Notas iniciais
Cheguei pessoas lindas que leem essa humilde história. Quero agradecer a todos os favoritos e comentários desses dias que eu sumi, se eu não te respondi não é porque tô ignorando, é porque eu me perdi nas notificações, então desculpa por isso e obrigada de novo. Esse capitulo é ENORMEEE (eu coloquei dois em um só, confesso) e se eu pudesse dar um conselho é: colete a prova de balas, lenços e álcool em gel. Boa leitura!

A instalação em que Savannah estava era um lugar escuro que fedia a algo metálico, enquanto o homem grande lhe arrastava pelos corredores ela podia ouvir o eco de uma voz feminina que reverberava por cada canto daquelas paredes de pedra e ferro.

— Já disse que não! — Distinguiu uma das frases muito bem. Seja quem fosse estava muito irritada.

— Lucia, você tem que entender que tentar o procedimento nesse momento é arriscado, acha mesmo que os Vingadores não fizeram nada para reverter a programação da Hidra? — A voz de um homem se fez ouvir e Savannah percebia que estavam cada vez mais perto da fonte. — Se usarmos o chip teremos resultados satisfatórios e comprometimento total.

Ela prestava atenção na conversa, mas seu coração aos saltos e o medo latente em seus poros tornava difícil compreender exatamente o sentido das palavras. Queria saber se James estava bem, apenas isso.

— Não! — O grito da mulher fez com que a ruiva se assustasse. — Se usarmos o chip não será ele, será apenas uma coisa sem graça como Cerberus! Eu quero o Soldado Invernal, isso significa que temos que usar as palavras.

O próprio coração de Savannah pareceu parar algumas batidas quando ouviu sobre quem falavam. James. Rápido demais ela compreendeu que a Hidra o forçaria a obedecer novamente.

Sam tinha que chegar rápido.

— Com todo respeito, o Cerberus é minha melhor criação. — Ela continuou a ser arrastada pelo corredor enquanto ouvia o homem de antes falar.

— Achei que eu fosse sua melhor criação... — A voz feminina retrucou de forma irônica.

Savannah não se preocupou em compreender os assuntos paralelos, pouco importava quem era “Cerberus” ou qualquer coisa assim, seu único foco era James e o bem-estar dele...

— Xiu, eles estão aqui. — Ouviu a mesma mulher interromper o homem, antes que ele dissesse qualquer palavra coerente.

Uma porta metálica no fundo do corredor se abriu e revelou duas figuras em um tipo de escritório cheio de monitores e telas. Savannah não se preocupou em saber como a pessoa dentro da sala tinha conhecimento de sua aproximação, sua mente era apenas um compilado incompreensível de preces mudas, pedindo que Sam chegasse a tempo.

Reconheceu a Ministra Von Bardas de pé ao lado de uma mesa, enquanto era empurrada para dentro do lugar pelo brutamontes atrás de si, do lado direito um homem com um jaleco branco estava sentado, o rosto nada amigável e os olhos cheios de maldade fizeram com que um arrepio incômodo percorresse a coluna de Savannah.

— Trazer Menina Migalha, como Madame mandar... — O grandão empurrou a ruiva para o meio da sala e não ganhou mais que um revirar de olhos desdenhoso da Ministra.

— Viu, Doutor Freakmann? É esse tipo de comportamento que as palavras gatilho vão evitar. — Von Bardas apontou, para o outro homem, desconsiderando totalmente a presença do russo careca que trouxe Savannah até ali. — Queria que ele não falasse igual aos outros.

— A fala é útil em algumas ocasiões. — O homem que ela tinha acabado de chamar de “Doutor” se pronunciou em um tom profissional, mas um tanto contrariado.

— Mas o senso de humor me importuna. — A Ministra retrucou irritadiça. — Agora saiam!

Ela fez um gesto e ambos os homens deixaram a sala, logo depois que o Doutor Freakmann deu uma olhada longa e interessada na garota recém trazida.

Savannah tinha o coração aos saltos outra vez, parte da sua mente começou a procurar uma mentira boa o bastante para contar. Sabia que precisava ganhar tempo até a chegada de Sam, porém não fazia ideia de como conseguiria. Enquanto isso, a outra parte de sua mente notou que a Ministra não teve qualquer receio que as duas ficassem sozinhas, como se soubesse que a jovem não era ameaça alguma, ou como se fosse confiante o bastante para se garantir frente a qualquer perigo...

— Savannah Devenport... — Von Bardas saudou, apontando a cadeira bem ali, e contornando a mesa para se sentar do outro lado.

— Como você sabe meu nome? — Os olhos castanho-esverdeados se franziram em confusão completa, ficou em dúvida se aceitava o convide mudo e se sentava ou se permanecia de pé.

— Eu sei de tudo. — A Ministra moveu os ombros como se fosse nada demais. — É a mágica da internet.

Em um piscar de olhos as dezenas de telas na sala se ascenderam e imagens de Savannah apareceram em todas elas; sozinha, na rua, no serviço, com os amigos, com James...

— Você estava vigiando a gente? — Ela teve que se sentar porque suas pernas tremiam, em um primeiro momento havia pensado que a captura de James fora apenas uma infeliz coincidência, mas pelo que parecia Von Bardas sabia exatamente onde Barnes estava e com quem.

— Na verdade cada pessoa no mundo é vigiada vinte e quatro horas por dia. Não é culpa minha, mas é bem útil. — Outro dar de ombros vindo em conjunto com o tom presunçoso da mulher. — Tinha uma foto sua na tela inicial do celular do Senhor Barnes. Então... — Ela apontou como se fosse o raciocínio mais lógico de todos. — O reconhecimento facial e seus dados eu consegui antes mesmo de chegar aqui. As criptografias de segurança nesse caso são uma piada.

Era incerto se a vigilância da Ministra era algo antigo ou se ela tinha conseguido todas aquelas informações depois de pegar o celular de James. Mas se fosse a última alternativa, como ela tinha conseguido aquela quantidade de dados tão rápido? E como tudo tinha aparecido automaticamente naquelas telas, sendo que ninguém havia apertado sequer um botão?

— Eu... — Savannah balbuciou, tentando encontrar qualquer mentira boba que a fizesse ganhar algum tempo. — Eu estava....

— Não precisa explicar, eu entendo. — Von Bardas fez um gesto displicente com a mão. — Você gosta dele, e está tentando salvá-lo. — Ela pousou os olhos na jovem e sorriu compassiva e um tanto debochada, quase como se sentisse dó, mas ao mesmo tempo se divertisse com isso. — Porém o homem que você quer resgatar sequer existe de verdade, ele é uma fraude, uma mentira. O Sargento Barnes morreu décadas atrás quando caiu no gelo, o que você conhecesse são apenas resquícios perdidos de uma personalidade persistente, que logo serão totalmente extintos.

Savannah segurou as palavras nada amigáveis que se formavam na ponta da sua língua. Talvez fosse proveitoso que a Ministra ficasse falando aquele compilado de bobagens. Sam estava a caminho.

— Aquele homem é o Soldado Invernal, o Barnes que ainda reside na mente dele é um erro que deve ser apagado. — A mulher prosseguiu, como se estivesse falando de arquivos obsoletos em um computador e não de uma pessoa. — E o Soldado Invernal ainda tem muito o que fazer, ele nasceu para moldar o mundo com seu punho de ferro, esse é o destino dele.

— Claro, para moldar o mundo segundos as vontades filhas da puta da Hidra. — Savannah retrucou antes que de fato conseguisse conter as próprias palavras.

Nunca foi do tipo que permanecia calada, então se manter calma, enquanto ouvia aquela Ministra desprezível falar daquele jeito de James lhe era um grande martírio. Nunca quis tanto encontrar algo afiado que pudesse enfiar no olho de alguém quanto naquele instante.

— A Hidra não existe mais, querida. — Von Bardas declarou com um sorrisinho de canto. —Não se engane com as instalações e os símbolos ainda persistentes. A Hidra, assim como James Barnes, está morta.

Vai se foder sua psicopata de merda. Savannah teve que morder a língua para não despejar as palavras ácidas que sua mente formava.

— Talvez você não acredite, mas eu também não gostava deles. — A Ministra se colocou de pé enquanto falava. — Eram péssimos, por isso eu eliminei cada membro restante. Tenho planos muito melhores e mais importantes para o Soldado Invernal. Assim que acharmos o que eu estou procurando faremos do mundo um lugar melhor, eu comandarei tudo, então não haverá mais nenhum motivo para guerras.

Parecia até que ela falava de algo bom, mas Savannah não acreditava em uma só palavra; exceto talvez na capacidade que aquela mulher tivera de realmente eliminar toda a Hidra. Tinha plena convicção que Lucia Von Bardas era a pessoa com quem James tinha pesadelos, a mesma que o mandara matar crianças em sua busca por algo chamado “Estrela Cadente”. Será que era isso que ela ainda queria?

— Então, é bem simples. — A Ministra se encostou na ponta da mesa, bem perto de Savannah, teve até a ousadia de tocar-lhe os fios ruivos. — Você é jovem e bonita, e eu acho que não é burra, tudo que você tem que fazer é ir embora. Desista dessa ideia estúpida de resgatar um homem que já está morto faz muito tempo. Quando os amigos que vocês têm em comum perguntarem por ele, diga que James Barnes foi embora, seguiu novos caminhos. — Ela deu de ombros como se fosse simples. — Em troca, eu vou te dar algo, é claro.

Savannah mal acreditou no que tinha acabado de ouvir. Aquela maldita tinha acabado de sugerir que James fosse abandonado?

— Vamos começar com dinheiro, alguns milhões talvez, isso não vai ser um problema pra mim, e pelo que eu vi da sua vida eu acho que você realmente precisa... — Continuou, como se estivessem no meio de uma transação comercial. — E depois eu te dou algo maior, melhor até. Estou atrás de algo que pode me dar tudo que eu quiser, então posso dar um pequeno desejo pra você também. — Ela sorriu de um jeito quase vil. — O que acha de sua mãe de volta?

