abby é complicada.

Ela riu, leve, simples, totalmente despreocupada.

— Ah... — Bucky moveu a cabeça devagar, sem encontrar nada melhor para dizer.

Repassou aquele dia em sua mente e viu que de fato, haviam coisas que ele tinha ignorado totalmente que se encaixavam com aquela verdade. As palavras frenéticas de Abigail naquela manhã fizeram um pouco mais de sentido...

— Pensei mesmo que vocês estavam juntas outra vez. — Ele murmurou, mas na verdade não era algo que pretendia dizer em voz alta.

Merda.

— Eu e a Sierra? — O tom surpreso de Savannah ficou evidente e Bucky não viu uma forma de sair daquela situação a não ser movendo os ombros e se mantendo calado. — Não. Sem chances. Eu disse pra você, eu percebi que somos melhores como amigas.

Sim, ela tinha dito. Bucky se sentiu um pouco estúpido por ter tirado a conclusão totalmente errada. Talvez nem desse pra chamar de autossabotagem, era apenas burrice mesmo, porque ignorou todas as informações concretas que tinha e acreditou em uma teoria fantasiosa que montou em sua mente por algum motivo idiota.

— É como e eu disse, ela é minha amiga, eu ainda a amo, mas é diferente... — Savannah declarou com o tom casual e despreocupado, enquanto os dois continuavam a se mover, mesmo que Bucky sequer estivesse prestando atenção na música — É um amor fraterno, sabe? E eu vejo agora, mais que em qualquer outro momento, o quanto esse tipo de amor é diferente do amor romântico.

— Diferente como? — Ele questionou, se pegando muito interessado no assunto. — Como é amar alguém romanticamente?

Não sabia de onde tinha tirado aquela pergunta inoportuna, mas sabia que queria ouvir dos lábios de Savannah o que aquele tipo de sentimento significava pra ela...

— Não é só atração... não é apenas um querer tocar e ser tocada. Não é apenas sobre os arrepios que consomem seu corpo quando a outra pessoa respira muito perto... É mais do que aguardar um beijo como se sua vida dependesse disso. — Ela soltou a mão de Bucky e entrelaçou o pescoço dele. — O desejo te queima por dentro, é claro, e cada momento muito perto dessa outra pessoa só aumenta isso. Mas não são apenas as borboletas fazendo morada no seu estômago, as pernas bambas ou a ponta dos dedos formigando... É mais.

Os olhos avelãs encontraram os azuis, Savannah piscou devagar, perdida em algum pensamento que o Sargento não conseguia decifrar.

— Amar é como encontrar algo que você nunca soube que estava procurando. — Ela declarou com a voz calma e doce, sem tirar os olhos dele. — Claro que havia vida e ainda haviam coisas boas antes, mas depois que você encontra alguém que você ama, nada mais parece igual... É como descobrir uma nova cor, quando você tinha certeza absoluta que já conhecia todas. Sabe?

— Talvez... — Bucky balbuciou, lembrando vagamente de ter pensando algo parecido muito recentemente, ele só não se deu conta que esse pensamento não teve qualquer conexão com Steve.

Isso talvez tenha passado batido porque seu coração pulsava depressa contra o peito e sua respiração estava presa na garganta. Ele não pensava com clareza naquele momento, envolvido demais com o ritmo da música e com o mover cadenciado do corpo de Savannah, no entanto, se a música fosse mesmo seu foco, Barnes teria notado que sequer sabia se ainda era a mesma que tocava.

— E quando você não está com essa pessoa é como se os seus pulmões não funcionassem direito... A saudade é tão intensa que te corta por dentro e doí de um jeito novo e estranho. — Savannah colou o corpo no dele, porém não parou de dançar. — Mas então você vê esse alguém do outro lado do cômodo e o seu coração bombeia sangue tão rápido pelo seu corpo que suas pernas amolecem, suas mãos tremem, e você... não consegue respirar... até estar com ele.

Ela suspirou, Bucky a abraçou forte contra o corpo em um reflexo involuntário. Havia algo quente que vinha do peito dele e irradiava por toda a parte, e era... tão bom.

— Acho que essa é a diferença, podemos amar nossos amigos e família, mas tem algumas vezes que você conhece alguém e sente que... — Savannah prendeu o ar antes de continuar. — Só viveu a vida pela metade até aquele momento e sequer sabia disso.

Bucky entendeu aquele sentimento com uma familiaridade quase impressionante, era tão intenso e real que podia sentir na própria pele, pulsando em suas veias, irradiando de seu coração.

Mas é claro que conhecia tudo aquilo. Era o que sentia por Steve afinal...

E mesmo assim, mesmo com esse pensamento fixo na mente, não foi com a imagem de Steve que Bucky associou com cada palavra que foi dita, e talvez ele tivesse notado isso, se não estivesse embriagado com o perfume de mel e frutas vermelhas que emanavam do cabelo de Savannah.