As palavras rondaram pela mente de Savannah duas vezes até que fizessem sentido, como um clique de uma luz que se acende ela entendeu tudo: “Estrela Cadente” certamente era algo que realizava desejos, por isso Von Bardas estava oferecendo trazer alguém de volta a vida...

A pergunta lógica “fazer algo assim é mesmo possível?” foi ignorada, afinal Savannah tinha visto meio mundo voltar a vida depois de virar pó, trazer uma única mulher não devia ser assim tão difícil. Sim era possível ter sua mãe de volta...

Mas “possível” nunca foi sinônimo de “certo”.

— Sim, eu já descobri sua trágica história. Ficaria impressionada com o quão fácil é entrar nos arquivos da polícia. — Outro dar de ombros casual da Ministra e então seus olhos caíram sobre Savannah de um jeito quase compassivo. — E acredite, eu sei como é... Perder a mãe tão cedo... Eu posso te dar isso de volta. Você só tem que ir embora.

Ela apontou displicentemente para a porta, parecia simples até. Savannah se colocou de pé e encarou Lucia Von Bardas de frente, erguendo um pouco o queixo.

— Você pode saber tudo da minha vida olhando alguns arquivos online, mas claramente isso não significa que você conhece porra nenhuma de mim... — Declarou em um tom firme e recebeu um olhar curioso da Ministra. — Eu nunca desistiria do James, não importa o que você me oferecesse.

Von Bardas suspirou e virou os olhos de forma entediada. Savannah sabia que precisava ser ponderada e calma, assim ganharia tempo até que Sam chegasse. Talvez ter mentido ali tivesse sido uma alternativa melhor, porque isso garantiria seu bem estar, no entanto ela não era assim, não era de ficar calada, não era que ponderar as palavras e muito menos de contar mentiras que livrassem a própria pele enquanto outras pessoas sofriam sozinhas.

Savannah não abandonava ou desistia dos amigos, e certamente não faria nada disso quando se tratava do homem que amava...

— E você está errada pra caralho! Ele não está morto, o que você chama de “Soldado Invernal” é apenas fruto das merdas da Hidra, isso sim não é existe, não é quem ele é de verdade. — Continuou, ainda mais convicta. — O nome dele é James Buchanan Barnes, Bucky, para os amigos, ele não é a porra de arma, ele não é seu punho de ferro e ele com certeza não é seu escravo.

As duas se encararam por breves momentos, Savannah ergueu ainda mais o queixo e cruzou os braços.

— Se ele quiser assumir a alcunha de Soldado Invernal outra vez, ele vai fazer isso sendo um herói, não como uma arma controlada. — Pontuou, tendo plena certeza do que dizia. — E se você tem esperanças de qualquer coisa diferente disso, então você é louca pra caralho.

Savannah com certeza não esperava pelo tabefe que lhe atingiu em cheio, o golpe mais pareceu dado por uma barra de ferro, não só pela violência e força contida ali, mas também porque a mão de Lucia Von Bardas era pesada e dura. O impacto lhe jogou no chão com uma facilidade quase irrisória. A Ministra com certeza não era uma mulher comum.

— Parece que você fez sua escolha então... — Ela declarou, observado a jovem ruiva de cima, com os olhos cheios de desdém e raiva. — E foi a escolha errada, só pra constar.

Savannah prendeu o ar e trincou os dentes, ignorando a dor em seu rosto para se apoiar nas mãos na tentativa de se erguer do chão, porém mal tinha se movido quando a porta abriu novamente.

— Pronto para seguir ordens, Madame. — O mesmo brutamontes careca e com tatuagens estava ali, parado em uma postura dura, como se tivesse sido chamado, embora Von Bardas não tivesse dito nada ou sequer apertado algum botão.

Aquilo era estranho...

Logo em seguida apareceu o Doutor, deu para ouvir seus passos rápidos pelo corredor, antes que ele entrasse, quase como se estivesse esperando por esse momento. Assim que entrou na sala, se espremendo entre a porta e o careca russo que não se moveu um só milímetro, seus olhos pousaram em Savannah.

— Vejo que terminou com a garota. — Ele deu um sorriso ladino e muito mais interessado que o aceitável. — Ela pode me ser útil em...

— Eu te trouxe o porteiro, fique feliz com isso. — A Ministra cortou imediatamente e pousou os olhos no careca por menos de um segundo, fazendo com que ele se movesse no mesmo instante, quase como se pudesse ouvir os pensamentos dela.

— Levantar, Menina Migalha. — Disse daquele jeito enrolado e puxou Savannah do chão pelo braço, como se ela fosse uma simples boneca de pano.

Lucia Von Bardas lançou um olhar nada satisfeito para seu capanga e então focou no Doutor Freakmann.

— Discordo sobre a utilidade da fala, é apenas irritante. — Ela disse, retomando um assunto anterior. — Tire isso junto com o senso de humor inoportuno que ele mantém.

— Já conversamos sobre alterações na personalidade do Nik, isso é... — O Doutor tentou retrucar, mas foi interrompido no mesmo instante.

— É, eu já sei. Já ouvi as desculpas de sua incompetência. — A irritação de Von Bardas era evidente. — Tire só a fala então. — O médico, ou seja lá o que ele fosse, pareceu prestes a retrucar, mas a Ministra não se importou em ouvir. — Arranque a língua se for necessário.

Savannah encarou o homem ao seu lado no mesmo instante — Nik — ele não esboçou reação alguma, mesmo quando ouviu a ordem sobre arrancarem sua língua. O primeiro pensamento que ela teve foi que o homem simplesmente não se importava, mas então uma ideia cortou sua mente e isso pareceu fazer muito mais sentido. Ele era controlado de alguma forma, assim como James costumava ser...

Se isso fosse verdade aquele homem enorme era apenas uma vítima, assim como o Soldado Invernal.

— Eu vou me preparar para o meu reencontro com meu velho amigo. — Lucia Von Bardas declarou, passando por eles em direção a porta que se abriu automaticamente. Era óbvio que estava falando sobre o alter ego de Barnes.

— E a garota? — Doutor Freakmann questionou e talvez Savannah devesse começar a prestar atenção naquela obsessão, mas a verdade é que estava muito mais preocupada com James do que consigo mesma.

A Ministra pousou os olhos nela e sorriu de um jeito venenoso e cruel.

— Eu vou provar que estou certa. — Declarou cheia de presunção e deu um passo na direção de Savannah, tocando o rosto dela em uma quase caricia muito invasiva. — Quando meu Quebra-Nozes voltar, a primeira missão dele vai ser quebrar seu pescocinho e então a última coisa que você vai entender, antes de morrer, é que não existe “James” nenhum.

Ela teve a audácia de mandar um beijo antes de deixar a sala, enquanto a porta metálica se fechava automaticamente. Savannah prendeu a respiração, pela primeira vez teve medo, mas não por si mesma... ela teve medo que a Ministra realmente conseguisse reativar a lavagem cerebral que James tinha lutado tanto para reverter.

Ele não suportaria uma coisa daquelas outra vez... Principalmente se Von Bardas ordenasse algo tão cruel.

O homem chamado Nik se moveu, arrastando Savannah junto e apertando um botão que abriu a porta outra vez. Não passou despercebido para a jovem, que as portas do lugar se abriram automaticamente para Von Bardas, mas não para os outros.

Tinha algo com aquela mulher, algo que definitivamente não era normal.

Enquanto caminhavam por um outro corredor lateral, também todo de pedra e ferro Savannah notou que várias das paredes tinham marcas do que pareciam garras, profundas e compridas, quase como as de um animal, não que houvesse mesmo um animal que pudesse fazer aquilo em paredes tão fortificadas como aquelas...

Logo Doutor Freakmann estava andando ao lado deles, os passos apressados para acompanhar os de Nik, já que o careca russo dava quase dois do médico.

— Quais são suas ordens, Nik? — Ele perguntou, mas o outro sequer parou para responder.

— Prender Menina Migalha e vigiar até Madame chamar. — Disse, enquanto caminhava decididamente.

Savannah franziu as sobrancelhas, nenhuma única palavra tinha sido dita sobre aquilo... Se sua teoria estivesse certa e o homem fosse mesmo controlado, então Von Bardas tinha encontrado um jeito de dar ordens não verbais a ele. Mas como?

— Ela informou onde deve prender a garota? — Freakmann questionou e recebeu um menear negativo de Nik. — Então venha, coloque-a no meu laboratório, é mais seguro.

O médico saiu na frente, cortando o corredor em pequenos passos apressados, Savannah não gostou daquilo, muito menos da empolgação que viu pintas os olhos daquele médico estranho. Por algum motivo absurdo conseguia se sentir menos ameaçada pelo brutamontes do tamanho de um urso do que pelo Doutor Freakmann.

Seja lá o interesse que ele tinha nela, não podia ser bom...

Continuaram seguindo pelo corredor e passaram por uma sala com vidros que davam visão para quem estivesse de fora, dali ela pôde ver um grande salão escuro cheio de aparelhagens estranhas e bem no centro uma cadeira e uma máquina bizarra, onde dois homens exatamente iguais a Nik guardavam um corpo masculino preso na cadeira com pares de grandes travas metálicas, tanto nos pés quanto nos dois braços.

James.

Savannah tentou se soltar do grandão, se debatendo sem controle e chamando o nome do homem que amava, mas Barnes continuava desacordado.... E talvez isso fosse bom naquele momento.

Sam tinha que chegar logo.

— Não! — Nik a segurou firme e a jogou sobre o ombro como se ela fosse um saco de batatas que pesa praticamente nada.

Se debater e chutar parecia totalmente inútil, porque era evidente que o homem tinha pelo menos cinco vezes sua força.