No entanto, ele foi capaz de focar em outro ponto: conseguia entender porque o sentimento lhe era tão familiar para si mesmo, mas por que era familiar para Savannah?

— Como você tem tanta certeza de tudo isso? — Perguntou no impulso, as sobrancelhas franzindo minimamente.

— É porque eu... — Ela ergueu os olhos na direção de Bucky, seu castanho-esverdeado brilhando na penumbra da cozinha como se tivesse luz próprias — Sei lá...

O Sargento ouviu as palavras confusas, mas a verdade é que a certeza que as orbes avelãs carregavam diziam exatamente o contrário. E ele enxergou então, com uma clareza assustadora, que ela sabia, porque sentia...

Esse pensamento e o sentimento que veio junto com ele, surpreendeu Bucky mais que qualquer outra coisa. Aquilo era real? Sua mente confusa não lhe deixava acreditar.

Savannah não podia fazer aquilo.

Ele tinha dito que queria isso, tinha dito no tumulo de Steve, queria saber como era gostar de alguém que também gostasse dele. Mas... Amor?

Aquele tipo de amor que estava nos olhos de Savannah?

Parou de dançar, a soltou, deu um passo para trás. Nunca pensou que as pernas tremeriam por qualquer coisa na vida, mas tremiam naquele momento...

— Acha que é uma visão estúpida das coisas? — Savannah questionou, como se o silêncio momentâneo e a distância repentinamente imposta a incomodassem

— Não... — Bucky respondeu apenas, tentando encaixar todas as coisas em sua mente e principalmente em seu coração. — É só que... algumas pessoas não merecem ser amadas desse jeito.

Era esse o problema...

Bucky tentou se mover em direção ao quarto, ou a qualquer outro lugar, mas a mão quente de Savannah segurando seu braço de vibranium repentinamente o impediu de continuar. Estavam lado a lado, mas em sentidos opostos, e algo nela, no toque ou no olhar, fazia com que ele derretesse um pouco.

— “Algumas pessoas”... ou você? — Savannah perguntou em seu costumeiro tom calmo e perspicaz.

Se encaram por alguns segundos. A respiração de Bucky indo e vindo pesada e tensa.

— Você sabe a resposta. — Ele soprou tão baixo que parecia apenas uma manifestação do vento.

Savannah não o soltou ou se moveu, os olhos avelãs tinham uma dezena de sentimentos que Bucky só podia decifrar parcialmente.

— O que eu sei é que... dizem que as pessoas que não acreditam que não merecem amor, são aquelas que merecem ser amadas dez vezes mais. — Ela devolveu e sua voz mais parecia uma caricia doce.

Barnes quis acreditar nisso, quis parar de lutar contra si mesmo, mas aquela parecia sua reação imediata para tudo. A verdadeira batalha era baixar a guarda.

Savannah se moveu alguns passos, mais perto, ficando bem na frente dele outra vez, sua mão subiu para a barba e Bucky podia sentir os dedos quentes contornando cada traço.

Deu um suspiro cansado e fechou os olhos, cedendo ao carinho como se ele fosse a personificação do alivio instantâneo. Estava exausto de suas próprias batalhas mentais... Só queria poder sair da própria mente por um segundo e aceitar aquilo que tinha em mãos.

Porém, como você aceita algo que não acredita que merece?

Colocou a mão sobre a de Savannah e a pressionou contra o próprio rosto por um segundo, antes de entrelaçar os dedos nos dela.

— Você não devia gostar de mim... — Murmurou em um fio de voz, então abriu os olhos e beijou os dedos dela com carinho. — Você realmente não devia gostar de mim.

Savannah deu um passo para mais perto, a outra mão seguindo para a nuca de Bucky e um sorriso calmo nos lábios.

— Acho que é meio tarde pra isso. — Ela respondeu e ele pode sentir o carinho sutil em seu pescoço.

Os olhos ficaram presos então, e Bucky soube, com uma certeza angustiante, que mesmo com toda sua luta interna ele sempre desejaria ter Savannah por perto. Era realmente muito tarde para pensar em sentimentos que não deviam ter.

Porque os sentimentos já estavam lá, e certamente não iriam embora.

— É só que... — Ele forçou as palavras a saírem de sua garganta, mas ainda assim elas não eram mais que um mero sussurro. — Eu não sei como é isso...

Isso o que? — Savannah franziu minimamente suas sobrancelhas.

— Gostar de alguém que... gosta de mim também. — Bucky respondeu, se sentindo estúpido por dizer aquilo em voz alta, mas qualquer pensamento simplesmente sumiu de sua mente quando Savannah o presenteou com o melhor dos sorrisos.

Tão linda que o deixava sem fôlego.