— Aqui. — Freakman apontou outra porta metálica, que se abriu ao toque de um botão e um tipo de laboratório claro demais, fez com que Savannah piscasse diversas vezes.

No centro uma grande mesa de controle cheia de botões era o destaque do lugar, em uma das paredes diverso monitores, e na frente dela um espaço maior, com algumas macas que e instrumentos médicos, além disso, de cada lado da sala uma câmara; eram construídas diretamente presas na parede, rodeadas por vidros dos outros três lados, formando um tipo de cela sem grades, onde havia nada mais que uma maca e tubos estranhos vindos do teto. Em uma delas havia um senhor, ele estava desacordado e deitado na maca ali dentro. Devia ser o porteiro que Abby havia citado que também fora capturado.

Enquanto o Doutor seguia para as aparelhagens, Nik praticamente jogava Savannah na segunda câmara, mas sequer se dava ao trabalho de fechar o vidro, apenas se colocando na frente da entrada.

Ela deu uma olhada rápida do lugar, um ambiente claro, retangular e simples, sem qualquer luxo ou objeto sobressalente que pudesse ser usado como arma, a própria maca, feita de ferro, era grudada no chão e não possuía lençol ou travesseiro...

— Madame mandar quebrar pernas se tentar fugir. — Nik declarou, dando um passo para trás e se colocando em posição de guarda, as mãos atrás das costas e as pernas um pouco separadas.

Savannah sabia que podia tentar correr, porém entendia que não iria longe, além disso ela não duvidava nada que o homem realmente quebraria suas pernas, se ela tentasse escapar.

— “A Madame me mandou quebrar suas pernas, se você tentar fugir”. — Ela corrigiu a fala de Nik, no fundo tentado encontrar um pingo de humanidade nele. James tinha despertado da lavagem, se aquele homem tinha passado pelo mesmo, então ele também podia. — O mínimo que ela podia fazer é te ensinar a falar nosso idioma direito, já que quer dominar o mundo.

— Não precisar falar outros línguas, falar irrelevante para Madame. — Nik retrucou sério e Savannah sentiu dó dele de verdade.

Era evidente que o homem era tratado como uma “coisa”, e ver isso tão de perto a fazia pensar instantaneamente em James. Ele não podia passar por tudo aquilo outra vez...

— Ela te trata como lixo, por que a obedece? — Ela respirou fundo, focando em provar que sua teoria sobre aquele homem ser controlado era verdadeira.

Se tudo desse certo — e tinha que dar — talvez no fim daquele dia, quando Sam finalmente aparecesse, eles resgatariam não apenas James, mas aquele pobre homem chamado Nik também...

— Só existir ordens, nada mais. — Ele respondeu firme. — Se não cumprir ordens Cerberus ser punido.

Savannah franziu a sobrancelhas, já tinha ouvido o nome “Cerberus” desde que tinha chegado ali, devia ser algum tipo de codinome, como Soldado Invernal ou Capitão América... Ela lembrou que algo sobre chips fora citado quando a Ministra e o médico falavam disso.

Será que era assim que ele era controlado?

— Ele não pode evitar. Nik, Vlad e Leo, são os soldados perfeitos. — Freakmann se pronunciou e o tom de orgulho em sua voz era inegável. — Totalmente a prova de falhas.

Savannah pensou em ignorar o homem, porque tinha uma péssima impressão dele, mas ao mesmo tempo queria saber mais e naquele instante o Doutor parecia disposto a falar.

— Como? — Ela perguntou, olhando para ele através do vidro da cela.

— Cerberus é minha melhor criação, eles são conectados a Von Bardas por chips intraneurais, é assim que ela dá ordens sem precisar verbalizar nada. — Ele disse enquanto mexia nos aparelhos e logo acendia algumas telas na parede da frente. — Claro que isso só é possível porque eu a melhorei também.

Aquele homem não era um médico, ele era um cientista.

E a forma como ele disse aquilo tão facilmente e sem receios, fez com que Savannah tivesse um péssimo pressentimento, Freakmann tinha certeza que ela nunca escaparia daquele lugar com vida, só isso o faria falar algo tão importante sem qualquer preocupação....

— Mas agora estou focado em outro projeto. — Ele sorriu daquele jeito estranho e apontou a câmara em que o porteiro dormia. — Inumanos! — Pareceu muito empolgado sobre isso. — Melhorar humanos comuns é interessante, mas eu posso fazer muito mais com sangue Inumano em mãos. Só preciso de um Inumano primeiro...

Ele continuou focado na aparelhagem, como se fizesse algo muito importante ali. Savannah lembrou de ter ouvido Sierra falar sobre os tais Inumanos, sobre serem pessoas normais até terem habilidades extraordinárias ativadas por um tipo de transmutação.

Era isso que o Doutor Freakmann pretendia fazer ali?

Savannah queria estar surpresa, mas a verdade é que ele tinha mesmo cara de cientista maluco e depois de tudo que acontecera no mundo naqueles últimos anos, fazer experiencias com pessoas que poderiam ganhar habilidades era algo que parecia comum para aquelas malditas organizações secretas...

— Quem sabe esse simples porteiro não é muito mais do que aparenta, não é mesmo? — O médico apontou para a câmara onde o senhorzinho ainda estava desacordado.

— Vocês todos são loucos pra caralho. — Savannah retrucou, sentando na maca logo ali e cruzando os braços.

Precisava pensar em algo que ajudasse James, não nos devaneios de um cientista desvairado e megalomaníaco.

— Existe uma linha muito tênue entre a genialidade e a loucura, verdade... — O homem declarou, enquanto checava dados nas telas. — Talvez você não tenha capacidade o suficiente de notar as diferenças.

Savannah apenas ignorou, mas sequer teve tempo de ouvir os próprios pensamentos, porque Nik se moveu como se alguém tivesse chamado seu nome repentinamente, mesmo que tudo estivesse no mais absoluto silêncio.

Ele apertou o botão que fechava a câmara na mesa de controle, e logo o vidro se fechou como se não houvesse uma única emenda nele. Nik apontou para Savannah então, advertindo em sua voz carregada de sotaque russo.

— Já saber. Não mexer, ou eu quebrar seus pernas.

Se dirigiu para a saída do lugar em passos rápidos, enquanto a ruiva se colocava de pé e grudava no vidro. Será que era algo com James, por isso ele estava saindo daquele jeito?

— “Já sabe. Não se mexa ou eu vou quebrar suas pernas.” — Ela corrigiu, tentando atrair atenção, mesmo que Nik estivesse apenas esperando a porta do laboratório abrir. — Deviam mesmo te ensinar a falar direito, porque suas ameaças mais parecem piadas.

O homem sequer lhe lançou um só olhar antes de deixar o lugar. Savannah suspirou, se sentindo inútil e derrotada. O que estava pensando afinal? Não era uma heroína, não tinha qualquer superpoder ou treinamento e aqueles, com certeza, não eram apenas encrenqueiros com quem podia bater boca e resolver tudo na base da discussão...

Claro que não se arrependia de estar ali e de tentar achar James, ainda acreditava que Sam chegaria a qualquer momento, mas isso não diminuía em nada sua frustração, queria fazer mais, queria soltar James de uma vez e sair dali, mas a cada segundo que passava isso só se mostrava mais improvável.

Era só uma garota normal afinal, o que poderia fazer contra um cientista louco, três brutamontes aprimorados e controlados por chips intraneurais e uma Ministra psicótica que provavelmente também era “especial” de alguma forma?

Voltou a se sentar na maca e encostou a cabeça na parede de pedra e ferro atrás de si, logo notou que Freakmann lhe olhava com atenção demais, quase como se ela lhe fosse familiar. Ele estava prestes a dizer alguma coisa, quando o homem na outra câmara acordou assustado e desnorteado.

Savannah viu o sorriso do Doutor de abrir de um jeito doentio enquanto o pobre porteiro implorava para que o deixasse ir. Freakmann sequer deu atenção aos lamentos ou as lágrimas, sequer se comoveu quando o senhorzinho disse que tinha filhos e família. Ele continuou mexendo nos painéis eletrônicos e programando algo que parecia conectado diretamente com a câmara do porteiro.

— O que vai fazer com ele? — Savannah questionou, se colocado de pé e batendo em seu próprio vidro.

Freakmann sorriu, como se lhe agradasse poder falar sobre suas experiencias.

— A câmara é equipada com tubos de entrada e dutos de ventilação. — Ele apontou o teto da cela. — Assim que eu apertar esse botão um pouco de um pó feito de cristais muito especiais e difíceis de encontrar são lançados lá dentro. — Foi explicando, fazendo com que o homem preso ali ficasse ainda mais assustado — Assim que o pó tocá-lo uma camada sólida cobri-lo, como um casulo e, se ele for especial, ele vai se metamorfosear, um processo que pelos meus estudos se chama terrigênesis, então renascerá como algo totalmente novo e extraordinário. Um inumano.

Ele apertou o grande botão vermelho e uma voz robótica começou uma contagem regressiva para a “injeção de partículas na câmara”, enquanto isso uma luz azul piscava freneticamente.

— E se ele não for especial? — Savannah questionou urgente, enquanto o homem do outro lado batia no vidro de forma desesperada.

— Então ele morre. — Doutor Freakmann deu de ombros como se não fosse nada demais. — Mas não se preocupe, aqui do lado de fora é perfeitamente seguro. Aí também na sua câmara também. Eu controlo exatamente por onde as partículas são liberadas.

Ele apontou o painel, sua voz quase ofuscada pelos gritos do porteiro e pelo bater no vidro. A contagem macabra chegou ao fim, fazendo com que algo fosse liberado no ar, era um tipo de fumaça ou pó, muito fino, mas claramente visível a olho nu.

O prisioneiro colocou as duas mãos sobre o rosto, tampando nariz e boca, como se isso fosse impedi-lo de respirar as partículas, porém tal gesto foi totalmente inútil, já que assim que o pó tocou sua pele ele começou a ser coberto por um camada que parecia pedra e que vinha de parte alguma, logo ele estava totalmente coberto, petrificado, como um casulo ou uma estátua.

Os gritos cessaram e um silêncio sepulcral tomou conta do laboratório. Doutor Freakmann apertou outros botões e algo que parecia o monitoramento de sinais vitais surgiu em uma das telas. Não havia nada.

— Que pena. — Ele declarou, mas sua voz fria sequer passava qualquer sentimento. — Mortinho.

— Não. — Savannah retrucou batendo no vidro. — Você disse que uma camada sólida o cobriria e que ele viveria.

Ela não queria acreditar que uma pessoa tinha acabado de morrer bem na sua frente, os gritos ainda ecoavam em sua mente, era aterrorizante e cruel. Aquele maluco tinha acabado de matar uma pessoa presa em uma câmara, com um tipo de gás, ou seja lá o que fosse, exatamente como os nazistas faziam com os judeus...

Aquele tipo de crueldade já devia ter sido extinta há anos.

— Não... — Doutor Freakmann retrucou calmamente. — Eu disse que uma camada sólida o cobriria e que se ele fosse especial, ele renasceria como algo novo, o que claramente não foi o caso. Todos os sinais vitais sumiram. Fim.

Outro dar de ombros e ele apertou um segundo botão vermelho no painel.

— Incineração da câmara em quinze segundos.... — A voz robótica voltou a ecoar pelo laboratório, enquanto uma luz vermelha piscava da mesma forma que a azul tinha feito antes.

— Seu maluco de merda! Filho de uma... — Savannah xingava a plenos pulmões quando a porta do laboratório se abriu.

— Madame querer ver Doutor. Soldado acordar agora. — Nik disse daquele jeito enrolado e com sua postura ereta.

O coração de Savannah saiu do prumo. James tinha acordado.

Não! Ele não podia acordar ainda, era muito cedo. Onde estava o Sam?

— Espera! — Ela bateu no vidro, tentando conseguir qualquer atenção, mas o único que olhou foi o Doutor Freakmann, enquanto pegava uma arma estranha de uma mesa no canto e colocava no cós da calça.

Savannah não deixou de notar que outra exatamente ficou ali, para quem quisesse pegar.

— Uma pena que Madame Von Bardas tenha outros planos para você... Eu adoraria usá-la de cobaia. — Foi a última coisa que ele disse antes de sair.

Savannah ficou sozinha então, tentando a todo custo abrir o vidro que fechava a câmera, enquanto a voz robótica continuava sua contagem regressiva a cada vez que a luz vermelha piscava, e o homem petrificado do outro lado realmente não dava qualquer sinal de vida.

No fim dos quinze segundos toda a câmara do prisioneiro foi tomada por fogo, como se o próprio oxigênio inflamasse o ar. As chamas clarearam o lugar todo, mas sequer arranharam o vidro, sumindo pelos dutos de ventilação segundos depois e deixando nada mais que cinzas...

Ela percebeu finalmente que seja lá o que fizesse com o vidro ele continuaria inteiro, afinal nem mesmo o fogo havia danificado nada ali. O lugar era evidentemente reforçado para e contra qualquer coisa...

Deixou que o corpo cedesse de encontro ao chão, as costas escorregando pelo vidro enquanto todo o ar saía de seus pulmões. A mente de Savannah começou a detalhar mil e uma formas de as coisas ficarem ainda piores, o pânico vindo aos poucos e se instalando nos seus ossos conforme os segundos passavam tão lentos que era quase como se fossem horas.

Porém, nada que sua imaginou, nenhuma das possibilidades terríveis que criou, nada disso lhe preparou para o momento exato em que as luzes falharam e o grito masculino cortou o ar...

James.

Estavam torturando ele. E a julgar pelo comportamento das luzes eram eletrochoques.

Savannah abraçou as próprias pernas quando a primeira lágrima rolou por seu rosto, tinha pensado que ouvir aquele porteiro desconhecido implorar pela própria vida era a maior crueldade de todas, mas isso jamais se compararia aos gritos de James cada vez que as luzes oscilavam.

Aquilo a cortava por dentro, doía de formas físicas e emocionais, cada vez a sensação de inutilidade lhe oprimia ainda mais. Se pudesse trocaria de lugar com ele sem sequer pensar nisso...

Nunca foi alguém religiosa, mas implorou a Deus que Sam chegasse logo.

Os minutos passavam com a lerdeza de uma eternidade, cada grito abria um buraco no peito de Savannah e fazia com que mais lágrimas brotassem em seus olhos. Sua dor vinha com doses cada vez maiores de raiva. Lucia Von Bardas tinha que pagar por cada segundo daquela atrocidade...

Quando o silêncio enfim tocou conta de tudo, Savannah tentou controlar sua própria respiração. O que aquele silêncio significava?

Eles tinham desistido? Ou tinham conseguido? Será que Sam havia chegado finalmente? Será que James tinha conseguido se soltar? Sua mente se tornou um grande compilado de perguntas sem resposta e a ansiedade começou a bater descontrolada em seu peito.

Não demorou muito para que o som da porta se abrindo preenchesse o lugar. Quando Nik se aproximou da câmara Savannah já tinha se levantado e estava colada no vidro com o corpo tremendo dos pés à cabeça.

— Cadê o James? O que vocês fizeram com ele? — Perguntou urgente e nervosa.

Nik lhe ignorou em um primeiro momento, mantendo aquela postura firme e abrindo o vidro, Savannah tentou avançar e se esquivar dele, na intenção de correr até a mesa e pegar a arma que o Doutor deixara ali... Apenas uma ideia estupida e impensada, porque foi agarrada pelo braço e jogada sobre os ombros do grandão sem o menor esforço.

— Menina Migalha ser muita mal-educada. — Nik resmungou, enquanto ela se debatia chutando e socando qualquer lugar que tivesse acesso. — Levar para Soldat agora, ordens da Madame.

Savannah respirou fundo, pelo que tinha entendido seria levada até James... ou ao menos ela torcia muito para que ainda fosse totalmente ele.

Nik seguiu pelo mesmo corredor de antes, até que passassem pela sala com janelas de vidro e entraram por uma porta que se abriu automaticamente.

— Ah, aí está nossa convidada de honra! — A voz irritante da Ministra cantarolou e Savannah foi colocada no chão.

Os olhos castanhos-esverdeados seguiram imediatamente para a cadeira no centro do recinto e encontraram os azuis confusos de um James Barnes ofegante e suado. A respiração saía do peitoral desnudo dele de forma ruidosa e desconexa, era possível ver a dor no rosto dele de forma clara e dilacerante.

— Savannah... — Ele murmurou em um fio de voz, franzindo minimamente as sobrancelhas como se não compreendesse o que os próprios olhos viam. Ainda era apenas ele, apenas James.

Ela quis suspirar de alivio, ou talvez tenha desejado se manter forte por ele, mas tudo que conseguiu ao vê-lo naquele estado foi tremer, enquanto se esforçava inutilmente para conter as lágrimas que tentavam escapar de seus olhos.

Os olhos de James demoraram alguns segundos para adquirirem alguma clareza e Savannah viu o entendimento passar pelas íris azuis, antes que ele se movesse violentamente contra as travas de ferro que lhe mantinham preso na cadeira.

— Se você tocar em um fio de cabelo dela eu vou...! — Ele focou na Ministra, com a fúria de quem dilaceraria a jugular da mulher com os dentes se pudesse.

— Não, você não vai. — Von Bardas deu de ombros com um sorrisinho no canto dos lábios. —Essas instalações foram construídas para conter alguém mais forte que você.

Ela deu alguns passos na direção de Savannah e tocou-lhe o rosto, ajeitando seu cabelo ruivo e fazendo com que andasse na direção de James. Os olhos azuis estavam alagados de perguntas sem resposta, que oscilava para um ódio visceral cada vez que focavam na Ministra.

Savannah queria conseguir dizer algo que o acalmasse e que aliviasse a dor de alguma forma, mas no fim ela também era apenas um grande compilado de perguntas sem resposta... Todos aqueles choques para ativar o Soldado Invernal tinham dado errado? Por que ela estava ali? Que tipo de jogo perturbado era aquele?

— Vai ser mais fácil se você parar de resistir. Essa sua estúpida tentativa de tentar se soltar não vai dar em nada. — Lucia moveu a mão em um gesto displicente e tocou Savannah outra vez, fazendo com que Barnes acompanhasse o movimento com um olhar assassino. — Pelo que eu sei, nessa cadeira ficava alguém com um esqueleto inteiro de metal, não apenas um braço.

Ele tentou se libertar outra vez, inutilmente. Savannah sabia, a julgar pelo vidro reforçado e pelas garras marcadas na parede, que Von Bardas não estava mentindo. Não importava o quão forte James fosse, ele não conseguiria se soltar.

Foi como se ele próprio visse essa verdade nos olhos avelãs, porque parou de se debater e apenas focou em Savannah, como se houvesse um mundo de coisas não ditas entre eles e como se falasse, mesmo sem qualquer palavra, que ela não devia estar ali.

— Vocês dois deviam agradecer por eu ser tão generosa a ponto de deixar vocês se despedirem, antes de começar a próxima parte do processo e usar as palavras. — A Ministra declarou, parada atrás de Savannah, a empurrando um pouco mais para perto, como se quisesse ver o sofrimento nos olhos dos dois. — É a última vez que vocês vão se ver, não desperdicem essa oportunidade.

Savannah tentou buscar algum resquício de esperança entre as batidas apavoradas de seu coração, mas a cada segundo que passava a demora de Sam indicava que talvez as coisas não terminassem como ela desejava...

Ela ainda tinha certeza que ele viria, mas naquele momento não tinha mais tanta esperança que ele chegasse antes que algo pior acontecesse. James seria capaz de resistir as palavras gatilho depois de todos aqueles choques?