— É mais ou menos assim... — Ela apoiou as duas mãos no ombro dele e ficou na ponta dos pés, impulsionando o corpo o bastante para que seus lábios tocassem dos de Bucky de forma lenta e doce.

Ele não esperava por isso, nem pelo arrepio quente que se espalhou por todo seu corpo, porém mal teve tempo de colocar as mãos na cintura de Savannah antes que ela afastasse o rosto.

— Então... é bom? — Perguntou, ainda abraçada a ele, com os olhos presos nos azuis.

— Não sei... — Bucky fingiu falsa confusão e deu um sorriso de canto. — Acho que você vai ter que fazer outra vez, só pra eu ter certeza.

Savannah riu, uma daquelas risadas gostosas de ouvir, então aproximou o rosto de novo, fazendo com que seu nariz roçasse o do Sargento bem devagar. Ele sorriu contra os lábios dela, infiltrando a mão de vibranium entre os fios ruivos...

Não demorou para que os lábios estivessem unidos outra vez, dessa vez em um beijo mais intenso. Era lento, mas ao mesmo tempo angustiado, um reflexo daquilo que Bucky tinha sentido durante todo o dia, por estar longe de Savannah.

As mãos pediam por mais proximidade entre os corpos, enquanto as línguas se buscavam, tornando o beijo mais ávido e quente. O braço direito de Bucky envolvia o corpo de Savannah com tanta firmeza que os pés dela mal tocavam o chão.

Sua mente se calou, foi como se o Sol finalmente surgisse no horizonte e iluminasse a escuridão que havia ali, nada mais importava, nenhuma dor, dúvida ou insegurança. Não havia lutas, apenas paz.

Não tinham qualquer intenção de interromperem aquele beijo, no que dizia respeito a Bucky ele teria ficado ali, exatamente daquele jeito, a noite toda, mas aparentemente uma certa bolinha de pelos tinha outros planos... O miado exagerado de Alpine cortou o ar, e o clima.

Savannah e Bucky se afastaram um pouco e encararam a gata, que os observava com um olhar enfadonho e soltou outro miado. A ruiva caiu na risada e se afastou totalmente de Bucky.

— Acho que ela está com ciúmes. — Lançou, enquanto o Sargento ria de canto e pegava Alpine no colo.

— É só fome. — Ele respondeu, se afastando em direção a cozinha.

Savannah seguiu para o quarto e Bucky acendeu a luz, então cuidou atender as necessidades da gata, com carinho e paciência...

— Você mima ela demais, sabe? — A voz feminina veio do outro cômodo, enquanto ele já lavava as mãos.

— Quem é que está com ciúmes agora, hein? — Jogou de volta e ouviu Savannah cair na risada.

— Claro, claro. — O tom irônico dela fez com que Bucky sorrisse de canto involuntariamente enquanto caminhava para o quarto. — Eu obviamente estou momento de ciúmes de uma gata.

Ele parou no batente, o peso apoiado em uma perna e o ombro encostado na madeira. A única luz que havia no quarto agora era a da televisão ligada, mas que não tinha som algum naquele instante, Savannah estava sentada na cama, encostada nos travesseiros com o edredom jogado sobre as pernas, os fios alaranjados escorrendo pelos ombros emoldurando-lhe o rosto e destacando os olhos castanhos-esverdeados.

O sorriso irônico morreu nos lábios dela e se acendeu em fogo, o olhar queimava, o rosto tombando um pouco enquanto ela analisava a figura de Bucky lentamente.

— Você é linda, sabia? — Ele declarou, preso nas íris avelãs, sendo incapaz de desviar os olhos dela.

Savannah abaixou a cabeça e deu uma risadinha constrangida, provavelmente não esperava o elogio direto. Bucky se moveu na direção dela, apoiou o joelho a cama e se aproximou o bastante para poder tocar o queixo feminino com a ponta dos dedos e fazer com que as orbes castanhos-esverdeados focassem nas dele.

— Eu falo sério. Você é a mulher mais linda que eu já conheci. — Ele reforçou, sem desviar os olhos dela.

Savannah riu, isso fez com que Bucky franzisse as sobrancelhas confuso.

— Em cem anos? — Ela duvidou com um olhar afiado.

— Cento e dezessete, basicamente. — Ele reforçou.

— Meu Deus, James, como você é muito mentiroso. — Savannah riu, dando um empurrão fraco no ombro dele. — Um mentiroso muito gostoso, mas ainda sim um mentiroso.

Então foi Bucky quem acabou caindo na risada, se jogou ao lado de Savannah e negou várias vezes.

— Seu romantismo é comovente. — Ele ironizou e seus olhos encontraram os de Savannah outra vez.

Ela estava só brincando... certo?

— Ah... Então você acha que eu não sou romântica? — Savannah jogou de volta, em um tom falsamente ofendido.

Bucky não respondeu, apenas deu outra risadinha de canto. O que ele certamente não esperava era que Savannah jogasse a coberta para o lado e praticamente pulasse sobre colo dele. Um joelho de cada lado de seu corpo, as mãos apoiadas nos ombros de Barnes e o rosto um pouco acima do dele.

O Sargento engoliu em seco, o coração começou a bater de um jeito descontrolado. Lembrou perfeitamente que ela usava apenas aquela camiseta e nada mais e que estavam totalmente sozinhos, na cama...

— Você é... — Savannah moveu os dedos pelo pescoço de Bucky bem devagar, disparando um arrepio quente por todo o corpo dele. — O homem mais extraordinário que eu conheço. — Os olhos avelãs estavam completamente focados nos azuis. — Você não é apenas bonito, como uma estátua grega esculpida no mármore, você é mais... Você é gentil, doce, educado, justo e corajoso. E muito, muito fofo, mesmo sem fazer qualquer esforço.

Os dedos dela corriam a linha do maxilar de Bucky bem devagar, ele sentiu não respirava, não se movia, totalmente preso nela como se assistisse a um evento cósmico raríssimo.

— Quando você anda, meu coração acompanha o ritmo dos seus passos. — Savannah continuou, sem desviar a atenção um só segundo. — Quando você fala, nenhum outro som no universo importa mais. Quando você sorri, o tempo para por um segundo e só existe você no meu mundo. E... quando você me toca, um milhão de estrelas nascem no meu estômago e sobem pela minha coluna, até morrerem no céu da minha boca.

Ela sorriu e Barnes desejou que aquela memória doce pudesse preencher sua mente por completo e derreter todo o gelo sangrento com seu brilho-sol. E se ele acabasse se queimando por isso... que fosse.

Seria uma maneira adorável de se queimar afinal.

— Isso é romantismo o bastante pra você, meu Sargento? — Savannah perguntou e seu sorriso tocou o canto dos lábios de Bucky de forma suave e doce.

Meu. Apenas três letras, uma palavra tão boba e tão pequena, mas que significava um mundo de coisas para James Buchanan Barnes...

Porque ele nunca quis ser de ninguém, se orgulhava ser apenas de si mesmo, mesmo que sentisse que seu coração pertencesse a outro, e então isso foi arrancado de si, pertencia ao gelo, a morte e a dor. Seu corpo e sua mente não eram seus, suas vontades eram manipuladas. Era nada, menos que uma coisa. Mas teve tudo de volta — ou ao menos os cacos que tinham sobrado — e novamente decidiu que era apenas de si mesmo, nunca mais permitiria que usassem aquelas três letras para se referir a ele.

Todavia ali estava Savannah, e nos lábios dela aquele “meu”, soava.... certo.

— Isso é romantismo demais até... minha Boneca. — Ele soprou, sorrindo de canto e erguendo a mão direita para tocar o rosto dela.

Aquilo definitivamente parecia certo.

Savannah sorriu de canto, quente e sedutor, inclinou um pouco o corpo para frente e parou bem perto do ouvido de Bucky.

— Mas nem todo o romantismo do mundo é capaz de mudar o fato de que você é um puta gostoso do caralho. — Ela sussurrou em um tom que fez com que todo o corpo do Sargento arrepiasse e algo dentro dele pegasse fogo.

Ele acabou rindo, mas o som morreu em sua garganta quando sentiu lábios quentes em seu pescoço. Um beijo e outro. Fechou os olhos por instinto, como se isso pudesse prolongar aquela sensação. Sua mão direita apertou os fios ruivos próximo a nuca, a respiração presa em sua garganta... Outro beijo, a língua de Savannah tocou a pele de Bucky e o quarto pareceu pegar fogo em um segundo...

— Você é terrível, sabia disso? — A voz masculina veio dois tons mais rouca que o normal.

— Sou, é? — Savannah deu uma risadinha quase maldosa e mordeu o lóbulo da orelha dele, beijando-lhe o rosto em seguida, por todo o caminho da barba, até que estivessem cara a cara novamente. Nariz com nariz, olhos nos olhos.

— Você é sim... — Bucky moveu a mão de vibranium em direção as costas dela, os dedos enrolando no fim dos fios ruivos. — Terrivelmente maravilhosa.

Savannah sorriu contra os lábios dele, um pouco antes que fosse puxada para um beijo cheio de desejo reprimido. Umas das mãos firmes na nuca dela a outra ainda pousada nas costas, descendo timidamente para a cintura.

As duas mãos de Savannah estavam no cabelo dele, indo e vindo pelo caminho do pescoço, os dedos no meio dos fios em uma carícia ritmada que acompanhava o beijo. Quando ela finalmente se sentou sobre o colo dele o coração de Bucky parecia prestes a sofrer um colapso a qualquer momento de tão forte de batia.