Disse a si mesma que sim, com força e convicção, ele era forte, ele podia fazer isso.

— James... eu... — Tentou dizer, mesmo que as palavras saíssem estranguladas pelo choro que ela tentava prender a todo custo. Precisava ser forte por ele.

— Não se preocupe, Savannah. Vai ficar tudo bem. — Os olhos azuis focados nos dela lhe passaram alguma certeza, mesmo através da voz entrecortada pela dor. Sim, ele era forte, James era forte por si mesmo e por ela também.

Savannah assentiu diversas vezes. Confiava plenamente nele, confiava com sua vida se fosse preciso.

— Que fofo... — Von Bardas cantarolou e se afastou na direção de Barnes, enquanto Nik assumia sua posição atrás de Savannah. — Mas você está errado. O Soldado vai quebrar aquele lindo pescocinho assim que ele voltar.

Os olhos azuis oscilaram, raiva, dúvida e pavor. Savannah viu perfeitamente cada um dos sentimentos como se estivessem em sua própria pele, James ainda não sabia o que seria ordenado a fazer, até aquele momento, e a previsão o abalou de forma clara...

— Ele nunca faria isso. — Savannah declarou firme, engolindo suas lágrimas e se munindo de uma força que não tinha realmente, mas que foi alimentada pela certeza em seu coração. Eles tinham que passar força um para o outro, podiam conseguir se estivessem juntos. — Você não conhece o James.

Reprimiu os quinze xingamentos em sua mente e logo percebeu que era facilmente segurada por Nik. Lucia Von Bardas, no entanto, não pareceu nada abalada com aquelas palavras.

— Tem razão eu não conheço James Barnes, e não tenho intenção nenhuma de conhecer. Mas eu conheço o Soldado Invernal, ele virá quando eu disser as palavras e fará o que eu mandar. — Ela disse de forma simples e despreocupada. — Mas tem razão. Existe uma possibilidade de falha.... — Levou a mão ao cós da calça e tirou uma ama dali. — Nesse caso, nada que uma bala na cabeça não resolva, não é mesmo?

Savannah tremeu dos pés à cabeça e seu primeiro instinto foi avançar, mas Nik lhe segurou com facilidade.

— Madame, mas nós podemos... — Freakmann, ali ao lado, tentou argumentar, porém foi brutalmente interrompido.

— Calado! — A Ministra ordenou e os outros dois gêmeos olharam para o cientista no mesmo momento, quase como se fossem apenas uma extensão da ira dela. — Acha que eu quero outro projetinho como o Cerberus? — Ela riu desdenhosa — É o Soldado Invernal ou nada. Agora vamos começar. E é melhor dar certo, porque se falhar como fez com o Cerberus eu tenho uma bala aqui pra você também.

Freakmann assentiu contrariado e Savannah imaginou que o motivo de Nik usar um chip era porque a lavagem cerebral não tinha funcionado. Talvez ele não fosse capaz de fazer aquilo... Encarou James com esperança, mas os olhos azuis não tinham mais nenhuma certeza.

Ele próprio temia não conseguir resistir...

Freakmann fez um sinal e um dos trigêmeos se aproximou da máquina ao lado da cadeira, com alguns sinais rápidos ele indicou o que devia ser feito.

— Espera! — Savannah gritou, antes que o homem exatamente igual a Nik tivesse chance de girar o botão.

Isso atraiu a atenção da Ministra e sem qualquer palavra o trigêmeo deu um passo para trás. Ainda com a arma erguida em direção ao rosto de James, os olhos de Lucia focaram em Savannah, dando a ela a chance de continuar.

— Você não precisa fazer isso... — Ela não conseguiu concluir porque foi interrompida.

— Tem razão, eu não preciso, eu quero. E nada do que você disser vai me convencer do contrário. — Lucia sorriu de forma quase diabólica. — Então alguma última palavra de despedida para o seu namoradinho?

Savannah travou o maxilar e seus olhos encontraram o de James automaticamente, a dor oprimia seu peito e as lágrimas nublavam sua visão. E se desse tudo errado? E se realmente fosse uma despedida?

Se aquela fosse a última oportunidade, então ela tinha que dizer...

— James... — Abriu a boca e respirou fundo, deixando que as palavras se formassem na ponta de sua língua.

— Não diga. Não agora. — Ele pediu, com o olhar um pouco mais firme. — Por favor...

Savannah assentiu, procurando conter as lágrimas. Não podiam fazer daquilo uma despedida.

Lucia Von Bardas apenas revirou os olhos e, como se fosse uma ordem muda, o homem atrás da máquina girou o botão...

Savannah tentou se manter firme quando a primeira onda de choques veio fazendo as luzes oscilarem, assim como ficou evidente que James também tentava se manter no controle da dor.

Demorou pouco menos de cinco segundos para que os dois desabassem, mal daria para saber o que aconteceu primeiro, o grito de James ou o de Savannah implorando para que eles parassem, enquanto de debatia nos braços de Nik. Apenas Von Bardas sorria, os dentes brancos iluminados pelo brilho azul elétrico que vinha do aparelho preso na cabeça de Barnes.

— Não ser obrigada olhar Menina Migalha. — Nik soltou de seu jeito meio bruto, mas ainda soou quase acolhedor. — Só não poder interferir.

— Nada disso. — Freakmann a puxou como dava, já que a ruiva continuava presa pela mão do outro, como se suas ordens fossem apenas não soltá-la...

O cientista puxou o queixo de Savannah em direção a cena, obrigando-a a assistir.

— Aí está... — Sussurrou bem perto da bochecha de Savannah, enquanto ela sentia as lágrimas rolarem. — Escuta... Apenas escuta.

Quando os choques cessaram alguns segundos depois, os olhos de Lucia caíram sobre Savannah e Freakmann por um momento.

— Vamos ver se você é competente em pelo menos uma coisa. — Ela disse, enquanto se aproximava de James com a arma em punho.

Nik se afastou então, quase como se tivesse sido ordenado a isso, mas Savannah não teve chances de ir longe, porque estava nas garras nojentas do cientista, que colocou ainda mais o corpo perto do dela, quando encostou uma arma na base de sua coluna.

Dois dos trigêmeos se aproximaram da cadeira, então o terceiro religou o aparelho, sem que James tivesse sequer tempo de controlar a respiração e abrir os olhos. A nova onda veio junto com uma sequência de palavras russas, ditas por Lucia, algo que aos ouvidos de Savannah parecia mais um feitiço macabro de invocação da morte.

— É hora da verdade... — Freakmann sussurrou, pressionando a arma contra as costas da jovem.

A ideia idiota de arrancar aquilo dele passou pela mente dela, um ensinamento bobo vindo de seu pai há anos, algo que nunca daria certo...

E mesmo que desse certo; uma arma, três brutamontes treinados, o doutor bizarro e a ministra psicótica, era gente demais para que lidasse sozinha, mesmo que ainda lembrasse o passo a passo de uma demonstração rápida de como tirar a arma de alguém e atirar, que tinha visto com sete ou oito anos de idade, enquanto o pai de gabava.

Não teria chances contra eles.

Os choques cessaram e logo depois a voz da Ministra também, a expectativa podia ser sentida no ar; os trigêmeos prontos para qualquer coisa, Von Bardas com a expressão indecifrável e o coração de Savannah batendo apertado no peito, enquanto o medo se misturava com a ansiedade, revirando seu estômago e provocando tremores por todo seu corpo.

— É agora... — Freakmann sussurrou quase para si mesmo, quando Barnes abriu os olhos.

Seu peito subia e descia sem ritmo, a respiração ruidosa se acalmando aos poucos. Savannah esperou que os olhos azuis focassem em si, mas isso não aconteceu, James tinha o olhar vago e perdido em um ponto qualquer do recinto parcialmente escuro.

Não...

— Gotov soblyudat'. — Ele disse as palavras em russo, e mesmo que Savannah não as entendesse ela soube, pelo sorriso no rosto de Lucia Von Bardas e pelo tom de James, exatamente o que aquilo significava.

Pronto para obedecer...

— Viu só? — A Ministra olhou por cima dos ombros com um ar de deboche no canto dos lábios. — Eu sabia.

Ela entregou sua arma para um dos trigêmeos e se aproximou alguns passos de Barnes. As lágrimas de Savannah nublavam sua visão e escorriam sem impedimentos. Aquilo não podia estar acontecendo...

— Bem-vindo de volta, Soldat. — Von bardas saudou, escorregando os dedos pelo braço direito de Barnes e focando os olhos em Savannah como um desafio.

Instintivamente a jovem sabia que o único motivo para a Ministra não estar falando em russo também, era para lhe afrontar diretamente. Lucia queria que Savannah soubesse tudo que o Soldado seria ordenado a fazer...

— O que eu vou mandar você fazer primeiro...? — A voz feminina estava cheia de um deboche implícito, enquanto ela continuava a acariciar James com os olhos fixos em Savannah.

Os trigêmeos deram alguns passos para trás, quase robôs agindo ao mesmo tempo e no mesmo ritmo. Von Bardas ficou na frente do Soldado Invernal e finalmente as travas que o prendiam foram abertas, como um passe de mágica.

Savannah entendeu que, seja qual fosse, a habilidade daquela mulher estava intimamente ligada a aparelhos eletrônicos e tecnologia no geral. Era assim que ela controlava Nik e os outros, e também era assim que tudo perto dela funcionava sem que comandos físicos fossem necessários. Talvez também fosse assim que ela tinha conseguido informações tão rápido e já sabia o nome e a vida toda de Savannah quando as duas ficaram cara a cara...

— Quero que mate a ruivinha para mim. — A Ministra ordenou, dando alguns passos até ficar perto demais de Barnes. — Mas primeiro... um beijo é claro.

Savannah sentiu o asco lhe subir à garganta, enquanto a raiva corria quente por suas veias de forma corrosiva. Não se lembrava da última vez que tinha odiado tanto alguém tão rápido e tão intensamente como tinha passado a odiar aquela maldita mulher.

O Soldado Invernal se colocou de pé, os olhos frios focados em Von Bardas de modo duro.

— James... por favor... — Savannah chamou, sua voz saindo pouco mais que um lamento.

— Calada! — Lucia ordenou, dando mais um passo e tocando o peitoral dele.

Savannah quis fechar os olhos, mas seu cérebro não correspondeu aos seus comandos, um único beijo não devia ser tortura, porém saber que James só faria isso porque estava sendo controlado era ultrajante e nojento.

Ele deu mais um passo e ergueu a mão de vibranium, para tocar a Ministra, Savannah prendeu a respiração, como se isso pudesse conter o enjoo e a bile em sua garganta, seu coração parou uma batida, esperando pelo beijo... que nunca aconteceu.

Os dedos de metal se fecharam no pescoço de Lucia Von Bardas e os olhos azuis de James pousaram em Savannah por um único milésimo de segundo. Ele estava fingindo.

As palavras não haviam funcionado.

A jovem mal teve tempo de sorrir antes que a tensão ao redor deles explodisse como uma bomba e tudo se tornasse violência e caos. Os trigêmeos avançaram ao mesmo tempo que James largava a Ministra para o lado com violência para escapar de um ataque conjunto. O som metálico preencheu o ambiente, algo mais que o punho do Soldado Invernal se protegendo dos disparos da arma que Von Bardas havia dado para um dos irmãos de Nik.

Savannah foi puxada para trás em um gesto instintivo, Freakmann usando o corpo feminino como proteção, enquanto o cano da arma permanecia pressionado conta a base da coluna dela.

Mais tiros, os olhos de avelã mal conseguiam acompanhar a luta violenta que se desenrolava ali; James era forte e habilidoso, mas eram três contra um, e ficou evidente que o nome Cerberus era mais que algo meramente impactante; Nik e seus irmão de fato agiam como um cão de três cabeças, movimentos sincronizados e ferozes, que se completavam como uma dança ensaiada.

Savannah processou o corpo feminino se levantando, Von Bardas fora lançada sobre o oposto do salão, contra uma pilastra que agora estava parcialmente rachada e mesmo assim ela parecia... bem?

Quando a ministra ergueu o rosto junto com o corpo a boca de Savannah se abriu em espanto, a carne tinha um rasgo, mas não havia sangue, por baixo da pele da bochecha o brilho do metal cintilava no ambiente parcialmente escuro.

— Ela é linda, não é? — Doutor Freakmann soprou orgulhoso.

Savannah não sabia o que Lucia Von Bardas era... apenas partes de seu corpo tinham sido substituídas por metal, como o próprio James? Ou era mais que isso? A julgar por tudo que sabia, a jovem presumiu que as modificações iam além do corpo, estavam de alguma forma integradas também à mente da Ministra.

Isso fazia dela um tipo de androide?

Quando os olhos raivosos pousaram em si, ela soube que precisava pensar rápido, James estava ocupado com Cerberus e era evidente que a Ministra estava decida a vir em sua direção.

Afinal que forma mais simples de fazer o Soldado se render do que capturando Savannah?

Respirou fundo, sentindo a arma colada em suas costas, enquanto Doutor Freakmann estava tenso, focado na luta violenta que acontecia logo ali, quebrando instrumentos de todo o tipo e manchando o sangue de chão. Savannah fechou os olhos e tentou se lembrar de tudo que tinha visto o pai fazer anos antes, quando era apenas uma criança. As chances de dar tudo errado eram muitos, mas ela tinha que tentar...

Pisou no pé do cientista com toda a força que tinha, acertando uma parte qualquer do corpo dele com o cotovelo antes de se virar já com a mão direita em direção a arma, tirando-a do caminho que atingiria seu próprio corpo antes que o disparo saísse em uma direção qualquer. Em seguida, jogou o punho esquerdo direto no nariz de Freakmann e conseguiu pegar a arma para si.

Sorte, oportunidade ou o fato dele ser apenas um cientista despreparado, tanto fazia o motivo, o que importa é que ela tinha a arma firme na mão direita quando deu alguns passos para longe dele, caminhando para trás, enquanto Von Bardas se aproximava com um sorriso no rosto e Freakmann segurava o nariz com ódio no olhar.

— Não se mexe, ou seu juro que atiro. — Ela advertiu para o doutor, segurando a arma com as duas mãos e notando que não era qualquer modelo conhecido, parecia uma coisa tecnológica demais com luzes azuis na lateral.

— Não atira, não. — Lucia riu, calma, se aproximando devagar, enquanto a luta para a qual Savannah não podia desviar os olhos seguia barulhenta e preocupante. James podia lidar com os três homens?

Freakmann soltou o nariz e deu um passo, Savannah respirou fundo, calculou o melhor lugar não letal e puxou o gatilho, sem pensar ou piscar. Quando se tratava da segurança de alguém que ela amava, nunca haveria hesitação.

Sentiu o tranco leve da arma e atingiu a coxa esquerda do Doutor, obviamente não queria matar ninguém, mas incapacitá-lo parecia uma boa ideia, no entanto, embora claramente o projetil tenha perfurado a calça e atingido a pele dele, não ouve sangue, apenas uma fumaça quase imperceptível e o homem desabou desacordado.

Savannah encarou a arma de novo e lembrou de Abby descrevendo os tiros que desacordaram James sem qualquer vestígio de sangue. Então era isso que aquela coisa fazia?

Mirou em Lucia, as duas mãos firmes e o peito subindo e descendo controladamente, saber que não machucaria ninguém de verdade lhe deu um pouco mais de coragem e certeza. Atirou duas vezes, enquanto a mulher se aproximava vagarosamente como uma felina prestes a atacar.

Lucia aparou os tiros com o antebraço, os projéteis atingindo-lhe a pele e revelando o metal por baixo dela.

— Essa munição precisa entrar em contato com o sistema sanguíneo pra fazer efeito, lindinha. — A Ministra sorriu de maneira vil. — Quase metade do meu corpo foi substituído por metal e próteses orgânicas por causa de um acidente, será que você acerta o tiro em um lugar útil, antes que eu alcance você?

Savannah tentou outra vez, mas o tiro novamente foi aparado por metal sob a pele. Uma arma de verdade seria muito mais útil...

— Conselho de amiga... Eu acho que você devia correr. — Ela declarou com a voz carregada de presunção e sarcasmo, em seguida a porta atrás de Savannah se abriu automaticamente.

Era algum tipo de brincadeira sádica, perseguir a presa e causar medo, claro que era, mas ainda assim soava melhor do que ficar ali parada e se deixar ser capturada...

Em mais uma olhada rápida percebeu que James havia derrubado um dos trigêmeos, talvez ele tivesse uma chance com Von Bardas longe.... Savannah sabia que cedo ou tarde seria capturada, e que sua captura era um passo rápido e curto para a morte, então adiar isso e ganhar algum tempo parecia a ideia inteligente, mesmo sabendo que era obviamente algum tipo de armadilha.

James podia ganhar a briga antes que algo pior acontecesse, ou talvez Sam chegasse primeiro...

Tentou outro tiro, mesmo sabendo que não obteria sucesso, era apenas para aproveitar o curto momento que Von Bardas perderia para se proteger do projétil. Savannah começou a andar de costas então, em direção a porta aberta e ao corredor pelo qual viera.

Dali poderia seguir por dois caminhos, escolheu o que conhecia parcialmente. De repente lhe ocorreu que sair do complexo pelo mesmo lugar que havia entrado era uma boa ideia, não só porque teria mais espaço, mas também porque lá fora a Ministra não teria nada tecnológico para controlar.

No entanto, cada vez que pretendia ir por um caminho, as portas automáticas se fechavam e ela tinha que desviar para outro lado, aumentando a velocidade e a ansiedade latente em seu peito. Toda a instalação tinha portas de emergência que desciam do teto, quase como se fossem projetados para conter a fuga de alguém. Estava claro que seus passos eram controlados naquele jogo de gato e rato.

Depois do quarto ou quinto desvio, Savannah não tinha mais tanta certeza de onde estava, seus pulmões ardiam e sua respiração não tinha mais ritmo, uma enorme sala se abriu a sua frente, um tanque com uma água turva podia ser visto ali, e os aparelhos pareciam conter metal em seus tubos. Cada pilastra do lugar estava marcada pelas garras animalescas...

Savannah não podia parar e sabia disso, os sons da luta ainda ecoavam entre as paredes de pedra e ferro, provando que ao menos Bucky não fora abatido, mas também não havia vencido.

Deu uma olhada para o corredor do qual viera e não havia ninguém, parou por um instante para respirar então, tirando um segundo para pensar e notando que na verdade não havia qualquer indício de que Von Bardas estava atrás de si, a não ser pelas portas fechando...

Merda, e se ela tivesse voltado atrás do James?

Decidiu dar meia volta e parar de fugir, mas a porta pela qual viera se fechou, assim como as outras da grande sala, deixando disponível apenas uma pequena saída lateral, que mais parecia uma passagem secreta. Sem muita escolha e com o coração aos saltos, começando a se arrepender amargamente de cada decisão que tomara até ali, Savannah seguiu por aquele caminho.

Talvez James estivesse melhor sem ela... Se ao menos Sam chegasse logo isso justificaria suas atitudes impulsivas e poderia ser, de fato, uma solução.

Seguiu por um estreito corredor escuro, sem qualquer outra porta nas laterais, até que outra passagem se abriu no final dele, Savannah lutou com a claridade por um breve segundo, colocando os braços na frente dos olhos.

Quando abaixou a mão, soube exatamente onde estava: no laboratório outra vez... presa em uma daquelas celas com a frente de vidro.