A mão de vibranium desceu um pouco mais, envolveu a cintura feminina com firmeza, Savannah por sua vez descia o toque pelo braço direito dele, apertando os músculos pelo caminho, quase como se testasse a densidade deles. Os lábios seguiam unidos, o beijo ficando intenso demais para que os corpos ficassem parados...

Savannah movia os quadris naquele mesmo ritmo, provocando o contato de partes bem especificas dos corpos dos dois, e era... torturantemente delicioso. A mão esquerda de Bucky desceu mais, o vibranium tocou a pele quente da coxa feminina e deslizou por ali, causando sensações imediatas que pareciam irradiar exatamente para o ponto do corpo dele que aos poucos endurecia.

Os lábios se separaram, as respirações ofegantes se chocavam enquanto as testas permaneciam coladas. Bucky testou subir um pouco mais a mão esquerda, a textura da pele arrepiada na ponta dos dedos era quase mágica. Sentiu a barra da camiseta e parou, incerto sobre se devia ou não passar dali, procurou os olhos de Savannah e em resposta ela voltou a beijá-lo ainda mais intensamente que antes.

Subiu a mão por dentro da camiseta então, deslizando pela lateral do corpo feminino livremente; coxas, quadris, cintura... Constatou que de fato Savannah não usava nada por debaixo daquela peça. Ela se moveu contra ele novamente, causando uma onda elétrica de prazer que fez com que o primeiro instinto de Bucky fosse apertar a cintura de Savannah para puxá-la de encontro ao seu corpo...

Ela ofegou contra os lábios dele de forma quase sôfrega e isso foi o bastante para que Barnes tirasse as duas mãos do corpo feminino e interrompesse o beijo.

— Te machuquei? — Perguntou, procurando os olhos dela com urgência.

Savannah franziu as sobrancelhas por um momento, quase como se as palavras não fizessem o menor sentido, então pareceu raciocinar melhor e negou algumas vezes, rindo de canto.

— Eu não sou de cristal, James. — Respondeu, segurando as duas mãos dele para conduzi-las de volta para o próprio quadril.

Pararam. Os olhos presos de forma magnética uns nos outros, as respirações pesadas... Os seios de Savannah subiam e desciam contra a camiseta, o pingente de sol brilhando entre eles, os bicos entumecidos perceptíveis através do tecido. Ela soltou as mãos de Bucky e ele pode sentir o toque quente correr pelos dois braços ao mesmo tempo, lhe causando sensações prazerosamente distintas de ambos os lados.

Savannah se curvou então, os lábios alcançando o pescoço de Bucky, espalhando beijos quentes por toda a parte. Ele a puxou contra o próprio corpo, a fricção prazerosa espalhando sensação que se misturavam com os beijos. As roupas entre eles nunca tinham parecido tão inoportunas quanto naquele momento.

Bucky era pólvora e Savannah fogo puro; cada beijo, cada toque, cada movimento eram uma faísca entre eles, prestes a desencadear uma explosão. Mesmo o quarto parecia mais quente, e qualquer fragmento de gelo nos ossos do Soldado Invernal não existia mais...

A mão de vibranium subiu pelo corpo feminino, enquanto a outra se movia para fora da camiseta e envolvia os fios ruivos, fazendo com que Savannah cessasse os beijos, Bucky a puxou com delicadeza, deixando o pescoço delicado a sua mercê. Primeiro ele beijou a linha da clavícula, no caminho que a peça de roupa caída deixava a pele exposta, e fui subindo sem pressa, para só então chegar ao seu destino.

Savannah se contorcia em seu colo, as unhas curtas pressionando-lhe os ombros, cada contato aumentando as sensações prazerosas que dominavam todos os poros de Bucky. Sua mão esquerda explorando o corpo dela, até que os dedos de vibranium tocassem um dos seios com uma delicadeza torturante, para só então envolvê-lo por completo, sentindo a maciez na palma metálica.

O som que escapou dos lábios dela era a mais pura expressão de prazer. Foi a faísca final para a explosão... Em um único movimento rápido Bucky envolveu Savannah pela cintura e a virou em direção a cama, os fios ruivos se espalhando por toda a parte. Era o Sargento quem estava por cima, um dos joelhos entre as pernas dela e as orbes azuis gélidas fixas no sorriso quente que emoldurava os lábios cheios.

Ela se apoiou nos cotovelos então, para que ficassem mais próximos, os lábios se encontrando no meio do caminho em um beijo um tanto desconexo e desesperado. Bucky pôde sentir as mãos femininas procurando a barra de sua regata que logo foi atirada para um lugar qualquer do quarto, enquanto as bocas voltavam a se procurar.