— Eles tinham uma saída de contenção daquela sala. — A voz feminina falou em alto e bom som, enquanto a porta se fechada atrás de Savannah, formando a parede inteiriça novamente. — Era uma forma de conter o que eles projetaram ali, sem precisar entrar em contato direto com ele... Segundo os arquivos era um animal muito selvagem.

Lucia Von Bardas estava ali, encostada na mesa de aparelhagem, encarando as próprias unhas sem qualquer preocupação. Ela tinha feito de Savannah um ratinho em um labirinto com uma só saída, desde o começo a Ministra sabia exatamente onde aquela fuga acabaria...

— Eventualmente o Doutor transformou as celas em qualquer porcaria para os experimentos dele... — Ela apontou os dutos, metros acima dos fios ruivos. — Mas que bom que ele manteve a função principal de contenção delas, não é mesmo?

Sorriu, vil e vitoriosa, e Savannah acumulou todos os palavrões que queria dizer na ponta da língua, porém se manteve calada, quando notou que nada mais ecoava entre as paredes de ferro e pedra. A briga tinha acabado.

— Savannah?! — A voz de James fez um alivio momentâneo correr o corpo da jovem. Ele estava bem...

— Bem na hora! — Von Bardas comemorou, com a empolgação de uma criança que ganha um presente.

Automaticamente algumas telas se acenderam na parede de monitores, e James apareceu nas filmagens de segurança. Ele mancava e estava claramente ferido, com alguns cortes no peitoral ainda desnudo, mas permanecia de pé, andando pelos corredores.

— Savannah?! — Chamou outra vez e já não havia mais qualquer alivio nela, apenas medo.

— Ele acha que venceu, mal sabe que eu pedi para o Cerberus pegar leve. — A Ministra se gabou com uma risadinha irônica e focou seus olhos nos castanhos-esverdeados. — Veja bem, se você não estivesse aqui, eu certamente mandaria os trigêmeos o conterem a qualquer custo, mas você está, então.... Digamos que eu gosto um pouquinho de drama.

— Savannah?! — Um terceiro grito veio e o desespero latente na voz de James era claramente perceptível.

— Vamos responda... — Lucia incentivou em desafio.

Savannah não se moveu, segurava as lágrimas outras vez, jamais atrairia James para uma armadilha, mesmo que sua vida dependesse disso.

Von Bardas soltou todo o ar dos pulmões em um misto de tédio e frustração, para então revirar os olhos exageradamente.

— Estamos aqui, Senhor Barnes. — Ela mesmo disse, mas não parecia satisfeita com isso. Quase como se Savannah estivesse estragando seu showzinho planejado.

Pelas câmeras era possível ver James pegar aquele caminho com uma arma, que ele devia ter conseguido com algum dos trigêmeos, em punho. Seus passos eram rápidos, mas cautelosos, na verdade ele se movia tão silenciosamente que se não fossem as telas mostrando sua imagem não haveria indício algum de que ele se aproximava.

Parou próximo a entrada do laboratório, claramente tentando não ser visto enquanto procurava o melhor jeito de atacar.

Savannah quis dizer alguma coisa, mas a verdade é que sua voz tinha se perdendo em algum lugar no fundo de sua garganta, afogada em medo e angústia... Sim, James era maior, mais forte e mais preparado, porém por algum motivo a probabilidade de tudo aquilo acabar com ele ainda mais machucado parecia muito mais real na mente da jovem, do que a esperança de uma vitória.

E se algo acontecesse com ele, Savannah jamais se perdoaria...

— Sua cautela é mesmo impressionante, mas podemos te ver pelas câmeras. — Von Bardas declarou, enquanto se movia estrategicamente pelo laboratório, e entrava na cela de vidro oposta a te Savannah. — Por que não se junta a nós?

Barnes invadiu o laboratório tão rápido que os tiros cortaram o ar no mesmo instante, mas o vidro de proteção já estava fechado e o máximo que a bala fez foi ricochetear e atingir um dos monitores.

— Eu acho que você errou... — Lucia debochou comprimindo os lábios.

James alternou seus olhos entre Savannah e a Ministra, o peitoral subindo e descendo devagar e a arma ainda erguida, sua atenção parou na mulher de cabelos negros quando ele finalmente notou seu rosto.

— O que? Isso? — Ela sorriu, passando os dedos no metal exposto abaixo de sua pele. — A punição da Hidra foi bem cruel sabe? Mas o Doutor Freakmann cuidou de tudo. Ele costumava ser útil quando focava nas coisas certas... — Deu de ombros com desdém, então se aproximou do vidro e sorriu daquele jeito um tanto vil. — Vê? Eu e o Soldado Invernal somos iguais agora, por isso somos perfeitos um para o outro.

James se limitou a ignorar a Ministra, dando uma rápida olhada para a entrada do laboratório e então focando em Savannah:

— Eu vou te tirar daí. Não se preocupe.

Ele encarou a mesa de controles, claramente em dúvida sobre qual botão deveria apertar.

— Tenta o da esquerda, não aperte o vermelho. — Savannah apontou, praticamente colada ao vidro.

James fez o que ela sugeriu, mas nada aconteceu, era como se nenhum comando funcionasse... Claramente a Ministra estava controlando tudo mesmo de dentro da cela. Foi então que as telas ainda inteiras se ascenderam e uma gravação começou a passar por elas... Uma gravação dos últimos minutos de vida do porteiro que Savannah vira morrer bem ali.

— Acho que deviam prestar atenção no filminho, ele é basicamente o que vai acontecer daqui há alguns minutos. — Lucia apontou com um sorrisinho no rosto.

Savannah entendeu rápido demais qual era o plano e pelo visto James também, pela velocidade que continuava a apertar os botões mesmo que não houvesse resposta alguma de nenhum dos comandos.

— Impressionante, certo? — Von Bardas comentou quando o homem na tela virou pedra. — Gostaria que Freakmann estivesse aqui para explicar exatamente como funciona essa porcaria toda, mas basta saber que é um experimento falho para ele e uma sentença de morte para quem está na cela. — Ela apontou para Savannah.

— Se qualquer coisa acontecer com ela, eu vou acabar com você! — James soprou, tão frio e letal quanto uma nevasca.

— Eu não acho que está em posição de fazer ameaças. — A Ministra se sentou na maca atrás de si despreocupadamente. — A vida da ruivinha está por um fio e Cerberus estará aqui logo, você não tem chances.

— Ela os controla por chip, e mandou que entregassem a luta. — Savannah informou tudo de uma vez só, antes mesmo que Barnes tivesse oportunidade de franzir as sobrancelhas e ignorando a expressão irritada de Lucia Von Bardas. Se James estava correndo perigo, nada mais importava, nem mesmo a própria segurança... — Se você correr tem uma chance de sair antes que cheguem.

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Os olhos azuis a encararam como se ela fosse totalmente insana. Estava claro que James não sairia sem Savannah. Ele desistiu de apertar botões, caminhando em passos rápidos até a cela de vidro.

— Para trás. — Ordenou, sendo obedecido imediatamente pela ruiva.

Bateu no vidro com o punho de vibranium diversas vezes, mas nada aconteceu, nem mesmo uma única trinca.

— Você acabou de ver que essas celas seguram uma explosão certo? — Lucia debochou, apontando a tela onde as imagens ainda eram exibidas em looping. Parecia satisfeita com o fato do soldado ter ficado ao invés de fugir.

James não desistiu, no entanto, como se sequer ouvisse a voz da mulher. Continuou socando, uma vez após a outra.

— Ela está certa... — Savannah lamentou, vendo que não havia uma saída de fato. A presença dela tinha estragado tudo. — Sinto muito, James...

Ele parou por um momento, os olhos azuis encontrando os avelãs, cheios de emoções conflituosas e indecifráveis.

— Eu pensei que podia te ajudar se não perdesse seu rastro. — Ela tentou se explicar, enquanto segurava as lágrimas. — Mas eu...

— Você piorou tudo. — Lucia completou com uma falsa expressão de compaixão, enquanto seu dom denunciava seu deboche. — Por outro lado, eu amo a emoção e o drama.

Ela riu, se levantando e se aproximando do vidro para encarar o soldado. Savannah observou o maxilar de James enrijecer e a raiva alagar seus olhos azuis-gelo.

— Então eu vou dizer como vai ser, você vai soltar sua arma e pegar aquela ali... — A Ministra apontou a mesa, onde uma arma daquela com luzes laterais azuis estavam expostas. — Então vai atirar em si mesmo, pelos menos umas cinco vezes só pra garantir. Quando você apagar eu vou colocá-lo de volta na cadeira e você vai aceitar quantas sessões de eletrochoques forem precisas para que o Soldado Invernal volte, simples assim. Você se submete e ela vive. Você tenta resistir e ela morre. Mas no fim eu consigo o que quero de todo o jeito, com violência, ou sem...

Savannah encarou a mulher na outra cela, o ódio transbordando em seu peito e afastando qualquer outro sentimento, de modo que em um momento fugaz de clareza ela viu as coisas como eram realmente: não havia uma saída, se James não se rendesse ela morria, se ele se submetesse, sofreria, acabaria se tornando o Soldado outra vez, mas de um jeito ou de outro a Ministra não permitiria que Savannah vivesse, isso estava bem claro na mente da jovem.

Era morte de um jeito ou de outro... e Savannah nunca temeu a morte.

Se tivesse que pensar e escolher, claro que preferia as mãos de James em seu pescoço, ao invés de uma fumaça toxica que lhe petrificaria antes do fogo consumir tudo, mas aquilo não era apenas sobre sua morte, era sobre a vida do homem que amava. Não podia permitir que ele tivesse que fazer aquilo, e mais que isso; na primeira opção havia uma chance real de que James pudesse escapar...

Ele abaixou a arma lentamente e a Ministra sorriu, vitoriosa.

— Não faz isso James. Ela está mentindo. — Savannah declarou com a voz firme. — Você ainda tem tempo e o Sam está vindo. Não. Se. Renda. Não faça nada que essa louca psicótica quer que você faça.

Os olhos avelãs encaram a Ministra e ficou evidente que Lucia não gostou nada do que ouviu. Talvez ela tivesse um sério problema com ser chamada de louca.

James estava começando a negar, como se tivesse acabado de ouvir insanidades, mas a voz feminina e irritadiça de Von Bardas veio primeiro:

— Que seja violência então...

Ergueu a cabeça e as portas na entrada do laboratório se fecharam no mesmo momento em que uma passagem se abria atrás dela. Pelo visto não apenas a cela de Savannah possuía uma saída extra.

— Pra provar como eu sou uma pessoa sã e razoável, vou até dar um tempinho para a despedida. — Disse de forma superior, mas seu tom arrogante veio com o costumeiro deboche, antes que seus focassem em James. — Nós vemos em breve, senhor Barnes, vou pedir que Cerberus prepare o helicóptero, pelo visto não é mais seguro aqui. — Pousou a atenção na ruiva então, com um sorriso venoso nos lábios. Quando eles partissem, Sam não teria mais rastro algum para seguir. — Adeus Savannah, foi um prazer te conhecer... Na verdade não foi não.

Virou as costas ao mesmo tempo em que as luzes azuis e vermelhas se acendiam ao mesmo tempo, metade dos monitores indicavam o processo de injeção de partículas iniciando em três minutos, enquanto a outra metade anunciava a incineração da câmara em três minutos e dez segundos.

Von Bardas não apenas havia ordenado a morte de Savannah, ela tinha programado os computadores para fazerem isso da forma mais torturante possível...

Savannah respirou fundo, fechando os olhos por um segundo e assumindo uma postura serena, conformada com a morte certa e eminente, tinha três minutos para garantir que James fizesse a coisa certa e saísse dali.

Ele por sua vez sequer tinha esperado que a Ministra saísse para começar a mexer em todos os botões de uma vez, como se isso magicamente fosse abrir a câmara. Mas é claro que não abriria, Von Bardas era esperta o bastante para desativar qualquer controle manual.

— James, isso não vai funcionar... — Savannah declarou com a voz neutra e calma, parada o mais perto do vidro que podia. — Você tem que focar na porta do laboratório pra sair daqui agora.

— Eu não vou sair daqui sem você! Para de me mandar fazer isso! — Ele aumentou o tom de voz e bateu na mesa tão forte que o painel de controle rachou no meio, e mesmo assim nada mudou, as portas não se abriram e as luzes não pararam e a contagem nas telas não deixou de continuar decaindo. — Eu tinha um acordo nas mãos...

A frustração de James era visível, mesmo antes que ele passasse os dedos de vibranium nervosamente pelos fios bagunçados de seu cabelo castanho.

— Um acordo em que você tem que entregar sua vida para uma maluca psicopata não é um bom acordo. — Savannah devolveu naquela calmaria que lhe era usual, mas que naquele instante não combinava com a situação.

— Era um acordo pra salvar a sua vida. — Ele devolveu sem focar os olhos nela, examinando o local por uma solução alternativa. — Era um bom acordo pra mim.

— Ela me mataria de qualquer forma. Acho que você sabe disso. — Savannah respondeu, querendo que James compreendesse que não havia outra escolha.

Ela cruzou os braços e se afastou alguns passos do vidro, a verdade é que tudo aquilo era sua própria culpa...

— Me desculpa... eu não devia ter vindo, eu estraguei tudo. — Encarou os próprios pés. O tempo passava depressa e parecia haver tanto a dizer. E James sequer olhava pra ela. — Eu queria ajudar, mas eu claramente só... fodi tudo.

— Você está certa, você não devia ter vindo. Droga, Savannah! eu nem sei como você chegou aqui... — O viu descontar toda a frustração nas telas, que deixaram de mostrar a contagem regressiva, embora as luzes ainda piscassem, indicando que o processo aconteceria da mesma forma.

Então os olhos azuis focaram nos avelã finalmente, quando James se virou para se aproximar da cela.

— Mas... você não fodeu tudo, eu nem sei se passaria pelas palavras gatilho sem você

— Sim, você passaria. — Savannah devolveu, assentindo de forma convicta.

— Eu já tinha desistido, mas no momento em que eu vi que você estava aqui, eu soube que não podia ceder, não importa quantos choques ainda me dessem. — James declarou firme, parando na frente do vidro. — Agora me deixa te tirar daí.

Savannah deu um passo para trás por instinto, perdendo os olhos azuis de foco quando os socos contínuos e inúteis começaram. Ela sabia que não adiantaria, e no fundo ele sabia também...

— James... — Chamou, tentando fazê-lo parar, mas Barnes apenas aumentou o ritmo, socando o vidro agora com as duas mãos, mesmo que toda vez que a direta atingisse o alvo desse para ouvir o impacto dos ossos.

Os olhos azuis seguravam o mar nas pálpebras, mas Savannah não conseguia conter lagrimas dela.

— James! — Ela gritou sentindo o coração se partir em mil pedaços tão pequenos quanto flocos de neve. — Acabou.

Ele parou quando ela se aproximou demais do vidro. Ambos ali, de frente um para o outro, perto o bastante, porém distantes demais para um simples toque.

— Não... Não faz isso comigo. — Ele implorou, incapaz de desviar os olhos quando a primeira lágrima rolou em direção a sua barba.

O choro de Savannah ficou estrangulado em sua garganta, porque ela faria qualquer coisa, qualquer uma mesmo, para não partir o coração daquele homem, mas não havia nada que pudesse fazer naquele caso, não podia atender ao pedido dele...

Pousou as duas mãos espalmadas sobre o vidro, sentindo que havia um mundo todo de coisas que queria dizer, mas sabendo que não havia tempo. James posicionou as mãos sobre as dela e todo o resto pareceu estúpido, porque não era justo ou certo que acabasse daquela forma, era ridículo... uma grande piada de mal gosto do universo. Ainda assim, estava acabando, a voz robótica de fundo anunciava isso em contagem regressiva e não havia nada que pudessem fazer sobre isso.

— Eu te amo. — Ela declarou, sabendo que, de todas as coisas que poderia dizer, aquela era de fato a única que importava de verdade. — Você sabe disso, não sabe?

James moveu o rosto de forma afirmativa muito devagar, enquanto as lágrimas dos dois rolavam em conjunto.

Injeção de partículas na câmara iniciada...

Acima dos fios ruivos de Savannah os dutos liberaram a fumaça da terrigênesis... Ela sentiu o corpo aquecer de forma amena conforme a estranha poeira lhe tocava e viu os próprios dedos serem cobertos pela camada petrificada, rápido e indolor, macio de certa forma, quase como ser agasalhada com cinco cobertas ao mesmo tempo.

— Eu... — Ela gostaria de ter ouvido o resto, mas o silêncio lhe engoliu naquele exato momento e a única coisa que conseguiu ver antes da escuridão completa lhe sufocar foram os olhos azuis devastados de James Barnes...

Bucky ainda encara a mão petrificada do outro lado do vidro. Aquilo não podia ser real... Seus joelhos não pareciam capazes de segurar o peso do próprio corpo e pouco lhe importava a luz azul se apagando e a vermelha solitária que continuou a piscar, enquanto a voz robótica anunciava a incineração da câmara.

Savannah estava morta...

De todas as coisas terríveis que tinham lhe acontecido no decorrer da vida, de todas as torturas, choques, surras e ferimentos, nada nunca lhe doera tanto... De todo o sangue que tinha nas mãos, nenhum parecia pesar tanto quanto o de Savannah.

Porque Bucky sabia que a culpa era dele, condenou uma jovem maravilhosa a morte, no momento em que entrou em sua vida. Tinha sido egoísta o bastante para desejar a luz dela e agora essa luz estava extinta para sempre...

Devia saber, não é?

Devia saber quando a viu naquele horrível, devia saber que seu fingimento inútil, apenas para que fosse solto, não adiantaria de nada. Devia ter quebrado o pescoço da Ministra no segundo em que colocou a mão ne vibranium nela. Porém teve escrúpulos, hesitou, e nada nunca lhe custou tão caro...

Era ridículo e injusto, porque Savannah estava bem ali, coberta por algo que parecia pedra, mas ele praticamente podia sentir o calor de sua mão através do vidro... No entanto sequer teve tempo de processar nada, a voz robótica zerou a contagem e a câmara inteira ardeu em chamas bem diante de seus olhos, um momento tão breve, mas capaz de causar mais dor do que o corpo de Bucky suportava, seus joelhos cederam e atingiram o chão, segundos antes que todo o fogo fosse sugado pelos dutos e não restasse nada, nem mesmo cinzas...

Era como se Savannah tivesse sumido no ar.

Bucky tinha perdido tudo.

E o que restava então além de uma mortal sede de vingança, mesmo que isso significasse cair de cabeça em uma missão suicida?

Notas finais
*A instalação e as garras são sim uma referência ao Wolverine, se você entendeu, Steve Rogers está orgulhoso de ti. Então... eu geralmente tenho mil coisas pra falar nas notas, mas dessa vez não tenho nada, a não ser: não contratem assassinos particulares pra vir atrás de mim ainda, porque eu tenho fics pra terminar. E eu sou legal (mentira, não sou, mas enfim...) Bom... apenas alguns capítulos para o fim. Eu aposto que vocês tem teorias (e eu gosto de ler todas elas) Eu vou fazer o meu melhor pra voltar entre domingo e segunda com o próximo, porque eu sei que foi tensa a coisa e precisa de continuação, então, de novo, não contratem assassinos particulares ainda. (A menos que o assassino particular seja o Soldado Invernal, daí tudo bem, pode contratar) Então é isso, nos vemos domingo ou segunda. Beijos e até.