Deixou que seu corpo cedesse sobre o de Savannah lentamente, fazendo com que ela se deitasse e apoiando o braço de vibranium no colchão, para que seu peso não ficasse todo sobre o dela. A mão oposta segurava uma das coxas dela com firmeza, apertando a carne na intensidade em que se beijavam.

Sentiu os dedos delicados em seu abdômen, descendo, contornando cada músculo e deixando um excitante rastro quente por toda a parte. Bucky não a deteve quando Savannah alcançou o elástico da calça de moletom, mas soltou os lábios dela; as testas coladas, os olhos ainda fechados, a respiração pesada.

Expectativa.

Os lábios femininos encontraram o pescoço de Bucky primeiro e só então o toque deslizou por dentro das roupas, encontrando a ereção dele e fazendo com que o Sargento murmurasse um palavrão desconexo. Por algum motivo que ele não foi capaz de entender naquele momento Savannah sorriu contra sua pele, conforme ia e vinha por todo o comprimento da rigidez.

De novo e de novo. Firme e ao mesmo tempo delicado... Tão deliciosamente enlouquecedor.

As bocas se encontraram outra vez, logo as línguas deslizavam uma sobre a outra, enquanto o toque constante de Savannah prosseguia. Bucky impulsionava o corpo de encontro ao dela ao mesmo tempo em que sua mão direita subia pela lateral do corpo feminino, explorando cada curva com vigor, subindo por dentro da camiseta e alcançando um dos seios, manipulando com a mesma destreza que Savannah manipulava a ereção dele.

A cada segundo ele se sentia mais e mais próximo, o tesão se acumulando em ondas elétricas, tão perto que tudo ao redor parecia um pouco fora de foco. Mas não queria que tudo acabasse tão rápido, não ainda...

Savannah podia apreciar todo o comprimento de James pulsando contra sua palma, era quase surreal tocar cada uma das veias e apreciar a oscilação da respiração dele a cada movimento. Alternava entre pressão e carícia, indo e vindo no mesmo ritmo em que ele próprio deslizava a língua contra dela...

Porém tudo isso foi repentinamente interrompido, quando os dedos de vibranium se fecharam em seu punho e logo não havia nada mais em sua mão. James capturou os dois braços dela sem qualquer dificuldade e os ergueu acima dos fios ruivos, enquanto se posicionava entre as pernas de Savannah usando movimentos precisos e um tanto selvagens.

O interior dela se contorcia em uma expectativa dolorida que fazia com que cada pequeno contato causasse uma explosão de sensações indescritíveis. Apreciou a fricção dos corpos quando James se impulsionou contra ela, capturando-lhe os lábios em um beijo nada delicado.

Queria tocá-lo, deslizar os dedos por todos os músculos maravilhosos que ele tinha, mas suas mãos continuavam presas para cima, ambas entre os dedos de vibranium, já que a mão direita de James se libertou e seguiu direto para a coxa dela, arrumando a posição em que estavam, aumentando ainda mais o contato entre os corpos.

Por que ainda continuavam tão vestidos?

Se contorcia contra ele, mas estava tão imobilizada que qualquer busca desesperada por contato parecia em vão. E isso só a excitava ainda mais.

Sentiu a mão direita dele fazer um caminho perigoso por dentro de sua coxa, subindo cada vez mais... Seu coração batia apressado de ansiedade, a respiração estava totalmente desconexa. Savannah queria ser tocada mais que tudo.

Ele subiu mais, a ponta dos dedos roçando a virilha, mas seguindo direto para o baixo ventre, sem tocar na parte que ansiava por atenção.

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— James... — Savannah suplicou contra os lábios dele e o sentiu sorrir de canto.

Os dedos desceram mais então, encontrando o ponto sensível e deslizando por ele lentamente... Savannah soltou um palavrão, ou talvez tenha sido um gemido, ela não conseguia prestar atenção o bastante nos sons desconexos que deixavam seus lábios a cada vez que James ia e vinha por cima de seu clitóris. Ele com certeza sabia o que estava fazendo.

— Por favor... — Murmurou como uma prece e os olhos azuis gélidos encontraram os seus. Estava explícito naquele olhar que ele tinha entendido o pedido, porque moveu a mão exatamente na direção que Savannah queria. Mesmo assim ela negou em um movimento curto que o fez parar imediatamente. — A outra mão...

James tremeu contra seu corpo, Savannah pode sentir perfeitamente, os olhos escurecendo de um desejo tão visceral que era quase palpável. Ele assentiu em um movimento mínimo e soltou os pulsos dela, mas ao invés de descer a mão de vibranium direto, ele subiu a outra e parou as duas na gola da camisa que Savannah usava. Com um puxão firme o tecido se rasgou em dois com uma facilidade irrisória.

O corpo nu de Savannah ficou exposto, enquanto James, parcialmente ajoelhado na cama, deslizava seus olhos incrivelmente azuis por cada curva, como um predador que observa sua presa...

Então ele se curvou e vieram os beijos, lentos, sem pressa, descendo e descendo; pescoço, clavícula, seios, abdômen... cada vez mais para baixo, enquanto as duas mãos corriam por cada curva em uma caricia enlouquecedora.

Savannah acompanhava os movimentos em expectativa, os olhos fixos nos ombros de James, hipnotizada com a forma que cada músculo tencionava... Sua respiração saia pesada e ofegante, alguns palavrões se acumulando na ponta da sua língua a cada beijo mais demorado.

James pulou o baixo ventre de propósito e seguiu direto para as coxas, focando sua atenção ali com a devoção de alguém que venera uma criatura divina. Uma perna de cada vez, sem qualquer pressa...

Savannah fechou os olhos e afundou os dedos nos fios curtos quando o hálito gelado finalmente atingiu seu sexo úmido. A outra mão se agarrou aos lençóis quando os lábios de James tocaram seu ponto mais sensível... Sua voz se espalhou pelo quarto em um gemido desconexo.

Eram sensações demais atingindo suas terminações nervosas ao mesmo tempo, estava totalmente rendida pela língua de James, antes mesmo que o toque dos dedos metálicos viesse. Gelado.

A mão direita dele estava na coxa dela, mantendo a posição e colocando pressão na pele. Savannah prendeu a respiração quando o primeiro dedo de vibranium deslizou para dentro dela, duro, liso e deliciosamente gelado, um contraste gritante com a temperatura da pele dela naquele instante.

Sequer conseguia raciocinar mais sobre conter os sons que deixavam seus lábios; gemidos ou palavrões, ou apenas frases desconexas... ela não conseguia se concentrar em nada que não fosse os lábios e os dedos de James. Enquanto beijava e chupava, ele acompanhava esse ritmo deslizando para dentro e para fora com uma facilidade instigante, seja pela textura lisa do metal ou por causa do quão molhada Savannah estava.

E foi naquele momento, quando seu corpo parecia cada vez mais perto do prazer avassalador, que Savannah se deu conta que queria James completamente. De uma forma que jamais tinha desejado homem algum...

— James... — A voz de Savannah, fez cada poro de Bucky arrepiar, ele ergueu a cabeça quando ela puxou levemente seu cabelo.

Deslizou os dedos para fora dela, ainda absorvendo todas as sensações que aquele contato tinha lhe proporcionado. Porque era totalmente diferente de tocar apenas a pele de Savannah...

Ele engatinhou o caminho de volta quando ela o puxou um pouco mais e os olhos enfim se encontraram, as íris brilhantes de Savannah eram desejo liquido e Bucky não ofereceu qualquer resistência quando ela implorou por um beijo sem precisar de qualquer palavra.

Era como se seu corpo inteiro implorasse por ela de formas que nunca tinham implorado por ninguém e esse desejo insano apenas incendiava ainda mais suas veias a cada movimento desesperado e desconexo que compartilhavam ao devorarem os lábios um do outro.

Não havia lógica na forma como os corpos se buscavam, era instintivo e visceral, uma confusão de braços, pernas e caricias enlouquecedora. Cada vez que as peles nuas se encontravam Bucky sentia uma corrente elétrica disparar direto para sua ereção.

— Eu quero você... — Savannah murmurou contra os lábios dele de forma ofegante, e Bucky focou os olhos azuis nela. Sabia exatamente o que aquilo significava...

— Sério? — Mal reconheceu a própria voz de tão rouca que estava.

Não tinha pretensões sobre aquele momento, tinha esperado uma vida toda, podia esperar mais, mesmo que seu corpo implorasse por aquilo...

— Você não quer? — Savannah perguntou, tocando o rosto dele com as duas mãos de forma tão doce que Bucky teve que beijar-lhe os lábios por um segundo.

— Você precisa mesmo de uma resposta? — Sorriu contra a boca dela, impulsionando o corpo para que os sexos se friccionassem através das peças de roupa que ele ainda usava.

Savannah o puxou para outro beijo, mas esse não durou muito, porque ela parecia muito empenhada em tirar a roupa de Bucky e aquela posição não ajudava em nada... Ele se colocou de pé então, abriu a gaveta ao lado da cama e pegou um dos pacotinhos laminados, enquanto Savannah se livrava da camiseta rasgada e se sentava na borda do colchão.

O olhar avelã pareceu um pouco surpreso com o preservativo — afinal Savannah havia olhado naquela gaveta na madrugada anterior — mas qualquer dúvida que ela tivesse ficou de lado, porque se livrar das últimas peças que Bucky usava parecia um assunto mais urgente...

Ela estendeu a mão para o pacote, e cuidou de deslizá-lo na ereção do Sargento de uma forma muito mais instigante do que ele teria feito.

A viu se mover mais para trás na cama e a seguiu como se Savannah fosse um imã, logo os lábios estavam colados outra vez, os corpos rolando no colchão até que Bucky estivesse por cima novamente.

Azuis e avelãs se encontraram, banhados pelas cores das imagens sem som na televisão, parecia um sonho... E se fosse, Bucky mataria qualquer um que tentasse acordá-lo.

Se arrumou entre as pernas dela e apoiou o braço de vibranium na cabeceira, enquanto Savannah tocava-lhe o rosto com adoração. As respirações iam e vinham em conjunto, ofegantes e ansiosas.

Bucky tremia.

— Eu... — Savannah entreabriu os lábios, mas então os fechou, as palavras morrendo na ponta de sua língua. Puxou Barnes para um beijo e ele pode sentir a verdade dentro de seu coração.

Ela o amava... E, caramba, era mútuo, mesmo que ele estivesse inebriado demais de desejo naquele momento para se dar conta da magnitude e da importância daquele sentimento.

Bucky a amava também.

Os corpos se buscaram, se moveram na direção um do outro como as ondas se movem em direção a areia da praia...

— Olha pra mim, Boneca. — Ele pediu, afastando um pouco o rosto para ver o castanho-esverdeado das orbes de Savannah antes de penetrá-la bem devagar.

Os sons se misturaram, junto com a respiração ofegante de ambos, as batidas dos corações pareciam perfeitamente sincronizadas. Os dedos de vibranium envolveram a madeira da cabeceira, assim como as coxas de Savannah fizeram com os quadris de Bucky. Encaixe perfeito.

Porque eles se moldavam um ao outro de formas que iam muito além dos corpos. Eram complementares em suas diferenças.

Duas peças de um mesmo quebra-cabeças.

Perfeitos em suas imperfeições. Avelãs e Azuis; Inverno e Verão; Fogo e Gelo.

Savannah e Bucky...

Não, Bucky, não, ali com ela o ele era apenas James.

O James dela. Tanto quanto Savannah era dele.

Demorou alguns segundos até que movessem os corpos em conjunto e voltasse a se beijar. Lento e ritmado a princípio, com as mãos indo e vindo por toda a parte em caricias doces, porém quentes.

Aos poucos cada estocada ficava um pouco mais forte, mais rápida, mais intensa... Os corpos suados se moviam em conjunto, em busca do mesmo tipo de prazer.

Tudo mais no mundo deixou de existir; sem heróis e vilões, sem organizações secretas, não havia dor, sangue ou gelo... Só havia Savannah, seu Sol particular, seu pedacinho de paraíso, sua paz encarnada...

Os gemidos dela eram como um mapa para ser seguido, Bucky sabia que ambos estavam perto. Cada vez mais rápido e mais intenso até que chegassem ao ponto máximo do desejo, o corpo de Savannah tremendo, as unhas curtas presas nos ombros dele, enquanto todas as terminações nervosas do Sargento colapsavam em prazer liquido. O orgasmo abatendo o corpo masculino por inteiro, relaxando os músculos, inebriando a mente. Foi tão intenso e arrebatador que ele sentiu o material da cabeceira despedaçar sob os dedos de vibranium.

Savannah sorriu contra os lábios dele ao ouvir o barulho e Bucky acabou sorrindo também, mas não se separaram, parando de se mover os poucos enquanto os corpos e as respirações se acalmavam...

Só então Bucky tirou seu peso de cima dela, se livrando da camisinha e jogando-a certeiramente no cesto de lixo perto da cama. Logo em seguida puxou Savannah para perto, os dois se arrumando na posição mais confortável possível; ela deitada sobre o peito dele, com as pernas entrelaçadas, os dedos femininos indo e vindo na barba de Bucky, enquanto os dele estavam enrolados nos fios ruivos, ambos em uma carícia lenta e preguiçosa...

— Acho que você vai precisar de uma cama nova... — Savannah soprou e a risada dos dois se misturou por um momento.

— Valeu a pena. — Bucky respondeu, beijando o topo da cabeça dela.

Deus, aquilo era tão certo... Os dois ali juntos, abraçados, com as risadas se misturando e os corpos ainda nus.

Era como se a vida finalmente pudesse ser boa...

Notas finais
Link da Música: https://www.youtube.com/watch?v=hwGBYGexu_I Altas emoções no dia de hoje... Amo demais esse casal, gente, é isso. Acho que agora vai demorar pra eu falar "esse é meu capitulo preferido" de novo kkkkk, vamos ver. Agora a gente quer uma declaração, assim só pra reforçar o amor mesmo... Eu tenho que atualizar as outras histórias, então talvez não volte aqui tão rápido, mas assim que der apareço. Beijos e até!